29 março, 2021

O Grito de Guerra e a Guerra das Máscaras: um dilema de prisioneiro



Acho que foi lendo "Os Nus e os Mortos", de Norman Mailer, há uns bons 50 anos, que aprendi que o grito do soldado durante a batalha não é emitido para assustar o inimigo, senão que para não ouvir-lhe os urros enregelantes. Nestes inacreditáveis tempos de pandemia e ação governamental escalafobética, fiquei pensando no uso da máscara de proteção das vias aéreas, seu não-uso e os tais berros.

Quando uma pessoa usa máscara ela provavelmente estará dificultando a propagação do vírus covid-19. Digo "provavelmente", pois -em não sabendo estar infectada pelo "bichinho"- seu bafejar dentro da máscara e seus perdigotos na fala podem estar fazendo mal aos circundantes. Por mavioso contraste, essa pessoa que protege os outros ganha como fringe benefit a proteção a si própria: vai lá que a turma esteja bafejando o vírus por já estar infectada.

Associando a decisão de usar ou não máscara com a de gritar ou não no combate  a um jogo de estratégia, fiquei pensando que naturalmente este deveria ser classificado como jogo cooperativo: ninguém quer infectar ou ser infectado. Ergo todo mundo estaria usando máscara. SQN - só que não, tem montes de gente, mais jovens que velhotes que se recusam a fazê-lo. No inverno e no verão, no hemisfério norte e no sul, no leste e no oeste. De aglomeração, nem se fala, levando a crer que a moçada não entendeu o que disse o velho Bota: "muita gente é bom... na guerra", precisamente onde parece que a soldadesca urra, berra e brada por medo puro.

E culminei por pensar o contrário: ser inn é exatamente eximir-se de usar máscara, deixando para os fracotes, os medrosos, seu uso. "Afinal, nada atinge um jovem altaneiro", hão de pensar os jovens que nutrem certo grau de ódio à humanidade. Neste contexto é que imaginei que o dilema de prisioneiro pode estar descrevendo a situação mundial: milhares de pessoas aglomeradas sem máscara e outros milhares circulando em ambientes públicos também dela despidos.

A figura do alto mostra a forma normal desse afamado dilema. Sua origem (mutatis mutandis) é a página 80 do maravilhoso livro

BERNI, Duilio de Avila e FERNANDEZ, Brena Paula Magno (2014) Teoria dos jogos; crenças, desejos, escolhas. São Paulo: Saraiva.

Diferentemente do "Dilema" tradicional, que mostra as "recompensas" em anos de xilindró, aqui vemos recompensas avaliadas em unidades de bem-estar ou dinheiro. Do quadro podemos retirar os principais ingredientes de um jogo de estratégia: 

a) os jogadores: os dois jovens (ou mesmo velhotes) festeiros receberam as alcunhas de Bina e Dino
b) as estratégias disponíveis para cada um deles: usa máscara, não usa máscara
c) as recompensas: as cifras colocadas no quadro da forma normal; por exemplo, o par {5;0} informa que, se Bina -sem conhecer a escolha de Beto- decide usar máscara e, sem sabê-lo, simultaneamente Beto escolhe não a usar (cara limpa), Bina é recompensada com cinco unidades de bem-estar (está fazendo o bem) ou dinheiro (está embolsando a recompensa de D$ 5).

Dois tipos de raciocínio encaminham a solução (de equilíbrio) do jogo dos transeuntes. A primeira se chama de possível identificação de estratégias dominantes. Neste caso, usa-se a técnica familiarmente chamada de ou-ou-ou. No caso de Bina, a ou-ou-ou descreve-se como:

{3 ou 0}
ou
{5 ou 2}

E parece óbvio que, sendo racional, Bina vai preferir a segunda opção: 5 é melhor que 3 e 2 é melhor que zero, dado que estamos falando em unidades de bem-estar ou dinheiro. Tal raciocínio pode ser simetrizado para Beto, permitindo- nos entender que as recompensas do quarto quadrante, nomeadamente, duas unidades de bem-estar ou dinheiro para cada jogador, não oferecerão incentivos a que Bina e Beto mudem de opinião sobre o que é melhor para eles.

Que aconteceu? Se ambos usassem máscara (cooperação universal), cada um sairia do jogo levando 3 unidades. Mas, dado que escolheram a rivalidade universal, eles ganharam 2 unidades, ou seja, saíram "perdendo" uma unidade. E por quê assim procedem? Quem não usa máscara está sendo protegido por aqueles que usam e ainda pode botar banca de valente: comigo ninguém pode.

Como podemos explicar as motivações de ambos, sabedores de suas próprias  recompensas e as do outro jogador? Tratando-se de um dilema de prisioneiro típico, eles sabem que, se derem mole, serão jogados nos dois quadrantes de nomes pouco lisonjeiros. Para Bina, aquele {0 ; 5 } coloca-a na posição de "trouxa", pois entram com a maior boa vontade de usar a máscara para proteger-se e aos outros, mas acabam sendo lograda por Beto, que não está nem aí para o bem-estar público, andando cara limpa. Por contraste, se Bina escolher o quadrante {5 ; 0}, ela é que está explorando as boas intenções de Beto e recebe o nome de caroneira (não paga nem divide o combustível e usufrui da viagem).


O segundo tipo de raciocínio encaminha a solução (de equilíbrio) do jogo dos transeuntes envolve o conceito de equilíbrio de Nash. Trata de analisar qual a melhor resposta que cada jogador dá à ação do outro. Assim, por exemplo, quando Dino escolhe usar máscara, a melhor resposta que Bina pode dar-lhe é não usá-la: ganha 5 no primeiro caso e 3 no segundo. Além disso, se Dino escolhe não usar a máscara, o melhor que pode ocorrer a Bina é tampouco usá-la, quando ganhará 2, ao invés daquele zero que ganharia se ela própria usasse a máscara.

Notate bene: aquele 5 das recompensas assinaladas como {5 ; 0} e aquele dois duplo da situação em que ambos abandonam a máscara estão negritados, mostrando precisamente quais são as melhores respostas para as quatro interações exibidas no quadro que nos encima.

