terça-feira, 20 de abril de 2021

A Suspeição de Sérgio Moro


Foi no tempo em que Sérgio Fernando Moro avocou a si um julgamento fora de seus poderes para poder enfrentar um cara. Fiquei feliz, pois ele não teve a coragem de meter a mão comigo: não julgou nada a meu respeito. Mas julgou quatro processos em que o presidente Lula estava denunciado. Naquele tempo, o amigo do amigo me garantiu que até o cachorro de Sérgio Moro votava no PSDB. Mas, admito, nada se falou sobre Moro votar em Jair Bolsonaro (cachorro e capitão na foto). 

O aspecto peculiar da questão é que o advogado de Lula, desde 2016, repito, desde 2016, argumentava que Moro só era competente para julgar casos envolvendo a Petrobrás. E eu achei que nem isto, dada aquela autorização da divulgação pública de Antonio Palocci caguetando Lula bem na antevéspera da eleição que sagrou presidente o velho Bolsonaro. (Aliás, acho que o roubo começou quando o sr. Paulo Henrique Cardoso, filho do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, houve por bem fazer uma reforma profunda na empresa, passando a designá-la como Petrobras, ou seja, em gauchês, Petrôbras). Repito: Moro era incompetente para julgar eventuais denúncias contra mim ou contra Lula em casos alheios à Petrobrás. Repito: nem precisa repetir.

Na semana que passou o juiz Edson tentou eximir Moro da acusação de suspeição, tendenciosidade, viés contra o réu (felizmente não era eu...). Quer dizer, como é que Moro seria suspeito de tratar sem isenção, de forma enviesada, o réu Lula se Lula não era réu?  Minha resposta tem dois gerúndios, primeiro agradecendo aos céus que Moro não me encaçapou em algum daqueles julgamentos e, segundo, afirmando que o viés reside precisamente no fato de abiscoitar  um processo que não era de sua alçada e decretando a prisão, de forma ilegal, de um cara por 580 dias. 

Sem esquecer que Moro foi "lembrado" de sua incompetência para julgar Lula em 2016, fazendo ouvidos moros, mouros, digo, moucos. Em seguida foi lembrado pelo beneficiário da truculência com um convite para ser ministro da justiça, posição da qual, como sabemos, foi expulso a coices depois de menos de 16 meses de exercício do cargo. Moral da ópera: Lula com cadeia de 580 dias, Bolsonaro eleito e Moro usufruiu as benesses da sinecura por menos tempo: 482 dias.

Moral da história: liberdade para Lula e cadeia para Moro! Mas que é que eu, neste contexto, free as a bird (Moro não me pegou), digo sobre a candidatura de Lula para re-presidente da república em 2022? Prematura! Antes de lançar um nome era necessário ter um programa e, com ele, tentar montar uma coalizão de partidos com interesses programáticos assemelhados, sem falar nas eleições legislativas. La verità, sob meu entendimento, é que a política brasileira é uma droga precisamente pois existe um legislativo escalafobético precisamente porque dá-se atenção ao cabeça-de-chapa, sem pensar na chapa e no apoio que esta deve ter nas câmaras alta e baixa para aprovar projetos de implementação de seu programa de governo. 

Pra não dizer que sou contra Lula, vou deixando ser a favor, principalmente de: Renato Janine Ribeiro, Sílvio Almeida ou Tatiana Roque.

Moral da comédia: por isso é que eu sempre disse: a expressão "Juiz Moro" é oximoro. 

DdAB

P.S. Quem não sabe que oximoro é o que segue, seguindo o dicio.com.br?

Figura de linguagem em que palavras de sentidos opostos são combinadas de modo a parecerem contraditórias, mas que reforçam a expressão: gentileza cruel; belo horroroso; música silenciosa.

P.S.S. Nem falei no pas-de-deux dançado por Moro com o trio de juízes da segunda instância (já que Moro respondia pela primeira), nomeadamente, o trio de desembargadores João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor dos Santos Laus. Pensando melhor, pas-de-deux composto por quatro pessoas é quadrilha, não é mesmo?

P.S.S.S. Volta e meia sugiro uma reforma radical em todo sistema judiciário brasileiro (juízes + polícia) engendrada por uma empresa júnior de alguma universidade do norte da Europa. Olha a coerência do atual estágio de desenvolvimento da hermenêutica jurídica dessa turma envolvida na condenação de Lula no único julgamento a que foi submetido:
Primeira Instância: Sérgio Fernando Moro - nove anos e seis meses de xilindró;
Segunda Instância: o trio Pedro, Leandro e Victor - 12 anos e um mês de cadeia;
Terceira Instância: Quinta Turma do STJ - oito anos e 10 meses de gaiola; 
Quarta instância: plenário do STJ - anulou tudo, pois reconheceu -independentemente da argumentação - o que falou a defesa de Lula há cinco anos.

P.S.S.S.S. Nestas circunstâncias, o Planeta 23 costuma usar seu motto: só bebendo!

