18 fevereiro, 2012
A Ficha Limpa e os Juízes
queridos blogueiros:
num time de futebol, se houver alguma rebelião estranha, uma divisão dialética entre os jogadores e um grupo decidir sabotar seu time e outro optar por jogar prá frente, pode-se sugerir a criação de dois clusters de seis e cinco jogadores para cada lado. a sabedoria humana, por esta razão, criou os times com 11 jogadores para cada lado. para simplificar a modelagem, que esta não é uma postagem marcada com "Besteirol", suporemos que não há conluios entre facções de dois times se enfrentando nos sagrados 90 minutos. não é garantido que os seis vençam os cinco. mas é provável.
no caso do supremo tribunal, onde juízes ganham R$ 33 mil mensais e, em certos meses especiais, ganham R$ 400 mil, ou seja, o mesmo que 800 trabalhadores, sempre que o escore for de seis a cinco, haverá vitória para esta maioria simples, é simples, é aritmético.
a p.16 da Zero Hora de 17/fev/2012 fala do caso do julgamento da chamada lei da ficha limpa. ela proibe candidaturas de indivíduos condenados em primeira instância (ou seja lá que diabos o jargão utiliza) de passaram a mão no dinheiro público, houve uma vitória esmagadora dos apoiadores da lei (sete votos) contra os que a consideram inconstitucional (quatro votos). o jornal dá a lista de qual ministro votou em qual posição.
sou completamente favorável à aplicação desta lei, o que não me impede de reconhecer a validade de algumas ponderações. mas, no frigir dos ovos, se eu ganhasse os tais R$ 400 mil mensais, não apenas contrataria 799 trabalhadores para ajudarem-me nessas difíceis decisões, mas também votaria pela constitucionalidade da lei. já argumentei aqui em pretérito perfeito a favor da lei. vou listar e comentar alguns argumentos dos juízes efetivos. selecionei algumas passagens do jornal.
primeiro: "[...] ficam proibidas de concorrer pessoas condenadas por um órgão colegiado, que tiveram mandato parlamentar cassado ou que tenham renunciado a ele para evitare a punição." parece-me fair enough.
segundo: uma das polêmicas rolou em torno da possibilidade de que um indivíduo que foi condenado injustamente (no órgão colegiado, na cassação do mandato (como o de Ibsen Pinheiro, de que falei ontem) ou da negadinha (tipo Jader Barbalho) que renunciou ao mandato instantes antes de ser cassado, tornando-se incassável) ser injustiçado. claro que a solução é a negadinha que os julga ser mais rápida. daí a razoabilidade do clamor da sociedade para que os juízes não tenham direito a 60 dias de férias remuneradas. ou seja, parece que muitos desses juízes não entendem bem a constituição (o que torna-se óbvio quando os escores de julgamentos de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de certas leis tornam-se algo como 6x5 ou 5x6). que quer dizer presumir inocência? ninguém é culpado até que se levantem suspeitas de que ele praticou um crime. se há suspeitas, evidentemente a presunção de inocência cai por terra. como é que posso presumir a inocência, digamos de um atropelador de ciclistas, quando dezenas de ciclistas são atropelados por ele. o testemunho não vale? precisa do aval de 800 trabalhadores?
terceiro: o argumento de que a lei é de iniciativa popular. claro que há dois gumes nesta faca. já evoquei, com estupefação, o caso do povo argentino manifestando-se a favor da invasão das Ilhas Malvinas e depois a favor da expulsão dos militares das Falkland Islands. o mesmo povo? claro que não. há dois povos: o favorável à ficha limpa e o contrário a ela. no supremo tribunal, são quatro. na sociedade brasileira, são milhares. tanto é que volta e meia elegem gente como o dr. Jader Barbalho, mesmo que ele tenha renunciado ao mandato por temor da cassação.
quarto: este negócio da presunção da inocência é casca grossa. já falei pilhas de vezes que eles deveriam entender o negócio de maneira diferente. ou seja, se o indivíduo praticou um crime (mão no dinheiro público) há dois anos e foi condenado no órgão colegiado, o que vale não é a data do crime ou da condenação, mas é óbvio que o que interessa é a data da tentativa de registro na justiça eleitoral.
quinto: argumento ampliativo - da mesma forma, a obtenção de provas ilegais inviabiliza o processo. já falei que eles deveriam era usar a prova, mas condenar neguinho que usou os meios ilegais, a fim de obtê-las. parece óbvio que, se o deputado é ladrão, mas prova-se isto entrevistando ilegalmente sua empregada doméstica, o criminoso segue sendo o deputado, tendo levado ao crime também o entrevistador da garota. o que não é razoável de admitir é que a entrevista ilegal dilua o crime do representante do povo.
quinto: e por aí vai a vida.