DdAB

28 março, 2021

Eu e o André Singer: pé-no-barro e a frente-de-esquerda

(que chegou até mim por meio de Áurea Borges, do Facebook)

Quiero encontrarlo pa que me enseñe a mí, que soy naides, lo que es un hombre de coraje y de vista.
(Jorge Luis Borges conto Hombre de la Esquina Rosada)

Estou em campanha para a criação de uma frente de esquerda para disputar as eleições nacionais de 2022 (executivos municipais e federal e congresso nacional)
. E sonho com as eleições de quase três anos atrás na Argentina, quando aquele povo amigo votou maciçamente na esquerda (centro-direita?) nas eleições deste domingo 11/ago/2019. Alegadamente por Jair Bolsonaro, inquieto com aqueles resultados, os argentinos que viessem a reduzir-se à mais imobilizante pobreza iriam comportar-se como alguns milhares de venezuelanos, que fugiram do país por não aguentar mais aquela guerra civil. Então o velho Bolsonaro e seus miquinhos amestrados deram-se mal, pois especialmente na luta contra o corona vírus covid-19, já está clara a diferença entre um governo e um desgoverno. Naquele momento, muito sabiamente, o governador do Rio Grande do Sul disse que o estado que governa terá o maior prazer em receber migrantes argentinos.

Mas hoje fala-se muito, especialmente, a turma do espectro político que vê o mundo pela esquerda, na candidatura de Lula à presidência da república. As alternativas à mão são complicadas e não vi surgir nenhum nome que possa amarrar consenso. Nem Lula, por sinal. Sua rejeição é tão consistente que talvez ele não possa fazer alianças ou coalizões puxando para a meia-esquerda e, quem sabe, gente de centro.

O que me parece falta de perspectiva para essa gente que pensa no presidente, no Lula, no Hulk, sei lá, mas esquece que, sem uma base parlamentar sólida, não adianta ter o presidente. Ele estará imobilizado pelo congresso nacional. Por sorte, alguma oposição hoje a Bolsonaro resulta precisamente da incapacidade de sua "plataforma eleitoral" não ter sido capaz de capturar o eleitor mediano. E, como tal, formou uma minoria nas duas casas do parlamento.

A solução é, na linha do livro de André Singer (o sentido do lulismo) e de Rosana Pinheiro-Machado (amanhã vai ser melhor) e outros escritos dela todos botarmos o pé no barro, ou seja, procurarmos eleitores permeáveis a ideias igualitaristas e conseguir seu compromisso de votar na esquerda, numa frente de esquerda, em 2022.

DdAB
P.S. O sarcasmo da analogia dos 15 minutos de emprego com os 15 minutos de fama arguidos por Marshall McLuhan é direto contra o presidente do Brasil. Por contraste à crítica aos status quo, podemos pensar num dia em que o ser humano não trabalhará mais de 15 minutos durante todo seu ciclo de vida. Naquele artigo de Martin Bronfenbrenner que tanto cito, fala-se em períodos mais prolongados: dois anos. Mas, veja só!, não estamos falando nos 45 anos de serviço que consta da reforma trabalhista recentemente impingida ao povo brasileiro.
P.S.S. Alguns eventos mostram o viés. Consideremos as datas, com o primeiro turno ocorrendo em 7 de outubro de 2018 e o segundo turno em 28 de outubro de 2018. Ao todo, há três eventos determinantes da tragédia:
.a condução coercitiva de Lula para dar depoimento na polícia em 29 de fevereiro de 2016.
.b liberação do depoimento de Antonio Palocci às antevésperas do primeiro turno da eleição, ou seja, no dia 1o. de outubro de 2018.
.c participação de Steve Bannon na produção de fake-news. tentando desmoralizar as candidaturas de esquerda, no caso do segundo turno, a de Fernando Haddad.

21 março, 2021

Vocabulário (final)


(Imagem rede um dos atributos lançados sobre o único presidente da república que não gosta de ser chamado de genocida:  tacharam-no de pequi roído. Eu, que cheguei a beber desse licor de piqui cuiabano na adolescência, fiquei bêbado...)

Prossigo nesta postagem a lista de atributos atribuíveis (como  não seriam?) a Jair Messias Bolsonaro, o presidente da república do Brasil. A partir do dia 18 de março, consultei os murais de Ana Barros Pinto, Inês Patrício, Marino Boeira. Todos davam seguimento àquela lista divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. Nos dias 19 e 20, voltei a eles, recolhendo tudo o que os comentadores e eles publicaram até as 20h00 de 20 de março. 

Também estão aqui inserções naquela postagem de meu site, minhas sugestões em um ou outro caso dos murais daquele trio e também -last but not least-  minhas invenções. Neste caso, por exemplo, entram elogios seguidos do código SQN (só que não), como sábioSQN, ou seja, burro. Certamente há duplicações com a lista original. Mas incorporei os termos registrados nos P.Ss. daquela postagem.

Tá aqui a nova lista: 

