10 março, 2010

acabo de ouvir 428 tangos

querido blog:
acabo de rever o título do paper de Sala-i-Martin dizendo que acabou de rodar um milhão de regressões para testar todas as imagináveis hipóteses sobre a incorporação de progresso tecnológico nas funções de produção, ou sei lá aonde. por outro lado, acabo de ouvir (desde ontem( 428 tangos, ou sei lá quantos) que tenho gravados em meu iPod, five years old.

sobre os 428, devo dizer que existem dois tipos de universos. os finitos e os infinitos. interessam-me aqui, em continuação, apenas os finitos que podem ser transformados em infinitos. por exemplo, 428 tangos podem ser ouvidos um número finito de vezes: 428, mas posso ouvi-los aleatoreamente, já dá, digamos 428!, não é? um número grande prá burro. e mais, posso ouvir aleatoreamente essas pilhas fatoriais iniciando pelo n.123, depois pelo 234, depois pelo 3, e assim por diante. depois posso escolher o 47, seguido do 48 e o resto vindo aleatoreamente. e assim não chego ao infinito.

mesmo sem a pretensão de chegar ao infinito, posso pensar que os qutro instrumentos fundamentais de La Boca e seu Caminito, nomeadamente, o violino, o piano, o bandoneón e o contrabaixo, podem tocar cada um desses bilhões de combinações entre os 428, elevando-as para 4! x bilhões. ainda assim, não é infinito. e variamos a entrada dos instrumentos. e variamos os acordes em fá menor, e fazemos improvisações em todos os si bemóis. e nunca chegaremos ao infinito. e depois podemos acoplar os conjuntos já existentes e por existir. ainda assim...

se tudo isto couber em meu futuro iPod, quem não terá tempo para apreciar serei eu mesmo...
DdAB

07 março, 2010

VIOLÊNCIA E SEGURANÇA PÚBLICA


Querido Blogue:
Li (Somewhere, p.1947) que o Sr. Marshall Rosemberg (não sei quem é) disse que a violência nada mais é do que a “manifestação trágica de necessidades não atendidas”.

Ora, o Sr. Aurelião diz de violência: 4.Jur. Constrangimento físico ou moral; uso da força; coação.

Neste caso, torna-se claro que a violência consiste em ação da parte de um indivíduo ou grupo, inclusive governantes, que restringe a liberdade de ação de outro/s. Ou seja, forçar comportamentos nos outros que atendam aos interesses do “violento”.

Ademais, parece-me que “necessidades não atendidas” abarca todo tipo de ação, pois – sabemos desde a primeira aula do mais elementar curso de Introdução à Economia – as necessidades humanas são ilimitadas. Neste caso, a bondade e a habilidade de nunca desafinar no canto orfeônico também são manifestações de necessidades não atendidas. Cá entre nós... Ficaria a diferença no “trágica”, o que me parece insuficiente.

O desejo de segurança é algo tão básico que sequer pode ser considerado uma criação humana. Ora, os animais também desenvolveram a função de segurança individual e coletiva, perfeitamente delegada pela coletividade a alguns indivíduos (formigas, lobos etc.). Pensando em diferenciar-se dos animais, os indivíduos humanos organizam-se em comunidades (aliás, como os bichinhos) e estas vieram a constituir o estado (lá esta maldade os bichinhos não produziram e, se o tivessem feito, não escreveriam com “e” maiúsculo, I guess). O estado exerce funções que não podem ser desempenhadas pelo mercado, ainda que possa atuar em paralelo com este. Ao mesmo tempo, o Estado atua por delegação da comunidade, ainda que, às vezes, possa agir contrariamente aos interesses desta (como a corrupção dos políticos). Dizer que a segurança existe quando os indivíduos (“as pessoas”) cuidam umas das outras evade a questão: quem deve cuidar de minha segurança essencialmente, além de mim próprio e dos membros de minha comunidade mais próxima (vizinhos), é o Governo, que foi constituído precisamente para prestar este tipo serviço cuja provisão pelo mercado é impossível.

A ação dos indivíduos na provisão dos serviços de segurança pública tem dois óbices importantes. Primeiro, eles não têm poder de polícia, nem atribuição de administrar a justiça. Em segundo lugar, não existe um incentivo emanado do mercado que permita que os indivíduos prestem segurança pública aos demais. A ação do Estado torna-se possível, pois ele tem o poder de tributar e, como tal, presta o serviço que – de outro modo – não teria financiamento. No jargão econômico, diz-se que a segurança pública (além de outros serviços, como a iluminação pública e as amenidades ambientais) é um bem público, significando que:

.a. se houver provisão para um, haverá provisão para os demais, sem que o custo se eleve (diferentemente de um restaurante, em que a provisão ilimitada é impossível, pois a cozinha não pode atender a todos, nem haverá garfos) e

.b. o consumo de um não exclui o consumo dos demais (diferentemente do restaurante, em que quem não paga não come).

Acho evidente que meu sentimento de segurança é uma das causas meu bem-estar. Por seu turno, a segurança, evidentemente, é conseqüência da ação de um governo sério. E a insegurança é conseqüência da ação de governos como os que temos visto no Brasil desde os anos 1970: incompetentes, anti-democráticos e incapazes de entender a natureza das aflições da população. Ou seja, do loteamento do setor público para cooptar as elites e seus filhotes em troca de apoio político para a implementação de reformas anti-democráticas que nos distanciam do socialismo.

Por mais que atuemos em defesa da segurança pública, enquanto indivíduos e mesmo enquanto membros de alguma associação comunitária, nossos resultados serão modestos. Não podemos substituir as funções do sistema judiciário. Para não falar no encarceramento dos juízes que ganham R$ 27.000 por mês, podemos argumentar com as funções de polícia: prevenção, repressão e punição. Mas que será que podemos fazer para que o aparato governamental pare de roubar o dinheiro público ou gastá-lo em fins esdrúxulos (patrocinar o vôlei, promover coquetéis de lançamento de shows de música)?

Existe uma explicação da ação governamental que se chama de “teoria da troca voluntária”. Esta diz que eu pago impostos em troca do recebimento da ação governamental que considero adequada. Neste caso, creio que nossa responsabilidade não é de criarmos “segurança pública”, o que é uma função muito mais estatal do que comunitária. Ainda que possamos desempenhar ações comunitárias, tenho a sensação de que o diferencial realmente será dado pela ação governamental. E temos a responsabilidade de cobrar ação dos governantes.
DdAB

06 março, 2010

Individuação e Escassez

querido blog:
nada há de mais turístico do que contemplar esta foto, especialmente, se procuras por "islay" na wikipedia internacional (inglês). pois muito menos turística é a realidade daquelas ilhas do norte da Escócia ("surrounded by waters temperamental enough to test the most skilled captain"), tanto é que elas tradicionalmente acomodaram pouca população. e, a julgar pela National Geographic (em inglês, jan/2010, p.55-77). considerando que "Islei" é nome de mulher, no Brasil, somos forçados a concluir que este "Islay" se refere a uma ilha, uma das ilhas que foi objeto dessa maravilhosa reportagem fotográfica da N.G.. mas que tem isto a ver para declarar "economia política" o marcador desta postagem, que até agora cheira mais a "escritos"?

resposta fácil: o seguinte trecho::

The famous cranky 18th-century London intellectual Samuel Johnson declared that mainlanders to the south knew no more of them than they did "of Borneo or Sumatra." What little was written focused on "improvindg the islands: What crops could be grown? What resources exploited? How large a population could the varios islands support, and what sort of rents could they generate for their landlors?" Johnson mostly filled the journal of his Hebridean journey with complaints about the difficulties of travel and the rustic aaccomodation tha he endured.

eu já ouvira falar em Samuel Johnson, mas não mais que uma vaga lembrança... fui à Wikipedia (não tem registro em português), agora sei um pouco mais, pois há milhares de Johnsons, Samuels, mas fixei-me naquele que viveu entre 1709 e 1784. parece-se com um "intelectual". vamos ao que diz a National e que diz ela que acima disse ele.

ele estaria dizendo que os moradores daquele cafundó mal sabiam quem eram. e eu, apressado, já achei que ele queria dizer que aquela turma sabia tanto de si quanto os aborígenes de Bornéu e Sumatra. mas não faz mal. se Johnson sabia o que é "bornéu", não haveria maiores problemas em que o habitante médio das Ilhas Hebrides (não tem na wiki/pt), em média, o soubesse.

e o que permitiu a um saber e aos demais não conhecerem? Johnson, se bem entendo, foi meu colega. não, não no St. Peter's, mas no Pembroke's. meu próprio college, se bem lembro, fundou-se apenas em, digamos, 1926 (mais velho que a USP e com fama de ser um dos mais pobres, aliás, todos gostariam de ser o mais rico e ter a fama de querer ser o mais pobre...). todo graduado por Pembroke, desde o ano zero, terá que saber essas coisas fundamentais para o escanhoamento correto do rosto, como era o caso da foto da wiki/eng.