DdAB
e a imagem veio daqui.
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Economia Política
17 fevereiro, 2012
Blog do Carnaval
queridos blogueiros:
dizem que, chegando ao Rio de Janeiro para o Carnaval de 1500, P. A. Cabral dirigiu-se ao Cacique:
-Araribóia, me passa um prato de bóia.
esta expressão, dada a furia dos gramáticos luso-brasileiros, no Carnaval de 512 anos depois, deixa-se grafar como:
-Arariboia, me passa um prato de boia.
a economia de tinta por não precisar pintar aqueles dois acentos agudos sobre a letra "o" (se é que ""o"" é) é incalculável, pois o que fica para todo o resto a eterninade é incalculável. felizmente, como o Universo Conhecido não é eterno, é fácil de calcular, o que não farei aqui porque começam os folguedos de Momo. claro que esta economia deverá sobrepujar o gasto do ministério da educação em mandar imprimir milhares de novos dicionários para distribuir às escolas de todo o Brasil.
não me parece folguedo excessivo conjeturar que a grande razão para fazerem reformas ortográficas praticamente a cada semana é que, com isto, o ministério da educação terá que comprar mais dicionários e os produtores de dicionários venderão mais dicionários. e, além disto, milhares de outros livros caducam e devem ser substituídos.
bons folguedos a todos/as.
DdAB
imagem: procurei "folguedos" e apareceram dezenas de imagens de bom gosto e outras centenas, de mau gosto. optei por abcz.
dizem que, chegando ao Rio de Janeiro para o Carnaval de 1500, P. A. Cabral dirigiu-se ao Cacique:
-Araribóia, me passa um prato de bóia.
esta expressão, dada a furia dos gramáticos luso-brasileiros, no Carnaval de 512 anos depois, deixa-se grafar como:
-Arariboia, me passa um prato de boia.
a economia de tinta por não precisar pintar aqueles dois acentos agudos sobre a letra "o" (se é que ""o"" é) é incalculável, pois o que fica para todo o resto a eterninade é incalculável. felizmente, como o Universo Conhecido não é eterno, é fácil de calcular, o que não farei aqui porque começam os folguedos de Momo. claro que esta economia deverá sobrepujar o gasto do ministério da educação em mandar imprimir milhares de novos dicionários para distribuir às escolas de todo o Brasil.
não me parece folguedo excessivo conjeturar que a grande razão para fazerem reformas ortográficas praticamente a cada semana é que, com isto, o ministério da educação terá que comprar mais dicionários e os produtores de dicionários venderão mais dicionários. e, além disto, milhares de outros livros caducam e devem ser substituídos.
bons folguedos a todos/as.
DdAB
imagem: procurei "folguedos" e apareceram dezenas de imagens de bom gosto e outras centenas, de mau gosto. optei por abcz.
16 fevereiro, 2012
O PMDB Gaúcho
na p.16 de Zero Hora de hoje, diz-se que o deputado Osmar ("Mete Viciado em Crack na Cadeia Compulsoriamente") Terra lançou a candidatura do sei-lá-se-deputado-vereador-ou-o-quê Ibsen Pinheiro para prefeito de Porto Alegre. a situação é a seguinte. além de este Osmar Terra ser o velhinho desta iniciativa de internar a negadinha contra a vontade (eu mesmo fico pensando que poderiam acusar-me de usuário da droga e encaçapar-me, por engano, no Presídio Feminino Madre Pelletier), Ibsen Pinheiro foi presidente da câmara dos deputados e, de lá, foi cassado por seus pares, ao investigaram "irregularidades no orçamento da união".
então esta é a dupla. o indicador "declarando-se porta-voz de Ibsen" e o indicado. qual é a questão, se alguém da Látvia me lê? há três anos, o ex-senador José Fogaça (PMDB) -depois de muito vacilar- elegeu-se prefeito de Porto Alegre. depois de muito vacilar, aceitou ser candidato de seu partido ao governo do estado. perdeu a eleição e, naturalmente, já perdera a prefeitura meses antes. seu vice-prefeito, José Fortunatti (PDT) alçou-se ao posto. em outras palavras, naquela eleição para prefeito, houve uma aliança PMDB-PDT.
