27 abril, 2009

Ladrões Compulsórios: voto voluntário^-1

Querido Blog:Recebi este e-mail de quem de direito:
26/4/2009
Saiu na Folha de hoje.
Acho que o "x" da questão é esse mesmo: transformaram um direito num dever.
O indivíduo de soberano, passa a vassalo.
Um abraço,
Editoriais

editoriais@uol.com.br

Voto facultativo

Distância entre sociedade e seus representantes cresce a cada escândalo, favorecida pelo arcaísmo do sistema eleitoral
SERIA IMPRÓPRIO classificar de simplesmente "moralistas" as violentas reações da opinião pública diante dos abusos cometidos no Congresso Nacional, em particular na célebre farra das passagens aéreas gratuitas. Tem-se, na verdade, um movimento generalizado e veemente de indignação diante de revelações que só na aparência se reduzem ao anedótico, ao secundário, ao venial. No caso das passagens aéreas, atingiu especial visibilidade -e, talvez, seu ponto de máxima saturação- um fenômeno que se tornou crônico no sistema político brasileiro. Os assim chamados "representantes da população" parecem representar, antes de tudo, a si mesmos -e a uma rede de contatos no mundo privado e doméstico que se mantêm, na maior parte do tempo, invisíveis e fora do controle dos cidadãos. Regras cada vez mais rígidas de transparência constituem sem dúvida a arma mais eficiente para combater essa situação. Mesmo assim, e apesar das recorrentes vagas de repúdio que cada novo escândalo suscita, um problema básico permanece. Representantes e representados parecem habitar mundos à parte, com escassos pontos de comunicação. A certeza da impunidade, tão disseminada entre governantes e parlamentares brasileiros, não se restringe apenas ao âmbito do Código Penal. Vigora também uma confiança na impunidade política, que se confirma toda vez que figuras cercadas das mais fortes evidências de corrupção terminam vitoriosas em novas eleições. Isso ocorre sem que, por outro lado, a população abandone sua permanente repugnância pelos políticos que, entretanto, consente em reeleger. A superação desse estado de coisas depende, como é óbvio, de um longo processo de desenvolvimento da maturação política e do mais amplo acesso à informação. Mesmo assim, haveria no mínimo uma mudança fundamental e simples, no campo em geral bastante técnico e polêmico das reformas institucionais, cuja oportunidade se manifesta com clareza, em meio a um descrédito da atividade política a todos os títulos nocivo para a democracia. O Brasil é um dos raros países do mundo onde vigora o sistema do voto compulsório. Não há sentido em encarar um direito dos cidadãos -o de participar livremente das eleições de seus representantes- como um dever imposto pelo Estado. O indivíduo que vota apenas por obrigação não se coloca no papel de soberano, e sim de subordinado no processo político.
Cronifica-se, com isso, a tendência histórica de encarar os governantes e os parlamentares não como homens públicos a serviço da população, mas como detentores de um poder de mando e de uma série de privilégios pessoais, aos quais o cidadão se curva numa espécie de corveia eleitoral. Oferece-lhes, contrafeito, um mandato que será exercido na impunidade e na arrogância, e haverá de encará-los, forçosamente, com ressentimento e com desprezo.
Minha gente!
Repito ad nauseam: "O indivíduo que vota apenas por obrigação não se coloca no papel de soberano, e sim de subordinado no processo político. O indivíduo que vota apenas por obrigação não se coloca no papel de soberano, e sim de subordinado no processo político. O indivíduo que vota apenas por obrigação não se coloca no papel de soberano, e sim de subordinado no processo político."
E ainda tem outras manifestações de autoritarismo, como é o caso do serviço militar obrigatório e d'A Voz do Brasil. Há gente que ouve. E há gente que odeia! Fazê-los voluntários é a estratégia dominante.
DdAB

