07 julho, 2010

Cravo, ferradura e a ficha limpa

querido blog:
ontem a seção de Artigos de Zero Hora (p.17), publicou interessante matéria intitulada "Ficha limpa e a presunção de inocência", de Gueverson Farias, juiz de direito, ou juiz federal, como diz o rodapé. eu já refletira um pouco sobre o tema e li o trabalho com atenção redobrada. rapidamente vim a entender que a argumentação do Dr. Farias vinha ao encontro de algumas de minhas convições. mas também, a certa altura, vi-as virem de encontro... ou seja, o tema é tratado às vezes com acertos no cravo, mas outras resvalam para a ferradura. o que me pareceu mais importante sobre o chamado princípio da presunção da inocência é:

Além de não encontrar paralelo no Direito de outros países, uma interpretação que tome o princípio da presunção da inocência como um absoluto viola vetores básicos da interpretação constitucional.

legal! sempre devemos considerar a experiência internacional, especialmente dos países decentes, ou seja, países que a O.I.T. não considera portadores de enormes contingentes de trabalhadores precários. quero dizer: países que -descontados os desmandos do passado- hoje vivem sob a tutela de princípios mais compatíveis com a sociedade justa. a criatividade brasileira é legal, mas tem lá suas limitações, pois -afinal- somos um povo analfabeto. ainda que tenhamos elites iluminadíssimas, nossa relação estado-mercado-comunidade é eivada de pecadilhos, pecados e pecadões.

de outra parte, precisamente este é o ponto crítico do artigo e da interpretação jurídica. minha lógica do princípio da presunção da inocência é um tanto diversa. um neguinho de meu porte é presumido inocente, não é mesmo? mas, ao mesmo tempo, um neguinho de meu porte, se é preso por uma autoridade competente não é mais presumido inocente, não é mesmo mesmo? ou estamos presumindo a vilania da autoridade? no Brasil, claro, uma vez que o silogismo do "todo político é ladrão" é verdadeiro em toda sua plenitude, devemos pensar em autoridades coatoras levando suspeita sobre tudo e sobre todos. mas o problema é diverso. autoridade coatora presa coagindo deve ser condenada. o que não podemos negar é a autoridade da autoridade, devendo proteger o cidadão contra a má-fé, a opressão, tudo o mais. e a melhor defesa do cidadão é fazer com que a lei seja cumprida. isto também exige celeridade, pois a injustiça também repousa no esquecimento e retardo na ação punitiva. ou seja, diferentemente do entendimento dos magistrados, minha percepção da questão é a seguinte:

.a. neguinho foi detido ou enquadrado num inquérito policial ou administrativo, então neguinho é inelegível
.b. neguinho foi condenado por um juizinho de primeira instância (ou entrância, não lembro mais esses termos, que a língua vive mudando e com ela os nomes das repartições públicas), então neguinho é culpado mesmo
.c. autoridade foi garrada de suspeita? então -enquanto as suspeitas não se desvanecerem- investiga a autoridade e imediatamente deixa-a inelegível, essas coisas.

por fim, a Lei da Ficha Limpa também esbarra na cumplicidade entre os poderes, a incompetência do próprio Supremo Tribunal de Recursos, o que seja, que as constituições também se acumulam nas bibliotecas do Brazil, digo, Brasil, que Brazil é apenas de umas cinco ou seis. depois, mudou o nome... ou seja, juiz que ganha R$ 27.000 por mês dando habeas corpus -ou o que seja- para deputado que ganha R$ 27.000 por mês é tri-suspeito. aliás, eu nem diria "suspeito", é farinha do mesmo saco. o Heráclito de Tal foi absolvido pelo Gilmar de Tal, e mais absolvições de tal ou qual monta. o que me parece estar na roda é algo ainda mais espetacular: ninguém tem direito adquirido relativamente a coisas que não foram adquiridas.

quero dizer, por exemplo, que -se o imposto de renda inserir uma alíquota de 99,99% sobre os rendimentos superiores a R$ 27.000 mensais (ou menos...)- no ano que vem não haverá direito adquirido sobre os 12 x R$ 27.000 ganhos há 200 anos, nem cinco, nem três... fechando o raciocínio, parece evidente que tudo o que foi neguinho condenado antes da promulgação da lei deixa de ser candidatável, pois a lei não dizia respeito aos tempos da ladroagem, mas às próximas eleições. que ocorrerão no futuro e não no passado. direito adquirido diz respeito ao passado! a ficha limpa não vai colar. os juízes e deputados vão ganhar aumento. a fila do SUS vai aumentar. o boi berrou, o boi bebeu, o boi errou, o boi morreu.
DdAB
captura da imagem: http://www.sebodomessias.com.br/loja/imagens/produtos/produtos/219979_103.jpg. por falar em cravo e ferradura, achei que seria bom escrever ouvindo Bach e seu cravo bem temperado.