Abagualado. Abestalhado. Abigobal. Abilolado. Abobado. Abobado da enchente. Abostado. Abutre. Adiconeg. Adiloso. Afolosado. Agressivo. Aguçado. Alarifão. Alarife. Aldifróbilo. Alma sebosa. Aluado. Amargo. Amarrado. Analfabeto. Aperreio no juízo. Apombaiado. Arengueiro. Ariado. Arriado. Arrolhador. Asilado. Aspa torta. Assustador. Atochador. Babão de milico. Bagaça. Balanceado dos cascos. Bate fofo. Batoré. Bêbado. Besta amojada. Bexiga lixa. Bexiga taboca. Bexiguento. Bichento. Bicho véi leso. Bicho véi paia. Bisonho. Boca braba. Bocó. Bocoió. Bodoso. Boitatá. Bom pra rebolar no mato. Borra-botas. Borra-tintas. Bosta. Bosta rala. Bostica (homenagem aos censores de Chico Buarque, ao trocarem por coisica). Brebote. Brocoió. Bruto. Buchada azeda. Bucho de soro. Caborteiro. Cabra bom de peia. Cabrão. Cabrunco. Cabueta. Cachaceiro. Cachorro da moléstia. Cafuçu. Cagão. Cagarolas. Calhorda. Caloteiro. Cambão. Canastrão. Cancro. Cansado. Cantor sertanejo. Cão chupando manga. Cão dos inferno. Capado. Capanga. Capão. Cara de butico. Cara de cu sem pestana. Cara de fuinha. Cara de tabaco. Carai de asa. Casca grossa. Cascarra. Catarrento. Catingoso. Catraia. Catrefa. Catrevagem. Cavalo vestido. Caxumbeiro. Chambão. Chancho. Chapetão. Charengo. Chato de galocha. Chefe da corja. Cheio de verme. Chibata. Chifrudo. Chocante. Chucro. Chupa-cabra. Cinzentão. Cinzento. Coió. Coisa ruim. Constitucionalicida. Contundente. Cricri. Cru. Cruzeta. Cu da cobra. Cu de boi. Cu de burro. Cu de cachorro. Cu de novelo. Cu de porco. Curva de rio. Daninho. Danoso. Deletério. Demoníaco. Desafiador. Desaforado. Desagradável. Desconfiado. Descozido. Desestimulante. Desgramado. Desmilinguido. Desorganizado. Despeitado. Despenteado. Despombado. Diacho. Diabo. Dianho. Do tempo do ronca. Doido bala. Donzelo. Duma jumenta. Empata foda. Encangado com Satanás. Encardido. Encruado. Engilhado. Enjeitado. Entojo. Ermo. Escorado. Esculachado. Esculhambado. Espinhela caída. Esquife. Estrabulega. Estropalho. Estrume. Estrupício. Excomungado. Excrescência. Famigerado. Farrapeiro. Febre do rato. Febre tife. Fedido que nem gambá. Fedorento. Feio de doer. Feio que nem indigestão de torresmo. Ferida (do futebol). Ferida lambida. Fi da gota serena. Fi da peste. Fi do cranco. Fi dum que ronca e fuça. Fi duma égua. Filho da macega. Filhote de lombriga. Fiofó de macaco. Flanelinha (cuidador de automóveis de rua). Floxo. Folote. Frangueiro (do futebol). Frouxo. Fubento. Fuleiragem. Fuleiro. Furibundo. Futriqueiro. Gabiru. Ganjento. Garapeiro. Gasguito. Gastura no pé do bucho. Genocida. Gentalha. Goguento. Grosso que nem dedo destroncado. Grudento. Guaipeca. Gurupi. Histrião. Hostil. Humilhante. Imundícia. Inconha. Infeliz das costa oca. Inferno da pedra. Ingembrado. Inhaca. Injurioso. InteligenteSQN. Invasivo. Invectivo. Invertebrado. Jaburu. Jacaré. Juda. Ladino. Lambe botas de americano. Langanho. Lanhado. Lascado. Lasqueado. Laurça. Lixo branco (expressão racista americana). Loucanha. Lutador. Mais chato que o chato. Mal-assombrado. Malacabado. Malamanhado. Malassombro. Malcriado. Maleva. Malevão. Maluvido. Mamulengo. Mancerrão. Mancoso. Mané de bota. Marmota. Marraquene. Matungo. Maturrango. Mazanza. Mazela. Medroso que nem velha em canoa. Mela-cueca. Mengele tropical. Mentecapto. Mequetrefe. Merda-merda. Miguezeiro. Mijão. Miliciano. Miolo de pote. Mistura de jabaculê com cobra d’água. Mitrado. Mocorongo. Mói de chifre. Molenga. Moleque. Monga. Mórbido. Mordedor. Morgado. Mosca tonta. Moscão. Mouco das oiça. Mundiça. Muquirana. Não dá um prego numa barra de sabão. Não tem no cu o que o priquito roa. Não vale a bóia que come. Não vale o peido duma jumenta. Não vale um cibazol. Não vale um tipiu. Nojento que nem mocotó de ontem. Nulidade. Ofensivo. Orelha seca. Ornamento. Ornamentoso. Otário da bocona. Pai da mentira. Pai-de-vírus. Palerma. Palhação. Palhaço. Pamonha. Pandilheiro. Panfletário. Pangaré. Papa-figo. Papangu. Papudo. Pascácio. Pascóvio. Pastelão. Pau d'água. Pau de virar tripa. Pavena. Peba. Pechador. Peidão. Peitica. Pelego. Penoso. Pereba. Perebento. Perigoso. Perna de pau (do futebol). Peroba. Pesado. Peste bobônica. Pinguço. Pinico. Pior que cabo de facão. Piranqueiro. Plasta. Pomba lesa. Pontudo. Porqueira. Preguento. Prejudicial. Presepeiro. Puçuca. Quentura do pingo da mei dia. Quinta-coluna. Rafamé. Rascunho do mapa do inferno. Ratoeira. Recalcado. Repugnante. Requengelo. Resto de sulanca. Retardado. Rola-bosta. Roscói. Roto. SábioSQN. Sabujo. Safardana. Saliente. Sapo cururu. Se faz de leitão para mamar deitado. Se faz de morto pra passar bem. Seborreia. Sem futuro. Sibito baleado. Sobejo. Sombrio. Songamonga. Sorete. Sujo que nem que pau de galinheiro. Tabacudo. Tamborete de cabaré. Tanso. Tapado. Tinhoso. Tolete. Topada no dedo mindinho. Torturador. Trambiqueiro. Tramposo. Tranqueira. Trombudo. Troncho. Trouxa. Trovador. Truculento. Truscui. Turvo. Ultrajante. Ultrajoso. Urubu. Véi do saco.
Velhaco. Vigarista. Vira-casaca. Virado no satanás. Visagem do capeta. Xarope. Xeleléu. Xexeiro. Xoxo. Xubrega. Zambeta. Zarolho. Zé Mané. Zé Ruela. Zureta. Zenocida.

Fim da lista.