estes dois partidos fazem parte da coalizão partidária que controla a república e, com ela, sua presidenta, a economista Dilma Rouseff. mas bem sabemos que o equilíbrio é instável, dada a condição de "agatunados" de milhares de políticos integrantes destas duas siglas (e, lamento digitar, de todos os demais). não podemos dizer que estes partidos são religiosamente da direita, mas que parecem, lá -permito-me avaliar- parecem!
no Rio Grande do Sul a tragédia é -fogem-me os termos- mais trágica. aqui o PMDB pensa que nada mudou no Brasil. ele, que iniciou com uma linhagem de esquerda, fez tantas e tão divertidas que passou a ser avaliado por mim como "oportunista de direita". seu futuro está nas mãos de intelectuais do porte de Daniel Kieling, presidente da juventude estaduaol: "Como vou votar num prefeito que vai apoiar Tarso? Queremos um compromisso público de que o PDT de Porto Alegre não estará com o Tarso", isto é, Fortunatti, alegadamente. Tarso Genro (PT), para quem chegou tarde, é o governador do estado.
temos como candidatos ou tentativas: Manuela Dávila (PCdoB), José Fortunatti (PDT), Adão Vilaverde (PT) e, talvez, Ibsen Pinheiro (PMDB). estou apostando que vencerá o PDT, com maiores ou menores coalizões. na linha das perguntas retóricas iniciadas por Kieling, eu me pergunto: como é que, sóbrio, eu vou apoiar alguém? só bebendo!
DdAB
na imagem acima, Henrik Ibsen himself, que, acabo de saber, era norueguês.
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Economia Política
15 fevereiro, 2012
Viver no Futuro: Michio Kaku
queridos blogueiros:
há alguns anos, li o livro "Hiperspaço", de Michio Kaku, em que ele argumenta -para expandir minha lista de dificuldades de entendimento- que o espaço tem nove dimensões, e fala desenvoltamente sobre elas. para mim, ou tem as três euclideanas, ou tem infinitas. esse negócio de quatro eistenianas ou nove kakéticas não me convence. até já falei desdobramentos de E = m x c^2 por aqui. e tem gente que não entende que se
E = f(m, d, t),
então, por exemplo,
t = g(E, m, d),
não é mesmo? o fato de não atinarmos com elas não as impede de existirem, como é o caso dos ácaros que, provavelmente, esãto sendo destruídos por meu sistema pulmonar neste preciso instante, aspirados que foram do espaço euclidiano da sala em que hora digito.
segue-se logicamente que a p.1 do caderno "ZH Digital" tem-no -ao Michio- na capa, um estilão filmes (que não vi) Harry Potter, respondendo pelas garrafais: "Físico do Impossível; abre janela para o futuro." uma vez que amo o futuro, li a materiazinha curta, de assinatura de Vanessa Nunes e resumo:
.a. no futuro, todos viveremos mais,
.b. nossos corpos, inclusive os cérebros, serão analisados por chips e câmeras permanentemente,
.c. também nossos dejetos corporais serão permanentemente analisados, as doenças serão antecipadas por meio deste tipo de instrumento diagnóstico até antes de se formarem, particularmente, o câncer, e também -já vou inventando- as cefaleias, as azias, as febres, essas coisas)
.d. duas pessoas habilitadas em línguas diferentes poderão conversar, fazendo-se acompanhar de traduções simultâneas (em tempo real), tipo projetadas numa tela na linha do Schwartzenegger's "Exterminador do Futuro",
.e. o grande problema será a privacidade de nossas vidas, pois as máquinas poderão ler nossos pensamentos e precisaremos de softwares de bloqueio, como os firewalls contemporâneos,
.f. os robôs substituirão trabalhadores em atividades repetitivas.
Agora começam a falar mais de meu lado economês:
.a. "Os profissionais do futuro [...] terão de oferecer algo que robôs não têm: imaginação, criatividade, talento e experiência."
.b. "A riqueza não estará em commodities, mas sim em capital intelectual."