26 abril, 2009

Exportação de gaúchos

Querido Diário:Nesta foto do Sr. Google-Images, vemos, aparentemente, quatro gaúchos de Bagé, cidade citada por Jorge Luis Borges em um de seus escritos. Como sabemos, bagé e pajé, rio guahyba e rio guaíba é tudo a mesma: estupidez do Brazil central forçando os gaúchos a escreverem como o centro do império quer. Que dizer da importação de forâneos, além da escrita feita nos gabinetes empolados do rio de janeiro, uma baía, claro? Não apenas myself fui importado, mas todos os próceres, todos, inclusive os guaranis e caigangues, não é, pois - como sabemos - o Planeta Terra nasceu sem vida e esta chegou apenas há uns dois bilhões de anos. Logo, digamos, há 45 bilhões de anos não havia Terra nem o Museu Júlio de Caudilhos, nem caudilhos, nem Jorge Luis, nem nada, nadicas de nada.

Mas tem neguinho (más notícias no front, com o anúncio de câncer da Econ. Dilma Rousseff) que acha que o protecionismo é bom: exportemo tudo, não imortemo nada, mas na parte dos talento, o negócio se inverte: importemo tudo, o Dr. Duílio, a Dra. Dilma, a Dra. Yeda, o Dr. Crusius (de antepassados europeus recentes, isto é, menos de 250 milhões de anos). Mas não exportemo nada!

Quem me levou (trouxe?) a estas edificantes reflexões foi o Sr. Alfredo Fedrizzi, no artigo assinado da página dos editoriais de Zero Hora, que acha que devemos criar incentivos fiscais para reter os talentos por aqui. Pensei logo no Reitor da Ulbra, no Dr. Eliseu Padilha, no Melara, no Seco, nos meninos de rua que me assaltaram em Montevidéu (gaúchos?).

E que segredos estarão revelando os dois chapéus encabeçados na cabeça dos dois gaúchos da esquerda, o manuseado pelo terceiro de lá para cá? E que pensará a cabeça do outro, ou melhor, será que seu chapéu, se é que ele o tem e encabeça ou manuseia, pensa em algo? Disse-me a Sra. Avó do Badanha que os da direita não pensam.
DdAB

24 abril, 2009

México e Érico: já era tempo

Querido Diário:
Desde que terminei de ler o livro "México", de Érico Veríssimo, um volume comprado de segundamão aos 5/jan/2009, da Editora Globo (não confundir com a manifestação de poder de monopólio da Rede Globo), publicado em Porto Alegre, em setembro de 1985, redigido com a ortografia de 1973, contrariando o original, que -presumo- deixou-se lançar em 1957, pensei em fazer uma grande postagem a respeito. Vejamos, que não o farei hoje, quando o farei. Seja como for, ainda como arabescos iniciais, devo dizer que registrei -in due place- a pergunta: "quem fez as ilustrações" da edição que tenho em mãos? Estavam no original? Neste 1985, não há créditos a ninguém, registrando-se na portada tratar-se da nona edição. Tampouco há créditos para o desenhista da portada, presumidamente diversa da edição original.

Terei pensado, antes de terminar de ler "México", na verdade, em fazer esta espécie de book review esfigmonanométrica. Esta fotografia um tanto esmaecida, presumo, esteja mostrando o casal Diego-Frida, que a retirei da Internet/Images/Google. Ambos são mexicanos, pelo que entendo, depreendo. Frida não foi mencionada em "México", de Veríssimo. Diego foi, algumas vezes, menos do que Siqueiros, com quem Érico chegou a ter um ou outro contato pessoal durante a visita.

Nem todas as reflexões que fiz durante a leitura estarão aptas a serem recuperadas. Ou, por outra, não mais estarei apto a recuperar todas as reflexões que fiz. [Comecei há pouco tempo a tentar retomar uma campanha contra os antropocentrismos e etnocentrismos que comecei há tempos].

Além da capa de papel coberto com plástico, portando duas orelhas, o primeiro traço mais característico, que pararei de citar os traços gráficos em detalhe, reservando-me o direito de mencioná-los sem detalhe, ou melhor, apenas em detalhes selecionados, vejo o preço que paguei: R$ 6,00. Não pestanejei, pois naquele verão um picolé custava R$ 2,00, o.s.l.t.. Seguiu-se um conjunto de cálculos, dos quais destaco 0,2 x R 3.200 = 640 (a unidade de medida foi omitida por razões que agora não lembro; talvez por simples olvido).

