Querido diário:
Ouvia hoje uma entrevista na Rádio da Universidade (1080kH porto-alegrenses) com duas garotas falando sobre uma Associação dos Pacientes da Cirurgia Bariátrica (ou seja, da redução do estômago, se é que não fujo aos termos, e o nome da associação talvez não seja este). Pois dizia-se que o mais importante de tudo é que um corpo magro não abrigue uma mente gorda. Gostei da imagem. E mais ainda, também concordo que este tipo de encrenca só é resolvido definitivamente com a invocação de forças de todos os portes, do apoio familiar ao exercício físico e a renúncia ao prazer do prato, na forma e conteúdo que fazem parte de nossas vidas antes do desconforto com o peso. Em meu caso, o inimigo é até desejável: uma vida longa. Eu não era assim... Mas agora sou e fim! Ou agora sou e aproveitemos enquanto dura. Epa, pareço lúgubre!
E que tem isto a ver com "Economia Política" e quase nada de "Vida Pessoal"? Tem a ver que parece que os restaurantes que cobram por cota fixa (por contraste àqueles que cobram por peso) e os próprios restaurantes convencionais que servem um "prato feito", parece -repito- que há um incentivo a limparmos o prato, essas coisas.
Então as garotas levaram-me a pensar naquela viagem do lanche grátis. Elas querem que os portadores de uma carteirinha da associação, um atestado médico, algo assim, se credenciem a 50% de desconto em tudo quanto é tipo de restaurante. Claro que fiquei abismado e entendi que talvez apenas os economistas entendam quão ridículo é o desejo generalizado de ganharmos lanche grátis. Parece que, na primeira aula que andei ministrando por 30 anos, ao falar em "preços e lucros, acres e mãos", começo a instilar um vírus na juventude que não deve abandonar o corpo até que a velhice chegue. E que esta dure longamente, mas sabemos não ser eterna, pois não existe lanche grátis. Ou, mais pessimisticamente, pois ainda não se vislumbrou uma forma de vencer a entropia.
DdAB
Imagem do lindo site daqui.
12 setembro, 2013
09 setembro, 2013
Presídios
Querido diário:
Sabemos que o afamado trio formado por crianças, criminosos e loucos requer cuidados especiais por parte da sociedade. No Brasil, ainda restam alguns milhares de crianças trancafiadas em creches, pois os criminosos e os loucos encontram plenamente abandonados, uma liberdade incompatível com qualquer conceito decente que se possa atribuir ao termo. Para nem falar em sociedade justa.
Para tristeza das gerações futuras, as creches são muito limitadas, pois o mercado exclui meninos de rua, o capitão de areia. Este é uma presença infamante e que não tem cura. E não deveremos queixar-nos, se -daqui a 50 anos- um deles matar um dos nossos na guerra fratricida que não parece ter cobro, se o igualitarismo persistir sendo derrotado pelo mote do primeiro crescer e, se for o caso, apenas depois é que será chegada a hora de pensarmos em redistribuir. Pode?
DdAB
Parece que procurei uma ilustração aqui. E achei um lindo site sobre igualitarismo.
Sabemos que o afamado trio formado por crianças, criminosos e loucos requer cuidados especiais por parte da sociedade. No Brasil, ainda restam alguns milhares de crianças trancafiadas em creches, pois os criminosos e os loucos encontram plenamente abandonados, uma liberdade incompatível com qualquer conceito decente que se possa atribuir ao termo. Para nem falar em sociedade justa.
Para tristeza das gerações futuras, as creches são muito limitadas, pois o mercado exclui meninos de rua, o capitão de areia. Este é uma presença infamante e que não tem cura. E não deveremos queixar-nos, se -daqui a 50 anos- um deles matar um dos nossos na guerra fratricida que não parece ter cobro, se o igualitarismo persistir sendo derrotado pelo mote do primeiro crescer e, se for o caso, apenas depois é que será chegada a hora de pensarmos em redistribuir. Pode?
DdAB
Parece que procurei uma ilustração aqui. E achei um lindo site sobre igualitarismo.
