28 agosto, 2023

Mais Reflexões sobre o Lado Alegre do Capitalismo

 


No outro dia, em conversa franca, fui indagado sobre qual minha opinião sobre o capitalismo, o modo capitalista de produção. Claro que fiquei em cima do muro, dizendo nem sim nem não, ou sim, sim e sim, não. Mas nunca disse não, não. Primeiro, na linha de Elias Jabbour e associado, a China é um país contemporâneo que apresenta o modo socialista de produção. Segundo, lembrando que a sociedade humana criou estruturas econômicas que foram classificadas como modo de produção primitivo, modo de produção escravista, modo de produção feudal, modo de produção capitalista, modo de produção socialista e modo de produção comunista. 

Sempre pensei que a evolução entre esses modos de produção tinha a ver com os ganhos da sociedade em termos de evolução comunitária e aparente restrição de direitos de propriedade:

modo de produção primitivo: a propriedade dos recursos e dos bens e serviços disponibilizados pela natureza e pela escassa margem de trabalho embutido nos bens de caça, pesca e coleta, são de propriedade comum

modo de produção escravista, com direitos de propriedade praticamente nulos, pois nem a propriedade pessoal era assegurada aos escravos (e talvez aos outros que poderiam também ser tornados escravos)

modo de produção feudal, em que os direitos de propriedade  vedam o direito de vida e morte sobre os servos. Estes, no dizer de uma das frases famosas de Karl Marx, são duplamente livres: livres para ir e vir e livres de qualquer propriedade...

modo de produção capitalista, eis que no capitalismo o trabalhador tem o direito de ir e vir, garantindo-se à classe capitalista o direito à propriedade privada dos meios de produção.

modo de produção socialista, quando a propriedade privada é abolida, sendo as máquinas, equipamentos, fazendas, edifícios, todos propriedade estatal 

modo de produção comunista, em que os direitos de propriedade individual ou mesmo coletiva são todos abolidos: ninguém é dono das fábricas e nem mesmo de seu trabalho. Claro que para dizer que estamos falando numa sociedade avançada em matéria de abundância de bens materiais, vale a legenda de Marx: a cada um segundo suas necessidades e de cada um segundo suas possibilidades.

Quando esta classificação foi criada, ainda não havia "socialismo real". E quando este surgiu exalando sangue, suor e lágrimas por todos os poros, na União Soviética, ocorreram tantos desmandos, distanciando crescentemente a classe trabalhadora da camarilha dirigente que nem nos admira que tudo tenha ido para o museu dos modos de produção da história da humanidade. Mas tudo recomeçou, sigo Jabbour, com a China.

Então passo agora a falar sobre o tal lado alegre do capitalismo. Claro que, comparativamente ao feudalismo, já vemos um enorme lado alegre: acabou o cerceamento ao direito do trabalhador ir e vir. Mas há mais coisas boas a colher. Vou falar, na condição de professor de economia política neo-heterodoxo, em duas abordagens para a questão. A primeira é o conceito de eficiência que vim a retirar da literatura que dominei da economia de empresas. E a segunda é minha visão do problema sob a ótica marxista.

Para a economia de empresas, os três mais importantes desdobramentos do conceito de eficiência são:

a) Eficiência alocativa - quando o custo marginal é igual ao preço.
b) Eficiência distributiva - quando o custo médio é igual à receita média, ou seja, o lucro extraordinário é nulo.
c) Eficiência produtiva - quando o custo médio é mínimo..

E qual delas me levou a louvar a existência de um lado alegre do capitalismo? Exatamente a existência, em seu domínio de eficiência produtiva. A busca pela eficiência leva as empresas a usarem os recursos a seu dispor da forma que gera maior produto por unidade de insumo utilizado. Em outras palavras, em geral, isto significa produtividade do trabalho elevada, conduzindo ao crescimento econômico (mais recursos ou melhor uso dos recursos existentes).

A segunda abordagem para entendermos o lado alegre do capitalismo também tem a ver com a eficiência produtiva tratada nos moldes como o fiz pela chamada economia neoclássica. Mas agora estamos falando na abordagem da economia política radical, em particular a economia marxista. 

Aqui estamos firmando a base de nossa argumentação na diferença entre preço e valor das mercadorias. Sabemos que o valor, para os economistas clássicos e mesmo os economistas políticos radicais contemporâneos, é dado pela quantidade de trabalho socialmente necessário embutido nas mercadorias. E o valor total (V) produzido pela classe trabalhadora em determinado período é dado pela média dos valores dos trabalhos individuais de Li trabalhadores:

V = V1/L1 + V2/L2 + ... + Vn/Ln.