06 julho, 2010

Pronomes, Borges, Pessoa, Moreno

querido blog:
sigo encafifado (acabo de conferir que esta palavra está no Aurelião, como eu intuía) com minha ficha que caiu sobre a língua portuguesa e a língua brasileira e minha mania de escrever como penso que me foi ensinado nos anos 1950s e 1960s. claro que depois andei estudando português aqui e ali, em particular, lembro que -em 1973- cheguei a pensar que o mundo iria salvar-se porque mudaram tudo, ou seja, aprendi a escrever "tôda" e passamos a grafar "toda". o mundo permaneceu absolutamente o mesmo, se não é exagero retórico de minha parte. de parte a parte. agora, já consigo escrever "idéia" sem acento: ideia, que seguirá rimando com a antiga Medéia.

no outro dia, postei sobre o tema. e ontem o Google Images deu-me aquela potentíssima imagem da Grande Depressão. por isto achei de bom-tom colocar Janeth Leigh no chuveiro, você entendeu... misturando imagens, cinema, livros e outra postagem em que falei de Borges e tango, Argentina e español, cheguei insofismavelmente à seguinte conclusão.

no livrinho da Editora Martin Claret, a páginas tantas, diz-se que Borges disse: "o fato de uma pessoa se levar excessivamente a sério...[recomenda-a mal]". eu quero falar neste "de uma" e baixar pau, pau e pau (evocar Moneiro Lobato e Carolina de Tal, como já postei) na Academia de Letras, nos iletrados, nos jornalistas e, no dizer de Stanislaw, dos cronistas mundanos. no outro dia, saudei um artigo de Cláudio Moreno, em que ele se insurgia -penso eu- contra a forma pseudo-erudita de gente que diria "o fato de o Pessoa se levar a sério", dizendo que deveriam dizer "o fato da pessoa do Pessoa se levar a sério".

acho que isto muda tudo. em meu caso, mudo para Érico Veríssimo. creio que, durante toda sua carreira (conferir nos Solos de Clarineta), ele usava a expressão "falei duma coisa", algo assim. para mim, no português contemporâneo, não se diz "duma", e sim "de uma", mas dizemos "numa" e não, ou apenas raramente, "em uma". são idiossincrasias ou do autor do blog ou da língua brasileira. e eu que trate de parar com estas mesóclises e ênclises, que são mal-vistas por sei lá quem. o fato é que ainda não atinei com as novas regras, de que, talvez, eu também seja testemunha e autor. por exemplo, não capturei a hora de dizer "lhe" e "o", como o filho de Érico, que referi no outro dia. mais exemplos, as ênclises facultativas. mas, se as ênclises podem ser facultativas no português brasileiro, há duas consequências:

.a. o português brasileiro existe
.b. as próclises e inicio de frase com pronome pessoal do caso reto também são facultativas ou até obrigatórias.

concluímos que torna-se obrigatório é eu acabar com esta postagem e tratar do resto da vida.
DdAB
captura da imagem: ou muito me engano ou esta garota assustadíssima é Janeth Leigh, no filme de Alfred Hitchcock. ver: http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/foto/0,,18742234-EX,00.jpg. selecionei-a ao pedir ao Google Images precisamente as expressões do título desta postagem, todas altamente relevantes para o conteúdo, como queríamos demostrar.

05 julho, 2010

A ira revira

querido blog:
a alemoada local fala em "ida e frida", quando quer dizer "ida e volta". simpático. inspirado nisto, busquei, não sei como, "as vinhas da ira", no Google Images, pois queria falar numa mistura entre ida e Frida, entre vinhas da ira e o que ocorreu em duas ocasiões que acompanhei com "[o] ex-governador do Paraná e candidato ao Senado Roberto Requião (PMDB) [...]", que "[...] levou um soco do presidente do PPS do Paraná, Rubens Bueno."