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Estatísticas Anunciando o Fim-do-Mundo

(mulher rica e gestante)

Recebi o material pintado de azulzinho no que segue de um amigo que repassou de seu amigo, e assim por diante. Fui à internet e declarei-me incapaz de localizar a fonte, até que o amigo enviou este link. Temos a revista Superinteressante, que não é... Aliás, já se vão alguns anos desde que uma parente dessa interessante revista - no caso, a National Geographic - divulgou matéria comemorando (?) os sete bilhões de seres vivos nascidos de modo humano no planeta.

Todo mundo já conhece minha opinião sobre explosão demográfica: o governo mundial deve desenvolver mecanismos para estancá-la. Mas, mesmo antes disso, o BIS (Banco Central Mundial in vitro) deve instituir a renda básica universal, pagando especialmente os povos pobres de todos os 200 países do mundo, digamos, uns US$ 200 dólares per capita por mês. E financiá-lo com a famosa taxa Tobin, ou seja, o imposto sugerido por James Tobin, uns 5% sobre as transações financeiras internacionais. Valho-me da regularidade que pobres têm mais filhos que ricos. Ergo enriquecendo os pobres, eles naturalmente vão acompanhar as tendências de planejamento familiar dos ricos e deixar de rechear o planeta com gente que, como diz a canção, "não vive, apenas aguenta".

Depois do final da ditadura militar, entendi que existe uma capacidade de carga para o planeta, já superada há duas ou três décadas. E, diferentemente daquela macacada, aceno com a renda básica da cidadania. Na verdade, tenho razões para crer que precisa-se de um binômio: renda garantida e educação para a mulher. Mas, como não devemos discriminar por gênero, os marmanjos devem também beneficiar-se desse novo estilo de reger a pobreza no Terceiro Planeta de Sol.

DdAB

População da Terra
Super interessante!

A população atual da Terra gira em torno de 7,8 bilhões de habitantes (dezembro / 2020).

Para a maioria das pessoas, é um número grande. Isso é tudo. No entanto, em termos percentuais, podemos apreciá-lo em uma dimensão mais humanamente gerenciável. A análise resultante é relativamente mais fácil de entender.

Desse total de 100% [subtítulos de minha lavra, DdAB]:

Distribuição geográfica
- 11% estão na Europa
- 5% estão na América do Norte
- 9% estão na América do Sul
- 15% estão na África
- 60% vivem na Ásia

Distribuição por área regional
- 49% vivem no campo
- 51% vivem em cidades

Distribuição por língua principal
- 12% falam chinês
- 5% falam espanhol
- 5% falam inglês
- 3% falam árabe
- 3% falam hindi
- 3% falam bengali
- 3% falam português
- 2% falam russo
- 2% falam japonês
- 62% falam sua própria língua nativa.

Distribuição por estilo de moradia
- 77% possuem casa própria ou locada.
- 23% não têm onde morar.

Distribuição por qualidade da dieta
- 21% consomem mais calorias que o necessário
- 63% podem comer três refeições completas.
- 15% estão desnutridos, comeram a última refeição, mas não passaram para a próxima.

Desigualdade na distribuição da renda
- O custo de vida diário de 48% é inferior a US$ 2,00.

Distribuição pelo acesso à água potável
- 87% têm água potável limpa.
- 13% carecem de água potável e ou têm acesso apenas a uma fonte de água contaminada.

Distribuição por comunicação moderna
- 75% têm telefones celulares
- 25% não tem

Distribuição pelo acesso à internet
- 30% têm acesso à internet.
- 70% não têm condições de se conectar.

Distribuição por nível educacional
- 7% receberam educação universitária.
- 93% não cursaram faculdade.
- 83% sabem ler.
- 17% são analfabetos.

Distribuição por grupo religioso
- 33% são cristãos
- 22% são muçulmanos
- 14% são hindus
- 7% são budistas
- 12% são de outras religiões
- 12% são ateus, sem crenças religiosas

Distribuição por faixas de mortalidade
- 26% vivem menos de 14 anos
- 66% morreram entre as idades de 15 e 64
- 8% têm mais de 65 anos.


Volto eu: Alguns dados não são muito absorvíveis, como é o caso de 87% da população dispor de água potável. Ou a alfabetização de 83%. Ou ainda 25% da população sem telefone serão os menores de cinco anos de idade?
abcz

terça-feira, 13 de abril de 2021

Conceito de Custo de Oportunidade: o pedigree

 

(Imagem: fico no Brasil ou mudo pra Itália)

Um livro de história do pensamento econômico de bom pedigree é

EKERLUND, R. B. e HÉRBERT, R. F. A history of economic theory and method. 

