sexta-feira, 30 de julho de 2010

Drogas Acachapantes e Liberdade Educacional

querido blog:
para falar sobre drogas, nossa primeira sentença deve endereçar-se a responder à seguinte pergunta: "com qual teoria da ação humana estamos trabalhando?" digo isto porque tem muito neguinho abobado que pensa que o consumo de maconha causa no sentido cartesiano o consumo de crack. eu entendo que a maconha causa, sim, o consumo de crack, no sentido de Granger, e o faz da mesma forma que também causam o consumo de crack (ou seja, precedem cronologicamente) a escovação dental e a prática de exercícios abdominais. e milhares de outras ações humanas.

o que falta para esta gente é uma boa teoria da ação humana. mas também lhes falta a leitura -já nem digo de um bom livro de teoria da escolha pública- de um bom livro de lógica moderna. é preciso pensar logicamente, quando queremos dar foros de seriedade ao que divulgamos. este blog é uma prova cabal de que nem sempre queremos fazê-lo... ou seja, este blog contém piadinhas. ao mesmo tempo, este blog -e milhares de outros- têm exposições escorreitas sobre assuntos palpitantes para o futuro da humanidade.

no caso, estou discutindo o que acontecerá ao neto do macaco carnívoro se os governantes e seus acólitos enrustidos na sociedade aceitarem o conceito de "droga recreativa", como eles mesmos já vivem fazendo, com consumo de açúcar, de álcool, de café, e... nem me ocorrem drogas mais perversas, ainda que mais pesadas. para não falar no consumo de morfina em repartições púbicas (cuidado: não me estou referindo ao Congresso Nacional, mas aos hospitais de pronto-socorro públicos...). a sonolência de muitas repartições em que o consumo de morfina é proscrito deve-se apenas ao sistema de incentivos usado pelo governo em sua tradicional incúria na ação a favor do interesse coletivo. Es ist undere Geshichte, se lá mal não grafo, isto é outra questão!

outra estupidez dos falsos profetas é pensarem que a lei da gravidade, digo, a lei da oferta e procura, é coisa de livros de ficção. eles, com esta visão simplória e periódicas tentativas de revogação da lei da oferta e procura (consumação em bares e meia-entrada no cineminha), deixam que o problema de saúde pública do consumo de drogas indesejáveis socialmente seja convertido em um esquema de criação de incentivos a indivíduos eticamente comprometidos (isto é, ladrões, traficantes, políticos) e que culmina por viciar a juventude de todas as classes sociais, mas especialmente os jovens de baixa renda. o problema de saúde pública tampouco pode esconder outra dificuldade, talvez, sociológica, a deterioração familiar, os desequilíbrios mentais puramente originários das forças da natureza, e por aí vai.

na linha da busca de um tratamento decente para a questão, deveremos cair no tratamento decente para os viciados e no tratamento decente da ciência econômica, pensando nessas banalidades encapsuladas nos conceitos de bens públicos e bens de mérito. e bens semi-públicos, como a educação. droga recreativa que for dispensada em "caixinhas faixa preta" e tiver um preço convidativo transformado em negativo por meio de impostos indiretos não tem razão para ser proscrita. não devemos esquecer que o imposto pago pelos consumidores de crack é zero. mas o problema é que o imposto pago pelo produtor também é zero. e aí começa a leitura econômica do problema: como fazer os produtores pagarem e os consumidores não pagarem? torna a produção legal, fiscaliza-a com a maquinaria da arrecadação tributária governamental, moderniza esta maquinaria, e distribui a droga nas salas de consumo especialmente criadas, sem a intervenção da polícia, mas dos sanitaristas. usando uma imagem imperfeita (politicamente incorreta): é tiro e queda.

este tipo de encaminhamento deriva-se da teoria da ação humana com que estou trabalhando e tenho esgrimido-a diversas vezes nestes escritos. primeiro, acho que quem não age racionalmente deve ser retirado do processo de escolha social, ou seja, não tem voto para preso, criança ou louco, desde que interpretemos com inteligência esta legenda. não vai me dizer que eu digo que louco não pode escolher a roupa, desde que não queira andar despido em público... pois bem, eu digo que qualquer ser humano prefere comprar manteiga, maconha, crack, livros fáceis, livros difíceis se o preço é zero. ok, ok, não é qualquer, mas buona parte si.

segundo, eu digo que o produtor de crack, maconha etc., estará mais interessado nos lucros e acres do que na saúde da clientela. 'beba com moderação" é uma legenda um tanto falsa do produtores de cachaça, assim como o produtor do tabaco não está interessado nos pulmões, ainda que fumante morto não seja mais consumidor... outra questão é o underegeshichte da regulamentação da ação pública. tem que ter governo honesto e tem que regulamentar honestamente. e fim.

então o esquema de produzir legalmente e distribuir a preço zero pode resolver o problema, dada a premissa de que o governo é honesto. e claro que há organizações não governamentais suíças especializando-se em fiscalizar ações de desonestos e, em breve, em criar incentivos para os funcionários claudicantes, tornando-os honestos. suíço é fogo...

e que fazer para que a população não acorra aos magotes nos postos de distribuição de drogas? muito simples, trancafiemo-la, desde tenra idade, em escolas. a educação é a chave da liberdade humana, mesmo sem querer, ela nos dá o primeiro curso de teoria da escolha pública, nos leva a aceitar a liberdade de terceiros, normalmente, as crianças mais sabidinhas da escola e mesmo as mais passíveis de serem colocadas na roda... liberdade é direito de escolher, como disse nosso grande líder (nada de falação sobre o velho Chile) Milton Friedman. e o exercício da liberdade é, obviamente, não exibir a condição de escravo das drogas ou de seus comerciantes e distribuidores! porque, afinal, que é a educação senão o farol que ilumina nossa capacidade de determinar nossos objetivos na vida e a alavanca que nos impulsiona a lutar por eles?
DdAB:
captura da imagem: comecei buscando: "ratos alcoólatras", expressão que escrevi e será publicada em breve no livro de contabilidade social, nada achei no Google Images, mas vi referência a quase 90 mil sites. então fui a "ervas medicinais" e achei o segundo. as drogas aculturadíssimas pela mão humana que ali vemos são acachapadas no almofariz, mas não apenas por ele...
sobre ervas medicinais: http://fitoenergetico.wordpress.com/2009/08/02/italianos-testam-ervas-medicinais-contra-o-alcoolismo/
sobre ratos alcoólatras, nunca vi um endereço tão grande; pode até trancar máquinas: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.asdicas.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Ervas-medicinais.jpg&imgrefurl=http://www.asdicas.com.br/ervas-medicinais/&usg=__FbBe_E5x07KxSkThbSsA0N_B8Mo=&h=335&w=455&sz=58&hl=pt-BR&start=0&tbnid=Q3u7YEPSNOqOIM:&tbnh=118&tbnw=173&prev=/images%3Fq%3Dervas%2Bmedicinais%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26gbv%3D2%26biw%3D1024%26bih%3D415%26tbs%3Disch:10%2C3&um=1&itbs=1&iact=hc&vpx=124&vpy=100&dur=1891&hovh=193&hovw=262&tx=95&ty=218&ei=Ss1STNnqJMH78AbT7qyBAw&page=1&ndsp=11&ved=1t:429,r:0,s:0&biw=1024&bih=415

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