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Economia Política
08 setembro, 2013
Hora de Medeiros
Querido diário:
Quem me acompanha neste blog sabe que leio diariamente, e com exação, o jornal Zero Hora, sempre reclamando que não me sobra coisa melhor, dadas as coordenadas que ocupo na disposição planetária. Mas, como não sou loqui, tiro o que posso de proveito das leituras e me divirto com erros que soem acontecer, mais soer do que acontecer. Assim vivo. Mas tenho minhas compensações pela leitura de cabo a rabo (ainda que seletiva). Na última página do Caderno Donna (dominical), sói aparecer o artigo de Martha Medeiros. Neste domingo, ela escreveu "Trocas íntimas entre estranhos". E disse algo que me pareceu maravilhoso, por rimar com o conceito de otimismo cultivado:
Dá para mudar o passado? Não dá. A única coisa que dá para mudar é a maneira como enxergamos tudo o que nos aconteceu (e ainda acontece) e ver o que é possível perdoar, esquecer ou redimensionar.
Como o astral dela é elevado, não falou em vingar. Parece que seria um anticlímax. Eu bem entendo que o desejo de vingança é algo humano, mas ele fica mais forte no caso de crimes impunes. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que o cidadão não faz justiça com as próprias mãos. E o indivíduo que o faz, na verdade, não o faz, não é mesmo?, ou seja, justiça não é algo pessoal, mas comunitário e, de preferência, profissional (no Brasil, o que temos é uma caricatura deste negócio).
DdAB
Imagem: aqui. Como sabemos, o subtítulo de "Candide" é "ou o otimismo".
Quem me acompanha neste blog sabe que leio diariamente, e com exação, o jornal Zero Hora, sempre reclamando que não me sobra coisa melhor, dadas as coordenadas que ocupo na disposição planetária. Mas, como não sou loqui, tiro o que posso de proveito das leituras e me divirto com erros que soem acontecer, mais soer do que acontecer. Assim vivo. Mas tenho minhas compensações pela leitura de cabo a rabo (ainda que seletiva). Na última página do Caderno Donna (dominical), sói aparecer o artigo de Martha Medeiros. Neste domingo, ela escreveu "Trocas íntimas entre estranhos". E disse algo que me pareceu maravilhoso, por rimar com o conceito de otimismo cultivado:
Dá para mudar o passado? Não dá. A única coisa que dá para mudar é a maneira como enxergamos tudo o que nos aconteceu (e ainda acontece) e ver o que é possível perdoar, esquecer ou redimensionar.
Como o astral dela é elevado, não falou em vingar. Parece que seria um anticlímax. Eu bem entendo que o desejo de vingança é algo humano, mas ele fica mais forte no caso de crimes impunes. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que o cidadão não faz justiça com as próprias mãos. E o indivíduo que o faz, na verdade, não o faz, não é mesmo?, ou seja, justiça não é algo pessoal, mas comunitário e, de preferência, profissional (no Brasil, o que temos é uma caricatura deste negócio).
DdAB
Imagem: aqui. Como sabemos, o subtítulo de "Candide" é "ou o otimismo".
07 setembro, 2013
Por que Estudar a Teoria do Valor (de Marx)?
Volta e meia falo ter encontrado pérolas em papeizinhos. Sempre é verdade, claro, mas o que vou transcrever agora é mais verdade do que todas as verdades conhecidas desde que o homem descobriu (num papelzinho) a letra 'h', o que lhe permitiu escrever o próprio nome. Por exemplo, Haroldo, Heitor, Hiram, Homero e Hugo.
Mas não foi para isto que comecei esta postagem... O que a orienta é, talvez, a reflexão que fiz ao ler, há muitos anos, o livro de Paul Marlor Sweezy (aqui) intitulado "Teoria do Desenvolvimento Capitalista", publicado no Brasil pela Editora Zahar. Com uma tradução às vezes de doer, ainda que em nenhum momento eu tenha lido que a classe trabalhadora explora a classe capitalista. Mesmo assim...
Pois bem, evado-me novamente. É sábado, amanhã é domingo. Volto ao tema:
A função da lei do valor é explicar como isso ocorre e qual o resultado.
Isso? Pois bem, a frase de Sweezy não faria sentido se não soubéssemos que "isso" quer dizer, creio que em minhas palavras, mas não garanto nada:
Isso: uma das principais funções da lei do valor é tornar claro que, numa sociedade produtora de mercadorias, apesar da ausência de uma autoridade que tome decisões centralizadas e coordenadas, há ordem e não caos.