O exemplar que consulto há anos, volta e meia, foi-me emprestado por meu colega de curso de mestrado (1975) e como professor da UFSC em 1980 e depois, em 1995-1998 novamente na UFSC, o herr professor doktor Lois Roberto Westphal. Um de meus mais grandiosos amigos. Pois talvez até já tenha devolvido o livro a seu proprietário, o fato é que, em meus guardados especialmente para consultar e limpar durante a pandemia encontrei uma nota em que anotei trechinho desse livro constante de sua página 108. Ali se  fala sobre o conceito de custo de oportunidade. Se bem entendo trata-se de uma noção intuitiva tão velha quanto a humanidade: passo a noite na boate ou estudo para a prova; como carne de vaca hoje ou sigo bebendo leite... Quero dizer, o conceito de custo de oportunidade é a base da teoria da decisão: afinal como a carne ou sigo bebendo o leite da vaquinha?

Uma vez que desejo que a turma do Planeta 23 reflita sobre este conceito e, talvez, minha inserção naquele mundo da economia política moderna, vou citar in totum a passagem que me pareceu relevante. Aqui no corpo da postagem, exibirei a tradução que o Google Tradutor fez especialmente para mim nesta noite (e que eu revisei...) e colocarei o original no rodapé.

Tradução Google (e eu) 

Ao incluir o lucro como um dos componentes necessários do preço, [Adam Smith] demonstrou uma compreensão do conceito de custo de oportunidade. Ele observou:

'Embora na linguagem comum o que é chamado de custo principal de qualquer mercadoria não compreenda o lucro da pessoa que vai vendê-la novamente, se ela vendê-la como um preço que não lhe permite a taxa normal de lucro em sua vizinhança , ele é evidentemente um perdedor com o comércio; pois, ao empregar seu estoque de alguma outra forma, ele poderia ter obtido aquele lucro (Riqueza das Nações, p. 55) '[sic, mas meus parênteses com o nome de Adam Smith].'

Observe o desenvolvimento natural das idéias nesses dois capítulos de A Riqueza das Nações. Muitos escritores anteriores tinham uma teoria do valor do custo da mão de obra, e muitos escritores posteriores atribuíram a mesma teoria a Smith. Mas sua explicação é realmente outra coisa. Uma coisa é cobrar que a verdadeira medida do valor, em termos reais, é o tempo de trabalho, e outra é admitir que a fonte do valor são os custos de produção necessários para cada mercadoria. Em suma, Smith sentia que as teorias do valor do trabalho eram válidas apenas para sociedades primitivas onde o trabalho representa o principal (senão o único) fator de produção.
CONVENÇÃO: autores do livro em marronzinho; Smith em laranjinha; autores novamente em azulzinho.

DdAB
P.S. Original das citações do texto da postagem de hoje:
By including profit as one of the necessary components of price, [Adam Smith] demostrated an understanding of the concept of opportunity cost. He observed:
'Though in common language what is called the prime cost of any commodity does not compreehend the profit of the person who is to sell it again, yet if he sells it as a price which does not allow him the ordinary rate of profit in his nehgbourhood, he is evidently a loser by the trade; since by employing his stock in some other way he might have made that profit (Wealth of Nations, p. 55)' [sic, mas meus parênteses].'
Notice the natural development of ideas in these two chapters of The Wealth of Nations. Many earlier writers had a labor-cost theory of value, and many later writers atributed the same theory to Smith. But his explanation is really something else. It is one thing to charge that the true measure of value, in real terms, is labor time, and another to avow that the source of value is the necessary costs of production for each commodity. In short, Smith felt that labor theories of value were valid only for primitive societies where labor represents the main (if not the only) factor of production. [sic]
CONVENÇÃO: autores em marronzinho; Smith em laranjinha; autores novamente em azulzinho.

P.S.S. Outro dia falarei sobre outros dois conceitos de custos muito importantes: custo marginal e custo social.

P.S.S.S. A imagem veio daqui. E tem estes textos no site: O crédito não é obrigatório, mas a vinculação é muito apreciada e permite que os autores de imagem ganhem exposição. 
Você pode usar o seguinte texto: Imagem de Kookay por Pixabay

P.S.S.S.S. No Facebook, minha amiga Claudia Las Casas indagou:
Professor economia em strictu sensu é isso certo?! Fazer escolhas...saber fazer escolhas...corrija- me se eu estiver errada por gentileza.
E eu respondi:
A rigor, Claudia, existem duas ciências econômicas cuja convivência é apenas residual. Uma delas, chamada de "moderna teoria econômica" por Oskar Lange, preocupa-se com o que os economistas chamam de alocação de recursos. Neste caso parece bastante óbvio que o problema da escolha é o cerne da preocupação: vamos botar recursos na produção de vacinas ou na de, digamos, armas.
Além desta, o mesmo Lange fala na "economia marxista" que se preocupa em entender o nascimento e a evolução das economias capitalistas e os conflitos de poder que nelas emergem entre trabalhadores e capitalistas.
O que fica interessante nessa visão desse extraordinário economista húngaro é que a "economia marxista" pouca ou nenhuma valia tem para ajudar a planejar uma economia, ao passo que a "moderna teoria econômica", embora ajude a determinar até o preço dos bilhetes do metrô de Moscou (no tempo do socialismo na URSS), não é capaz de sinalizar para o caráter transitório do capitalismo na trajetória da humanidade.
Mas tem isto: eu estava fora de forma, fora da memória e errei. Olha a Wikipedia: 
The historical debate was cast between the Austrian School represented by Ludwig von Mises and Friedrich Hayek, who argued against the feasibility of socialism; and between neoclassical and Marxian economists, most notably Cläre Tisch (as a forerunner), Oskar R. Lange, Abba P. Lerner, Fred M. Taylor, Henry Douglas Dickinson and Maurice Dobb, who took the position that socialism was both feasible and superior to capitalism.

