domingo, 5 de junho de 2011

Cartas de Esquerda

querido diário:
no outro dia, recebi a seguinte cartinha diretamente na caixa postal do edifício. não sei se quem ficou mais surpreso foi o remetente ou eu mesmo:

amado amigo:
no outro dia, eu pensava em nossa conversa já tradicional sobre a criação de um milhão de empregos no Rio Grande do Sul. eu propus isto pela primeira vez creio que em 1994, quando o doutor Olívio Dutra perdeu as eleições acho que para o doutor Antonio Britto (e eu justifiquei ter votado no primeiro, pois não me imaginava conversando com o governador e dizendo "vem cá, Britto").

um dia vi no jornal Zero Hora que a Brigada Militar de Erechim recolhia os meninos de rua interessados, dava-lhes uns tratos e, quando cresciam, convidava-os a sentar praça como soldadinhos. achei genial. e pensei que poderiam expandir, pegando marginais, resgatando a parte saudável de quem a ainda tem. os que não têm precisam de tratamento tipo "são pedro". mas não podem ficar na rua, para não aporrinharem os outros.

na verdade, o que pensei no outro dia é mais ligado a esta questão. eu vejo que existe um milhão de pessoas (ou mais, com os dependentes penados) aporrinhando o progresso. é impossível andares a velocidades razoáveis em qualquer estrada do Brasil, primeiro, porque não existem estradas e, segundo, porque há vilarejos vendendo passarinho e paçoca a cada 10 ou 15km, pois  acalenta-se a esperança de montar verdadeiros empórios comerciais a partir dos passasrinhos entregues aos caminhoneiros.

então a ideia é que o milhão de "empregos" é um disfarce para o que passei a chamar de "serviço municipal". claro que de alguns destes poderás conseguir ruas limpas, sem lixo e sem restos de miojo da ceia dos papeleiros, sem resíduos equinos, essas coisas.

em resumo, o teorema que diz que o pib equivale a 100% do pib quer, no fundo, dizer que, se a sociedade conseguir se desvencilhar deste lixo todo, o pib passará, no mínimo a 101, ou seja, haveria 1 de recompensa para ser dividido entre os 100% da população. em outras palavras, se a fábula do 101 for verdadeira, os produtores dos 100 em breve terão recuperado o "investimento" na reciclagem humana, sob o pretexto brincalhão de que estariam reciclando lixo.

por fim, o que me parece é que essa carga de informalidade e marginalidade é que são os verdadeiros obstáculos para que os 100% produtores consigam maior eficiência (caso dos transportes que referi e milhares de outros, como o tempo médio de julgamento de causas jurídicas ser de 123 anos).

beços
(rubrica ilegível)

pois respondo: beços prá ti também.
DdAB
p.s.: imagem: abcz. um mundo com emprego é um mundo feliz. mas louco é quem diz.

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