mas não foi apenas a falta de educação, no sentido oxfordiano. faltaram-lhes também meios de poderem descolar, como diriam os próprios ingleses, "a mão da boca". quem vive pensando na próxima refeição ou é gordo ou é pobretão. mas, descontando o ano zero, se recuarmos mais 13.000 anos, chegaremos a um espaço coberto por uma montanha de gelo. global warming? claro, não fosse este hoje considerado vilão, não estaríamos contemplando os verbetes que tão orgulhosamente a Wiki/inglês exibe.

qual o tamanho ideal da população a ser carregada pelas ilhas? esta pergunta de Johnson é boa. eu mesmo, durante a ditadura militar, achava que era proibido falar em "controle demográfico", "planejamento familiar", essas coisas. mas o problema não estava errado, o erro era dos proponentes da discussão, a milicada, em achar que o que achava era o melhor para o Brasil. eu acho que quem acha que sabe o que é melhor para o Brasil tem o direito de achá-lo e mesmo de expressá-lo, com eu mesmo penso que o faço. o que não temos direito, eu e os demais pensadores, é de dar um golpe de estado e depois arrancarmos unhas a desafetos políticos et pour cause.

em resumo, a capacidade de carga das ilhas é uma realidade. já pensou se ela abrigasse toda a população de São Paulo? e a da Índia, a da China e de Jaguari, irmanadas? o conceito de capacidade de carga do planeta é algo absolutamente sólido e causador de preocupação. é claro que há coisas a fazer para amenizar o "efeito estufa", essas coisas. a segunda, claro, é melhorar a tecnologia anti-poluidora. e a primeira, óbvio, é não exagerar no crescimento populacional.

a primeira questão fundamental da economia ("o que, quanto produzir"), diz o livro texto, fala em "mais agora ou muito mais depois", os canhões ou manteiga de Paul Samuelson. e parece óbvio que mais população agora significa menos crescimento depois, pois temos uma gama de desvalidos que fariam inveja aos aborígenes australianos e aos britânicos de Isley Whatever. ouvi dizer que tem gente entrando com liminares para impedir que pessoa que ganha menos do que a renda básica universal seja declarada "gente".

de onde veio meu mote para falar em individuação? como é que pode alguém que desconhece conceitos falar sobre eles? como é que pode alguém que desconhece noções comezinhas de geografia (heliocentrismo), biologia (o macaco é descendente do peixe...), psicologia (nossa percepção do mundo é originada de nosso inconsciente), essas coisas, falar sobre elas? como pode questionar-se de onde veio e para onde vai? como pode, enfin (com "n", pois é pronunciado em francês), individuar-se? como pode valorizar o que faz, se nem sabe o que quer?
DdAB

05 março, 2010

aproveitar a vida

querido blog:
provocou muitos comentários a frase que colhi de um motorista de táxi na conhecida cidade de Roma, Itália. haverá pelo menos 2.700 Romas, nos Estados Unidos, se posso julgar por Brazil, Oxford, Cambridge, Westminster, Winchester, Old York, Medium York & New York, e por aí vai. e aqui ela vai:


boa vida não é fazer o que a gente quer,
mas valorizar o que a gente faz

pois, tentando aprofundar estas espantosamente filosóficas reflexões, decidi refletir, como não poderia deixar de ser, sobre elas. contrastei-a com:
.a. devemos aproveitar a vida
e
.b. o bom da vida é ser feliz.

então pensei que poderia ser de algum proveito pensar nesta de "devemos aproveitar a vida". minha primeira pergunta, baseada nas lições que ganhei de Carl Wright Mills, é pensar em seu oposto: o que será "não aproveitar a vida"? não respirar, não tomar banho, não ter um coração impetuoso? não ser delicado? ser delicado? ser dedicado? ser indexado pelo DOPS? ser terrorista, para falar no tema da moda discutida no Brasil contemporâneo.

o aurelião diz:
tirar proveito, vantagem de; valer-se, utilizar-se de, tornar proveitoso, útil ou rendoso; não desperdiçar; dar emprego; aplicar, consagrar; lucrar; ser proveitoso, útil, conveniente; ter aproveitamento; fazer progresso; adiantar-se; utilizar-se, prevalecer-se, valer-se.

uma vez fiz uma redação no "Julinho" com o título de "da vida só levaremos o que houvermos dado". claro que a contradição aparente iluminou-me o espírito para as sutilezas da língua, como -mal comparando- a ironia afetou a "Infância" de Graciliano Ramos. talvez tenha sido este pensamento (árabe?) que ajudou-me a fixar que a contabilidade de dupla entrada é importante. levaremos, débito; o que houvermos dado, crédito.