DdAB

19 março, 2021

Vocabulário Objetivo sobre Bolsonaro



No mural do Facebook de Ana Barros Pinto do dia 18 de março de 2021, ela mostrou a foto de um texto de autoria da jornalista Mariliz Pereira Jorge, localizada no Rio de Janeiro, mas publicado na Folha de São Paulo, presumindo eu que seja de 17/mar/2021. O post de Ana intitula-se "Genocida" e o de Mariliz, "Bolsonaro". Regina Silveira, comentadora, fala em 192 palavras. Como serviço de utilidade pública, o Planeta 23 mostra a listagem original e coloca-a em ordem alfabética. Culmina-se por convidar @s leitor@s a dizer quantas palavras dicionarizadas eram desconhecidas.

Ignóbil. Basculho. Baixo. Repugnante. Canalha. Deplorável. Mesquinho. Patife. Ordinário. Reles. Pulha. Sórdido. Torpe. Velhaco. Abominável. Detestável. Ralé. Biltre. Infame. Bandalho. Aberração. Calhorda. Desprezível. Pífio. Ignorante. Vil. Ribaldo. Soez. Jacodes. Cafajeste. Bronco. Inculto. Boçal. Néscio. Estúpido. Rude. Verme. Desgraçado. Maldito. Jumento. Monstruoso. Sádico. Burro. Insensível. Mentecapto. Demônio. Desalmado. Incapaz. Covarde. Crápula. Incompetente. Doentio. Sociopata. Peste. Idiota. Energúmeno. Reaça. Desequilibrado. Imoral. Rato. Mandrião. Beócio. Abjeto. Descarado. Pusilânime. Enxurro. Choldra. Gentalha. Labrusco. Desrespeitoso. Cruel. Facínora. Atroz. Maligno. Cafona. Execrável. Infando. Nefando. Abominável. Inclemente. Mau. Sicário. Viperino. Tirano. Impiedoso. Desumano. Malfeitor. Celerado. Estrupício. Chorume. Louco. Escroto. Lixo. Inútil. Escória. Ogro. Mitômano. Ególatra. Tosco. Verdugo. Mentiroso. Asno. Babaca. Déspota. Autoritário. Morte. Opressor. Tapado. Mandão. Autocrata. Desnecessário. Safardana. Prepotente. Abusivo. Injusto. Reacionário. Fascista. Cínico. Animal. Desaforado. Histrião. Grosseiro. Vulgar. Malandro. Inconveniente. Sujo. Sem-vergonha. Obsceno. Brega. Charlatão. Perverso. Monstro. Ditador. Embusteiro. Horrível. Desnaturado. Carrasco. Egocêntrico. Mariola. Salafrário. Imbecil. Lunático. Bufão. Garganta. Farofeiro. Farsante. Oportunista. Indefensável. Broxável. Carniceiro. Irresponsável. Excrementíssimo. Marginal. Praga. Traiçoeiro. Criminoso. Terrorista. Asqueroso. Cu de boi. Podre. Capiroto. Embuste. Lazarento. Indecoroso. Desmoralizado. Imprudente. Maléfico. Parasita. Delinquente. Seboso. Coisa-ruim. Quadrilheiro. Arrombado. Mau-caráter. Frouxo. Fracassado. Ressentido. Obtuso. Boçal. Brutamontes. Cavalgadura. Descortês. Lorpa. Pateta. Cretino. Parvo. Pacóvio. Inapto. Desqualificado.
Pequi roído. Genocida.


"Minha" lista, portanto, é:

Aberração. Abjeto. Abominável. Abusivo. Animal. Arrombado. Asno. Asqueroso. Atroz. Autocrata. Autoritário. Babaca. Baixo. Bandalho. Basculho. Beócio. Biltre. Boçal. Brega. Bronco. Broxável. Brutamontes. Bruto. Bufão. Burro. Cafajeste. Cafona. Calhorda. Canalha. Capiroto. Carniceiro. Carrasco. Cavalgadura. Celerado. Charlatão. Choldra. Chorume. Cínico. Coisa-ruim. Covarde. Crápula. Cretino. Criminoso. Cruel. Cu de boi. Delinquente. Demônio. Deplorável. Desaforado. Desalmado. Descarado. Descortês. Desequilibrado. Desgraçado. Desmoralizado. Desnaturado. Desnecessário. Déspota. Desprezível. Desqualificado. Desrespeitoso. Desumano. Detestável. Ditador. Doentio. Egocêntrico. Ególatra. Embuste. Embusteiro. Energúmeno. Enxurro. Escória. Escroto. Estrupício. Estúpido. Excrementíssimo. Execrável. Facínora. Farofeiro. Farsante. Fascista. Fracassado. Frouxo. Garganta. Genocida.Gentalha. Grosseiro. Histrião. Horrível. Idiota. Ignóbil. Ignorante. Imbecil. Imoral. Impiedoso. Imprudente. Inapto. Incapaz. Inclemente. Incompetente. Inconveniente. Inculto. Indecoroso. Indefensável. Infame. Infando. Injusto. Insensível. Inútil. Irresponsável. Jacodes. Jumento. Labrusco. Lazarento. Lixo. Lorpa. Louco. Lunático. Malandro. Maldito. Maléfico. Malfeitor. Maligno. Mandão. Mandrião. Marginal. Mariola. Mau-caráter. Mau. Mentecapto. Mentiroso. Mesquinho. Mitômano. Monstro. Monstruoso. Morte. Nefando. Néscio. Obsceno. Obtuso. Ogro. Oportunista. Opressor. Ordinário. Pacóvio. Parasita. Parvo. Pateta. Patife. Pequi roído. Perverso. Peste. Pífio. Podre. Praga. Prepotente. Pulha. Pusilânime. Quadrilheiro. Ralé. Rato. Reaça. Reacionário. Reles. Repugnante. Ressentido. Ribaldo. Rude. Sádico. Safardana. Salafrário. Seboso. Sem-vergonha. Sicário. Sociopata. Soez. Sórdido. Sujo. Tapado. Terrorista. Tirano. Torpe. Tosco. Traiçoeiro. Velhaco. Verdugo. Verme. Vil. Viperino. Vulgar.

