quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Grécia, as Tragédias Generalizadas e o Imposto de Renda

querido blog:
disse Mestre Carpina: "Dia de hoje está difícil". em meu jornal, nem vou citar as páginas, exceto aquela que vi depositada sobre o capacho: "Arrocho Grego", com a foto de uma batalha campal. o povo contra a polícia. não eram os turcos nem a volta dos alemães. eram os policiais gregos baixando pancada no povo grego. tudo por dinheiro, de ambas as partes. mas dinheiros diferentes. os policiais precisam sobreviver, entende? os governantes precisam roubar, entende? o povo precisa respirar, entende? esclareço a parte que me toca.

eu gosto de respirar, andei me declarando nos 10% mais ricos do Brasil e até, com estupefação, andei sendo classificado como fazendo parte dos 1% mais ricos, ao lado da dona Lily Safra, dos herdeiros de Antonio Carlos Magalhães, da Daslu, e por aí vai. claro que também terei que estar ao lado (na verdade, geometricamente, inferior a eles e elas...) dos herdeiros do deputado Orestes Quércia, do deputado Jader Barbalho, dos senadores Sarney e Renan, dessa macacada toda. do governador Tarso Genro.

tu já ouviu falar em algum político que não é dos upper one percent? se tu ouviu, então me diz se tu ouviu falar em outro que não é dos upper ten percent? acho que aí te peguei. mas agora vem o pior: tu há ouviu falar em algum político que, fora da bebida, falou em usar o imposto de renda para combater os problemas de déficit orçamentário? a universalização da política, neste caso, é algo estonteante:

.a. Portugal e Irlanda e etc. e principalmente os gregos acabam de fazer pacotes estabilizadores em que quem está pagando a conta são precisamente aqueles cujo maior desejo é seguir respirando

.b. o Rio Grande do Sul acaba de fazer um pacote de medidas fiscais em que vai pagar a conta precisamente a classe baixa, ou melhor, os lower ninety percent. na verdade, talvez entre os lower ten percent não tenha nenhum funcionário público, nenhuma professorinha.

.c. o governo federal começa a falar em uma nova reforma da legislação da previdência social, arrancando direitos àqueles que, em sua maioria geométrica são os lower ninety percent.

.d. diz algum comentador do jornal ou o próprio governador do estado que fala "tu é", não ele, mas seu povo e eu myself, que a causa desta reforma estadual que nada resolve, a não ser retirar parte da capacidade de respirar do clube da baixa renda, que estamos tratando de medidas requeridas pelos "agentes financeiros", entre eles o Banco Mundial e o próprio governo federal, de saneamento para podermos (e olhe que estou falando nestes plurais nada majestáticos) arrancar mais empréstimos.

concluo: estamos em guerra civil há anos. a Europa começa a integrar-se a este clube desagradável. muito desemprego é a base dos diferenciais de consumo que culminam por derrubar muros e governos. reduzir o tamanho do setor público é buscar bronca, encrenca. e como distribuir sacrifícios na sociedade igualitária? só tem uma palavra: imposto de renda progressivo! é ou não é a sobreania do FMI decretada por meio do Imperador Pedro Malan? é ou não é o quinto governo Fernando Henrique Cardoso o que faz do dia de hoje um dos mais difíceis?
DdAB
imagem antiga é daqui: abcz.

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