algumas aurealiadas são circulares, mas destaco idéias originais em "tornar proveitoso", "fazer progresso" e "adiantar-se". adiantar-me, na verdade, não é bem "aproveitar", pois -teria dito Raul Seixas- cada dia que passa aproxima-me do dia de minha morte. mas, se isto não acontecesse, eu não aproveitaria a vida; como parar o tempo? teria dito Brennan: "não envelhecer? só se eu pegar o tempo e o amarrar num poste". gostei da frase e até hoje não achei o poste que me sirva...

eu acho que aproveitar a vida é expandir meu espectro de individuação, ou seja, valorizar o que faço, mesmo que seja ficar doente, brigar com o chefe. claro que a gente aprende a valorizar o domínio da língua inglesa, o conhecimento das obras chave de Portinari, a capacidade de extrair raiz quadrada de 2 e a de 4, essas coisas. em que a briga com o chefe pode valorizar-me enquanto ser humano? em que a dor no pé ajuda? em que a dor de cotovelo me põe de bem com a vida?

tem que valorizar o que tem. mas acho melhor dizer: tem que valorizar o que tem em condiçoes normais. claro que penso na dupla médico judeu e médico nazista. e, claro, no prisioneiro judeu e no soldadinho ariano. inimigos inconciliáveis, e que faz um judeu, como Anne Frank, ao saber que sua saída (no sentido amargo de "finalidade" a que já me referi há tempos) era a morte. e assim foi. e se fosse tempo de internet, eu diria que seus manuscritos teriam sido forjados, que também tenho minhas desconfianças de tudo e de todos, mas -felizmente- não o tempo inteiro.

no limite newtoniano, acho que aproveitar a vida é olhar esses dois brother pandas e dizer: que bom que sei o que é um urso, que bom que sei o que é brother, que bom que sei o que é polegar opositor, que bom que sei que pandas são vegetarianos, que bom que sei escrever, que bom que sei sofrer, que bom que sei sair do sofrimento, que bom que tenho genes de Pollyana, bom que tenho este blog...
DdAB

04 março, 2010

Larangeiras, mangericões e alfavaca

querido blog:
no outro dia, eu falava com um menino de rua (ou seja, não estava em Pescara...) e lhe disse (menti) ter feito um curso de psicologia do macarrão. ele abriu a bocarra e ruminou sobre meus dizeres. mais ainda passei eu a ruminá-los, digo aos fios do spaghetti e, at the same time, ao que quero dizer com psicologia de objetos inanimados, como o spaghetti, o fidelini, o felicitômetro e outros derivativos do número pi e suas frações.

pois bem, com curso ou sem ele, não me é difícil informar que o spaghetti número cinco servido no prato acima está passado. não quero dizer que foi além do "al dente", mas que virou uma pasta que, ao ingressar na boca do menino de rua (ou de qualquer outro comensal) torna-se um macarrônico amontoado de quarks, átomos, moléculas, partículas, ventrículos, sei lá.

ato contínuo, indaguei ao indigitado "futuro do Brasil" o que ele entendia por mangericão. ele disse-me desconhecer o significado (mas não o sabor, pelo que vim a constatar, instantes após, ao submetê-lo a um teste organoléptico) desta palavra grafada com "g", de gato, como em "políticos". ato contínuo, mostrei-lhe a efígie abaixo:
ele, menino de rua, remember?, não se deu por axado e disse que esta Google Image não era "mangericão" com "g" (de "gato" etc.), mas manjericão. a verdade é que vi-me em braços para achar algo (e não o fiz) com "mangericão" no Mr. Images. fui ao dicionário que, por puro acaso, saltara da janela de uma assembléia de políticos, que brigavam por um butim associado à construção de algumas pontes ("para ampliar as moradias para mendigos", diziam os favoráveis a reduzir de 10% para 9,75% a propina.

o dicionário disse que lugar de ladrão é na cadeia, logo todos os rapazes daquela reunião deveriam recolher-se ao xilindró. depois, outro dicionário disse que mangericão não tem não, e eu pensei que estão faltando dicionários nas pugnas políticas. um dia, voltarei a este assunto. seja como for, no "manjericão", li:

1.Bot. Designação comum ao manjericão-cheiroso e ao manjericão-dos-jardins.