DdAB
P.S. Meu toque literário, toque gracilianesco, se a memória não falha, foi inserir na lista da ordem alfabética (ergo, de minha autoria) o adjetivo "bruto" que foi usado como auto-crítica por João Valério, no romance "Caetés".
P.S.S. Deveria retirar de minha lista a expressão cu-de-boi, pois -como sabemos- não uso palavrões em redes sociais. Mas, em segundas reflexões, entendi que o Genocida merece.
P.S.S.S. Procurei, mania de TOC, na internet outras expressões ofensivas, geralmente adjetivos, mas também muitos substantivos. No site https://www.sinonimos.com.br vi pilhas de termos assemelhados aos do espírito da crônica jornalistica. Digitei no Google "termos ofensivos". E cheguei em "ofensivo".  Achei danoso, prejudicial, nocivo,agressivo, hostil,invasivoE, em seguida, cito verbatim: malcriado, amargo, estimulante, aguçado, penoso, injurioso, perigoso, humilhante, ordinário, lutador, desafiador, desagradável, pesado, chocante, cru, deletério, panfletário, pontudo, ultrajoso, contundente, invectivo.
P.S.S.S.S. Dessa lista, a última palavra, invectivo, não era de meu vocabulário. Olhei no dicio.com.br e ficou bem claro também se tratar de ofensa. Então voltei a procurar, agora esse "invectivo". Da lista "injurioso, ofensivo, agressivo, ultrajante", achei uma que outra novidade a acrescentar à lista original direcionada ao presidente da república. Tampouco conhecia "viperino".
P.S.S.S.S.S. Prometi, não lembro a quem, que fecharei o dicionário em possíveis ofensas ao messiê Bolsonaro. Metodologia do research programme: olhar "danoso" e todas as citações não citadas, prejudicial, etc.
P.S.S.S.S.S.S. A imagem tem como ilustração lá no original "Palmeiras volta a sofrer com erros ofensivos".
P.S.S.S.S.S.S.S. Ouvi falar que uma possibilidade de expansão dos atributos do Genocida é usar qualificativos disfarçados de elogios. Exemplo: sábio-SQN, inteligente-SQN, ornamento-SQN
P.S.S.S.S.S.S.S.S. Novas palavras: excrescência, cachaceiro, trambiqueiro, jacaré, sabujo, cinzento, cinzentão, assustador, mal-assombrado, cansado, mórbido, furibundo, esquife, moleque, caloteiro, esculhambado, esculachado, palhaço, palhação, ardiloso, abobado, despeitado, desconfiado, aluado, pai-de-vírus, retardado.
P.S.S.S.S.S.S.S.S.S. Acrescentado em 20/jan/2022, uma quinta-feira. Listinha retirada da charge de hoje da página 2 do segundo caderno de Zero Hora. O autor Lousada criou a personagem "Tapejara - o último guasca". E hoje há uma crítica aos nomes usualmente empregados no Brasil contemporâneo, quando o assunto é política, religião ou futebol. Os nomes antigos ilustrados por Tapejara são: Odete, Gervásio ou Dorvalina. Um parente acrescenta Hilário, com óbvio duplo sentido. E os "nomes feios", expressão que catei em Érico Veríssimo? Lambisgoia, Mocorongo, Enxerido, Bodoso, Cafona, Sirigaita, Sorete, Coió.

17 março, 2021

O Bloco de Quatro Classes: o que é, o que é?


 (imagenzinha meio besta pra falar em linha Moscou e linha Pequim)

Serão apenas quatro classes? A verdade verídica é que faz muitos anos, uns 60, que ouço falar num bloco de quatro classes. Assunto de 'comunista', de comunistas. Desde meu envolvimento superficial com a política estudantil do Colégio Júlio de Caudilhos, ouço falar nessa categorização. E creio que nunca tive coragem de indagar o que é, pois era óbvio que eu devia saber.

A pandemia levou-me a rever 

MORAES, Dênis de (2012) O velho Graça; uma biografia de Graciliano Ramos. São Paulo: Boitempo. [Como sabemos, Boitempo é aquela editora que traduziu o que tudo mundo chama de mais-valia por mais-valor.] 

Já na página 299, encontrei uma listagem do que supus tratar-se desse procurado bloco de quatro classes:

   Na Declaração de Março de 1958, o PCB formalizou a nova plataforma política, propugnando por um governo nacionalista e democrático. O caráter da revolução, dizia o documento, era anti-imperialista e antifeudal, e o caminho para alcançá-la era a via pacífica, através de uma frente única que englobasse o proletariado, o campesinato, a pequena burguesia e 'os setores da burguesia ligados aos interesses nacionais'. [Negritos meus, DdAB]

No outro dia, confidenciei a um amigo que as leituras que se acumulam com a idade vêm me tornando menos radical e, com isto, sinto certa identificação com a linha soft do PCB dos anos 1960 até o longínquo 1987. Nesse ano, tive um aluno de nome Jairo Getúlio, militante do PCB, estudante de economia na UFRGS Certo dia, numa conversa de corredor, ele fez uma análise da situação política brasileira e... concordei com tudo.

Pois então. Essa postagem estava delineada para terminar aqui. Mas fui buscar uma ilustração, como faço habitualmente. E não é que a primeira remessa foi para a Wikipedia, no verbete "Nova Democracia (maoísmo)"? Gelei, degelei e tornei a gelar. Quero dizer, tenho um monte de investigações a fazer para chegar à origem do termo. Talvez o PCB daquele 1958 já fosse o "linha Moscou", mas há boa afinidade com a "linha Pequim". É também que naquele tempo ainda não havia ocorrido o grande cisma comunista, sempre latente. 

E que dizer do dia de hoje? Com a declaração de falência completa do governo Bolsonaro no trato da saúde e da economia, por incapacidade pessoal e de seu derredor, mas mesmo antes, penso na constituição desse bloco de classes, mas minha visão ruma à montagem de uma frente única de esquerda que deve preparar-se para a eleição de 2022 com as seguintes ações:

a) pense num programa comum
b) pense nas eleições legislativas para assembleias, câmara e senado
c) pense nas alianças fora da frente única
d) só então comece a pensar nas eleições para os executivos municipais, estaduais e federal.

Moraleja para este novo dever de casa sobre classes sociais: "viver como se fosse morrer amanhã, estudar como se não fosse morrer nunca".
 