Seguem-se, como disse, outras obervações irrelevantes para a presente postagem. A elas segue se uma lista de 27 obras de Érico, não sei se podemos declará-la definitiva, pois certamente há o livrinho "O Ataque", da Coleção Catavento da mesma editora, que juro ter lido. Tinha esquilos em Washington, tinha tiros no rincão e tinha Pomona. Se me não falha a memória. Ela falha, a memória.

Assinalei coisas, o que me deu indizível satisfação. Vejamos:
2. Clarissa
3. Caminhos Cruzados
5. Música ao Longe
6. Um Lugar ao Sol
8. Olhai os Lírios do Campo
10. Gato Preto em Campo de Neve
11. O Resto é Silêncio
12. A Volta do Gato Preto
13-19. O Tempo e o Vento (em sete volumes)
20. Pimba! (ou melhor, México)
21. O Senhor Embaixador (não esquecer que poderia ser "O Sr. Embaixador", que a primeira edição de "São Bernardo" deixava-se ler como "S. Bernardo").
23. Israel em Abril
24. Incidente em Antares
26-27. Solo de Clarineta (em dois volumes).

Estes são os livros que li, lerei ou menti ou minto que li, como passarei a mentir que li, a partir de 31/julho/2017, o livro "A Theory of Justice", de John Rawls, pois não o lerei. Ou mentirei que não o li? Se a memória não falha, tudo já li em um ou outro momento de minha carreira literária. Não lembro qual foi o primeiro, talvez "O Ataque" que, como sabemos, não está na lista que não listei toda... Depois, talvez, "O Sr. Embaixador", sabe-se lá. Também li um dos velhinhos, por aqueles tempos. Não lembro qual. Certamente lembro de ter lido os sete de "O Tempo e o Vento", emprestados que me foram pelo colega Aldo Faraco. Era Aldo? Era de Alegrete? Era parente de Sérgio Faraco? Aldo era legal, preparava-se, creio, para o vestibular de direito. Penso ter devolvido todos os sete exemplares. De quem era "O Sr. Embaixador"? Já não lembro, o fato é que -ao lê-lo- pensei em virar diplomata. Pablo Astorga, ou Ortega, sabe-se lá, entusiasmou-me: um intelectual sofisticado que acaba na guerrilha e no poder, sentindo-se mal com este. Outro assunto, para talvez nunca de núncaras. You never know.

Dizia eu: li coisas há tempos. Destaca-se que bem lembro, se lembro, de ter lido "Gato Preto em Campo de Neve". Se é da "Coleção Catavento", então está claro que li chez moi. Se não é, tê-lo-ei lido na Biblioteca do Colégio Estadual Júlio de Caudilhos. Ou elsewhere. Empréstimos de meu amado Walter Browne Maia?

Como cheguei a "México"? Faraco, Sérgio e outros, colocaram-me na trilha de Érico, talvez pelas comemorações do centenário de nascimento. O fato é que, depois de ter visitado os Estados Unidos, no início de 2001, decidi reler, que -como disse- juro que lera o "Gato Preto". Dele eu lembrava que havia uma história com botinas, para o autor proteger-se da neve de Nova Iorque, não a tangenciando, pois andou de limos daqui para lá e, na festa, observava o povo na estica e suas botinas, até que deliberou esquecê-las, "para não estragar a festa". Eu pensei ao contrário: às vezes trajava (calçava?) sapatos de verniz impecáveis e, mesmo assim, procurava estragar a festa... Mas gravei mais coisas do "Gato Preto". Na volta de Nova Iorque, repito, decidi ler "A Volta do Gato Preto". Depois, reli o próprio "Gato Preto". Na linha, achei "O Sr. Embaixador" e o reli pela segunda vez, ou seja, lera-o, relera-o em torno de1975 e voltei a fazê-lo, registrando o final da leitura como "26/abr/2002. 23h50min. Amanhã, vou a Bento (Gonçalves, progressista cidade onde passei anos de minha primeira infância), com a PUCRS". Para alegria do Prof. Adalmir Marquetti, hospedei-me em um quarto compartilhado com o Prof. Balarine, agora deceased. Quer saber as razões? Indague lá a ele, o que está vivo...

