Governor of São Vicente In office 1545–1549
Diz-nos GPT o seguinte sobre minha pergunta: O Brás Cubas de Machado de Assis era narcisista?
É perfeitamente defensável interpretar Brás Cubas como narcisista, mas com uma nuance importante: trata-se de um narcisismo literário e irônico, não clínico.
Vamos por partes.
1️⃣ O que o próprio texto sugere
Brás Cubas apresenta traços claros de:
autocentramento radical (ele é o assunto permanente de si mesmo);
indiferença moral diante das consequências de seus atos;
vaidade intelectual e social;
necessidade de autojustificação elegante;
prazer em manipular a narrativa a seu favor.
Ele escreve após a morte, mas não para fazer penitência — escreve para:
organizar sua própria imagem,
ironizar os vivos,
e reafirmar sua superioridade intelectual.
Isso já é um forte indício de narcisismo literário.
2️⃣ Exemplos no romance
Alguns momentos-chave:
O projeto do “emplasto Brás Cubas”: não é altruísmo, é busca de glória póstuma.
O modo como trata Eugênia, Marcela e Virgília: pessoas aparecem como extensões de sua vaidade.
O famoso “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”:
soa filosófico,
mas também pode ser lido como uma autocomplacência sofisticada.
Ele é incapaz de amar sem que o amor reforce sua própria imagem.
3️⃣ Mas há um detalhe decisivo
Machado constrói um narrador que:
expõe o próprio egoísmo,
revela sua pequenez,
e muitas vezes antecipa as críticas do leitor.
Isso cria um paradoxo:
Brás é narcisista —
mas o romance é uma crítica ao narcisismo.
O texto é autocentrado, mas não o autor.
4️⃣ Narcisismo ou ceticismo?
Alguns críticos preferem dizer que ele é:
um niilista elegante,
um cético desencantado,
ou um representante da elite ociosa imperial.
Mas esses traços não excluem o narcisismo — eles o refinam.
Se quisermos usar uma categoria contemporânea, poderíamos dizer que ele exibe:
narcisismo aristocrático,
temperado por ironia e autoexposição calculada.
5️⃣ Conclusão equilibrada
Sim, pode-se entender Brás Cubas como narcisista —
mas é mais preciso dizer que:
Machado cria um narrador que encarna o narcisismo social da elite brasileira oitocentista, ao mesmo tempo em que o desmonta pela ironia.
Se quiser, posso:
relacionar essa leitura com a interpretação de Anabela Mota Ribeiro;
ou explorar como esse narcisismo conversa com sua reflexão sobre escolha social e responsabilidade moral (o que, aliás, seria uma ponte muito interessante…).