E para a política: não me deixar envolver emocionalmente como muita gente tem feito de tentar "vingar" a prisão ilegal e imoral de Lula, jogando lama no poder judiciário, com sua candidatura a presidente da república.
DdAB

12 março, 2021

 


Nosso querido amigo e professor Conrado Chagas, gramático, literato e músico, também fala em política. Superinformado e articulado, hoje lá em seu mural do Facebook (aqui), escreveu um formidável balanço da dualidade Lula-Bolsonaro. Reproduzo aqui para auxiliar minha memória em futuras reflexões sobre o futuro do Brasil. Agradeço-lhe pela autorização para aqui publicar e por ter tido a oportunidade de lê-lo:

No cenário político nacional hoje, Bolsonaro e Lula são aqueles que, ao mesmo tempo em que contam com uma base de apoio bastante expressiva, enfrentam acirrada rejeição. É assim que dizemos que ambos polarizam as opiniões, e, caso as eleições fossem hoje, não seria improvável que a escolha no segundo turno se desse entre eles. Aqui ocorre algo interessante. A escolha de um deles pode dar-se menos pelos méritos do escolhido que pela rejeição ao outro. Quero crer que isso é mais perceptível no caso do Bolsonaro. Em 2018 conheci pessoas que, em razão da forte campanha antipetista (e essa campanha, digam o que disserem, ocorreu), optaram por Bolsonaro apertando o nariz, como escreveu a Martha Medeiros (aliás, não saberia dizer se ela própria não terá feito isso). No caso de Lula, seus bons governos falam por si; ou seja, tivesse em 2018 sido ele o candidato, o resultado do pleito teria sido outro. Com efeito, conheci pessoas que votaram em Bolsonaro que me disseram que teriam votado em Lula. É como se Lula estivesse, para essas pessoas, acima da onda antipetista, que, suponho eu, foi o que as fez escolherem Bolsonaro e não Haddad. Alguém pode, claro, arguir que Bolsonaro nunca tinha sido presidente e que, portanto, esse tipo de comparação não faz muito sentido. Correto. Porém, Bolsonaro esteve décadas na Câmara Federal, era político conhecido, como eram bem conhecidas suas opiniões e posições políticas. Nunca foi um lobo em pele de cordeiro; sempre se apresentou como o lobo que é lobo e continua sendo. Aliás, se algo pode ser dito em seu favor, é que a esse respeito nunca enganou ninguém: quem o comprou sabia muito bem qual produto levava para casa (com o perdão das surradas metáforas). Mas falemos das rejeições. Num cenário em que a escolha tivesse hoje que dar-se entre Lula e Bolsonaro, desconsiderando de momento o voto nulo ou em branco, que elementos de rejeição há num e noutro para que, talvez apertando o nariz (vá lá), pudéssemos escolher o adversário? Comecemos com Bolsonaro. O que há nele para rejeitar-se? Ele ofende as mulheres (o caso da deputada Maria do Rosário é emblemático, como o foi a brincadeira de mau gosto da "fraquejada", ao referir-se a sua única filha); ele ofende os povos originários, os indígenas, opondo-se inclusive ao que estabelece a Constituição Federal, pois já afirmou ser contrário à preservação de suas terras e, portanto, de sua cultura; ele já homenageou em cadeia nacional notório torturador, o qual teria inclusive torturado a jovem que viria a ser nossa primeira presidenta da República; ele já afirmou que com democracia não se resolveriam os problemas do país; ele é grande admirador dos generais da ditadura, a ponto de ter em seu gabinete as fotos enquadradas dessas personagens; ele não demonstra respeito algum por homossexuais, conforme as palavras depreciativas e mesmo de baixo calão que já usou contra Jean Willys, David Miranda e Glenn Greenwald; ele se opõe ao que recomendam cientistas, sobretudo epidemiologistas, como vimos (e estamos por incrível que pareça ainda agora vendo) no combate à COVID-19; ele defende o armamento da população, quando estatísticas demonstram que mais armas só trarão mais violência e mortes (países, como o Japão e a Inglaterra, por exemplo, onde mesmo o policiamento ostensivo se faz sem armas de fogo, estão entre os que onde menos violência e mortes ocorrem); ele já ofendeu negros, quilombolas e nordestinos de forma geral, numa demonstração de total desconhecimento acerca do povo brasileiro e da formação socioeconômica do país; etc. Eu poderia seguir, mas o amigo ou amiga que porventura me lê pode com certeza não apenas acrescentar mais elementos a essa listagem sumária de razões para rejeitá-lo, como também possivelmente precisar e mesmo corrigir o que vai acima listado. (A propósito, vejam que sequer mencionei os equívocos dos seus já dois anos de governo, com uma inflação galopante e uma taxa de desemprego assombrosa: cerca de 14 milhões de desempregados, em dados oficiais). Passemos agora a Lula. O que temos para rejeitá-lo? O que ouço e leio é que, no poder, teria sido corrupto, teria, dizem até, chefiado uma quadrilha de corrupção. Será isso verdade? Admitamos a possibilidade de que seja. Nesse caso, será preciso condená-lo. Porém, para que isso seja feito, é necessário, é fundamental haver o devido processo legal. Não estamos no velho oeste. Na verdade, mesmo no velho oeste havia julgamento, ainda que às vezes se pendurassem alguns meio às pressas. Lula foi virado do avesso, teve seus telefones grampeados, inclusive em conversas com a presidenta e com seus advogados. Vasculharam suas contas, sua residência e a de seus filhos. A força tarefa da Lava Jato contou até com uma mãozinha da polícia federal estadunidense (o FBI). Nunca puderam encontrar joias ou dólares escondidos. Nunca puderam encontrar nenhuma conta em algum paraíso fiscal. Nunca puderam encontrar, sublinhe-se isto, documento fidedigno e comprobatório de que ele fosse o legítimo proprietário do triplex ou do sítio de Atibaia. Lula nunca se opôs a que o processassem. Não poderia fazer isso. Não está acima da lei. O que sempre exigiu foi um julgamento justo. Não teve esse julgamento e foi condenado. Esperemos que agora o tenha. Assim, e só assim, sua inocência será demonstrada. Sim, demonstrada, porque, no caso de Lula, e contra o que determina a própria Constituição, parece estar com a defesa a tarefa, no final das contas, de demonstrar a inocência do réu, e não com a procuradoria aquela de provar sua culpabilidade. Concluo este texto, fazendo uma sugestão a todo aquele e aquela que escreve ou passa adiante em suas redes sociais uma mensagem acusando Lula de ladrão. Amigo, amiga, ajude os procuradores, ajude seu país, seja um verdadeiro "patriota", entregue ao ministério público hoje mesmo as tão procuradas provas contra Lula. Faça isso. Ajude o FBI, aquele bando de incompetentes. Não guarde mais essas provas que o país e o mundo esperam tão ansiosamente. Acabe com esse sofrimento!



