10 agosto, 2013

Hai-Kai n.30

Querido Diário:
Disse Millôr:

MEU SONHO É MIXO;
TER A FELICIDADE
QUE OUTROS PÕEM NO LIXO.

E diz o Planeta 23 nesta véspera de dia dos pais:

Que os outros põem no lixo?
Sua viva felicidade?
Ou é quando viram bicho?

DdAB
Imagem: pedi ao Google Images o seguinte: "Hai-Kai n.30", ou seja, o título da postagem de hoje, que ainda não existia. Ele, Google, respondeu com o site a que vocês chegarão se clicarem aqui. É um blog ultra-interessante e que homenageia Millôr de várias formas e conteúdos! Sob a imagem que nos encima, vemos o seguinte hai-kai e pedido de vênia para a publicação:
É meu conforto
Da vida só me tiram...
Morto.
Bem vimos na postagem do dia 7/ago/2013 que este é o hai-kai 29 do livro que tenho usado (Coleção L&PM Pocket, 27).

08 agosto, 2013

Valor e Previdência

Querido diário:
Já voltei ao tema algumas vezes: odeio quando ouço/leio os rapazes que consideram que temos um problema muito sério com o déficit do INSS em pagamento de pensões e aposentadorias. Eles têm uma visão excessivamente fiscalista, achando que, na sociedade ideal, o débito é obrigatoriamente igual ao crédito. Explico-me, de acordo com o princípio das partidas dobradas, claro que o débito é igual ao crédito. Mas, de acordo com a teoria do valor que eu esposo, "o valor adicionado é adicionado pela sociedade". Em parte da parcela, isto significa meu descontentamento com uma visão estreita da teoria do valor trabalho. Em boa medida, parece óbvio que existe apenas uma fonte do valor: o trabalho, claro. Mas, se não fosse a vida societária, não haveria valor nenhum, não haveria preços das mercadorias, não haveria qualquer sentido em falarmos em trabalho assalariado, capital, essas coisas todas.

Pois no outro dia, dei-me conta de mais aspecto que nunca referira. Se é mesmo que a sociedade é que gera o valor e, com os preços de 2012, o PIB per capita era de US$ 3,72 mil em 1965 e passou a US$ 11, 61 mil em 2012, é óbvio que cada brasileiro adiciona mais US$ 7,89 mil do que seu co-patriota de 1965. Jovens e velhos, trabalhadores e sinecuristas, filósofos e presidiários, todo mundo tem sua forma de elevar o valor adicionado per capita, uns gerando-o, outros dele apropriando-se e transferindo às instituições que irão absorvê-lo.

DdAB
Fonte da imagem: aqui. Simplesmente um blog maravilhoso.

Nota de abertura da tabela do IPEA de onde tirei estes dados:
PIB per capita (preços 2012)
Frequência: Anual de 1900 até 2012
Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
Unidade: US$ de 2012 (mil)
Comentário: Elaboração IPEA. Série estimada utilizando-se o PIB preços de 2010, a taxa de câmbio real (R$) por dólar americano (US$) comercial (venda) - média de 2010 e a população residente em primeiro de julho. Para 2010: resultados preliminares estimados a partir das Contas Nacionais Trimestrais - Referência 2000.
Atualizado em: 26/03/2013.

07 agosto, 2013

Hai-Kai n.29

Querido diário:

Disse Millôr:

É MEU CONFORTO
DA VIDA SÓ ME TIRAM
MORTO.

Só me tiram morto
Deste punhado de terra
Ou se me pegam absorto.

DdAB
P.S.: tecnicamente é uma trova esdrúxula, não é mesmo?
Imagem: daqui.

04 agosto, 2013

Consumidores e Sequestrados

Querido diário:
Há pouco menos de 30 anos, quando ainda se escrevia "seqüestrados" (não mais, felizmente, pelos militares), a Editora Abril lançou a coleção "Os Economistas", com obras clássicas das maiores legendas do panteão econômico. Assim que vi a propaganda do primeiro número (se a memória não falha, era o "Princípios de Economia", de Alfred Marshall, na velha tradução de Rômulo de Almeida), pensei: qual é a fração de meu orçamento que esta editora vai apropriar-se de agora em diante por quatro anos? Era pouco, claro, mas não era nula. E talvez eu tenha cumprido 100% essa meta, ou seja, adquirido todas as 50 obras (e, se não falha a memória, há alguns que até hoje não li...).

Em outras palavras, houve uma fração de minha renda que foi "sequestrada" pela Editora Abril. Hoje, ao usar meu quase indefectível protetor solar Sundown ("abaixo o sol", na tradução da turma excessivamente branquela), também pensei: A Johnson & Johnson também sequestrou uns R$ 60 por bimestre ou trimestre de minha renda, pois não abro mão dele. Prefiro-o a qualquer dos concorrentes.

Claro que "sequestro" de meu rico dinheirinho nem se compara com o verdadeiro sequestro que me impinge o governo ao cobrar impostos indiretos líquidos de subsídios sobre livros, remédios, alimentos, e tantas outras mercadorias que deveriam ter alíquota zero. Como sou favorável a alíquotas positivas apenas para bens de demérito, como o automóvel, o cigarro e a cachaça, só posso concluir num tom dominical: só bebendo!

