segunda-feira, 26 de julho de 2010

Modelo Brasileiro de Exportação

querido blog:
como sabemos, encontramo-nos em Buenos Aires. ou não sabemos e estamos apenas vivendo outra dessas ilusões que caracterizam os terráqueos? não, não, sabemos, sabemos. mas vi ilusões por aqui que me levam a pensar que estou mesmo vivendo ilusões. a primeira e mais alegre é que hoje, aqui, é o Dia do Avô, condição dos animais superiores em que ingressei no dia 14/junho/2010, ou seja, mais de um mês. há méritos de terceiros, claro, além dos meus incontáveis...

em segundo lugar, sempre que procuro "modelo brasileiro" no Google Images, sobressalto-me. hoje fi-lo (diria J. Quadros) ao perceber que o Brasil exportou o modelo de informalidade urbana também para cá, eu que já o vira em Montevidéu. hoje caminhei montes pelos llanos (diria a velha Lourdette) e vi milhões de papeleiros, mendigos, pedintes, esse tipo de trabalhador (?) precário (?) que enche as ruas do Brasil. há seis anos e meio, quando por aqui vim, a crise severa já passara, mas a população permanecera nas ruas. hoje não vi crianças, ou pelo menos não vi milhões de crianças. tem uma lei, tipo "bolsa família". é o modelo brasileiro, ou o Pres. Lula é que o importou?

terceiro: na Praça San Martin, vi algo chocante. monumento e placas com os nomes de, calculei, mais de 500 jovens argentinos que sucumbiran na aventura dos militares e as Falkland Islands. Las Malvinas son Argentinas. Não foi assim que pensaram outros, mais fortes. também ouvi dizer que esta iniciativa permitiu aos Estados Unidos, chefões de Margareth Tatcher e tudo o que é indesejável no mundo, militarizarem os "mares do sul". doeu-me voltar a entender que, como disse Douglas Hofsteider, não vivemos numa civilização tipo I. vivemos num ambiente classificado como civilização tipo II, em que vigora o Dilema dos Prisioneiros. aqui, meu chapa, cooperação e competição se alternam, dependendo da estrutura dos pay-offs.
DdAB
captura da imagem: http://www.ditecblog.com.br/wp-content/uploads/2009/11/perguntas11.jpg. esse troço de "modelo brasileiro", que virou tomada de energia elétrica é um absurdo em si. agora temos que comprar tomadas de três pinos (ou seja, positivo, neutro e negativo) quando todas as fiações dos próximos 2.500 anos, no Brasil, serão de apenas dois fios. sobraram milhões de engates na tomada para o "neutro", gerando lucros para os vendedores das novas e revolucionárias manifestações da civilização brasileira no eletrochoque.

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