E agora cutucaram meu lado roqueiro futurista: "Máquinas não podem criar rock and roll."
segue-se logicamente:
.a. precisamos da renda básica universal, para que a sociedade propicie existência digna para aqueles indivíduos "sem imaginação, sem criatividade, sem talento e sem experiência." parece evidente que estamos chegando na hora de uma transformação radical nas regras da distribuição do excedente econômico entre as diferentes instituições da sociedade, como as famílias, o governo, as organizações não governamentais, os países amigos (exportações, importações) e as empresas domésticas (investimento). ou seja, o que prevejo é o racionamento dos "profissionais", para que todos possamos sê-lo um pouco ao longo de nossas ainda mais longas existências. em outras palavras, o incentivo para alguém atuar "profissionalmente" será dado mais pela honraria que a sociedade vai conferir-lhes do que pelo pagamento em dobrões de ouro. haverá, claro, dobrões de ouro, medalhas, etc., mas ninguém poderá ser convidado a falecer, a fim de melhorar o desempenho das "contas públicas". viveremos na sociedade da abundância [ergo, o que está sendo feito com a Grécia não está no mapa],
.b. se hoje podemos ouvir música feita por máquinas, tu só imagina o que será deste trade daqui a 1.000 anos. não digo que as músicas dos robôs sejam melhores do que as dos melhores humanos, mas é certo que a música média do robô será melhor do que a média dos humanos. e tudo o mais. basta ver o que aconteceu com os jogos de salão (cartas, poker, damas, gamão, xadrez): os programas de inteligência artificial são campeões de tudo. e também de diagnósticos médicos, análise de crédito, de previsões econômicas e de tudo o que não sei, mas que são, lá isto são.
DdAB
abcz (joga no grêmio o vivente?)
há alguns anos, li o livro "Hiperspaço", de Michio Kaku, em que ele argumenta -para expandir minha lista de dificuldades de entendimento- que o espaço tem nove dimensões, e fala desenvoltamente sobre elas. para mim, ou tem as três euclideanas, ou tem infinitas. esse negócio de quatro eistenianas ou nove kakéticas não me convence. até já falei desdobramentos de E = m x c^2 por aqui. e tem gente que não entende que se
E = f(m, d, t),
então, por exemplo,
t = g(E, m, d),
não é mesmo? o fato de não atinarmos com elas não as impede de existirem, como é o caso dos ácaros que, provavelmente, esãto sendo destruídos por meu sistema pulmonar neste preciso instante, aspirados que foram do espaço euclidiano da sala em que hora digito.
segue-se logicamente que a p.1 do caderno "ZH Digital" tem-no -ao Michio- na capa, um estilão filmes (que não vi) Harry Potter, respondendo pelas garrafais: "Físico do Impossível; abre janela para o futuro." uma vez que amo o futuro, li a materiazinha curta, de assinatura de Vanessa Nunes e resumo:
.a. no futuro, todos viveremos mais,
.b. nossos corpos, inclusive os cérebros, serão analisados por chips e câmeras permanentemente,
.c. também nossos dejetos corporais serão permanentemente analisados, as doenças serão antecipadas por meio deste tipo de instrumento diagnóstico até antes de se formarem, particularmente, o câncer, e também -já vou inventando- as cefaleias, as azias, as febres, essas coisas)
.d. duas pessoas habilitadas em línguas diferentes poderão conversar, fazendo-se acompanhar de traduções simultâneas (em tempo real), tipo projetadas numa tela na linha do Schwartzenegger's "Exterminador do Futuro",
.e. o grande problema será a privacidade de nossas vidas, pois as máquinas poderão ler nossos pensamentos e precisaremos de softwares de bloqueio, como os firewalls contemporâneos,
.f. os robôs substituirão trabalhadores em atividades repetitivas.
Agora começam a falar mais de meu lado economês:
.a. "Os profissionais do futuro [...] terão de oferecer algo que robôs não têm: imaginação, criatividade, talento e experiência."
.b. "A riqueza não estará em commodities, mas sim em capital intelectual."
