07 abril, 2026

GPT e o Narcisismo de Brás Cubas

Portrait of Brás Cubas by Benedito Calixto (1903)
Governor of São Vicente In office 1545–1549
(Fonte: Wikipedia)

Diz-nos GPT o seguinte sobre minha pergunta: O Brás Cubas de Machado de Assis era narcisista? 

É perfeitamente defensável interpretar Brás Cubas como narcisista, mas com uma nuance importante: trata-se de um narcisismo literário e irônico, não clínico.

Vamos por partes.


1️⃣ O que o próprio texto sugere

Brás Cubas apresenta traços claros de:

  • autocentramento radical (ele é o assunto permanente de si mesmo);

  • indiferença moral diante das consequências de seus atos;

  • vaidade intelectual e social;

  • necessidade de autojustificação elegante;

  • prazer em manipular a narrativa a seu favor.

Ele escreve após a morte, mas não para fazer penitência — escreve para:

  • organizar sua própria imagem,

  • ironizar os vivos,

  • e reafirmar sua superioridade intelectual.

Isso já é um forte indício de narcisismo literário.


2️⃣ Exemplos no romance

Alguns momentos-chave:

  • O projeto do “emplasto Brás Cubas”: não é altruísmo, é busca de glória póstuma.

  • O modo como trata Eugênia, Marcela e Virgília: pessoas aparecem como extensões de sua vaidade.

  • O famoso “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”:

    • soa filosófico,

    • mas também pode ser lido como uma autocomplacência sofisticada.

Ele é incapaz de amar sem que o amor reforce sua própria imagem.


3️⃣ Mas há um detalhe decisivo

Machado constrói um narrador que:

  • expõe o próprio egoísmo,

  • revela sua pequenez,

  • e muitas vezes antecipa as críticas do leitor.

Isso cria um paradoxo:

Brás é narcisista —
mas o romance é uma crítica ao narcisismo.

O texto é autocentrado, mas não o autor.


4️⃣ Narcisismo ou ceticismo?

Alguns críticos preferem dizer que ele é:

  • um niilista elegante,

  • um cético desencantado,

  • ou um representante da elite ociosa imperial.

Mas esses traços não excluem o narcisismo — eles o refinam.

Se quisermos usar uma categoria contemporânea, poderíamos dizer que ele exibe:

  • narcisismo aristocrático,

  • temperado por ironia e autoexposição calculada.


5️⃣ Conclusão equilibrada

Sim, pode-se entender Brás Cubas como narcisista —
mas é mais preciso dizer que:

Machado cria um narrador que encarna o narcisismo social da elite brasileira oitocentista, ao mesmo tempo em que o desmonta pela ironia.

Se quiser, posso:

  • relacionar essa leitura com a interpretação de Anabela Mota Ribeiro;

  • ou explorar como esse narcisismo conversa com sua reflexão sobre escolha social e responsabilidade moral (o que, aliás, seria uma ponte muito interessante…).

Nenhum comentário: