quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Forças superiores: Teilhard, Dawkins, Hawkin, Azimov

senhoras e senhores:
duvido que um bom torno esquive-se de, a pedido, conduzir-nos a uma força superior. a questão que envolve todas as demais questões, no caso, consiste em sabermos qual, de todas as forças superiores, é a mais superior. haverá uma força que envolva e se desdobre em todas as demais forças? e, não tão superiores assim, quais as forças que explicam a vida e, em particular, a vida humana?

Richard Dawkins e seu "gene egoísta" evocam a discussão da década de 1950 (e antes) do Padre Pierre Teilhard de Cardin sobre a evolução do sistema nervoso central dos animais e, claro, do homem. Teilhard era um padre jesuíta "da pesada", como diriam os pasquinenses nos anos 1960. e, claro, a Igreja Católica também tratou-o pesadamente, proibindo-o de publicar suas reflexões e pesquisas. claro que não sou capaz de entender a diferença entre a evolução do sistema nervoso e a dos próprios genes. mas tenho outro tipo de observação que pode ser de algum proveito. o que parece-me mais fácil de entender é a ideia geral de evolução, sem ser bem sucedido ao pensar em minúcias biológicas, pois o centro de minha atenção reside nos processos evolucionários das sociedades humanas. se interesse expresso pelas sociedades animais é pensando que elas podem ajudar-nos a entender a própria sociedade humana e por que ela também deve cuidar deles... e até hoje busco a referência aos ratos de deserto mexicanos que trocam "mercadorias", digo, objetos materiais.

para mim, retirado dos livros de biologia evolucionária que li, o conceito de evolução aparece como as mutações que favorecem a sobrevivência dos mutantes e seus descendentes de maior adequação ao meio ambiente. acho que seria exagerado dizer que Dawkins diz que os genes combinam entre si quais serão os que oferecerão maior fitness aos indivíduos, usando técnicas de agregação de preferências coletivas. ainda assim, para mim, a teleologia é clara: sobreviver. quem não sobrevive não deixa descendentes para contar sua história e carreá-la ainda mais ao futuro. mas este é o fascínio da explicação funcional e sua maior fraqueza: será que estamos dizendo isto precisamente porque fomos induzidos a dizer pelo próprio fato de que sobrevivemos? [formalmente, a crítica de Jon Elster à explicação funcionalista é algo do tipo: eu assevero que A implica B e então observo B e finalmente concluo que B foi causado por A, o que prova a existência de A, por causa da afirmação de sua causalidade B]

um passo adiante é sabermos para que evoluir. mas a resposta é simplesmente descartar a questão: talvez não haja nenhuma relação necessária para a evolução, apenas o seguimento a leis que obedecem a certas forças superiores não bem identificadas, e que bem poderiam ser Deus, mas que não necessariamente precisaríamos chegar a um ponto a partir do qual a investigação torna-se desnecessária. o nome de Deus não deve ser tomado em vão, lá dizem os teístas. e antes de se invocar a ele, é preciso esgotar o uso de todas as possibilidades que se encontram disponíveis ao intelecto humano contemporaneamente. daqui a um milhão de anos, haverá mais perguntas interessantes e tantas outras respostas tentativas. hoje, pelo menos, podemos dizer que a explicação da origem dos tempos, recua até o chamado Big Bang, ocorrido possivelmente há oito bilhões de anos, o dobro da idade do sistema solar, e quatro vezes mais velho do que a vida terráquea. é montes e é um nadica.

um passo atrás, a etiologia, é saber o que houve "antes" do Big Bang, o que havia antes do início dos tempos, antes da existência da matéria, da energia e do espaço. eu jamais esquecerei a especulação de Isaac Azimov nas p.202-203 de seu livro "O Colapso do universo" (São Paulo: Círculo do Livro, 1977):

Suponhamos que todas as galáxias do universo, possivelmente em número de 100 bilhões, se transformassem num único buraco negro. Tal objeto, contendo toda a massa do universo, teria um diâmetro de 10 bilhões de anos-luz, e sua densidade média seria igual à de um gás indescritivemente tênue.

No entanto, não importa a tenuidade desse gás, a estrutura é um buraco negro.