P.S.S.S.S.S. E o assunto continuou:

Claudia Las Casas: Muito obrigada por me ensinar estou encantada.

Rubens Salvador Bordini: Ainda que o exemplo tenha um viés curioso, vale a reflexão.

Duilio De Avila Berni: Oi, Rubens: preciso agora que me faças entender onde está meu viés curioso.

Rubens Salvador Bordini: Duilio De Avila Berni, entendi como uma Bolsonarizacao do exemplo heheh o capitalismo è bacana por que as escolhas são definidas pela capacidade de se obter resultados e, desta forma, uns preferem atender a demanda por defesa da saúde enquanto outros vislumbram a defesa do patrimônio... não são decisões excludentes... ja na economia marxista, com sua incapacidade de planejamento, a indústria bélica me parece a mais privilegiada...

Duilio de Avila Berni: Pois é, amigo [Rubens]. Tua observação suscita a necessidade de uma postagem inteirinha no blog. Eu teria que falar em bens públicos e, novamente. a teoria da escolha pública, com os principais agentes -eleitor e político- e a própria curva de demanda por esse tipo de bem, ou seja, o processo político.
Registro que a economia marxista não tem preocupação com planejamento, mas -como referi na resposta à sra. Claudia - "entender o nascimento e a evolução das economias capitalistas e os conflitos de poder que nelas emergem entre trabalhadores e capitalistas."
Sobre o planejamento como substituto do mecanismo de preços entendo que Oskar Lange (em outro ambiente) venceu o debate com Abba Lerner e Fred Taylor. Lange, se bem interpreto, disse algo óbvio: os níveis de estoques das diferentes mercadorias também sinalizam para a potência da demanda. Estoque baixo, demanda alta e 'al revés'.

Duilio De Avila Berni: P.S. à resposta ao Rubens. Eu ia fazer uma piadinha final, deixando um link e dizendo que iria imediatamente lê-lo. E o "enter" atravessou-se. [e dei o link da Wikipedia da citação que dela fiz: https://en.wikipedia.org/wiki/Socialist_calculation_debate

Rubens Salvador Bordini: Professor, tu és sempre cirúrgico nas tuas argumentações e mesmo conhecendo minhas monumentais limitações, não deixo de provoca-lo pq admiro tua paciência e teu conhecimento...

Duilio De Avila Berni: Em compensação, querido Rubens, votarei em ti nem que seja para o Conselho dos Economistas.

Rubens Salvador Bordini: A isto se chama Voto Qualificado... obrigado...

Jaqueline Gruber: Adorei teu blog!

Cecília Schmitt: Duilio de Avila Berni: Brilhante, como sempre, Meu amado mestre.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Pediatras e a Maconha

 


Diz o jornal Zero Hora de hoje a sua página 2 que "[u]m grupo de pediatras gaúchos está se  mobilizando na defesa da reabertura imediata das escolas." Garrei de pensar que esses pediatras devem ser imbecis por não entenderem que é melhor ser louco que ser morto. Quero dizer: volta às aulas deverá desencadear uma enorme demanda por enterros, pois a criança convive com outra criança que convive com um adulto que convive com outro adulto, cada um deles podendo portar nuvens de vírus covid-19. 

Mas, diria Shakespeare, bem atijolada, qualquer ideia nova debaixo do sol pode dar o que falar. Então, investi-me de coragem e li mais um trechinho:

... o afastamento do convívio com outras crianças pelo período prolongado de mais de um ano ocasionou um aumento de doenças psiquiátricas especialmente para aquelas que já apresentavam predisposição, assim como um impacto negativo no desenvolvimento biopsicossocial, atrasos de marcos do desenvolvimento nos menores de dois anos, como a fala e a comunicação não-verbal, obesidade e puberdade precoce nas crianças em idade escolar, déficit de cognição e aprendizado, e distúrbios do sono, que deixa toda classe pediátrica com grande preocupação.

Dei uma editadinha aqui e ali no texto dos pediatras, mas não é exagero dizer o afamado sic, que mesmo sem uma ou duas vírgulas sinalizando entradas paralelas, dá para entender. Ademais, pela primeira vez, li o termo "biopsicossocial" que sempre ouvi associado às imbecilidades de certos profissionais da educação e da saúde. Pelo menos faltou o "ambiental", não é mesmo? O final é irrelevante, para os fins a que me proponho enfatizar. Mas repito o que quero destacar:

"[...] ocasionou um aumento de doenças psiquiátricas especialmente para aquelas que já apresentavam predisposição [...]"