pois a Grande Depressão não me agradou, Henry Fonda sempre agradou, mas não posso deixar de acusar o mal-estar que sempre me causam os filmes baseados nas obras de John Steinbeck sobre ela, a mardita, a crise capitalista. [talvez edite aqui um e-mail sobre o assunto, depende da destinatária...]. e não me agradam as cenas de violência, patrocinadas por indivíduos de qualquer idade, inclusive lactantes... lembro-me de ter visto o deputado cassado Roberto Jefferson (poor Thomas...) que levou uma -diria Stanislaw Ponte Preta lá em nossos velhos tempos - traulitada no rosto. e não escondeu -gostei, dados os contornos da tragédia- da imprensa, tanto é que o vi na TV. brigou, é brigão. Roberto Requião, de sua parte, cuja candidatura a governador do Paraná foi brecada por causa das alianças nacionais, antes de levar este soco, teria declarado algo estranho.

se bem lembro, alguma coisa aconteceu com ele, um desafeto, um cachorro e não sei mais que lá. ele teria dito: se o cachorro de alguém te morde, deves devolver com uma porretada no dono do cachorro. briguento? truculento? brigão? o fato é que, depois de ter sido agredido -tudo, tudo está na p.7 de Zero Hora de hoje- escreveu em seu Twitter: "Vou passar numa farmácia para me vacinar contra raiva de gata no cio." edificantes os políticos brasileiros contemporâneos. tão edificantes que me levaram a produzir um novo tipo de silogismo, como sabemos.
DdAB
captura da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgJt6pD0hIrJLwxkWI1wDnXvIEA7njTD1wqZT25t6XueRr38kdg5bYp9FDTbHDY8wReQnjV-jr8_VAe706YJc9hDalizBa-MjRQEennFs8W_Q2S4R_uKq3QsFuCjeZZbSfmhQ_aEMnW1PES/s400/As+Vinhas+da+Ira.jpg.

04 julho, 2010

Certos brasileiros

querido blog:
escritos literários é o que chamo o que farei em seguida. pegarei um trechinho da crônica de hoje de Luiz Fernando Veríssimo, do Caderno Donna de Zero Hora. não cito a página, mas apenas o link na Internet, abaixo. e assinalo o que me levou a refletir sobre todos os blim-blim-blins importantes, sob o ponto de vista dominical. trata-se de um diálogo imaginário (imagina se é imaginário, sô) entre Pablo Picasso e Francisco Goya. a certa altura, Picasso diz ao conterrâneo:

"Mas eu deveria ter lhe reconhecido pelas fotografias. O senhor é uma das pessoas mais fotografadas do mundo. Eu o invejo."

então entrei no tema: "ter lhe reconhecido"? "eu o invejo"? não se trata de "ter-lhe reconhecidos os méritos", ou seja, um pronome oblíquo. ele, Veríssimo, usou-o como equivalente ao "o" da outra frase, do mesmo parágrafo. ou seja, para ele e para 200 milhões de leitores, os pronomes oblíquos e retos são sinônimos, sob dadas circunstâncias. não sei se é o caso de dizermos que Picasso não falava português. mas também tenho razões para crer que no Brasil tampouco se fala português. por definição, devemos falar brasileiro mesmo, pois vários estrangeiros já me indagaram qual minha lingua nativa e levantavam a hipótese de ser o brasileiro. pois, no brasileiro de Machado de Assis, vim a ver outro dia, o advérbio não é o único modificador do verbo, também podendo falar-se em adjetivo mudando o verbo.

parece-me ter lido há milhares de anos uma crônica de Celso Pedro Luft, em que ele comentava precisamente escritos de Luiz Fernando Veríssimo e dizia que ele dizia "falar certo". e Luft dizia que estava certo, ou que não estava errado, e o importante era falar, claro, claramente.

qual é a moral da história? primeiro, hoje o Sol já se porá quatro minutos após o dia mais curto do ano. segundo, não devemos confiar em demasia sobre quem é que define o brasileiro contemporâneo, quem define que língua falamos e qual é a linguagem padrão contemporânea. é a dos contemporâneos? e se são todos (não é o caso de Veríssimo, nem meu, nem -menos ainda- do leitor) uns ignorantes...
DdAB
capturas:
do texto: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2957287.xml&template=3916.dwt&edition=15017&section=1026.
da imagem: http://diegoribas.blog.terra.com.br/files/2008/08/diego_rt_5141.jpg.