E tem mais:
.a. a teoria da escolha racional não deixaria por menos
.b. o Meghnad Desai (aqui) disse algo mais direto: para desvendarmos o fetichismo das mercadorias, ou seja, para entendermos que o que viabiliza a troca de uma mercadoria por outra não é o "valor" da mercadoria, mas a quantidade de trabalho despendida na produção de cada uma delas. Sigo: quando trocamos, digamos, um cajado por dois coelhos, o que está na verdade sendo trocado são as horas de trabalho social médio despendidas na produção do cajado por aquelas horas gastas na produção (caça?) de dois coelhos.
Ou seja, para entendermos que a verdade verdadeiramente verídica é que as trocas têm como equivalente as horas de trabalho necessárias para produzir as mercadorias trocadas. Mas entendemos que compramos ou vendemos mercadorias por dinheiro. O dinheiro é o fetiche que oculta, precisamente, a relação entre pessoas. O que fica na superfície é a relação entre coisas: como o potinho de açúcar de Robinson Crusoé relaciona-se com sua camisa.
Ou seja, para entendermos que a verdade verdadeiramente verídica é que as trocas têm como equivalente as horas de trabalho necessárias para produzir as mercadorias trocadas. Mas entendemos que compramos ou vendemos mercadorias por dinheiro. O dinheiro é o fetiche que oculta, precisamente, a relação entre pessoas. O que fica na superfície é a relação entre coisas: como o potinho de açúcar de Robinson Crusoé relaciona-se com sua camisa.
DdAB
Esta imagem veio daqui. E cheguei a ela ao seguir uma dica que me foi dada por Adalberto Alves Maia Neto. E, já que estamos falando em Robinson Crusoé, Sexta-feira, Karl Marx, não podemos deixar de referir que Adalberto Alves Maia Neto e eu myself traduzimos o artigo de Stephen Hymer:
https://drive.google.com/file/d/0Bw_-ONgRpg6GTWk1OUtqNlNpWjQ/view?ths=tru
HYMER, Stephen Robinson Crusoé e o Segredo da Acumulação Primitiva. Literatura Econômica (Rio de Janeiro). V.5 n.5, set./out. p. 551-585, 1983. (Aqui)
E temos esta postagem de Fernando Nogueira da Costa aqui falando no assunto e citando tudo, tudinho. E tem um resumo feito por terceiros (independentemente) para este Monde Diplomatique brésilien.
Tudo tudinho? Ainda existe nosso artiguinho:
BÊRNI, Duilio de Avila e MAIA NETO, Adalberto Alves (1983) O Robinson de Hymer: algumas considerações. Literatura Econômica (Rio de Janeiro). V.5 n.5, p.541-550, 1983. (Aqui)
Finalmente: fiz reparos aqui e ali às 22h34min de 26/out/2013 (HBV). E outros às 22h14min de 27/set/2014.
E, aos 8/ago/2016 inseri o link para a tradução que Adalberto e eu fizemos:
https://drive.google.com/file/d/0Bw_-ONgRpg6GTWk1OUtqNlNpWjQ/view?ths=tru
https://drive.google.com/file/d/0Bw_-ONgRpg6GTWk1OUtqNlNpWjQ/view?ths=tru
HYMER, Stephen Robinson Crusoé e o Segredo da Acumulação Primitiva. Literatura Econômica (Rio de Janeiro). V.5 n.5, set./out. p. 551-585, 1983. (Aqui)
E temos esta postagem de Fernando Nogueira da Costa aqui falando no assunto e citando tudo, tudinho. E tem um resumo feito por terceiros (independentemente) para este Monde Diplomatique brésilien.
Tudo tudinho? Ainda existe nosso artiguinho:
BÊRNI, Duilio de Avila e MAIA NETO, Adalberto Alves (1983) O Robinson de Hymer: algumas considerações. Literatura Econômica (Rio de Janeiro). V.5 n.5, p.541-550, 1983. (Aqui)
Finalmente: fiz reparos aqui e ali às 22h34min de 26/out/2013 (HBV). E outros às 22h14min de 27/set/2014.
