15 dezembro, 2011

Equilíbrio e o Fetichismo das Mercadorias

querido diário:
se o marcador usado para esta postagem ajuda a amenizar o atropelo do título, então estamos ingressando, equilibradamente, no melhor dos mundos. os desequilíbrios são a tônica da vida. e os reequilíbrios também. prá frente é que se anda, teria dito o Coríntians de Futebol e Regatas, ou algo parecido. obviamente, para termos uma trajetória prafrentex, precisaremos, volta e meia, dar meia-volta, inclinar-nos à direita ou à esquerda. subir, descer. três direções, seis sentidos.

não fosse isto, não teríamos minha tradução, a seguir, da epígrafe do capítulo 8, de Samuel Bowles, do afamado livro de microeconomia. trata-se de um trecho que ele encontrou em Léon Walras e usou para contextualizar seu capítulo intitulado "Emprego, Desemprego, e Salários", em inglês.

vai lá, Walras:

Aceitando equilíbrio, podemos inclusive ir tão longe a ponto de abstrair o papel dos empreendedores e simplesmente considerar os serviços produtivos como sendo, em certa medida, intercambiados (exchanged) diretamente entre si.
(Elements of Pure Economics, 1874).

como, obviamente, estamos carecas de saber, o que Karl Heinrich Marx chamou de "fetichismo da mercadoria" é a sensação que nós -clube da carne-e-osso- tem de olhar para as mercadorias e pensar que elas trocam-se umas pelas outras. e por que fetichismo? pois -ao vermos o mundo desta forma- estamos olvidando que o que é trocado são horas de trabalho, precisamente as horas de trabalho socialmente necessário para a produção de cada uma delas, as mercadorias. e não foi isto, precisamente, o que disse Walras, ao "aceitar equilíbrio"? é pouco?
DdAB
o pior de tudo é que ante-ontem, falei o seguinte. somos descendentes de bactérias sedentárias que, um dia, decidiram tornar-se móveis. depois, seus pósteros começaram a trocar mercadorias e chegaram a gerar o presidente do Banco Central Mundial. ninguém aplaudiu, mas tampouco desmaiou.

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