12 dezembro, 2013
Desindustrialização e a denúncia da deseducação
Querido diário:
Ontem nem postei propaganda do seminário que apresentei no PPGE/UFRGS. Se nosso olho é agudo o suficiente, ele alcançará os dizeres de seu site, bem como meu título: "Desendustrialização denuncia Deseducação", tema que venho tratando por este planeta há um bom tempo. O seminário agora resulta no passado e foi muito bom: uma audiência atenta, questões embaraçosas e elogios constrangedores ao conteúdo e a minha própria pessoa. Que fazer? Às vezes a bebida não é para aliviar os males da política, mas para comemorar os bens da vida vivida.
Nem falarei mais detalhadamente sobre os conteúdos nem as questões que me foram endereçadas. O que posso afiançar é que, se minha carga horária de aulas tivesse sido de duas horas de aula por ano (como foi neste 2013, se não me engano), lá estaria eu, convivendo mais com os colegas e, principalmente, os jovens. Sempre digo que aluno não envelhece. Hoje novamente notei a sapiência deste postulado. Meus colegas presentes, claro, envelheceram, mas os alunos permanecem mediando os 20 anos.
Mas um ponto pareceu relevante: alguém falou que educação pode não ser tão importante como variável estratégica. Pensei no que já andei comentando ter ouvido na rádio BBC em meus tempos de chegada a Oxford, vale dizer, início de 1989: a educação te permite descobrir teus objetivos na vida e a ter energia para lutar por eles. Segue-se que a deseducação é bem o que vemos no Brasil: um bando de escabelados roubando por meio da política.
DdAB
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Economia Política,
Vida Pessoal
11 dezembro, 2013
Caso de Polícia de 11.12.13 :: mais bagatelas
Querido diário:
Investindo-me de pacienciosa paciência, dei umas olhadas na Carta Capital de hoje, que recebi há dias, mas não pude olhar antes por razões pacíficas. Vi o editorial de Mino Carta e a seção "A Semana", com a distinta data de 11.12.13.
Disse Mino Carta às linhas tantas da p. 22:
Na Itália, sublinho, José Genoíno seria um herói celebrado por ter lutado contra a ditadura civil-militar, assim como o foram os partigiani da Resistenza nos derradeiros anos da ditadura fascista. [Itálicos no original].
Eu fiquei pensando: será que heróis celebrados por luta contra ditaduras não pecam? não prevaricam? não são condenados? não vão para a cadeia? "Cada um diz o que quer", concluí.
Em compensação, na p. 26 lê-se:
Dirceu, por sua vez, desistiu do cargo de gerência em um hotel de Brasília, emprego que lhe renderia o direito de sair do presídio durante o dia e a bagatela de 20 mil reais mensais para alguém com seu currículo.
Desta vez, antes de pensar (sou sabido...), fui ao dicionário: bagatela, em dois verbetes, é "ninharia, coisa sem préstimo, valor ou significância". E aí reli a frase: "alguém com seu currículo", cá entre nós, não poderia pegar o emprego de diretor administrativo de um hotel, não é mesmo? Será que eu conseguiria, nessa função, desempenhá-la, convidando governadores e ministros para lá se hospedar? "Bagatela", 20 mil? Será que eu seguiria cumprimentando os amigos do bairro, sorridente e solícito, se ganhasse estes estipêndios realmente nababescos? Será que ainda irei parar no presídio? Será que será? E aí parei, antes que me joguem numa prisão política.
DdAB
Imagem: peguei-a do site do Bistrot Bagatelle de Sampa.
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Economia Política
09 dezembro, 2013
Hai kai n. 40
Querido diário:
A p. 46 do livro da L&PM deixa-se ler como:
MILLÔR
O CÉTICO SÁBIO
SORRI
SÓ COM UM LÁBIO
E o Planeta 23 trova com:
Só com um lábio
Apontou o milionário
o devedor atrabiliário.
DdAB
Imagem é daqui. E não pude evitar pensar nos eventos do futebol de ontem em Joinville, ou o que o valha. Tem muito atrabiliário em todos os cantos. Eu mesmo vivo enfurecendo-me contra os políticos.
A p. 46 do livro da L&PM deixa-se ler como:
MILLÔR
O CÉTICO SÁBIO
SORRI
SÓ COM UM LÁBIO
E o Planeta 23 trova com:
Só com um lábio
Apontou o milionário
o devedor atrabiliário.