E, aos 8/ago/2016 inseri o link para a tradução que Adalberto e eu fizemos:
https://drive.google.com/file/d/0Bw_-ONgRpg6GTWk1OUtqNlNpWjQ/view?ths=tru
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TER Equilíbrio
06 setembro, 2013
Silogismos no Trigo e na Política
Querido diário:
Hoje é um grande dia, o dia da lógica do silogismo tipo barbaquá (que reproduzo, para benefício dos leitores que quiserem pesquisar a postagem original e as outras dezenas que a ela se remetem). Tudo em Zero Hora (exceto o silogismo):
M: todo político é ladrão
m: todo ladrão é político
C: todo político e todo ladrão é farinha do mesmo saco.
No trigo:
Sete meses depois da possa da nova diretoria da Cotrujuí, veio à tona uma dívida estimada em mais de R$ 500 milhões. A nova diretoria (e eu também) está estupefata. Falhas de mercado, falhas de estado e falhas de comunidade. A única salvação é a bebida.
Na política:
Tem um "grupo de trabalho encarregado de elaborar uma proposta de reforma política para o país". Querem o fim da reeleição para cargos do executivo e a coincidência dos mandatos municipais, estaduais e federais. A nota destaca um nome, nomeadamente, Cândido Vacarezza, do PT de São Paulo. Pensei que eles poderiam, se é para impedir reeleição, que começassem por eles próprios. Pensei que pessoas sérias iriam falar em voto facultativo, voto distrital, parlamentarismo, essas coisas. A única salvação é a bebida: parece que bêbado não precisa votar.
DdAB
Imagem: aqui.
Hoje é um grande dia, o dia da lógica do silogismo tipo barbaquá (que reproduzo, para benefício dos leitores que quiserem pesquisar a postagem original e as outras dezenas que a ela se remetem). Tudo em Zero Hora (exceto o silogismo):
M: todo político é ladrão
m: todo ladrão é político
C: todo político e todo ladrão é farinha do mesmo saco.
No trigo:
Sete meses depois da possa da nova diretoria da Cotrujuí, veio à tona uma dívida estimada em mais de R$ 500 milhões. A nova diretoria (e eu também) está estupefata. Falhas de mercado, falhas de estado e falhas de comunidade. A única salvação é a bebida.
Na política:
Tem um "grupo de trabalho encarregado de elaborar uma proposta de reforma política para o país". Querem o fim da reeleição para cargos do executivo e a coincidência dos mandatos municipais, estaduais e federais. A nota destaca um nome, nomeadamente, Cândido Vacarezza, do PT de São Paulo. Pensei que eles poderiam, se é para impedir reeleição, que começassem por eles próprios. Pensei que pessoas sérias iriam falar em voto facultativo, voto distrital, parlamentarismo, essas coisas. A única salvação é a bebida: parece que bêbado não precisa votar.
DdAB
Imagem: aqui.
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04 setembro, 2013
Futurologia Pretérita
Querido diário:
Hoje, na página dos artigos assinados de Zero Hora (p.14), tem "Um Elefante na Sala", de Darcy Francisco Carvalho dos Santos. Já li outras coisas dele, um fiscalista, identificado como "economista". Não quero diminuir o valor das proposições ex anta da ciência econômica com aquelas aspas. Nem, talvez, o saber do articulista. Inclusive por não ter ficado satisfeito com meu próprio entendimento do que ele quer dizer no artigo. Em geral, posso adiantar, ele está furioso com o crescimento da população idosa, que gerará, a seu ver, severos problemas:
No Brasil, não se fez nada para alterar a previdência no tocante à idade mínima para aposentadoria. Pelo contrário, fala-se em acabar com o fator previdenciário, que dificulta a precocidade das aposentadorias. Andamos com os olhos na nuca.
Epa, eu nem estava esperando ofensas, inofensivo que sou. Mas, antes desta diatribe, ele diz algo que me levou a pensar na qualidade de certas previsões feitas por economistas (inclusive myself, por que negar?). Diz o articulista:
[...] a redução do número de pessoas em idade ativa [...] terá reflexo significativo na produção e consequentemente na arrecadação de impostos com que serão pagos seus benefícios.
Fiquei pensando: será que ele nunca pensou que a produtividade pode crescer tanto que ofuscará, sob o ponto de vista do aumento da produção, a redução do número de trabalhadores. Claro que não podemos jurar que haverá enormes ganhos de produtividade nos próximos 17 anos. Mas eu juro, de qualquer jeito. É impossível pensar num capitalismo mundial integrado sem elevados ganhos de produtividade inexoráveis ano após ano.