E agora cutucaram meu lado roqueiro futurista: "Máquinas não podem criar rock and roll."
segue-se logicamente:
.a. precisamos da renda básica universal, para que a sociedade propicie existência digna para aqueles indivíduos "sem imaginação, sem criatividade, sem talento e sem experiência." parece evidente que estamos chegando na hora de uma transformação radical nas regras da distribuição do excedente econômico entre as diferentes instituições da sociedade, como as famílias, o governo, as organizações não governamentais, os países amigos (exportações, importações) e as empresas domésticas (investimento). ou seja, o que prevejo é o racionamento dos "profissionais", para que todos possamos sê-lo um pouco ao longo de nossas ainda mais longas existências. em outras palavras, o incentivo para alguém atuar "profissionalmente" será dado mais pela honraria que a sociedade vai conferir-lhes do que pelo pagamento em dobrões de ouro. haverá, claro, dobrões de ouro, medalhas, etc., mas ninguém poderá ser convidado a falecer, a fim de melhorar o desempenho das "contas públicas". viveremos na sociedade da abundância [ergo, o que está sendo feito com a Grécia não está no mapa],
.b. se hoje podemos ouvir música feita por máquinas, tu só imagina o que será deste trade daqui a 1.000 anos. não digo que as músicas dos robôs sejam melhores do que as dos melhores humanos, mas é certo que a música média do robô será melhor do que a média dos humanos. e tudo o mais. basta ver o que aconteceu com os jogos de salão (cartas, poker, damas, gamão, xadrez): os programas de inteligência artificial são campeões de tudo. e também de diagnósticos médicos, análise de crédito, de previsões econômicas e de tudo o que não sei, mas que são, lá isto são.
DdAB
abcz (joga no grêmio o vivente?)
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Escritos
14 fevereiro, 2012
Tragédias dos Nomes
querido diário:
ontem vi no jornal que um presidiário fugiu de uma casa de detenção de segurança máxima, saindo pela porta da saída. ele enganou os diligentes dirigentes, pois fez-se passar por seu irmão, que o visitava. achei uma tragédia.
hoje, na primeira página de Zero Hora, para mim, nem li o resto, virou comédia. o criminoso estava condenado ao xilindró até 2032, ano em que -se tudo correr bem- estarei completando 85 years old. comédia? evasões de presídios são parte das comédias? claro. a primeira foi a cena de Woody Allen sei lá em que filme: ele esculpiu um revólver em uma barra de sabão. tudo começou bem, mas -ao sair ao ar livre para chegar à porta da saída- não percebeu que a chuva derreteria o sabão. lá na frente, foi facilmente dominado.
e aqui? pois o criminoso chama-se Michel Bonotto e seu irmão é o Richely. pensei: Richely, Richelieu, e lembrei do rapaz que assassinou os ex-colegas de escola no Rio de Janeiro. chamava-se Wellington, creio que em justa homenagem a um ex-governador carioca.
DdAB
imagem: a toalha Richelieu veio daqui. by the way, na foto do jornal, o Michel e o Richely são tão diferentes quanto o vinho e o pelourinho.
ontem vi no jornal que um presidiário fugiu de uma casa de detenção de segurança máxima, saindo pela porta da saída. ele enganou os diligentes dirigentes, pois fez-se passar por seu irmão, que o visitava. achei uma tragédia.
hoje, na primeira página de Zero Hora, para mim, nem li o resto, virou comédia. o criminoso estava condenado ao xilindró até 2032, ano em que -se tudo correr bem- estarei completando 85 years old. comédia? evasões de presídios são parte das comédias? claro. a primeira foi a cena de Woody Allen sei lá em que filme: ele esculpiu um revólver em uma barra de sabão. tudo começou bem, mas -ao sair ao ar livre para chegar à porta da saída- não percebeu que a chuva derreteria o sabão. lá na frente, foi facilmente dominado.
e aqui? pois o criminoso chama-se Michel Bonotto e seu irmão é o Richely. pensei: Richely, Richelieu, e lembrei do rapaz que assassinou os ex-colegas de escola no Rio de Janeiro. chamava-se Wellington, creio que em justa homenagem a um ex-governador carioca.
DdAB
imagem: a toalha Richelieu veio daqui. by the way, na foto do jornal, o Michel e o Richely são tão diferentes quanto o vinho e o pelourinho.
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Economia Política
13 fevereiro, 2012
Exemplo Chinês?
querido diário:
viajando no tempo, já li a Carta Capital de 15/fev/2012. ano 17 n.684. e valeu a pena. há uma "Reportagem sobre capitalismo de estado" traduzida da revista The Economist e intitulada "A Mão Visível". é muito interessante. estou esperando voltar ao presente para ler o resto. mas o comecinho já diz algo de deixar-nos de orelha em pé:
.a. a reportagem seleciona para falar do Brazil, da China e da Rússia, deixando a Índia por razões secundárias.