Suponhamos que a massa total do universo seja 2,5 vezes maior do que acreditam os astrônomis. Neste caso, o buraco negro formado por toda a matéria do universo teria um diâmetro de 25 bilhões de anos-luz, número que coincide com o diâmetro do universo real em que vivemos (até onde sabemos).

É inteiramente possível, então, que todo o universo seja um buraco negro (como foi sugerido pelo físico Kip Thorne).

Se for, é bem provável que sempre tenha sido um buraco negro e que sempre o será. Neste caso, vivemos dentro de um buraco negro e, se desejarmos saber como são as condiçoes num buraco negro (desde que ele tenha enorme massa), basta olharmos em torno.

[...]

E nós estamos em um deles - e, através dos prodígios do pensamento e da razão, é possível que, de nossa posição num fragmento menor que um grão de pó, perdidos no recôndito de um desses universos, tenhamos traçado um quadro da existência e do comportamento de todos eles.

Às 23h00min do dia 13/jan/2008, escrevi o seguinte:

Ou que ainda venhamos a fazê-lo.

e agora apenas acrescento: então esse troço de Stephen Hawkins dizer que a gravidade explica tudo, mas não é explicada por qualquer modelo conhecido equivale a indagar quem criou a gravidade e se podemos dizer que foi Deus quem criou a gravidade. voltamos a indagar quem criou Deus e começamos toda a investigação novamente. o melhor mesmo é deixarmos em suspenso a resposta à questão sobre se existe uma força que abarca, origina e desdobra todas as demais forças.
DdAB
peésse: não estamos num post de economia política, mas entro no assunto das eleições. tão dizendo que a eleição de Dilma é o fim-da-picada. vou anotar em minha agenda para checar, no dia 1st de janeiro de 2015, se o Brasil terá acabado até 31/12/2014. se não acabar, concluirei que esta eleição não tem a menor relevância para nada de verdadeiramente importante.

3 comentários:

Tania Giesta disse...

Ao ler "Forças superiores" no trecho q citas "processos evolucionários das sociedades humanas" fiz as seguintes reflexões:viver em sociedade significa estar de certa forma "enquadrada" ao sistema social, seguir as regras e as normas sociais estabelecidas.O processo de socialização é que nos permite estabelecer vinculos sociais. A Educação deve ser concebida como uma das principais instâncias de socialização das geraçoes futuras.A Educação como fonte socializadora nos mostra que sozinhos nada somos e nada conseguiremos, precisamos dos outros, so assim iremos nos desenvolver e evoluir harmonicamente.

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

é verdade, Tânia:
o interessante é que há menos de 48 horas, citei para terceiros meu amado Richard Rorty. o primeiro texto que li dele (lá na Folha de São Paulo de, digamos, 1997) marcou-me: ele disse que a educação pré-universitária serve para a socialização e a universitária, para a individuação.
ainda assim, foi por meio da educação "superior" que o homem chegou ao que Asimov chamou de:
"prodígios do pensamento e da razão".
tais prodígios permitiram
"que, de nossa posição num fragmento menor que um grão de pó, perdidos no recôndito de um desses universos, tenhamos traçado um quadro da existência e do comportamento de todos eles."
e eu achei isto tão lindo que acrescentei: ou que ainda venhamos a fazê-lo. mas não desconheço que também há certa harmonia (das infecções bacterianas aos concursos de poemas) entre as pulsões da cooperação e da competição, do altruísmo e do egoísmo.
DdAB

Tania Giesta disse...

...reli "Forças superiores" discordo de ti e de Asimov qdo referem-se ..." por meio da educação superior chega-se aos prodígios do pensamento e da razão" pois a Educação é um processo de socialização e nunca de individualização. Os principios básicos da Educação garantem, que:a) ninguem educa ninguem >Educação é uma ação intransferivel. b) Ninguem se educa sozinho, precisamos do outro para educar-nos.c) Educação implica em transformação.Esses têm sido meus referenciais pedagogicos em todas as minhas experiencias educativas, sejam elas: pré-universitarias, universitárias ou superiores.Para mim escrever um livro sem a presença de um educador subtrairia a possibilidade de dialogo seria o mesmo que amar sozinho!