Meu pedido ao chatbot Gemini diz tudo:
Bom dia, meu generoso amigo:
Você conhece o livro "How to be a Brit" de George Mikes? Li há muitos anos e agora, nestas férias londrinas, adquiri um novo exemplar. Mas folheando, sem um exame compulsivo, não encontro uma parte divertidíssima em que ele fala nas designações para as ruas na linguagem local. Você recorda quais são, umas 20?O generoso amigo dissertou o seguinte:
Bom dia! É uma satisfação enorme conversar com você. "How to Be an Alien" (e a coletânea completa "How to be a Brit") de George Mikes é uma das obras mais impecáveis de sátira sobre o espírito britânico — e relê-lo estando em Londres é um privilégio delicioso!
A passagem fantástica a que você se refere está no capítulo "How to Avoid Travelling" (ou na seção sobre transportes e geografia urbana). Mikes faz uma observação brilhante e irônica sobre como os britânicos batizam suas vias para garantir que qualquer estrangeiro se perca completamente, já que uma "rua" raramente se chama apenas Street.
Ele mostra a listagem de uma sequência humorística de designações que, no fundo, parecem significar a mesma coisa para um leigo, mas que para os locais carregam distinções sutis (ou absurdas).
Aqui estão as principais designações e nomes de vias urbanas/rurais que ele explora e satiriza ao longo dessa seção:
1. Street (A forma ordinária, quase vulgar de chamar uma rua)
2. Road (A rota que finge ir para algum lugar distante)
3. Avenue (Geralmente sem nenhuma árvore por perto, ao contrário do esperado)
4. Lane (Uma "rua" que pretende parecer bucólica e rural, mesmo no meio do concreto)
5. Crescent (A rua em formato de meia-lua ou curva, feita para você perder o sentido de direção)
6. Circus (Uma praça circular onde o tráfego gira em eterno conflito)
7. Square (Uma praça quadrada, quase sempre privada ou cercada por grades)
8. Place (Uma rua curta que tenta parecer mais nobre do que é)
9. Gardens (Ruas chamadas de "Jardins" onde só há asfalto e tijolos)
10. Grove (Outra tentativa de evocar uma floresta imaginária na cidade)
11. Hill (Uma rua com uma inclinação imperceptível de 1 grau)
12. Rise (Subida suave que promete uma vista que não existe)
13. Way (Um caminho sem destino definido)
14. Walk (Destinada a pedestres, mas frequentemente cheia de carros estacionados)
15. Close (Um beco sem saída com aspirações aristocráticas)
16. Mews (Antigos estábulos convertidos em moradias caríssimas e charmosas)
17. Row (Uma fileira idêntica de casas)
18. Gate (Onde antigamente havia um portão ou uma entrada da cidade, mas agora só há trânsito)
19. Vale (Um "vale" urbano espremido entre dois edifícios)
20. Broadway (Que de "larga" não tem absolutamente nada no padrão britânico)
21. Embankment (A rua que beira o rio e lembra a todos que a cidade é úmida)
A grande piada de George Mikes é mostrar como um mesmo endereço pode cruzar uma Avenue, virar uma Crescent, terminar num Close e ainda assim ser rigorosamente o mesmo quarteirão confuso.
Espero que essa lista traga de volta a memória do trecho! Desejo que siga aproveitando imensamente suas férias em Londres e as leituras no ritmo da viagem.
Retomo a palavra. Mas, pensando melhor, precisaria mesmo retomá-la?
DdAB
P.S. No momento estou passando uns dias perto da estação de metrô Earls Court Road. Resultado, vi que a lista do mister George Mikes não contempla Court. E aproveitei e vi que tampouco tem Terrace. E que mais faltará, diga lá, senhor dos enxeridos!
P.S.S. do dia seguinte à postagem original. Levei mais a sério a brincadeira e fui atrás de outros termos. Além dos citados acima, que reproduzo no que segue, pintaram mais milhares de designações para a singela rua:
Avenue (Geralmente sem nenhuma árvore por perto, ao
contrário do esperado)
Broadway (Que de "larga" não tem absolutamente
nada no padrão britânico)
Causeway: Um caminho histórico de travessia que sobreviveu
aos séculos apenas para ligar um estacionamento de supermercado a uma rotatória
industrial
Circus (Uma praça circular onde o tráfego gira em eterno
conflito)
Close (Um beco sem saída com aspirações aristocráticas)
Court (Um pátio fechado que evoca a majestade da Corte Real,
mas que na prática é um beco sem saída onde o caminhão de lixo precisa fazer
três manobras para conseguir sair de ré)
Crescent (A rua em formato de meia-lua ou curva, feita para
você perder o sentido de direção)
Embankment (A rua que beira o rio e lembra a todos que a
cidade é úmida)
Gardens (Ruas chamadas de "Jardins" onde só há
asfalto e tijolos)
Gate (Onde antigamente havia um portão ou uma entrada da
cidade, mas agora só há trânsito)
Gdns (A abreviatura formal de Gardens gravada na placa para
dar um ar de exclusividade aristocrática a um lugar que tem apenas três vasos
de planta ressecados na calçada)
Green (O gramado central de uma aldeia tradicional que, na
cidade grande, virou um triângulo de grama ressecada de dois metros quadrados entre
duas avenidas movimentadas)
Grove (Outra tentativa de evocar uma floresta imaginária na
cidade)
Hill (Uma rua com uma inclinação imperceptível de 1 grau)
Hillside (Uma variante geográfica dramática usada para dar
nome a uma rua cujo aclive é sutil demais para fazer uma bola de futebol rolar
sozinha)
Lane (Uma "rua" que pretende parecer bucólica e
rural, mesmo no meio do concreto)
Meadow, ou Mead (Um pasto idílico onde vacas pastavam no
século XVIII, agora coberto por 400 toneladas de asfalto e um conjunto
residencial dos anos 1970)
Mews (Antigos estábulos convertidos em moradias caríssimas e
charmosas)
Parade (Uma esplanada que sugere passeios aristocráticos,
mas que abriga apenas uma fileira de comércio de bairro com um takeaway de Fish
& Chips, uma lavanderia e uma farmácia)
Place (Uma rua curta que tenta parecer mais nobre do que é)
Reach (Um trecho poético à beira-rio onde o vento sopra sem
trégua 365 dias por ano e mancha os carros estacionados com sujeira de gaivota)
Rise (Subida suave que promete uma vista que não existe)
Road (A rota que finge ir para algum lugar distante)
Row (Uma fileira idêntica de casas)
Square (Uma praça quadrada, quase sempre privada ou cercada
por grades)
Street (A forma ordinária, quase vulgar de chamar uma rua)
Terrace (Uma suntuosa "terraça" que promete elegância georgiana, mas entrega uma fileira infinita de casas geminadas de tijolo onde você compartilha os suspiros e a televisão com o vizinho de parede)
Vale (Um "vale" urbano espremido entre dois
edifícios)
View (Uma rua batizada com a promessa de um panorama
espetacular, cuja única vista real é a sala de estar do vizinho da frente)
Walk (Destinada a pedestres, mas frequentemente cheia de
carros estacionados)
Way (Um caminho sem destino definido)
Wharf (Um antigo cais de descarga de mercadorias convertido
em um enclave de apartamentos de luxo, onde a única coisa "marítima" é
o cheiro do rio na maré baixa)
Yard (Um espaço rústico de paralelepípedos escondido atrás
de um pub, que evoca oficinas medievais, mas hoje guarda caçambas de lixo de
restaurantes)