03 julho, 2010

3 x 1: novas considerações

querido blog:
um canudo que fornece três utilidades (batom, blush e sombra, para citar em ordem alfabética) só pode ser saudado com otimismo. este miraculoso três em um é produto de Anne Make Up. ele não me inspira a usá-lo ou vestir salto alto, como se diz. parece que, até agora, salto alto -mesmo- ninguém usou na Copa do Mundo de Futebol. o fato concreto e inapelável, ainda que palpável, é que o jogo final não será entre as seleções de futebol do Brasil e da Argentina, como antecipei ontem. o Brasil (seleção, claro) fora eliminado horas antes e a Argentina (seleção, óbvio) caiu hoje ante a superioridade e sorte do selecionado multirracial, como festejaram, alemão.

até agora ainda não sei dizer se apoiei argentinos ou alemães. tenho boas razões para amar estes dois povos. para não exagerar na declaração de amor repreesntada pelo ano que passei em Berlim, por escolha volitiva (como ouvi outro dia um político falando...), posso recuar meu amor pela Alemanha a tudo o que ela representou para a cultura do Rio Grande do Sul e, como tal, de minha infância. quanto ao país austral, também recorrendo a lugares comuns, meu amor também é velho. em particular, digamos, em 1963, tive minha experiência no lado de lá do Rio Uruguai, cruzando precisamente a ponte construída entre Uruguaiana e Passo de Los Libres. 10 anos depois, comecei a frequentar Buenos Aires (e Montevidéu), dando vazão à ânsia de respirar ares democráticos.

ledo engano, a milicada tomou também o poder por lá -ambos. mesmo assim, segui frequentando. mas também tem dois amores específicos pela cultura argentina. Jorge Luis Borges e o tango, além de -claro- milhares de outros. Borges chegou-me tarde, pois eu já iniciara há muitos anos o ciclo de leituras, com a Editora Civilização Brasileira, de romances da Coleção Nossa América, ou algo assim. talvez meu viés ideológico tenha colocado-o à direita, hoje entendo-o como um libertário, com devoções excessivamente condicionadas por seu tempo (mas também, cá entre nós, que tempos poderíamos esperar ver influenciá-lo, além dos seus?). o primeiro livro que li dele não era dele. nem sei referenciar de acordo com as normas da ABNT:
título: Jorge Luis Borges
coleção: O Pensamento Vivo de [...], volume 16
editora: Martin Claret
pesquisa, organização, notas e biografia: Cristina Fonseca.
ano de publicação: s. d., mas arrisco-me a colocar um circa 1987
... pois o adquiri precisamente no dia 31/10/1987, em Porto Alegre. e terei lido aqui e ali, pois a seguinte frase está bem sublinhadinha, com elogios postados à margem: "Admiro o fato (...) de uma pessoa não se levar muito a sério. As pessoas que se levam muito a sério são horríveis." (sic)

pois bem, influenciado positivamente o suficiente por esta visão panorâmica do trabalho borgeano, aos 29/dez/1987, adquiri o livro "Narraciones", com apresentação de Marcos Ricardo Barnatán, e seleção de diversos escritos, talvez um subconjunto quase completo dos melhores. mas melhor mesmo vim a fazer em 2004, ao adquirir-lhe as Obras Completas (da Editora Emecé). por não ter cedido à linearidade dos números naturais, decidi levar a acompanhar-me em Berlim o segundo volume, que li inteirinho antes de ler o primeiro. depois, claro, li o primeiro, voltei a ler coisas de Narraciones, li apartados o "Martin Fierro" e "O que é o budismo" e mais não li porque mais não pude. belo resumo: Borges em Berlim: tinha que ser empate no jogo de futebol.

do tango, posso dizer que minha paixão é mais recente: comecei a ouvir, quase posso jurar, em setembro de 2006. desde então, tornei-me um dos maiores especialistas portador de meu próprio CPF. não me queixo, podia saber mais, podia saber tanto quanto milhares que sabem mais, mas não me queixo. meu tango preferido, como sabemos, é "El Entrerriano", mas a lista completa de meus tangos preferidos praticamente chega aos -que cataloguei- 500 tangos clássicos. para não falar em Piazzola e no tango eletrônico. e para falar mais: Jalousee, que nem é argentino.

e que falar dos argentinos que ficaram felizes com a derrota da seleção brasileira na tarde de ontem? o mesmo que poderia falar dos brasileiros que ficaram felizes com a derrota da seleção argentina de futebol na tarde de hoje. ambos são associados ao clube da baixaria. e tenho bem claro que os brasileiros e argentinos que vibraram com os tropeços das seleções de futebol destes dois países são apenas uma amostra de associados do clube da baixaria, claro. rivalidade no futebol é hoje, como tudo o mais, mercadoria. e, como amante de mercadorias e odiante da desigualdade social e econômica, vejo com enorme desprezo todos os tipos de estereótipos e etnocentrismos. mesmo porque, com este troço de dupla cidadania (brasileiro e italiano), despertei para uma necessidade insuperável tão cedo: faltam-me mais 198, para ser declarado cidadão do planeta!