Então, pois então! É o professor Conrado!

DdAB

07 março, 2021

Martha, My Dear

 

(Para ampliar o tamanho, clicar sobre a imagem)

Uma bandeira destruída. Este é o artigo de Martha Medeiros estampado no exemplar de Zero Hora que circulou nos dias 6-7 de março de 2021, sábado e domingo. "Martha, My Dear", título copiado de uma canção dos Beatles.

E, depois do que li nessa "coluna", fiquei feliz, chamando-a de querida. Claro que ela diz coisas que eu mesmo gostaria de dizer e até que algumas delas tenho atinado em dizê-las. Ao mesmo tempo, gostei de ler o que me parece uma autocrítica da autora por ter enturmado naquele batalhão que odiava o PT mas que era/foi incapaz de fazer-lhe uma crítica pela esquerda.

DdAB

05 março, 2021

Dürer, Dürer, Fürer do Querer



Hoje minha sobrinha Ana Terra está de aniversário, 38 anos. Ia dar-lhe de presente um três oitão, mas não acho oportuno (ver nota 1). E ia começar a homenageá-la com um poema inconcluso (de minha autoria) que está também homenageando o pintor Albrecht Dürer (*1471; +1528).  Ainda assim mantive-me no intento de presenteá-la. Ana Terra gosta de sudoku, Dürer gostava de quadrados mágicos (o que segue tenho-o visto atribuído a ele, constando de um quadro) e eu gosto de... digitação.

(Notate bene: todas as linhas e todas as colunas e as duas diagonais somam 34)

Como sabemos, os quadrados mágicos são... mágicos. E tem o famoso "sator arepo tenet opera rotas" (uma das traduções aventadas pela Wikipedia é: "Agricultor sábio (destreza) mantém a rotação de culturas". E tem muitas outras mais traduções do latim ao português. E tá aqui um meio que original:

(Notate bene: a frase pode ser lida ao longo das linhas, das colunas e espelhadas)

Pois o presente para a Ana ainda não começou. Ana e Albrecht têm em comum olhar para este tipo de manifestação do cérebro humano e não sei quanto cada um sabia das tantas sutilezas que existem por trás de praticamente cada cálculo que a gente faz. O presente: dias atrás citei o livro

CRILLY, Tony (2011) 50 Cosas que Hay que Saber sobre Matemáticas. Buenos Aires: Ariel.

E agora volto a ele, nas páginas 174-175, transcrevendo o que segue (talvez em portunhol devido a erro de digitação);

El cuadrado de Lo Shu

Como los cuadrados de 2x2 no existen [nota 2)], examinaremos secuencias de 3x3 e intentaremos construir una con una cuadrícula. Empezaremos con un cuadrado mágico normal, uno cuya cuadrícula se rellena con los números consecutivos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 y 9.

En el caso de un cuadrado tan pequeño es posible construir un cuadrado mágico de 3x3 por el método de 'prueba y error', pero primero podemos hacer algunas deduciones para que nos ayuden en el processo. Si sumamos todos los números de la cuadrícula, tenemos

1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 = 45

y este total tendría que ser igual a la suma de los totales de 3 filas. Esto muestra que cada fila (y cada columna, y cada diagonal) ha de sumar 15. Ahora fijémonos en la celda central: llamaremos a esta de c. Dos diagonales implican a c, así como lo hace la fila central y la columna central. Si sumamos los números de estas cuatro líneas obtenemos 15 + 15 + 15 + 15 = 60 y esto debe ser igual a todos los números sumados más 3 veces c. A partir de la ecuación 3c + 45 = 60, vemos que c há de ser 5. También se pueden aprender otros hechos, como que no se puede poner un 1 en una celda de esquina. Una vez que hemos reunido algunas pistas, ya estamos en una buena situación para usar el método de prueba y error. !Intente-lo!

Naturalmente, nos gustaria tener un método totalmente sistemático para construir cuadrados mágicos. Uno lo encontró Simon de la Loubère. Loubère se interessó por las matemáticas chinas y escribió un método para construir cuadrados mágicos que tienen un número impar de filas y colunmas. Este método empieza poniento un 1 en el centro de la primera fila y subiendo, cruzando y girando si es necessario para colocar el 2 y los números posteriores. Si está bloqueado, se usa el siguiente número que esté por debajo del número actual.

Surprendentemente, este cuadrado mágico normal es fundamentalmente el único que tiene 3 filas y 3 columnas. Todos los demás cuadrados mágicos de 3x3 se pueden obtener a partir de éste rotando los números en torno al centro y/o reflejando los números del cuadrado en la columna central o la fila central. Se denomina 'cuadrado de Lo Shu' y era conocido en China en torno al 3.000 a.C.

[...]


A disposição do número 5 na casa central resulta de um princípio importante para os jogos de tabuleiro: o controle do centro é estratégico. Da mesma forma, foi estratégico meu encaminhamento para o presente da sobrinha: na pandemia, seria difícil abraçá-la e entregar-lhe qualquer objeto material.

DdAB

(1) Com essa encrenca de podermos adquirir -cada um- seis armas de fogo, imaginei que vou ter que comprar: se os ladrões voltarem a minha casa, vão indagar onde estão as armas que o presidente Bolsonaro mandou comprar. Se eu disser que não tenho, os amigos do alheio não vão acreditar e vasculharão toda a casa e mesmo os pontos frágeis de meu pobre corpo, tentando achar o arsenal da família. Aquela ideia do três oitão seria apenas para me livrar de uma daquele sexteto.