DdAB
Achei que esta imagem daqui associa adequadamente os dois itens essenciais da postagem de hoje: Alfred Marshall e bloqueador Sundown, com certo exagero...

03 agosto, 2013

Necessita-se de Manifestações

Querido diário:
Não manjo tanto de português, como o faz nosso Ci vedo dove sono (aqui), ainda que bem saiba que "vendem-se flores" é uma coisa e "precisa-se de escravos" é outra. Pois bem. Há dois arranjos escabelados que li hoje.

O primeiro é a iniciativa do senador Paulo Paim (de quem não duvido mais nada) querendo tornar a pesquisa histórica monopólio de pessoas que façam um curso de graduação numa universidade aprovada pelo governo. Diz o jornal. Eu não acreditei, especialmente depois que houve aquela decisão do supremo tribunal (juízes a modestos R$ 30 mil?) sobre os jornalistas: qualquer pessoa que queira "mexer" com notícias deve ser considerada jornalista. Eu, por exemplo. Por que diabos de razão dever-me-ia ser negado o direito, por exemplo, de possuir uma TV? Só o poder econômico.

O segundo, vi-o ao examinar a revista do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sul. Identificam a revista os seguintes dados: Ano 44, n. 3/2013, julho 2013, p.26-7. Então o CD (cirurgião dentista) Bernardo Fróes Godolphim, credenciado como Presidente da Comissão de Convênios e Credenciamentos do CRO/RS, tem um artigo cujo título é "Operar Cartão de Desconto é crime; eles representam risco assistencial grave.". Claro que a primeira coisa que me passou à cabeça foi a iniciativa igualmente heroica do senador Paim. Pensei: que crime haveria em eu dispor de um cartão que me garanta descontos? Achei que o primeiro parágrafo serve para deixar o tema completamente estropiado, pois até hoje sigo apenas pensando que gosto de descontos e que me desgostam fraudes de vendedores de cartões fraudulentos:

Os cartões de descontos são meros intermediários dos serviços a serem prestados. Eles atuam sem qualquer compromisso solidário de qualidade ou responsabilidade civil, e são uma afronta [às] normas dispostas no Código de Defesa do Consumidor, uma vez que não oferecem garantia à população que contrata os serviços disponibilizados.

Em outras palavras, li o restante do artigo e não consegui atinar em que é mesmo o diabo do cartão de desconto. E concluo olimpicamente que precisamos de novas manifestações, a fim de acabar com este corporativismo que grassa hoje no Brasil. Se alguma proteção uma sociedade deve dar a seus integrantes certamente é a atenção aos desvalidos. E isto se faz com três medidas:
A. lado da despesa pública
.a. gasto público universal
.b. renda básica universal.
B. lado da receita pública: imposto de renda progressivo.

E por que não temos isto no Brasil contemporâneo? Eu diria que, basicamente, é porque a população escolhe políticos do tipo "lemmons". E o faz porque os lemmons são sabidos e nada fazem sobre este ABC da sociedade igualitária.
DdAB
P.S. a imagem é daqui. E deixa-nos pensando quem foi o criminoso que sacou a foto, se é que não era formado em história. E se o dentista não se estaria apenas vingando do indigitado paciente, que não teria usado o cartão de desconto aprovado pelo conselho dos odontologistas do rio grande do sul.

02 agosto, 2013

Notícia Devastadora: mais besteirol

Querido diário:
Tenho razões para crer que um número expressivo de meus leitores exibe especial predileção pelas postagens que chamo de "Besteirol". Hoje quero registrar outro, muito importante, ainda que devastador. É que eu me proponho a fazer no blog "postagens diárias ou quase". Pois bem, ocorre que a partir de hoje faltam cerca de 150 dias para o ano acabar. Se eu postar em dois a cada três dias, ainda assim, não chegarei ao número de postagens que fiz no primeiro ano cheio do blog, que foi 2009. Sem falar no recorde que bati em 2012, com 310 postagens (aqui).

DdAB
Imagem daqui.

01 agosto, 2013

Quem Não Tem Mais Cão...

Querido diário:

Hoje ouvi algo extraordinário, enquanto caminhava nas cercanias da "praça dos quatro poderes" do Rio Grande do Sul (nomeadamente, o clero e sua catedral, o executivo e seu palácio, o legislativo e seu palácio e o judiciário e seu palácio, no wonder os dirigentes ganhem tão bem...).

Disse um velhinho (digamos, 75 anos) a um jovem (digamos, lá seus 35):

Não caminho mais. Agora tenho gato.

Fiquei maravilhado com a qualidade presente (certamente 66 anos) de minha audição. Lembrei-me de Rorty e o camelô (postados aqui). Disse o segundo: a experiência é o espelho da realidade. Mesmo tendo dito isto depois do livro do primeiro, parece que esse inspirou-se neste (eita, língua dolorosa). E mais ainda, fiquei pensando em que tipo de implicação havia: anteriormente, ele caminhava com um cachorro? E que fim teria levado o cão?A filosofia é o espelho da natureza...

DdAB
Imagem aqui.