16 abril, 2010

o crak quebra

querido blog:
que crak será aquele da imagem de hoje? e como será que "now" rima com "mes petits..."? a indústria do crack é chumbo grosso... li na Zero Hora de hoje que 72,5% dos moradores de rua de Porto Alegre usam crack. e ouvi no rádio que, na cidade de Rio Grande, apenas 5% o fazem.

claro que fiquei pensando nas severas condições de vida em minha cidade. uma cidade que autoriza a existência de moradores de rua, que abandona sua infância e velhice deverá ser tragada pelas chamas, como já andou acontecendo -disse lá uma bíblia- no Oriente Próximo. nunca me esquecerei da progressista cidade de Três Coroas -rota preferencial para quem quer espairecer em Gramado- e a autorização de seu prefeito para a instalação de uma vila precária precisamente na beira da estrada. nunca me esquecerei que tive a espantosa oportunidade de atropelar um menino lá de seus três anos de idade, andando quase debaixo das rodas de meu potente veículo, em seu triciclo. como eu disse "quase", estou implicando que não atropelei! agora, não podemos negar que o prefeito de Três Coroas deu-me esta inacreditável oportunidade de fazê-lo.

volta a velha questão: não é que o menino não tenha direito de lazer em seu triciclo (de segunda mão...), mas que ele tem direito de um ambiente mais sereno para suas investidas no mundo das rodas. e -em nenhuma hipótese- nas de meu potente bólido.

indago-me quanto ganha por mês o político encarregado de responder pela prefeitura de Três Coroas, quanto ganha cada assessor, secretário, vereador. quanto ganham os deputados, juízes de direito, delegados de polícia. e, claro, tudo vale para Porto Alegre, com seus desvalidos fumadores de crack. só com os tiros da Valentina oslt de Roy Lichtenstein oslt.

por outro lado, li nas p.4-5 da mesmíssima Zero Hora, uma reportagem com o título "Um guia par votar melhor". fora a questão de que os adjetivos não deveriam modificar verbos (apenas os advérbios é que deveriam fazê-lo...), temos o elogio da iniciativa cidadã -por assim dizer do carimbadíssimo jornal- de um modelar cientista político, o Prof. Paulo Moura. diz ela que diz ele: "[...] a quantidade e variedade de informações oferecidas na interenet formam uma peneira virtual capaz de separar os bons dos maus políticos."

quer dizer, o problema daquele menino do triciclo é que seu pai não usou adequadamente o computador e, como tal, deixou-se ludibriar pela candidatura do prefeito, cujo mandato agora até expirou. pensar o mundo desta maneira é o fim-da-picada. logo eu ler isto, que vivo alardeando a importância da "sacada" de terceiros que associam o voto obrigatório ao mecanismo do dinheiro dobrões de ouro e prata: quando um "vale" mais do que o outro o que está por baixo expulsa o de cima do mercado. mutatis mutandis, com o instituto do voto compulsório, o mau político elimina o bom do mercado. claro que quem vota em mau político não usa toda a quantidade e variedade de informações oferecidas na interenet, a não ser seus parentes e apaniguados, os legendários detentores de "cargos em comissão". o crack quebra, a política corrompe. a saída ainda está distante.

inspirado nessas informações, volto-me à poesia, em que procuro inovar formalmente com separações de sílabas para tentar (sem sucesso) uma métrica de rimas ricas:

nesse período de expo-
sição ao macarrão,
o que não foi pou-
co, só posso ter fi-
cado louco.
DdAB
(fonte da imagem: http://4.bp.blogspot.com/_3F9KAB5IePU/SIEpaSQ38PI/AAAAAAAABNA/wDpKuawcY9c/s320/Crack%2BRoy%2BRichtenstein.jpg)

4 comentários:

Luciana disse...

Olá, Duílio!

Vim agradecer a sua visita aos meus blogs e dizer que é muito bom saber que você está seguindo o "Ortografando". Obrigada!

Gostei do seu blog, você aborda temas interessantes...

Um abraço e seja sempre bem-vindo!

Luciana

... DdAB - Duilio de Avila Berni, ... disse...

e quantos erros de ortografia, regência etc. apareceram???
DdAB

Sílvio e Ana disse...

A exposição ao macarrão dificulta a volta ao feijão.
(Sílvio)

... DdAB - Duilio de Avila Berni, ... disse...

belo poema, o que leio.
é que com muita barriga
levo-me a fazer intriga
e sentir-me muito feio.
DdAB