Ao ler isto no texto divulgado pelo jornal, evoquei uma das pérolas que eu esculpia (?) em aula quando ensinava a teoria elementar do preço. Lá criei um problema de solução com matemática do ensino fundamental em que a turma era desafiada a ficar jogando aquelas curvas de oferta e procura pra tudo que é lado. Culminava propondo a legalização da maconha e simultâneo estabelecimento de um imposto sobre a mardita, dado um mercado do qual essas curvas eram conhecidas. Resultado: depois da legalização e do imposto, o preço subia e a quantidade demandada caía. 

Pelo indisfarçável moralismo gritado por minhas curvas de oferta e procura, quando se via a queda na quantidade resultante da nova política, eu dizia "adoro drogas" (e até antes disso, para ativar o apetite da turma para o estudo da microeconomia). Claro que adoro drogas no sentido moralista. E adoro a imbecilidade daqueles que dizem que a maconha é a porta das drogas mais pesadas. 

E adorei os pediatras, em outro contexto, dizerem aquele "aumento de doenças psiquiátricas especialmente para aquelas que já apresentavam predisposição." E não é isto o que acontece com aquelas crianças que tinham predisposição para a doença mental e foram à maconha encontrar conforto para suas mazelas espirituais? E não foi precisamente o mercado ilegal de drogas que fez com que a repressão familiar e a sagacidade dos traficantes convidassem os pobres infantes a imergir nesse mundo tão ou mais letal para jovens que a pandemia que hoje nos acossa?

Um tanto platonicamente, meu texto acaba com uma série de perguntas.

DdAB

segunda-feira, 29 de março de 2021

O Grito de Guerra e a Guerra das Máscaras: um dilema de prisioneiro



Acho que foi lendo "Os Nus e os Mortos", de Norman Mailer, há uns bons 50 anos, que aprendi que o grito do soldado durante a batalha não é emitido para assustar o inimigo, senão que para não ouvir-lhe os urros enregelantes. Nestes inacreditáveis tempos de pandemia e ação governamental escalafobética, fiquei pensando no uso da máscara de proteção das vias aéreas, seu não-uso e os tais berros.

Quando uma pessoa usa máscara ela provavelmente estará dificultando a propagação do vírus covid-19. Digo "provavelmente", pois -em não sabendo estar infectada pelo "bichinho"- seu bafejar dentro da máscara e seus perdigotos na fala podem estar fazendo mal aos circundantes. Por mavioso contraste, essa pessoa que protege os outros ganha como fringe benefit a proteção a si própria: vai lá que a turma esteja bafejando o vírus por já estar infectada.

Associando a decisão de usar ou não máscara com a de gritar ou não no combate  a um jogo de estratégia, fiquei pensando que naturalmente este deveria ser classificado como jogo cooperativo: ninguém quer infectar ou ser infectado. Ergo todo mundo estaria usando máscara. SQN - só que não, tem montes de gente, mais jovens que velhotes que se recusam a fazê-lo. No inverno e no verão, no hemisfério norte e no sul, no leste e no oeste. De aglomeração, nem se fala, levando a crer que a moçada não entendeu o que disse o velho Bota: "muita gente é bom... na guerra", precisamente onde parece que a soldadesca urra, berra e brada por medo puro.

E culminei por pensar o contrário: ser inn é exatamente eximir-se de usar máscara, deixando para os fracotes, os medrosos, seu uso. "Afinal, nada atinge um jovem altaneiro", hão de pensar os jovens que nutrem certo grau de ódio à humanidade. Neste contexto é que imaginei que o dilema de prisioneiro pode estar descrevendo a situação mundial: milhares de pessoas aglomeradas sem máscara e outros milhares circulando em ambientes públicos também dela despidos.

A figura do alto mostra a forma normal desse afamado dilema. Sua origem (mutatis mutandis) é a página 80 do maravilhoso livro

BERNI, Duilio de Avila e FERNANDEZ, Brena Paula Magno (2014) Teoria dos jogos; crenças, desejos, escolhas. São Paulo: Saraiva.

Diferentemente do "Dilema" tradicional, que mostra as "recompensas" em anos de xilindró, aqui vemos recompensas avaliadas em unidades de bem-estar ou dinheiro. Do quadro podemos retirar os principais ingredientes de um jogo de estratégia: 

a) os jogadores: os dois jovens (ou mesmo velhotes) festeiros receberam as alcunhas de Bina e Dino
b) as estratégias disponíveis para cada um deles: usa máscara, não usa máscara
c) as recompensas: as cifras colocadas no quadro da forma normal; por exemplo, o par {5;0} informa que, se Bina -sem conhecer a escolha de Beto- decide usar máscara e, sem sabê-lo, simultaneamente Beto escolhe não a usar (cara limpa), Bina é recompensada com cinco unidades de bem-estar (está fazendo o bem) ou dinheiro (está embolsando a recompensa de D$ 5).