Mas o articulista não parece desconhecer isto:
Com a população ativa decrescendo, o crescimento econômico dependerá do aumento da produtividade, para o que é preciso melhorar a educação e aumentar os investimentos em infraestrutura. Mas tudo isto encontra a barreira na difícil situação das finanças estaduais.
Eu fico pensando: de que mesmo é que o articulista está falando? Dos problemas das finanças estaduais ou da divisão internacional do trabalho, do dumping social que pode avassalar todos os países ou de uma sociedade mais luzidia, em que haverá maior equidade distributiva e ninguém ficará requerendo que os velhos durem menos, a fim de não prejudicarem as contas da previdência social. É o tipo da coisa que, pensar no futuro com excesso de dependência ao passado, leva a visões completamente desfocadas do presente progressista.
DdAB
Imagem: aqui.
Hoje, na página dos artigos assinados de Zero Hora (p.14), tem "Um Elefante na Sala", de Darcy Francisco Carvalho dos Santos. Já li outras coisas dele, um fiscalista, identificado como "economista". Não quero diminuir o valor das proposições ex anta da ciência econômica com aquelas aspas. Nem, talvez, o saber do articulista. Inclusive por não ter ficado satisfeito com meu próprio entendimento do que ele quer dizer no artigo. Em geral, posso adiantar, ele está furioso com o crescimento da população idosa, que gerará, a seu ver, severos problemas:
No Brasil, não se fez nada para alterar a previdência no tocante à idade mínima para aposentadoria. Pelo contrário, fala-se em acabar com o fator previdenciário, que dificulta a precocidade das aposentadorias. Andamos com os olhos na nuca.
Epa, eu nem estava esperando ofensas, inofensivo que sou. Mas, antes desta diatribe, ele diz algo que me levou a pensar na qualidade de certas previsões feitas por economistas (inclusive myself, por que negar?). Diz o articulista:
[...] a redução do número de pessoas em idade ativa [...] terá reflexo significativo na produção e consequentemente na arrecadação de impostos com que serão pagos seus benefícios.
Fiquei pensando: será que ele nunca pensou que a produtividade pode crescer tanto que ofuscará, sob o ponto de vista do aumento da produção, a redução do número de trabalhadores. Claro que não podemos jurar que haverá enormes ganhos de produtividade nos próximos 17 anos. Mas eu juro, de qualquer jeito. É impossível pensar num capitalismo mundial integrado sem elevados ganhos de produtividade inexoráveis ano após ano.
Mas o articulista não parece desconhecer isto:
Com a população ativa decrescendo, o crescimento econômico dependerá do aumento da produtividade, para o que é preciso melhorar a educação e aumentar os investimentos em infraestrutura. Mas tudo isto encontra a barreira na difícil situação das finanças estaduais.
Eu fico pensando: de que mesmo é que o articulista está falando? Dos problemas das finanças estaduais ou da divisão internacional do trabalho, do dumping social que pode avassalar todos os países ou de uma sociedade mais luzidia, em que haverá maior equidade distributiva e ninguém ficará requerendo que os velhos durem menos, a fim de não prejudicarem as contas da previdência social. É o tipo da coisa que, pensar no futuro com excesso de dependência ao passado, leva a visões completamente desfocadas do presente progressista.
DdAB
Imagem: aqui.
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Economia Política
03 setembro, 2013
Hai-kai n.32
Querido diário:
O hai-kai da p.38 é o de número 32, sendo o livro aquele da L&PM. Millôr Fernandes diz:
JÁ NÃO É BOM AGOURO
NASCER
EM BERÇO DE OURO.
E o Planeta 23 fez algumas modificações no próprio conceito de trova que vem sendo utilizado:
Nascer em berço de ouro
É uma tristeza, quem sabe?,
Não, é apenas bom agouro.
DdAB
Imagem daqui.
O hai-kai da p.38 é o de número 32, sendo o livro aquele da L&PM. Millôr Fernandes diz:
JÁ NÃO É BOM AGOURO
NASCER
EM BERÇO DE OURO.
E o Planeta 23 fez algumas modificações no próprio conceito de trova que vem sendo utilizado:
Nascer em berço de ouro
É uma tristeza, quem sabe?,
Não, é apenas bom agouro.
DdAB
Imagem daqui.
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