sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Desemprego, Brasília, Europa

Querido diário:
Se não é o mundo que fervilha nesta manhã, certamente é o que faz meu jornal Zero Hora. Além de um tétrico lugar comum daqueles que eu achava ser exclusividade de Lurdette Erthel (e não era apenas ela...) na p.38 ("Um acidente de trânsito interrompeu a trajetória de pai e filho na manhã de ontem, em Vacaria, na Serra." Pode?), há uma tabela, tá aqui ela:
Taxa percentual de desemprego de pessoas economicamente ativas com menos de 25anos de idade, com ajuste sazonal

Países Agosto/2011 Agosto/2012
Grécia 45,8 55,4
Espanha 47,2 52,9
Portugal 30,3 35,9
Irlanda 30,6 34,7
Itália 28,9 34,5
Suécia 22,2 25,7
França 22,1 25,2
Grã-Bretanha 22,0 21,0
Holanda 7,5 9,4
Fonte: p.26 de Zero Hora 19/out/2012.

Há duas rimas importantes para estes números, além da ironia de que o presidente do INSS está para ser demitido do cargo por razões que desconheço, mas intuo: incompetência da repartição.

Primeira rima: Brasília. No caso, rima com George J. Stigler. Explico-me. Stigler disse num local que direi um dia desses que qualquer modelo econômico cujo coeficiente de determinação (r^2 ou R^2) é menor do que 0,5 deve ser substituído pelo lançamento de uma moeda não-viesada. Boazinha, né? Uma coisa é usarmos a retórica e outra é sermos burros (retoricamente), pois Leonardo Monastério já mostrou-me algo educativíssimo aqui sobre o significado deste coeficiente.

Claro que não vou propor o mesmo para o caso do supremo tribunal. Neste caso -como sabemos- sou mais radical, recomendando é seu fechamento. Mas às vezes dá para pensar se não seria o caso de termos as decisões judiciais tiradas na base da cara-ou-coroa. Na linha do trade, tariffs and theft, do afamado artigo de Gordon Tullock, a sociedade não sai perdendo nada quando um ladrão rouba tua televisão (mais rimas...). Mas perde se ele tem a ideia macabra de comprar um pé-de-cabra (e ainda outra) e perde mais se ficas injuriado e compras um cadeado. Mais ainda se ele reforça o pé-de-cabra, e assim por diante. Ou seja, tens um problema com teu amigo? Bota na justiça, que ela resolve por sorteio. Se já fores direto resolvendo com o amigo sem recorrer à justiça, a moeda não-viciada substitui com enormes ganhos de escala a pantomima protagonizada pelo poder judiciário.

Este caso deixou-me novamente estupefato ao ver os escores dos jogos de ontem do julgamento do Mensalão: 5 x 5 aqui e ali. E ainda mais: ministros que votaram no Grêmio passam agora a votar é com o Internacional. E os que apoiaram o Inter passam agora a votar de acordo com o figurino tricolor. Pode? Bebe-se, bebe-se e nada acontece...

Segunda rima: acima da tabela que, modestamente, levou à acima (rima com acima veio cedo), há uma foto com dirigentes da União Europeia, recém laureada com um prêmio nobel daqueles que já foi empalmado por Jimmy Hendrix (Al Gore?) e George Clooney (B. Obama). O que acontece é que a melhor política econômica para combater aquele avassalador desemprego não pode ser simultaneamente o aumento do gasto e a sua redução, o aumento da oferta monetária e sua redução, o aumento dos impostos ou sua redução. A cada par, uma e apenas uma é que seria sorteada com o lançamento de uma moeda não-viesada. Deveriam usá-la e parar com a fofoca.

Mas há ainda um texto em prosa que é mais do que justificado: quando digo que a humanidade deve:

.a. dar solução radical ao problema das drogas (a mente desocupada é a oficina do diabo, ou seja, jovem desempregado bem pode tornar-se consumidor de drogas pesadas, leves e médias) e

.b. dar solução radical ao problema dos anos de inserção dos indivíduos humanos no mercado de trabalho, levando-os a trabalhar não mais de 20 anos durante seu curso de vida; o grande problema do INSS não é que o pessoal poderia aposentar-se com 50 anos, mas que políticos de várias idades passam a mão nos recursos escassos.

Muitos acusam-me de dreamer. Ao que eu respondo: but i'm not the only one.

DdAB

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