Dois tipos de raciocínio encaminham a solução (de equilíbrio) do jogo dos transeuntes. A primeira se chama de possível identificação de estratégias dominantes. Neste caso, usa-se a técnica familiarmente chamada de ou-ou-ou. No caso de Bina, a ou-ou-ou descreve-se como:

{3 ou 0}
ou
{5 ou 2}

E parece óbvio que, sendo racional, Bina vai preferir a segunda opção: 5 é melhor que 3 e 2 é melhor que zero, dado que estamos falando em unidades de bem-estar ou dinheiro. Tal raciocínio pode ser simetrizado para Beto, permitindo- nos entender que as recompensas do quarto quadrante, nomeadamente, duas unidades de bem-estar ou dinheiro para cada jogador, não oferecerão incentivos a que Bina e Beto mudem de opinião sobre o que é melhor para eles.

Que aconteceu? Se ambos usassem máscara (cooperação universal), cada um sairia do jogo levando 3 unidades. Mas, dado que escolheram a rivalidade universal, eles ganharam 2 unidades, ou seja, saíram "perdendo" uma unidade. E por quê assim procedem? Quem não usa máscara está sendo protegido por aqueles que usam e ainda pode botar banca de valente: comigo ninguém pode.

Como podemos explicar as motivações de ambos, sabedores de suas próprias  recompensas e as do outro jogador? Tratando-se de um dilema de prisioneiro típico, eles sabem que, se derem mole, serão jogados nos dois quadrantes de nomes pouco lisonjeiros. Para Bina, aquele {0 ; 5 } coloca-a na posição de "trouxa", pois entram com a maior boa vontade de usar a máscara para proteger-se e aos outros, mas acabam sendo lograda por Beto, que não está nem aí para o bem-estar público, andando cara limpa. Por contraste, se Bina escolher o quadrante {5 ; 0}, ela é que está explorando as boas intenções de Beto e recebe o nome de caroneira (não paga nem divide o combustível e usufrui da viagem).


O segundo tipo de raciocínio encaminha a solução (de equilíbrio) do jogo dos transeuntes envolve o conceito de equilíbrio de Nash. Trata de analisar qual a melhor resposta que cada jogador dá à ação do outro. Assim, por exemplo, quando Dino escolhe usar máscara, a melhor resposta que Bina pode dar-lhe é não usá-la: ganha 5 no primeiro caso e 3 no segundo. Além disso, se Dino escolhe não usar a máscara, o melhor que pode ocorrer a Bina é tampouco usá-la, quando ganhará 2, ao invés daquele zero que ganharia se ela própria usasse a máscara.

Notate bene: aquele 5 das recompensas assinaladas como {5 ; 0} e aquele dois duplo da situação em que ambos abandonam a máscara estão negritados, mostrando precisamente quais são as melhores respostas para as quatro interações exibidas no quadro que nos encima.

DdAB

domingo, 28 de março de 2021

Eu e o André Singer: pé-no-barro e a frente-de-esquerda

(que chegou até mim por meio de Áurea Borges, do Facebook)

Quiero encontrarlo pa que me enseñe a mí, que soy naides, lo que es un hombre de coraje y de vista.
(Jorge Luis Borges conto Hombre de la Esquina Rosada)

Estou em campanha para a criação de uma frente de esquerda para disputar as eleições nacionais de 2022 (executivos municipais e federal e congresso nacional)
. E sonho com as eleições de quase três anos atrás na Argentina, quando aquele povo amigo votou maciçamente na esquerda (centro-direita?) nas eleições deste domingo 11/ago/2019. Alegadamente por Jair Bolsonaro, inquieto com aqueles resultados, os argentinos que viessem a reduzir-se à mais imobilizante pobreza iriam comportar-se como alguns milhares de venezuelanos, que fugiram do país por não aguentar mais aquela guerra civil. Então o velho Bolsonaro e seus miquinhos amestrados deram-se mal, pois especialmente na luta contra o corona vírus covid-19, já está clara a diferença entre um governo e um desgoverno. Naquele momento, muito sabiamente, o governador do Rio Grande do Sul disse que o estado que governa terá o maior prazer em receber migrantes argentinos.

Mas hoje fala-se muito, especialmente, a turma do espectro político que vê o mundo pela esquerda, na candidatura de Lula à presidência da república. As alternativas à mão são complicadas e não vi surgir nenhum nome que possa amarrar consenso. Nem Lula, por sinal. Sua rejeição é tão consistente que talvez ele não possa fazer alianças ou coalizões puxando para a meia-esquerda e, quem sabe, gente de centro.

O que me parece falta de perspectiva para essa gente que pensa no presidente, no Lula, no Hulk, sei lá, mas esquece que, sem uma base parlamentar sólida, não adianta ter o presidente. Ele estará imobilizado pelo congresso nacional. Por sorte, alguma oposição hoje a Bolsonaro resulta precisamente da incapacidade de sua "plataforma eleitoral" não ter sido capaz de capturar o eleitor mediano. E, como tal, formou uma minoria nas duas casas do parlamento.