portanto, o jogo final exibirá um escore final de 3x1 (ou 1x3, que, sob o ponto de vista matemático, gera o mesmo produto, a mesma renda e a mesma despesa, ou seja, o mesmo valor adicionado, mas acho que estou evadindo-me do bom-senso).
DdAB
captura da imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgsjDDYVDldFg1Bt_3wyJsfjiXohapyN2QXAgr6g1Cr53LbX-J_-LJkP_vE-hQsbEzW9FndH-kF2sH5iejDy40_gXzQnorX103wBvd8-2XAGoUFZHhNMCxW71FRXxGTul196cQ4kcE2BqTP/s400/3x1anne.jpg

02 julho, 2010

Copa do Mundo e Cordeirinhos

querido blog:
passou um tsunami sobre a Indonésia e outro sobre a seleção brasileira de futebol antes e hoje. de minha parte, quem levou um tsunami na cabeça foram certas previsões devidamente registradas. em primeiro lugar, errei que a seleção do Brasil ganharia da seleção argentina por 3x1 no jogo final. depois, assustado, revi as estimativas para as eleições brasileiras de 2010. como sabemos, as de 2012, se os políticos não mudarem tudo novamente, são municipais e bissextinas. nas eleições para presidente da república, a chapa Dilma-Serra terá, refiz cálculos 53% para a primeira e 36% para o segundo, como consequência do destempero do treinador Dunga durante o jogo em que os canarinhos foram derrotados pelos alaranjados, se a cor de minha TV não me enganou.

que posso dizer sobre cordeirinhos, além do que já falei sobre a Copa do Mundo? basicamente que Dunga, depois de ver-se irremediavelmente derrotado na ambição de ser o treinador mais elegante de todos os tempos e de levar a seleção ao hexacampeonato, parecia um borrego, tal sua timidez e modo vazio de olhar o infinito. jamais esquecerei seu desempenho durante dois jogos, capturados, eles, os esgares, em diversos momentos, de que destaco dois. em ambos, o que ele mostrava, em momentos em que seu time precisava de serenidade, era destempero. neste jogo em que fomos derrotados (eu também, sô, que jurara 3x1 sobre a Argentina) pela seleção da Iolanda -como disse o porteiro do edifício que abrigou/abriga o consulado de Porto Alegre- as câmeras mostraram Dunga dando murros em ponta de faca, ou melhor, esmurrando umas barras de ferro que estavam em sua retaguarda.

de acordo com a teoria da escolha racional, ninguém escolhe perder em jogos competitivos. ao mesmo tempo, de acordo com a teoria da escolha irracional, basta deixarmos aflorarem emoções alheias ao objetivo de fair play ou de vencer lisamente e passemos a baixar o cacete nos adversários. parece que, se queremos ser competitivos na produção de calçados, de aço forjado e campeões de futebil, precisamos de mais zelo, menos desmazelo, mais escolhas racionais e menos escolhas irracionais. claro que a seleção do Brasil não pode ser campeã em todas as copas, mas -cá entre nós- teria sido mais honroso levar um 1x0 da Argentina ou da Alemanha! em 2014, tem mais destempero ou racionalidade?
DdAB
p.s.: lições da copa do mundo, em resumo:
.1. treinadores torcedores (não pode mostrar desequilíbrio para os próprios atletas)
.2. jogadores auxiliares de árbitro (tem que jogar e deixar apenas o juiz apitar)
.3. recebemos mais uma lição, nós, os sabidos, porque burro, burro de nascença, temperamento e formação, nem pastando flores!
captura da imagem: http://i2.r7.com/data/files/2C92/94A4/2409/5999/0124/0B77/0631/0205/tsunami2004-g-20090930_AP_Eugene_Hoshiko.jpg: tsunami foi o que diferentes camadas de holandeses fizeram tanto com a Indonésia quanto com a seleção brasileira de futebol.

