quarta-feira, 11 de maio de 2011

Olhando para Fora: capitalismo e China

querido blog:
o capitalismo acabou há mais de 15 dias. esta minha piadinha já completa, sem exagero, uns 15 ou 20 anos, e ainda sorrio quando lembro dela. o que se passa na China não pode ser chamado nem de capitalismo nem de socialismo. se o socialismo é uma quimera que não precisamos nem cuidar de definir, se quisermos devotar-nos ao mote de Gerônimo Machado ("queremos reformas democráticas que conduzam ao socialismo") e se o capitalismo utópico é aquilo que Samuel Bowles definiu como uma idealização baseada nos modelos de concorrência perfeita (ou levemente imperfeita) e contratos completos, então talvez nos estejamos encaminhando mesmo para um sistema econômico que não está devidamente batizado. e talvez nem precisemos batizar, pois dele surgirá outro que gerará mais um, e outro...

qual o destino? atrevo-me a pensar apenas no rumo das estrelas. acho que precisamos pensar seriamente em desenvolver tecnologias que permitam a todos dar no pé do Planeta Terra. o maravilhoso que a espécie humana poderia fazer seria deixar o resto da macacada em paz por aqui, evadindo-se para naves muito mais seguras de viajarem pelo espaço do que esta -por assim dizer- batata quente em processo de resfriamento.

segue-se logicamente do que falei que:
.a. quando falamos em preços e quantidades e os queremos agregar, devemos pensar nas "quantidades monetárias leontiefianas", que atribuem preço unitário a tudo. com isto, penso que resolvemos alguns problemas conceituais associados ao nível de preços absoluto e, como tal, o próprio valor das mercadorias (ou de magotes de mercadorias, agregadas por melho de seus respectivos preços específicos).
.b. de acordo com a dupla Arrighi-Braudel, a grande onda progressista da sociedade humana é a sociedade mercantil. o capialismo é apenas um fração recente dela. como sugeri, ele está acabando. acrescento que ele não existiu sempre, né, meu?.

nesta linha, é evidente que foi no capitalismo que a troca recebeu o maior impulso, pois o dinheiro galgou a posição de solvente universal. e cada vez mais universal, como o atesta o novo shift para o Oriente, com a Índia e a China, os tigres e os novos tigres. e, claro, o Japão. cada um deles pega a taxa de crescimento da produtividade dos anteriores e a bota no bolso. sonho que o Brasil e a Bolívia (para não falar em Botswana e Bopal) façam o mesmo...

ou seja, antes de nos evadirmos do planeta, precisamos acabar com o estado nacional, transformar mesmo o dinheiro no solvente universal planetário, criar um dinheiro mundial, o banco central mundial, um poder judiciário internacional, essas coisas. na medida que o solvente universal vai-se globalizando, o que acontece é que a produção também vai-se revolucionando pela ação da lei da concorrência (eu quase disse "a lei do valor"). vencida a transformaçãodo trabalho vivo em trabalho morto dentro da esfera da produção, o capitalismo retira-se da produção e centra-se na esfera financeira. querer impedir isto é querer esconder o sol com a peneira, é querer atrasar a fuga de seus raios malignos quando estes começarem a corroer todas as formas de vida planetárias, não apenas a dos pobres...

tem muito nacionalista enrustido de esquerdista que ainda pensa no desenvolvimento autônomo da Bolívia e do Butão, not to speak of the Brazilian glorious progress and its myopic order. tem muito nacionalista que vê a investida china no mundo das mercadorias como ameaça. eu vejo como bênção, desde que (tinha que ter um "porém") também ela seja convidada a fazer lá suas reformas democráticas que conduzam ao socialismo. por exemplo, eleições, trabalho liberto, eliminação da Hora do Brasil de da pena de morte.

segue-se necessariamente que a relação enter compras e vendas é que as primeiras movem o mundo, mas só se pode mexer na demanda (|compras) se tiver dinheiro, o solvente universal. e só tem dinheiro quem vende ou o ganha de presente de alguém que vendeu algo (inclusive o estado que, para estes fins, podemos dizer que vende arranjos institucionais). Akio Morita, se bem lembro, em seu livro de memórias, fala que, para financiarem a empresa de eletrônica que queriam criar, começaram vendendo panelas elétricas para seus patrícios japoneses. com o lucro, puderam crescer e diversificar-se. e mais ainda, ele me ensinou que "só competitivo externamente quem é competivo internamente". na linha schumpeteriana, eu diria que há quatro e apenas quatro competências:

.a. na produção (como fazer)
.b. na circulação (como vender)
.c. nos custos internalizados (como fazer com custo mínimo, como controlar custos e demanda, como controlar parceiros)
.d. custos externalizados (sub-contratações).

a questão do -no dizer de Félix Guatarri- capitalismo mundial integrado, não estamos falando na produção, mas na circulação e na contabilização dos custos internos e externos.

segue-se logicamente que você lerá em instantes minha despedida usual:
DdAB
imagem do site da psicóloga Maria Fernanda: aqui.

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