Explicando: a empresa 1 contrata L1 trabalhadores, a empresa 2 contrata L2 trabalhadores, e assim por diante. 

De sua parte, passando a falar no preço, temos

RT = pm x qm 

onde RT é a receita total obtida com a venda da mercadoria m e qm é a quantidade vendida. Segue-se que

pm = RTm/qm 

para o total de mercadorias produzidas, sendo individualizado como:

pm = RTm1/qm1 + RTm2/q2, ...

Sabemos que Marx postulava que Vm = pm,

ou seja, o valor médio da mercadoria é idêntico a seu preço médio. Agora estamos prontos para notar que os valores de RTmj e Vmj não necessitam ser idênticos, mais provavelmente sendo diversos.

Então a empresa que produz um valor Vmj menor que o preço pmj, isto é, que tenha a produtividade do trabalho menor que o preço, produz 

Vmj < pmj. 

Então ela produz menos valor e mais preço, o que a coloca numa posição privilegiada para acumular mais capitais ou distribuir o excedente de lucro para os proprietários.

 DdAB

P.S.1 JABBOUR, Elias e GABRIELE, Alberto (2021) China: o socialismo do século XXI. São Paulo: Boitempo. (Aqui temos uma resenha bibliográfica: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/RFM/article/view/14788/14892)

P.S.2: pedi ao site GPT para conferir minha aritmética. Ele escreveu:

Aqui estabelecemos a base de nossa argumentação na distinção entre o preço e o valor das mercadorias. É sabido que o valor, de acordo com os economistas clássicos e até mesmo com economistas políticos radicais contemporâneos, é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário incorporado nas mercadorias. O valor total (V) produzido pela classe trabalhadora em um determinado período é calculado pela média dos valores dos trabalhos individuais de cada trabalhador:

�=�1�1+�2�2+…+����.

Explicando em detalhes: a empresa 1 emprega �1 trabalhadores, a empresa 2 emprega �2 trabalhadores e assim por diante.

Falando agora sobre o preço, temos:

��=��⋅��,

onde �� é a receita total obtida com a venda da mercadoria � e �� é a quantidade vendida. Daí segue:

��=�����,

para o conjunto total de mercadorias produzidas, individualizado como:

��=���1��1+���2��2+….

É sabido que Marx postulou que ��=��, ou seja, o valor médio da mercadoria é igual ao seu preço médio. Agora estamos preparados para observar que os valores de ���� e ��� não precisam ser idênticos; mais provavelmente, serão diferentes.

Assim, a empresa que produz um valor ��� menor do que o preço ���, isto é, cuja produtividade do trabalho seja menor do que o preço, produzirá:

���<���.

Isso significa que ela produzirá menos valor e mais preço, colocando-a em uma posição privilegiada para acumular mais capital ou distribuir o excedente de lucro para os proprietários.

Se você desejar mais clarificações ou ajustes em alguma parte específica, sinta-se à vontade para perguntar.

25 agosto, 2023

Galindo é Lindo: entra em minha roda o pretuguês

(Imagem daqui)

Tod@s conhecem o Caetano Galindo? Tradutor da terceira edição brasileira do "Ulysses", de James Joyce (o primeiro tradutor foi Antônio Houaiss e a segunda, minha preferida, foi a professora Bernardina da Silveira Pinheiro). O Caetano é um intelectual de respeito, inclusive tendo escrito um "uma visita guiada ao "Ulysses". 

Em 2022, ele publicou o livro "Latim em pó; um passeio pela formação do nosso português".

E é dele, livro e título, que quero falar com vocês, a turma do Planeta 23.

O livro tem um capítulo que se chama "Pretuguês", em que ele argumenta que aquele português de Portugal que nos foi ensinado na escola tem tanta influência das migrações (africana, italiana, alemã, árabe, e por aí vai, além da indígena). Mas que a mais notável influência é das diferentes nações africanas que tiveram seus filhos sequestrados e vendidos como escravos para o Brazil. Eu sou facilmente influenciável e me convenci que nossa língua é mesmo o pretuguês dada a influência africana e sua diáspora dentro do Brasil, influenciando as falas de todas as áreas. Ele exemplifica com com quitanda e carimbo, caçula e cafuné. E vou além, na página 18:

   "Assim, é de novo sedutora a possibilidade de que aquela estranha (ainda que relativizável) homogeneidade do português falado no Brasil se deva a esse movimento constante de massas de escravizados, de negros, indígenas e pardos, que levavam de uma região a outra a versão que tinham absorvido e modificado daquele tal 'pretuguês', segundo a linguagem do preconceito racial e linguístico do Brasil colônia, muito antes da reapropriação do termo por Lélia Gonzales, por exemplo. Assim, teriam sido eles os principais responsáveis por fazer com que as várias partes do território tivessem contato umas com as outras e fossem, elas também, homogeneizando seus usos."