Textos relacionados ao centenário levaram-me a distinguir um trio literário que me interessou olhar mais de perto
.1. Caminhos Cruzados, de Érico
.2. Contraponto, de Aldous Huxley (que li uma cópia de Walter Browne Maia e estou relendo agora, que não acabo nunca, às vezes acho enfadonho e às vezes sublime; o último "tempo" que lhe estou dando ocorre a pretexto de olhar coisas importantíssimas sobre finanças em meu amado livro de Milgrom & Roberts)
.3. Merry-go-round, de William Somerset Maugham (que ainda não li).

Então comecei o grande projeto que me tomou boa parte do tempo de lazer de 2008. Li Clarissa, Caminhos Cruzados, Música ao Longe, Um Lugar ao Sol, Olhai os Lírios do Campo e O Resto é Silêncio, O Senhor Embaixador e Incidente em Antares, mais ou menos nesta ordem. Pinguei o ponto final em "O Resto é Silêncio" às 9h32min de 13/jul/2008 na progressista cidade de Três Passos, costa do Rio Uruguay. Trata-se de uma cópia caseira maravilhosamente executada you-know-by-whom. Como disse, lerei a.s.a.p. "Israel em Abril". E voltarei a ler, in due time, "O Tempo e o Vento" e "Solo de Clarineta". Quando acabar tudo, recomeçarei tudo. E o que não cito provavelmente jamais venha a ler. Em Maceió, onde li boa parte de "México", quase comprei um "Tempo e o Vento" reproduzido, o que não fiz, pois era em quatro volumes, e eu queria uma cópia da edição em três volumes, que me parece ter sido a forma original. Ou de um lançamento de estirpe. Ou ambas as coisas, ao revés de uma ou de outra o de ambas.

Ok?
DdAB

22 abril, 2009

Para palavras loucas...

Querido Diário:
Você nunca se considerou um diário autêntio, não é mesmo?Mas que dizer então do marcador "VidaPessoal"? Ocorre que revelar preferências musicais pode ser revelar a biografia... Pois em meu caso tenho ouvido, sempre na www.accuradio.com:
.a. jazz-piano
.b. jazz-sax
.c. chamber music
.d. tango, se é que por lá temos tangos, coisa que ainda não investiguei.
O fato insofismável é que teremos ouvido, ainda nos tempos catarinas (ou teria sido quando descíamos de vapor o Rio São Fransico?), uma senhora de, digamos, meia idade e baixo grau de educação formal, ao ser vilipendiada com tentativas de controle de seu curso de ação por um marinheiro (ou caixeirinha de supermercado?) os seguintes dizeres: "Melhor ouvir isto do que ser surdo".
Concluo olimpicamente: melhor ouvir a Accuradio do que ser surdo. Melhor fazer ouvidos moucos a palavras loucas. Melhor ler o jornal todo santo dia e enviar pelo menos um e-mail aos abrilhantadores da Zero Herra.
CQD.
DdAB

20 abril, 2009

Cão dos Ricos

Querido Diário:
Como aqueles que estão ouvindo sabem, ouço agora a
http://player.accuradio.com/player/slipstream/accuclassical/?channel=classical&sub=SubChamber,
não fosse este evento (dois terráqueos ouvirem a mesma rádio em mesma sincronia) impossível, no reino das contingências. Menos provável do que alcançar o número 3,5 com o lançamento de um dado.
O caozinho dos ricos que aqui vemos vem de lá, não do "chamber music", mas dos preparativos para tal. Por que pensei em ricos, em tabuada, em José Fogaça, prefeito de Porto Alegre, em moradores de rua, em Barack Obama?
Pensando mais no comentário do Sr. Ellahe a uma postagem anterior e minha réplica, houve-me por bem em imaginar se o Sr. Mendigo ficaria mesmo desgostoso, caso eu lhe dissesse que gostaria de ensinar-lhe a tabuada, a colocação de pronomes, a calistenia.
Agora, esta postagem, que deveria ser coloquial estará virando "economia política" ou "filosofia econômica", caso não acabe.
DdAB