A solução é, na linha do livro de André Singer (o sentido do lulismo) e de Rosana Pinheiro-Machado (amanhã vai ser melhor) e outros escritos dela todos botarmos o pé no barro, ou seja, procurarmos eleitores permeáveis a ideias igualitaristas e conseguir seu compromisso de votar na esquerda, numa frente de esquerda, em 2022.

DdAB
P.S. O sarcasmo da analogia dos 15 minutos de emprego com os 15 minutos de fama arguidos por Marshall McLuhan é direto contra o presidente do Brasil. Por contraste à crítica aos status quo, podemos pensar num dia em que o ser humano não trabalhará mais de 15 minutos durante todo seu ciclo de vida. Naquele artigo de Martin Bronfenbrenner que tanto cito, fala-se em períodos mais prolongados: dois anos. Mas, veja só!, não estamos falando nos 45 anos de serviço que consta da reforma trabalhista recentemente impingida ao povo brasileiro.
P.S.S. Alguns eventos mostram o viés. Consideremos as datas, com o primeiro turno ocorrendo em 7 de outubro de 2018 e o segundo turno em 28 de outubro de 2018. Ao todo, há três eventos determinantes da tragédia:
.a condução coercitiva de Lula para dar depoimento na polícia em 29 de fevereiro de 2016.
.b liberação do depoimento de Antonio Palocci às antevésperas do primeiro turno da eleição, ou seja, no dia 1o. de outubro de 2018.
.c participação de Steve Bannon na produção de fake-news. tentando desmoralizar as candidaturas de esquerda, no caso do segundo turno, a de Fernando Haddad.

domingo, 21 de março de 2021

Vocabulário (final)


(Imagem rede um dos atributos lançados sobre o único presidente da república que não gosta de ser chamado de genocida:  tacharam-no de pequi roído. Eu, que cheguei a beber desse licor de piqui cuiabano na adolescência, fiquei bêbado...)

Prossigo nesta postagem a lista de atributos atribuíveis (como  não seriam?) a Jair Messias Bolsonaro, o presidente da república do Brasil. A partir do dia 18 de março, consultei os murais de Ana Barros Pinto, Inês Patrício, Marino Boeira. Todos davam seguimento àquela lista divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. Nos dias 19 e 20, voltei a eles, recolhendo tudo o que os comentadores e eles publicaram até as 20h00 de 20 de março. 

Também estão aqui inserções naquela postagem de meu site, minhas sugestões em um ou outro caso dos murais daquele trio e também -last but not least-  minhas invenções. Neste caso, por exemplo, entram elogios seguidos do código SQN (só que não), como sábioSQN, ou seja, burro. Certamente há duplicações com a lista original. Mas incorporei os termos registrados nos P.Ss. daquela postagem.

Tá aqui a nova lista: 