De fato, entrei numa viajação do encontro com esta língua que falamos e que designamos com o termo preconceituoso. Num certo passado, eu costumava pensar que é puro elitismo dizermos que falamos uma língua europeia e não um patoá africano. Agora, como não vou fazer concurso para a FEE, sempre vou falar em pretuguês (se conseguir, dado meu condicionamento de anos do português brasileiro)!

O Galindo ainda indica uma bibliografia no final do volume. E de lá decidi que vou ler uma meia dúzia. E acabo de receber a primeira compra: "Norma culta brasileira: desatando alguns nós", de Carlos Alberto Faraco (orientador do mestrado do Caetano). São Paulo: Editora Parábola, 2008.

DdAB

22 agosto, 2023

Já Ouviste Falar no Pretuguês?


Tod@s conhecem o Caetano Galindo? Tradutor da terceira edição brasileira do "Ulysses", de James Joyce (o primeiro tradutor foi Antônio Houaiss e a segunda, minha preferida, foi a professora Bernardina da Silveira Pinheiro). O Caetano é um intelectual de respeito, inclusive tendo escrito um "uma visita guiada ao "Ulysses". 

Em 2022, ele publicou o livro "Latim em pó; um passeio pela formação do nosso português".

E é dele, livro e título, que quero falar com vocês.

O livro tem um capítulo que se chama "Pretoguês", em que ele argumenta que aquele português de Portugal que nos foi ensinado na escola tem tanta influência das migrações (africana, italiana, alemã, árabe, e por aí vai, além da indígena). Mas que a mais notável influência é das diferentes nações africanas que tiveram seus filhos sequestrados e vendidos como escravos para o Brazil. E mais ainda: a ocupação do trabalho d@s negr@s foi responsável por grande migração, pois el@s eram vendid@s para cima e para baixo: uma nova diáspora, desta vez não a africana, mas a brasileira. 

Galindo exemplifica com com quitanda e carimbo, caçula e cafuné. E vou além, na página 181:

   "Assim, é de novo sedutora a possibilidade de que aquela estranha (ainda que relativizável) homogeneidade do português falado no Brasil se deva a esse movimento constante de massas de escravizados, de negros, indígenas e pardos, que levavam de uma região a outra a versão que tinham absorvido e modificado daquele tal 'pretoguês', segundo a linguagem do preconceito racial e linguístico do Brasil colônia, muito antes da reapropriação do termo por Lélia Gonzales, por exemplo. Assim, teriam sido eles os principais responsáveis por fazer com que as várias partes do território tivessem contato umas com as outras e fossem, elas também, homogeneizando seus usos."

Por esse hora, entrei numa viajação do encontro com esta língua que falamos e que designamos com o termo preconceituoso. Num certo passado, eu costumava pensar que é puro elitismo dizermos que falamos uma língua europeia e não um patoá africano. Mas ele não teve -presumo- coragem para assumir que nossa língua é o pretoguês. E quem sou eu para fazê-lo? Diria que não quero ser um blogueiro "não dos maiores, porém dos mais expostos à galhofa".

O Galindo ainda indica uma bibliografia no final do volume. E de lá decidi que vou ler uma meia dúzia. E acabo de receber a primeira compra: "Norma culta brasileira: desatando alguns nós", de Carlos Alberto Faraco (orientador do mestrado do Caetano). São Paulo: Editora Parábola, 2008.

Depois, algumas semanas, I presume, darei um relato de meus achados.

DdAB

30 julho, 2023

Pequeno na China

 

(Imagem da Wikipedia aqui)

Tudo começou com uma conversa fraternal que entretive com um amigo. Falávamos na invasão da Ucrânia pela União Soviética, digo, Putin, digo, Rússia. Divergimos. E não sei bem como ele defende a invasão. Talvez por desconhecer aquela argumentação que vim trazendo a este blog. Por contraste, muita gente sustenta que era óbvio que os Estados Unidos estavam prevendo invadir a Rússia. A ideia é tão disparatada que até hoje os Estados Unidos não invadiram, especialmente agora que os russos estão bastante enfraquecidos precisamente por causa da invasão: a inteligência russa foi incapaz de desenhar um jogo com um ramo em que a Ucrânia reagiria, montando um poderoso subjogo. Aliás, a Ucrânia, com a ajuda europeia e americana não ataca frontalmente os territórios soviéticos, digo, russo-bielorusso, imagino, por causa da objeção... americana.