DdAB
Imagem é daqui. E não pude evitar pensar nos eventos do futebol de ontem em Joinville, ou o que o valha. Tem muito atrabiliário em todos os cantos. Eu mesmo vivo enfurecendo-me contra os políticos.
06 dezembro, 2013
Mensalão: o lado bom
Querido diário:
Um troço legal desta encrenca do "Mensalão" é que escancarou-se escabeladamente a inoperância do poder judiciário brasileiro. Tem gente que diz o contrário, impelida por uma visão excessivamente otimista (wishful thinking) das coisas brasileiras. O processo levou quase 10 anos para chegar a um desfecho, aliás nem chegou a desfecho, pois a comédia segue em vários foros (sem trocadilho).
Morosidade, leniência. Nada tenho a ver com leniência (nem mesmo chego a ser leninsta, cabendo-me -no máximo- o epíteto de lennonista, dado meu amor pelos chamados "rapazes de Liverpool"). Mas veja só: eu mesmo tenho umas cinco ou seis questões engavetadas em diferentes instâncias da vida judiciária. É para bater com as 10, e ainda pedir um copo de café preto com cachaça. A solução, já sabemos, é fazer um convênio com a empresa júnior de alguma faculdade de direito finlandesa que se encarregaria de administrar (prever, planejar, organizar, coordenar, comandar, controlar) a justiça no Brasil.
Por que filosofo? Este infindável descalabro dos preços do "Mensalão": receberam os mais altos dignitários do país em seu xilindró: deputados, senadores, ex-presidente da república e o governador de Brasília. Depois veio a farsa do emprego de José Dirceu, a aposentadoria de José Genoíno, a fuga de um trânsfuga cujo nome agora (sem trocadilho) me foge.
Com esta encrenca das prisões lotadas e antecâmaras do inferno para a classe baixa, inventou-se o "regime semiaberto", uma ideia que fracassou rotunda, completa e estrondosamente, mas que agora serve às mil maravilhas também para a classe alta, políticos de escol. Faltam, porém, milhares de réprobos. Regime fechado para todos, mais dinheiro nas cadeias, mais empregos de guardas, dentistas, lavadeiras e cozinheiras nos presídios. Mais eficiência da justiça! Mais cachaça com café, só que desta vez sem o café, meu!
DdAB
Imagem: aqui.
Um troço legal desta encrenca do "Mensalão" é que escancarou-se escabeladamente a inoperância do poder judiciário brasileiro. Tem gente que diz o contrário, impelida por uma visão excessivamente otimista (wishful thinking) das coisas brasileiras. O processo levou quase 10 anos para chegar a um desfecho, aliás nem chegou a desfecho, pois a comédia segue em vários foros (sem trocadilho).
Morosidade, leniência. Nada tenho a ver com leniência (nem mesmo chego a ser leninsta, cabendo-me -no máximo- o epíteto de lennonista, dado meu amor pelos chamados "rapazes de Liverpool"). Mas veja só: eu mesmo tenho umas cinco ou seis questões engavetadas em diferentes instâncias da vida judiciária. É para bater com as 10, e ainda pedir um copo de café preto com cachaça. A solução, já sabemos, é fazer um convênio com a empresa júnior de alguma faculdade de direito finlandesa que se encarregaria de administrar (prever, planejar, organizar, coordenar, comandar, controlar) a justiça no Brasil.
Por que filosofo? Este infindável descalabro dos preços do "Mensalão": receberam os mais altos dignitários do país em seu xilindró: deputados, senadores, ex-presidente da república e o governador de Brasília. Depois veio a farsa do emprego de José Dirceu, a aposentadoria de José Genoíno, a fuga de um trânsfuga cujo nome agora (sem trocadilho) me foge.
Com esta encrenca das prisões lotadas e antecâmaras do inferno para a classe baixa, inventou-se o "regime semiaberto", uma ideia que fracassou rotunda, completa e estrondosamente, mas que agora serve às mil maravilhas também para a classe alta, políticos de escol. Faltam, porém, milhares de réprobos. Regime fechado para todos, mais dinheiro nas cadeias, mais empregos de guardas, dentistas, lavadeiras e cozinheiras nos presídios. Mais eficiência da justiça! Mais cachaça com café, só que desta vez sem o café, meu!