19 abril, 2009

Roubini não é nonsense

Querido Diário:Achei o bode acima bem simpático para ilustrar o que procurei no Sr. Google, considerando o artigo de hoje do Caderno Dinheiro de ZH, p.7. Aquela letra "d" perto da barba do bode é um tanto suspeita... Pensei que o bode avistara a luz no fim do túnel do qual parece emergir.

Cito partes, editando livremente:

:: Sinais moderados de recuperação na economia;
"O consenso entre economistas é de que o crescimento no ano que vem será próximo de 2,5%.
"
:: As "[...] ações iniciam uma recuperação nos EUA e em todo o mundo. Esses mercados parecem acreditar que há uma luz no fim do túnel para a economia e para os lucros de empresas."
"Esse consenso otimista, acredito, não está baseado em fatos. Na verdade, a expectativa é de que enquanto o índice de contração americana reduzirá de -6% nos últimos dois trimestres, a expansão dos EUA ainda será negativa (cerca de -2% a -1,5%) na segunda metade do ano (comparado ao consenso de 2%). Além disso, o crescimento no próximo ano será tão fraco (0,5% a 1%, ao contrário do consenso de 2% ou mais) e o desemprego tão alto (acima de 10%) que ainda será sentido como uma recessão."

Ou seja, temos previsões inequívicas: prevejo que, quando todo mundo fala em crescimento de 2% no ano que vem, o que veremos é um crescimento de 0,5% a 1%. Quem prevê é ele, Roubini. Eu previ, só para contrariar, que nada aconteceria no PIB (crescimento zero), com inflação e desemprego. Não tenho lido sobre previsões da taxa de inflação, as últimas de que ouvi falar sinalizavam para deflação. Juro que haverá inflação. E, depois da previsão inicial, eu a refiz e aduzo: e será provocada por uma corrida de desvalorizações do câmbio dos países importantes.

Voltando a Roubini, será que o tom de pessimismo cultivado que ele adota justifica-se, quando suas divergências com as previsões dos "economistas" situam-se na casa dos 0,5% a 2,0% do PIB? Claro que 1% do PIB americano é montones de dinheiro. However erros de 1% na estimativa do que quer que seja são toleráveis, também os de 2,5% unicaudais ou bicaudais. E 5%, e já vi paper dizendo que sua previsão era boa, "a 25%".

Ou seja, o PIB não cairá 30%, como o fez em 1929 ou 1947. Nem, presumo, subirá 30%, como sobe rapidamente (três ou quatro nos, to be true). Ou seja, teremos, em média, crescimento zero. E Roubini terá suas sofisticadas previsões confrontadas com estimativas de senso comum, ingênuas, provocativas, sinceras. "A melhor maneira de se prever o futuro é inventá-lo", disse o Sr. Johnnie Walker.
DdAB

17 abril, 2009

Burros Tratados a Pão-de-Ló

Querido Diário:
Em meu arquivo de assuntos importantes e inadiáveis, sobressaiu-se hoje o tema do cidadão número. O que vemos acima foi o que achei com a entrata "burros tratados" no Google Images. Eu não sei bem o que pensei na época em que este assunto estava na voga, so to say. O fato é que hoje, depois de tanto tempo que o cidadão número não venceu, percebo que o vencedor foi alguma coisa que não inclui o substantivo "cidadão". Tratá-lo como um número era uma droga? E que tal tratá-lo como não-número? Nos dias que correm significa dizer simplesmente que ele é abandonado a suas próprias cifras. Ou seja, quem é contra numerar todos os documentos da vida de um indivíduo humano apenas com uma sequencia de algarismos arábicos é que é contra o cidadão!
DdAB