quinta-feira, 5 de março de 2015

Sociedade Pós-Industrial e Nacionalismo Antediluviano


Querido diário:

Quem faz o navio? Claro que a indústria naval, a indústria de material de transporte. A mesma que faz automóveis e tratores. No Brasil, a negadinha preferiu automóveis, o que implicou um atraso de no mínimo 50 anos para sua modernização. Claro que os tratores poderiam ter sido importados, da mesma forma que os automóveis. O que aconteceu é que a ladroagem da política criou incentivos de tal monta (isto é, preços relativos escabeladamente favoráveis) que passou-se a produzir tanto automóvel no Brasil que nem te conto.

E se tivessem criado os mesmos incentivos para tratores, dando direito a cada trator de cultivar propriedades de, digamos, mais de 100 ha? Teríamos, a cabresto (linkages, meu chapa) mais desdobramentos da indústria do material de transporte, serviços às empresas na manutenção dos tratores, tornearia e metalurgia de algumas peças, e por aí vai. Mas não, o Brasil tinha que industrializar, porque os países centrais assim fizeram.

O custo de oportunidade, bem sei, e descobri ao estudar para o trabalho que referencio no P.S. é o desamparo da infância, a falta de poder judiciário, essas coisas. A rigor, bens públicos e bens meritórios. E daí? Esta é a sociedade pós-industrial: trator não produz engenheiro, mas engenheiro produz trator. A pós-indústria é educação para todos, educação de qualidade, humanização, produtividade, capital humano! O passado é pensarmos em produzir automóveis sem tratores, produzir chips de alta tecnologia no país dos meninos de barriga dágua. E não se gerar valor adicionado nem na produção dos navios nem nos fretes de nossas riquezas.

O Brasil tem uma estonteante vantagem comparativa na produção de alimentos e minérios (setor primário, indústria extrativa mineral e agro-indústria). E poderia ter também, se tivesse educação, vantagens na condução de navios, navios de gente e de carga.

A pergunta é: "que tipo de maldição apossou-se dos economistas conselheiros dos governantes que insistem que o financiamento governamental deve alcançar os capitalistas made in Brazil e não os kids made at this very place.

DdAB
Imagem: aqui.
P.S. .a. versão alongada:http://www.americaconsultoria.com.br/site/arquivos/280412_074528primario_contemporaneo.pdf 

.b. versão resumida:

http://www.americaconsultoria.com.br/site/arquivos/280412_075633duilio_e_joal.pdf

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