Faço agora uma listagem das postagens publicadas neste mesmíssimo blog colocando minha posição margeada pela de outros críticos da invasão soviética, digo, russa:

24 fevereiro, 2022: Za Mir: os bons tempos


03 março, 2022: O Jogo Falcão e Pombo: OTAN e Rússia


10 março, 2022: Popper e a Ucrânia


12 março, 2022: Rússia, Novo Gendarme do Mundo: contra o imperialismo do chiclé

17 de julho de 2022: A Ucrânia e a Esquerda Belicista (aqui a intervenção de Diane Porto)


12 maio, 2022: Ucrânia Vista de Dentro


22 setembro, 2022: Ucrânia Invadida


05 de outubro de 2022: Esquerda, esquerdas: dificuldades estruturais.

14 de fevereiro de 2023:Covardia na Ex-URSS (só lá?)

Pois bem. Tendo resolvido a maior parte dos problemas do mundo contemporâneo com essas postagens, decidi mostrar nestas paragens o resultado da audição que fiz de um texto que me foi indicado sobre a China, sobre a possível existência de trabalho escravo naquele país. A fala é de Felipe Duarte e pode ser acessada clicando aqui. Mas faço um resumo que produzi para garantir minha atenção e entendimento:

TRABALHO ESCRAVO NA CHINA?
A legislação trabalhista chinesa, hoje em dia, cobre muita coisa, mas não é tão abrangente quanto a brasileira. Trata-se de um país socialista, mas como é uma ditadura do proletariado?
A jornada de trabalho modal é de 12 horas durante seis ou sete dias por semana. Na empresa é obrigatória a concessão de quatro dias de folga por mês.
Mas sabemos que, com jornadas de 12 horas, a produtividade fica reduzida, pois se trabalha com temperaturas de até 50 graus centigrados, sem ar condicionado. A perda de qualidade e o cansaço levam a erros. Os trabalhadores, para repor a energia, precisam ingerir um líquido assemelhado ao Gatorade.
A atual legislação chinesa estabelece a jornada padrão como de oito horas de duração, mas não põe limite na quantidade de horas extras. Essas quatro horas de horas extras diárias permitem um aumento significativo do rendimento mensal, o que leva à adesão de boa parte dos trabalhadores, ainda que muitos outros fiquem na jornada legal.
Outra remuneração extra-salarial é para compensar os efeitos do calor dentro da fábrica: locais com temperaturas de 20 a 35 graus passam a receber adicionais.
Existe uma licença maternidade garantindo salário por 178 dias. A parturiente ainda tem o direito de sair duas horas antes do final do expediente. E também é autorizada a fazer paradas de 15min para sugar o leite e guardá-lo.
Sobre as férias: existe o direito de sete dias de férias anuais, e a cada ano na empresa, o trabalhador recebe mais um dia, até chegar a 15 dias.
O próprio Felipe tem direito, claro, a esses sete dias, já tendo chegado a mais treze, podendo transferir os dias de férias para outro período.
Os trabalhadores se engajam por meio de um contrato de trabalho. Também existe uma lei para os equipamentos de proteção individual, sendo dado a cada trabalhador um manual de comportamento. Mas as empresas muito pequenas não obedecem.
Confrontando a questão título do podcast, Felipe diz nunca ter visto um trabalhador escravo, e acha que não tem mais: é muito fácil sair de uma fábrica para outra.
A legislação trabalhista tem sido crescentemente implantada, de sorte que, hoje em dia, o "custo chinês" é o dobro do vigente no Vietnam e na Tailândia, o que tem feito empresas chinesas se mudarem para esses países.

Minha grande fonte sobre esses aspectos da vida chinesa vieram basicamente das leituras dos livros de Rosana Pinheiro-Machado (aqui). E sempre sonho que a China venha a se transformar numa Coreia do Sul, onde o progresso econômico trouxe de volta a democracia.