.b. ela diz algo interessante sobre os contornos do que chama de capitalismo de estado, certamente mais furioso na China, em segundo na Rússia e terceirão é o Brasilzão. tem cifras qualificando. os dois primeiros são ou eram chamados, na literatura de sistemas econômicos comparados de "economias de comando"
.b. agora passam a chamar-se de "capitalismo de estado". vejo pilhas de coisas erradas em ambos. tenho falado sobre elas exaustivamente. o principal argumento é que devemos substituir o governo dos homens pela administração das coisas, logo acabar com o "capitalismo de estado" também é bom. e também tenho falado sobre os "produtores independentes livremente associados". por fim, falo no trio: comunidade-mercado-estado. claro que o estado ou a comunidade é que deve cuidar das falhas de mercado. até pode ser que a provisão comunitária ou estatal permita ao mercado fazer coisas que este não faria com o simples jogo da mão invisível. mas isto não significa necessariamente que sejam necessárias empresas estatais. neste sentido, posso ver firminhas retendo criminosos, firminhas julgando conflitos entre pessoas físicas ou jurídicas, tudo isto.
.c. neste sentido vejo como função do estado prover (nem necessariamente produzir) informação e fiscalização!
.d. pois bem:
"[...] o Partido Comunista Chinês possui fichas sobre um vasto número de seus cidadãos e é bem melhor no uso de instrumentos capitalistas. Em vez de entregar indústrias para burocratas ou amigos, transforma-as em empresas geridas por administradores profissionais."
.e. não que eu adore 8.000 condenações a penas de morte por ano, como lá. mas pensei nesta tragédia brasileira em que os "partidos políticos" buscam o poder como agremiações encarregadas de dar empregos a seus integrantes. como tal, a administração pública está cheia de CCs e mesmo os ministros (inclusive os juízes) são despreparados para as funções que ocupam.
.f. ling-ling-lé (tradução: uma tragédia).
.g. ao mesmo tempo, na linha do que falei ontem sobre a escala mudar as relações de produção, parece que a centralização do capital leva inexoravelmente ao domínio das empresas estatais. por isto é que precisamos democratizá-las antes que seja tarde. administradores profissionais honestos é uma beleza. administradores amadores ladrões é o pior dos mundos.
DdAB
imagem
viajando no tempo, já li a Carta Capital de 15/fev/2012. ano 17 n.684. e valeu a pena. há uma "Reportagem sobre capitalismo de estado" traduzida da revista The Economist e intitulada "A Mão Visível". é muito interessante. estou esperando voltar ao presente para ler o resto. mas o comecinho já diz algo de deixar-nos de orelha em pé:
.a. a reportagem seleciona para falar do Brazil, da China e da Rússia, deixando a Índia por razões secundárias.
.b. ela diz algo interessante sobre os contornos do que chama de capitalismo de estado, certamente mais furioso na China, em segundo na Rússia e terceirão é o Brasilzão. tem cifras qualificando. os dois primeiros são ou eram chamados, na literatura de sistemas econômicos comparados de "economias de comando"
.b. agora passam a chamar-se de "capitalismo de estado". vejo pilhas de coisas erradas em ambos. tenho falado sobre elas exaustivamente. o principal argumento é que devemos substituir o governo dos homens pela administração das coisas, logo acabar com o "capitalismo de estado" também é bom. e também tenho falado sobre os "produtores independentes livremente associados". por fim, falo no trio: comunidade-mercado-estado. claro que o estado ou a comunidade é que deve cuidar das falhas de mercado. até pode ser que a provisão comunitária ou estatal permita ao mercado fazer coisas que este não faria com o simples jogo da mão invisível. mas isto não significa necessariamente que sejam necessárias empresas estatais. neste sentido, posso ver firminhas retendo criminosos, firminhas julgando conflitos entre pessoas físicas ou jurídicas, tudo isto.
.c. neste sentido vejo como função do estado prover (nem necessariamente produzir) informação e fiscalização!
.d. pois bem:
"[...] o Partido Comunista Chinês possui fichas sobre um vasto número de seus cidadãos e é bem melhor no uso de instrumentos capitalistas. Em vez de entregar indústrias para burocratas ou amigos, transforma-as em empresas geridas por administradores profissionais."