(2) Um quadrado mágico não tem nenhum valor repetido. Além disso, ele não pode ser de 2x2, ou seja, duas linhas e duas colunas, conforme ilustra nosso autor. Vejamos por quê. Aqui tá o quadrado 2x2 (feito por mim no Excel) com as letras a, b, c e d de Crilly que deveriam ser diferentes umas das outras:

Para ser um quadrado mágico, todas as linhas, colunas e diagonais devem ter o mesmo valor. Então teríamos a + b = a + c, ou seja, eliminando a fica patente que b = c, o que não pode, o que expulsa o 2x2 do conjunto de quadrados mágicos.

02 março, 2021

Terra Plana: coisa de milico*


(Esta postagem é uma homenagem que faço 
a meu querido amigo Sílvio Luiz dos Santos)

Estou sendo injusto com uma fração expressiva da milicada ao reclamar do terraplanismo do presidente da república. Falo na troupe medíocre (que designei no título por milico*) incapaz de usar inteligentemente um teodolito (na imagem que nos encima, um modelo do tempo antigo, vemos um teodolito... antigo).

Culpa de quem? A quem atribuir a responsabilidade de cair-me no cocoruto o tema desta postagem? Claro que ao mesmíssimo presidente da república, centro de gravidade de uma súcia de bichos loucos que, como diria Dorival Caymmi, até Deus duvida. Pois não é que é que na pandemia tenho lido algumas coisas novas na telinha de meu computador e até outras tantas e mais em livros de papel (por exemplo, Cristóvão Tezza aqui)? Mas o que mais tem me agradado é reler coisas, romances, contos, e tudo o mais. Entre esse "tudo o mais", destaco por hoje o livro

CRILLY, Tony (2011) 50 Cosas que Hay que Saber sobre Matemáticas. Buenos Aires: Ariel.

Pois então li o maravilhoso livrinho em, digamos, 2015, nem um lustro pra trás. Mas não posso negar que agora colhi-o, batendo - como dizem outros - en la misma piedra y el mismo pié

A la hora de medir áreas de tierra para dibujar mapas resulta bastante útil ser un creyente en la teoria de que la tierra es plana e suponer que los triángulos son planos. Se crea uma red de triángulos empeando com una línea base BC de longitud conocida, eligiendo un punto lejano A (el punto de triangulación) y midiendo los ángulos ABC y ACB mediante un teodolito. Por trigonometria se conoce todo sobre el triángulo ABC y el topógrafo sigue adelante, fija el siguiente punto de triangulación desde la nueva línea base AB o AC y repite la operación para criar una red de triángulos. [Ver tradução no rodapé]

(aqui as letras diferem do texto, mas podemos fazer nossa festinha do mesmo jeito: o triângulo ABC não é retângulo, mas ainda assim, sua área é dada pelo produto da base b pela altura h. Com base no tamanho do lado b e do ângulo ACB, podemos calcular h e, de brinde, os demais lados. Para mais terras, agora temos os segmentos adicionais a e c, de comprimentos conhecidos)

Não é preciso ser um Cervantes ou um Martin Fierro para entender que "ser un creyente" quer dizer, na língua de Camões e Pedro Malazarte, simplesmente "acreditar", ter fé. Ao mesmo tempo, "suponer" quer dizer "supor". Acredito que a Terra é plana, suponho que os triângulos também são planos. Se a Terra não fosse plana, não poderíamos usar triângulos pitagóricos, obviamente figuras planas, para retratar-lhe as porções. Pois então. Triângulo não existe, é uma imagem que fazemos na cabeça de uma figura geométrica assente num plano também delineado em nosso, digamos, cocoruto.

Então qual é o problema com os agrimensores e seus teodolitos? O agrimensor competente sabe que a Terra não é plana, tanto é que precisa supor que assim seja a fim de desenvolver sua modelagem da Terra esferoide. Se de fato a Terra fosse plana, o agrimensor não precisaria supor algo que, por natureza, já é. E sabe que os triângulos cujos ângulos determina usando seu teodolito tampouco são pedacinhos de terra, mas imagens criada pela mente. Cá entre nós, para a modelagem da área de uma certa porção de terra, geralmente menor que a superfície de toda Terra, não custa supormos que tudo se passa como se (eu disse "as if") o terreno fosse plano. Claro que ele tem morrinhos e também, mais importante para o caso, uma curvatura natural da Terra, pois, sendo ela, como se argumenta desde, pelo menos, Cristóvão Colombo, redonda, haverá alguma curvatura no mais infinitesimal cantinho de um cafundó desses.

E como entraram os militares? Pelo que aprendi há muitos anos, qualquer oficial das forças armadas estuda a localização territorial de objetos/alvos. E, claro, tem militar que matou muita aula de geometria analítica, topografia, essas coisas, de sorte que, ao fugir da escola (ou dela ser expulso), segue pensando, por ter visto a Terra mapeada num pedaço de papel, que ela é plana.

DdAB

P.S. Aquela imagem da Wikipedia mostra um teodolito do Museu Geomineral de Madri. E fiquei imaginando a diferença de preços entre aquela peça, quando foi produzida, e um teodolito muito mais moderno e preciso. Fui ao Mercado Livre e percebi que, com R$ 5000 compra-se um teodolito de escol.

P.S.S. Tradução do Google Tradutor do trecho do livro de Tony Crilly: 

Quando se trata de medir áreas de terra para desenhar mapas, é bastante útil acreditar na teoria de que a Terra é plana e assumir que os triângulos são planos. Uma rede de triângulos é criada começando com uma linha de base BC de comprimento conhecido, escolhendo um ponto distante A (o ponto de triangulação) e medindo os ângulos ABC e ACB usando um teodolito. Por trigonometria, tudo se sabe sobre o triângulo ABC e o agrimensor vai em frente, fixa o próximo ponto de triangulação da nova linha de base AB ou AC e repete a operação para criar uma rede de triângulos.