Meu título de "pequeno na China", em homenagem ao tamanho da legislação trabalhista que realmente protege o trabalhador, lembrei de uma velha charada que li no também agora antigo livro de Osny Duarte Pereira:

A. Pequeno na China

B. Nascido na China

C. Produto da China

(não lembro agora, mas parece que vemos em seguida o que segue

1-1-1

Conceito: Negócio da China

Resposta: pé-chin-chá.

Bonitinho, né? Pechinchas na China, na verdade, hoje em dia, têm muito a ver com a produção massiva daquela população de 1,2 bilhões de habitantes. Mas a razão que levou Osny a reproduz a charada em seu livro (cujo título já não lembro e a internet não me ajudou) foram os maus tratos que o mundo, especialmente a Inglaterra e o Japão infligiram à China.

Hoje mesmo temos as "pechinchas chinesas", das tesouras a sapatos e automóveis. E também há tesouras, automóveis, computadores e tudo o mais da mais alta tecnologia. E a questão que acho que pode ser colocada é: "Será que valeu a pena essa trajetória chinesa de uma feroz ditadura para tornar a China a maior economia do mundo (PPC)?"

DdAB

P.S. Tomei a imagem que nos ilustra da Wikipedia, querendo dizer que hoje uma delicada câmera feita na China é pequena como não poderíamos imaginar no tempo da montagem da charada que reproduzi.

P.S.S. A Wikipedia em inglês mostra os valores do PIB dos Estados Unidos e da China corrigidos pela paridade do poder de compra. Com esta metodologia, amplamente aceita pelos especialistas na contabilidade social, a China é a maior economia do mundo, com um PIB de 33.02 trilhões de dólares americanos. De sua parte, os Estados Unidos apresentam a cifra de US$ 26,86 trilhões.

09 julho, 2023

Nash e Somerset Maughan



Uma ou duas semanas atrás, terminei de ler

SOMERSET-MAUGHAN, William (2003) O fio da navalha. São Paulo: Folha de São Paulo.

Na página 85, encontrei esta preciosidade descrevendo o equilíbrio de Nash:

[...] via-se agora na agradável posição de poder fazer o que era de vantagem para os outros e ao mesmo tempo conveniente para si próprio.

Indignado com a invasão da Ucrânia pela Rússia no final de fevereiro de 2022, fiz uma postagem usando conceitos elementares da teoria dos jogos para auxiliar-nos a pensar: aqui.

Então o que é equilíbrio de Nash? Digo lá no link citado algo tipo: o jogo, isto é, a interação entre dois jogadores (ou grupos que cada um deles representa), vai resolver-se. Ou seja, o jogo vai alcançar a posição de equilíbrio quando cada jogador der a melhor resposta à ação outro.

Mas a maior surpresa que me chegou aos olhos no dia de hoje foi ler na página 289 d'O Fio da Navalha o texto manuscrito que agora transcrevo:

Atenção, aqui e agora!
Querido Mauro:
Falta-me um capítulo para terminar de ler O Fio da Navalha, de WSM, em esmerada tradução de Lígia Junqueira Smith. Lembrei-me muito de nosso passado de velhos tempos de leituras e do encantamento que me provocavam as conversas que eu entretinha com d. Zalenka ainda em Jaguary. Quando percebi que ela também amava a leitura, fiquei muito feliz e sempre com um enorme contentamento que ouvi tuas aventuras. Há poucos instantes, ao chegar ao final do capítulo em que Larry fazia um balanço ao narrador, veio-me à mente o verso "Atenção, aqui e agora".

DdAB

P.S, Na página 317, a última do livro, tenho uma pilha de anotações. Antes de referi-las, no entanto, faço um registro de que li O Fio da Navalha pela primeira vez numa daquelas noites não-datadas do tempo. mas é bem possível que o tenha feito lá pela segunda metade dos anos 1960s. Se da vero li, foi na Coleção Catavento da Editora do Globo, talvez com a capa que nos encima. Mas não lembro dele capa.

Em 2010 adquiri novo exemplar do livro, conforme a imprenta que consta lá no início. E terminei a leitura em 4 de maio desse mesmo ano. E digo: "6h36min a.m.. Esperando a Deca para a aula de musculação!"

Em 23 de novembro de 2021, escrevi: "2a leitura até as 10h37min." Amanhã vou buscar minha nova carteira de motorista, válida por um ano." E agora olho e digo que não entendo como uma carteira de motorista vale por apenas um ano. Eu nem era tão velho assim em 2021.

Finalmente, em 27 de junho de 2023, escrevi: "0h45min. Gostei muito de novo."