DdAB
Imagem: aqui.
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Economia Política
04 dezembro, 2013
Hai Kai n. 39
Disse-nos o proverbial hai-kai composto por
MILLÔR
PROBLEMINHAS TERRENOS:
QUEM VIVE MAIS
MORRE MENOS?
De sua parte, o Planeta 23 trovou:
Planeta 23:
Morre menos
Quem bem segue
Os jovens galenos.
DdAB
P.S.: este terceiro verso de meu hai-kai apareceu-me com tanta espontaneidade que percebi não ser muito de meu vocabulário a palavra "galeno". O primeiro bom sinal foi que estes Google Letras não a sublinhou de vermelho. E o Aurelião confirmou: qualquer médico: então o "jovem" não é ocioso, pois talvez, se nos esquivarmos dos médicos cubanos ou os velhos brasileiros, teremos menos mortes em nossa existência. Vou parando aqui, pois o marcador Besteirol parece querer ativar-se.
Imagem: aqui.
03 dezembro, 2013
Congo: haveria milagre com o setor serviços?
Querido diário:
De acordo com meu banco de dados, o país de menor renda per capita do planeta é a República Democrática do Congo, com US$ 400 (PPP). A participação de seu setor serviços no PIB é de 33,1%, contrastando com os 79,7% da economia dos Estados Unidos. Caso o Congo também gastasse mais, digamos, em educação, saúde, água e saneamento, elevando seu terciário às mesmas proporções do americano, isto levaria sua renda per capita para US$ 1,318.2 (PPP), postando-lhe um aumento substantivo naquela renda per capita abaixo do nível de subsistência mesmo para o caso de um índice de Gini igual a zero.
Claro que há linkages na economia congolesa, não é mesmo? Não se produz água potável ou esgoto sem insumos, mas basicamente, no caso em que o governo force o centro de gravidade do gasto para, por exemplo, a educação, seu tíbio esforço estará semeando o futuro. O que me inquieta é que, por exemplo, se houvesse um imposto de Tobin (sobre finanças internacionais), aportando US$ a cada congolês, fazendo-lhe verdadeiramente este dinheirinho chegar-lhes às mãos, haveria uma mudança tão espantosa que nem poderíamos acreditar!
DdAB
Imagem: aqui, população confere com estes estonteantes 75 milhões. E fiquei a indagar-me de que bacano é a foto daquele 1355 da, adivinho, Societé Nationale des Chemins de Fer, un nom belgique, se bem julgo.
De acordo com meu banco de dados, o país de menor renda per capita do planeta é a República Democrática do Congo, com US$ 400 (PPP). A participação de seu setor serviços no PIB é de 33,1%, contrastando com os 79,7% da economia dos Estados Unidos. Caso o Congo também gastasse mais, digamos, em educação, saúde, água e saneamento, elevando seu terciário às mesmas proporções do americano, isto levaria sua renda per capita para US$ 1,318.2 (PPP), postando-lhe um aumento substantivo naquela renda per capita abaixo do nível de subsistência mesmo para o caso de um índice de Gini igual a zero.
Claro que há linkages na economia congolesa, não é mesmo? Não se produz água potável ou esgoto sem insumos, mas basicamente, no caso em que o governo force o centro de gravidade do gasto para, por exemplo, a educação, seu tíbio esforço estará semeando o futuro. O que me inquieta é que, por exemplo, se houvesse um imposto de Tobin (sobre finanças internacionais), aportando US$ a cada congolês, fazendo-lhe verdadeiramente este dinheirinho chegar-lhes às mãos, haveria uma mudança tão espantosa que nem poderíamos acreditar!
DdAB
Imagem: aqui, população confere com estes estonteantes 75 milhões. E fiquei a indagar-me de que bacano é a foto daquele 1355 da, adivinho, Societé Nationale des Chemins de Fer, un nom belgique, se bem julgo.
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Economia Política
01 dezembro, 2013
Hai Kai n. 38
Querido diário:
MILLÔR:
A CIDADE DURA
NÃO FAZ HOMENS
A SUA ALTURA
Planeta 23:
A sua altura
Não superava
A formosura.
DdAB
Imagem daqui.
MILLÔR:
A CIDADE DURA
NÃO FAZ HOMENS
A SUA ALTURA
Planeta 23:
A sua altura
Não superava
A formosura.
DdAB
Imagem daqui.
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