Abagualado. Abestalhado. Abigobal. Abilolado. Abobado. Abobado da enchente. Abostado. Abutre. Adiconeg. Adiloso. Afolosado. Agressivo. Aguçado. Alarifão. Alarife. Aldifróbilo. Alma sebosa. Aluado. Amargo. Amarrado. Analfabeto. Aperreio no juízo. Apombaiado. Arengueiro. Ariado. Arriado. Arrolhador. Asilado. Aspa torta. Assustador. Atochador. Babão de milico. Bagaça. Balanceado dos cascos. Bate fofo. Batoré. Bêbado. Besta amojada. Bexiga lixa. Bexiga taboca. Bexiguento. Bichento. Bicho véi leso. Bicho véi paia. Bisonho. Boca braba. Bocó. Bocoió. Bodoso. Boitatá. Bom pra rebolar no mato. Borra-botas. Borra-tintas. Bosta. Bosta rala. Bostica (homenagem aos censores de Chico Buarque, ao trocarem por coisica). Brebote. Brocoió. Bruto. Buchada azeda. Bucho de soro. Caborteiro. Cabra bom de peia. Cabrão. Cabrunco. Cabueta. Cachaceiro. Cachorro da moléstia. Cafuçu. Cagão. Cagarolas. Calhorda. Caloteiro. Cambão. Canastrão. Cancro. Cansado. Cantor sertanejo. Cão chupando manga. Cão dos inferno. Capado. Capanga. Capão. Cara de butico. Cara de cu sem pestana. Cara de fuinha. Cara de tabaco. Carai de asa. Casca grossa. Cascarra. Catarrento. Catingoso. Catraia. Catrefa. Catrevagem. Cavalo vestido. Caxumbeiro. Chambão. Chancho. Chapetão. Charengo. Chato de galocha. Chefe da corja. Cheio de verme. Chibata. Chifrudo. Chocante. Chucro. Chupa-cabra. Cinzentão. Cinzento. Coió. Coisa ruim. Constitucionalicida. Contundente. Cricri. Cru. Cruzeta. Cu da cobra. Cu de boi. Cu de burro. Cu de cachorro. Cu de novelo. Cu de porco. Curva de rio. Daninho. Danoso. Deletério. Demoníaco. Desafiador. Desaforado. Desagradável. Desconfiado. Descozido. Desestimulante. Desgramado. Desmilinguido. Desorganizado. Despeitado. Despenteado. Despombado. Diacho. Diabo. Dianho. Do tempo do ronca. Doido bala. Donzelo. Duma jumenta. Empata foda. Encangado com Satanás. Encardido. Encruado. Engilhado. Enjeitado. Entojo. Ermo. Escorado. Esculachado. Esculhambado. Espinhela caída. Esquife. Estrabulega. Estropalho. Estrume. Estrupício. Excomungado. Excrescência. Famigerado. Farrapeiro. Febre do rato. Febre tife. Fedido que nem gambá. Fedorento. Feio de doer. Feio que nem indigestão de torresmo. Ferida (do futebol). Ferida lambida. Fi da gota serena. Fi da peste. Fi do cranco. Fi dum que ronca e fuça. Fi duma égua. Filho da macega. Filhote de lombriga. Fiofó de macaco. Flanelinha (cuidador de automóveis de rua). Floxo. Folote. Frangueiro (do futebol). Frouxo. Fubento. Fuleiragem. Fuleiro. Furibundo. Futriqueiro. Gabiru. Ganjento. Garapeiro. Gasguito. Gastura no pé do bucho. Genocida. Gentalha. Goguento. Grosso que nem dedo destroncado. Grudento. Guaipeca. Gurupi. Histrião. Hostil. Humilhante. Imundícia. Inconha. Infeliz das costa oca. Inferno da pedra. Ingembrado. Inhaca. Injurioso. InteligenteSQN. Invasivo. Invectivo. Invertebrado. Jaburu. Jacaré. Juda. Ladino. Lambe botas de americano. Langanho. Lanhado. Lascado. Lasqueado. Laurça. Lixo branco (expressão racista americana). Loucanha. Lutador. Mais chato que o chato. Mal-assombrado. Malacabado. Malamanhado. Malassombro. Malcriado. Maleva. Malevão. Maluvido. Mamulengo. Mancerrão. Mancoso. Mané de bota. Marmota. Marraquene. Matungo. Maturrango. Mazanza. Mazela. Medroso que nem velha em canoa. Mela-cueca. Mengele tropical. Mentecapto. Mequetrefe. Merda-merda. Miguezeiro. Mijão. Miliciano. Miolo de pote. Mistura de jabaculê com cobra d’água. Mitrado. Mocorongo. Mói de chifre. Molenga. Moleque. Monga. Mórbido. Mordedor. Morgado. Mosca tonta. Moscão. Mouco das oiça. Mundiça. Muquirana. Não dá um prego numa barra de sabão. Não tem no cu o que o priquito roa. Não vale a bóia que come. Não vale o peido duma jumenta. Não vale um cibazol. Não vale um tipiu. Nojento que nem mocotó de ontem. Nulidade. Ofensivo. Orelha seca. Ornamento. Ornamentoso. Otário da bocona. Pai da mentira. Pai-de-vírus. Palerma. Palhação. Palhaço. Pamonha. Pandilheiro. Panfletário. Pangaré. Papa-figo. Papangu. Papudo. Pascácio. Pascóvio. Pastelão. Pau d'água. Pau de virar tripa. Pavena. Peba. Pechador. Peidão. Peitica. Pelego. Penoso. Pereba. Perebento. Perigoso. Perna de pau (do futebol). Peroba. Pesado. Peste bobônica. Pinguço. Pinico. Pior que cabo de facão. Piranqueiro. Plasta. Pomba lesa. Pontudo. Porqueira. Preguento. Prejudicial. Presepeiro. Puçuca. Quentura do pingo da mei dia. Quinta-coluna. Rafamé. Rascunho do mapa do inferno. Ratoeira. Recalcado. Repugnante. Requengelo. Resto de sulanca. Retardado. Rola-bosta. Roscói. Roto. SábioSQN. Sabujo. Safardana. Saliente. Sapo cururu. Se faz de leitão para mamar deitado. Se faz de morto pra passar bem. Seborreia. Sem futuro. Sibito baleado. Sobejo. Sombrio. Songamonga. Sorete. Sujo que nem que pau de galinheiro. Tabacudo. Tamborete de cabaré. Tanso. Tapado. Tinhoso. Tolete. Topada no dedo mindinho. Torturador. Trambiqueiro. Tramposo. Tranqueira. Trombudo. Troncho. Trouxa. Trovador. Truculento. Truscui. Turvo. Ultrajante. Ultrajoso. Urubu. Véi do saco.
Velhaco. Vigarista. Vira-casaca. Virado no satanás. Visagem do capeta. Xarope. Xeleléu. Xexeiro. Xoxo. Xubrega. Zambeta. Zarolho. Zé Mané. Zé Ruela. Zureta. Zenocida.

Fim da lista.

DdAB