.e. não que eu adore 8.000 condenações a penas de morte por ano, como lá. mas pensei nesta tragédia brasileira em que os "partidos políticos" buscam o poder como agremiações encarregadas de dar empregos a seus integrantes. como tal, a administração pública está cheia de CCs e mesmo os ministros (inclusive os juízes) são despreparados para as funções que ocupam.
.f. ling-ling-lé (tradução: uma tragédia).
.g. ao mesmo tempo, na linha do que falei ontem sobre a escala mudar as relações de produção, parece que a centralização do capital leva inexoravelmente ao domínio das empresas estatais. por isto é que precisamos democratizá-las antes que seja tarde. administradores profissionais honestos é uma beleza. administradores amadores ladrões é o pior dos mundos.
DdAB
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12 fevereiro, 2012
Adendo a Joan Robinson via Andrew Glyn
querido blog:
todos sabemos que a famosa Mrs. Robinson foi figura florescente na ciência econômica dos anos 1930 aos 1970? (quer algo mais técnico? olhe aqui.) e que Andrew Glyn foi meu amado orientador do doutorado, na aprazível cidade de Oxford e sua vetusta universidade? e que há uma conjunção entre eles, talvez dezenas delas, localizada à p.129 do livro de Andrew intitulado "Capitalism Unleashed; finance, globalization, and welfare", Oxford University Press: 2006.
como epígrafe do capítulo "Growth and Stability", ele cita ela:
"Even if the crises that are looming up are overcome and a new run of prosperity lies ahead, deeper problems will still remain. Modern capitalism has no purpose, except to keep the show going."
que traduzo como:
"Mesmo se as crises que estão se avultando forem superadas e uma nova fase de prosperidade pode ser vislumbrada mais à frente, problemas ainda mais profundos permanecerão. O capitalismo moderno não tem outro propósito que o de manter o show ativo, e expandindo sua escala de reprodução e, ao mudar a escala, mudar suas próprias condições de reprodução.
epa, epa, cadê os parênteses do final da citação? parece que acrescentei um pensamento profundíssimo que me assaltou, quando li o livro pela primeira vez, ou seja, antes ou durante o dia 25/nov/2006. Andrew ainda estava vivo e feliz, mas não tinha mais que 13 meses de vida, e ninguém sabia mais nada. não digo que eu seja mais sabidinho do que os dois grandes autores britânicos. o fato é que este este negócio de quanto maior, mais diversa serão as condições de reprodução é fogo! o gigante americano terá perdido o pé? e a chinesada fará mesmo a previsão de que, a cada quatro habitantes do planeta no ano 2222, um terá um genro ou uma nora chinês/a?
DdAB
imagem: de minha autoria, ou melhor, edições que fiz sobre a belíssima sobrecapa do livro.e eu, que já passei uns bons cinco ou seis anos lá naquele reino e que nunca fui capaz de apostar um único pila na cachorrada? e que até parece que já andei usando esta ilustração em outra postagem?
todos sabemos que a famosa Mrs. Robinson foi figura florescente na ciência econômica dos anos 1930 aos 1970? (quer algo mais técnico? olhe aqui.) e que Andrew Glyn foi meu amado orientador do doutorado, na aprazível cidade de Oxford e sua vetusta universidade? e que há uma conjunção entre eles, talvez dezenas delas, localizada à p.129 do livro de Andrew intitulado "Capitalism Unleashed; finance, globalization, and welfare", Oxford University Press: 2006.
como epígrafe do capítulo "Growth and Stability", ele cita ela:
"Even if the crises that are looming up are overcome and a new run of prosperity lies ahead, deeper problems will still remain. Modern capitalism has no purpose, except to keep the show going."
que traduzo como:
"Mesmo se as crises que estão se avultando forem superadas e uma nova fase de prosperidade pode ser vislumbrada mais à frente, problemas ainda mais profundos permanecerão. O capitalismo moderno não tem outro propósito que o de manter o show ativo, e expandindo sua escala de reprodução e, ao mudar a escala, mudar suas próprias condições de reprodução.
DdAB
imagem: de minha autoria, ou melhor, edições que fiz sobre a belíssima sobrecapa do livro.e eu, que já passei uns bons cinco ou seis anos lá naquele reino e que nunca fui capaz de apostar um único pila na cachorrada? e que até parece que já andei usando esta ilustração em outra postagem?
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