01 julho, 2010

1000 é 20 x 50

querido blog:
certa vez, fui submetido a um curso de astrologia, ainda antes de saber que as principais funções da ciência são a explicação e a previsão. dias após, vim a ler -parece-me que num livro ou artigo de Mark Blaug- que a astronomia preocupa-se com previsões, da mesma forma que a astrologia e que a alquimia gerou nada mais nada menos do que as faculdades e PhDs em química. por fim, teria dito o festejado autor que a parapsicologia -mais cedo ou mais tarde- terá um sucedâneo científico.

gosto de previsões. para a situação do campeonato mundial de futebol, faço algumas. vitórias tranquilas da seleçãodo Uruguai sobre a de Gana e da Espanha sobre a do Paraguai. vitórias discretas, rezemos, do selecionado brasileiro sobre o holandês e da seleção de futebol da, digamos, Argentina sobre a da Alemanha. Brasil derrota o Uruguai no futebol e, naturalmente, a Argentina fatura os pontos do jogo com a Espanha. uma final olímpica entre os atletas do Brasil e os da Argentina (inclusive Maradona...), um escore olímpico para os brasileiros: 3x1.

em matéria de religião, também prevejo coisas que hoje não revelarei.

por fim, consideremos a escolha do Deputado Índio, indiocado -perdõe- pelo ex-PFL para concorrer ao lado de José Serra (PSDB) contra a Econ. Dilma Rousseff, do PT, ainda -se bem lembro- com Temer de seu candidato a vice-presidente. eu previra que a chapa branca Serra-Dilma venceria as eleições. prevejo governos não substantivamente diversos em ambos os casos. talvez façam aquilo que a sociedade aguenta, talvez façam menos do que hoje foi feito, que a sociedade bem que aguentou. talvez consigam vender mais prontamente a idéia luliana que, no Brasil, o entrave ao crescimento econômico era a desigualdade social, que o Milagre Brasileiro dos Militares foi apenas o necrológio do modelo de substituição de importações. eu quero renda básica universal, começando no Brasil: R$ 500 reais por mês para cada brasileiro, a partir dos 21 anos de idade, gastando 40% da renda interna bruta. sobram ainda 40% para os rique-fifes, os esses, efes e erres, essas coisas.

mas mudo minha previsão e passo a falar nos números -nada a ver com astrologia- do título de minha postagem de hoje. 1000 era, como sabemos, a potência do fusca, mas também sabemos que não apenas o fusca veio da Alemanha (que pode vencer a Argentina, em matéria de futebol) e que a Alemanha perdeu a guerra, aliás, muitas guerras. e, no processo, matou pilhas de gente, todas já devidamente desencarnadas, os mortos e os algozes. e que, em particular, no final dos anos 1920s, pintou uma zebra no mundo, o nazismo, com adeptos inclusive nos países cujas seleções de futebol acabo de citar. pois dizia-se que o Terceiro Reich fora concebido para erigir-se como um império de 1.000 anos de duração. mais que ele era mesmo Hari Seldon, do primeiro volume do romance "Fundação" de Isaac Azimov, que previu a evolução da humanidade detalhadamente por 30.000 anos, oslt. claro que pode ser que -in the end- dê tudo certinho como o Seldon previu, mas parece que o Adolf deu-se mal.

também se deram mal alguns estrategistas do PSDB, destacando o Sérgio de Tal, já falecido, e Fernando Henrique Cardoso, em vias de. eles previram erigir um império de 20 anos, com o que achavam que seu trabalho não seria devidamente valorizado, não plantaria bases perenes na sociedade brasileira. enganaram-se, em primeiro lugar, que seu trabalho estabilizou a economia que foi ajudada por uma conjuntura favorável e um político (Lula 10^1000 vezes mais potente do que FHC) e, em segundo, que o programa social-democrata segue altaneiro com o PT.

e que dizer agora das próximas eleições, que devo passar a chamar de Dilma-Serra? no primeiro turno, Dilma fará 54,55% dos votos. Serra fará 38,55% e os demais, Marina, PSTU, esses trambolhos não contam. é uma tristeza constatar que Marina fará uns 8%, o que mostra que a radicalização pela esquerda, quando feita por pessoas de mentalidade essencialmente reacionária é casca grossa. e que a aritmética, quando contarmos os votos dos demais dromedários, fará os 100% passarem ligeiramente dos 120%, pois não contei os votos nulos, brancos etc..

com a Dilminha, teremos 8FHC + 8Lula da Silva + 4: pronto: deu os 20. faltam 50 repetições para realmente banir a ladroagem da política. faça como eu: não vote ou, se tiver que votar, anule o voto!
DdAB
captura da imagem: http://www.overmundo.com.br/uploads/overblog/img/1213322615_fusca51.jpg.