e fiquei ainda mais convencido de que aquele dicionário comprado aos borbotões pelos políticos a um amigo que estava-se iniciando na indústria gráfica, estava malhado. descontente com os rumos da política brasileira, procurei no Google Images a palavra "alfavaca". e achei:
e, no aurelião, encontrei:

1.Bot. Planta herbácea labiada (Ocimum basilicum), de folhas opostas, pecioladas, ovaladas, verdes-escuras, e flores brancas, róseas, ou purpúreas, espiciformes ou racemosas. [Var.: alfábega, alfádega, alfádiga, alfavega, alfávega. Sin.: (bras.) quioiô]

pensei na pobreza mental de certos dicionários, como é o caso do citado. e na assimetria que existe, naquele caso, entre a alfavaca e o manjericão. para não falar que beringela pode também ser escrito como berinjela, mas não nas páginas lá dela. refeito destes dois revezes, fui à Wikipedia, o que me levou a repensar sobre o assunto, quando voltar para casa e puder ler o aurelinho (o Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa). e lembrei que, como "mangericão", também "larangeira" deixa-se regisrar apenas como nome ou apelido. no caso de "larangeira", ocorre-me o nome de Elsa Larangeira, se bem lembro, uma cientista social. e, no caso do tempero, ouvi falar de Ana Mangericão, uma bailarina de escol.

em resumo, todo menino de rua devia ser encaçapado numa escola, todo político é ladrão etc., toda bailarina devia dançar para mim e todos os dicionários deveriam ser constituídos apenas pela palavra "paz".
DdAB

02 março, 2010

Clube das Fadas

querido blog:
a fotografia é a mãe da magia. não sei se sempre gostei de fotos, o que deixou de ser questão assim que li "A Câmara Clara", de Roland Barthes há 25 anos (ou mais...). acabo de ler um livro para "ragazzi", comprado como presente gêmeo a EdSM, a quem fiz um apelo dramático pela leitura na dedicatória. olhar fotos é um desafio intelectual poderoso. dizem que os mais rematados imbecis olham apenas para a fisionomia do fotografado, como se lhe fosse capturar a alma com uma simples mirada.

na imagem, parece que vemos mulheres de Bangladesh, não é foto. quantos anos de evolução foram necessários para a criação do olho humano? quantos anos de evolução humana foram necessários para "copiar" a natureza por meio do binômio mão-cérebro (e no caso o primo da mão e do cérebro, nomeadamente, o olho). quantos anos mais foram necessários para que o homem pudesse aprisionar o som que ele e os demais habitantes da natureza emite?

há quem diga que nada há de moderno desde a fotografia, acho-os uns pessimistas, pois hoje vemos verdadeiros milagres revelados sem câmara obscura. hoje também parece irrelevante sabermos o que acontecia na câmara obscura, não mais do que o que acontece quando entramos numa mina de carvão de 1.250m de profundidade, sem iluminação.

lá no centro da terra, ou sua fração correlata (raio da terra = 49.000/(2 x pi) = 7.000, logo estamos falando de 1.250/7.000, um arranhaozinho no calorão...), podemos ficar a sós conosco, mas o bom mesmo é projetarmo-nos para o futuro, quando viveremos por décadas e até milênios enfurnados em nossas naves, transitando por entre galáxias, sem maiores contatos humanos. ou ainda, com pequenas comunidades. um troço assim.
DdAB

01 março, 2010

Imperador Duilio

querido blog:
vou contar algo que me aconteceu há dois dias na concorrida cidade de Roma. antes, explico o título da postagem de hoje. procurei "imperador duilio" no Google Images. nada veio. aí separei: imperador + duilio. e veio-me, de aproveitável, esta imagem de Toshiro Mifune, meu grande sósia japonês, de quem vi tantos filmes e tão maravilhosos.

cinema? life is but a dream, isn't it? por que busquei "imperador duilio"? porque um motorista de táxi disse que Roma teve cinco grandes imperadores, cujos nomes agora me fogem... não sei por que razão, ele tratou de deixar claro que "Duilio" não se encontrava entre eles. nem entre os imperadores. eu mesmo sempre soube (aprendi num dos livros infantis de Monteiro Lobato, se é que o fiz) que Duilio foi o general que comandou o exército romano na Primeira Guerra Púnica.

mas a conversa em italiano não prosperava, o que me leva a pensar que ele não terá dito o que agora direi como sendo dele. talvez seja, a conversa não prosperava excessivamente, uma espécie de definição de vida:

boa vida não é fazer o que a gente quer,
mas valorizar o que a gente faz

DdAB