domingo, 2 de dezembro de 2012

Domingo no IPEA e a Mesoeconomia

Querido diário:
Temos aqui nesta figura duas curvas, a azul delas constou do rodapé da postagem de ontem. A série 1 mostra a plotagem das taxas de crescimento anual do PIB da economia brasileira a cada 30 períodos, desde 1930 até 2011. Ou seja, a ordenada de 1930 é a taxa geométrica observada entre 1900 e 1930, o 1931 pega o 1901 e o 1931, e assim por diante. A série 2 mostra as taxas simples ano a ano, ou seja, o primeiro ponto mostra a razão entre os PIBs de 1930 e 1929.

Ontem assinalei, observando livremente a série azul, que o ápice daquela "parábola" (agora um pouco mais esbatida) de crescimento a cada três décadas superior a 7% ocorreu entre os anos 1972 e 1981. Mas o que preocupa é a séria de taxas de crescimento anual entre 1968 e 1976: apenas o 1975 abaixo de níveis "chineses". Eis as cifras:

1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976
9,8 9,5 10,4 11,3 11,9 14,0 8,2 5,2 10,3

Penso que há um erro por aqui. Meu ou do IPEA. Nunca se falara que o Milagre Brasileiro ocorrera entre 1968 e 1976. Ao contrário, o final oficial era 1972 e eu já observara as cifras deixando claro que a última taxa maiúscula era 1973. Em meu artigo "Industrialização e Duplo Deflacionamento: Reavaliando o Milagre Econômico Brasileiro". Nova Economia. V. 9, n.1, p.9-28, 1999", mostro que existe, bem naquele período do Milagre, uma grande diferença entre o crescimento do PIB e o crescimento da oferta total. Esta última é, como sabemos, usada pelo IBGE (e também pelo Handbook of National Accounts, da ONU). Mas sabe-se lá como aquele 14% de 1973, por exemplo, foi calculado. Um dia precisamos indagar ao IBGE, claro.

Ao pensar mais no gráfico de ontem (linha azul, em outra escala, na figura acima), dei-me conta do que significa meu treinamento enquanto economista ser mais afeito ao ambiente micro-meso e não ao macro. Harrod, Barrod e Ormerod, para mim, tudo é a mesma coisa: crescimento de longo prazo, que não sou especializado nestas coisas. Como tal, para mim, tudo é tão simples: educação muda as instituições que mudam a educação que muda as instituições. E instituições saudáveis garantem ambiente propício à inovação e ao crescimento econômico. Mas tem ainda mais: o próprio investimento, a meu ver, não cresce em resposta à má vontade e ânsia de manter a corrupção por parte dos governantes.

Por fim, se a economia cresce 7,017% ao ano, ela dobra a cada 10 anos. Ou seja, no final de 2022, não terei apenas uma cadeira para sentar e um computador para escrever, mas duas e dois. A casa era de dois quartos? Pois passa a ser de quatro. Ou, se quiser ficar com apenas uma e um, terei outros bens, possivelmente que nem sequer foram inventados as yet. E tá aqui o exercício que, para um rapaz da mesoeconomia, só pode apontar a má vontade das elites, hehehe:


0a 0b 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
20,0 25,0 26,8 28,7 30,8 33,0 35,3 37,9 40,6 43,5 46,6 50,0
80,0 75,0 80,4 86,1 92,3 98,9 106,0 113,6 121,8 130,5 139,9 149,9
100,0 100,0 107,2 114,9 123,1 131,9 141,4 151,5 162,4 174,0 186,5 199,9

Quero dizer: o Brasil de hoje tem a taxa de investimento sobre o PIB da ordem de 20%. Se mudássemos instantaneamente (o presidente do banco central?) para 25% e jogássemos um pacote sobre a construção, a educação, as professorinhas, essas coisas, fazendo essa turma crescer a 7,017% ao ano, mesmo mantendo a taxa de investimento em 25% do PIB (elevada para sempre), chegaríamos no dobro do bem-estar material lá em 2022. Alguém tinha que ir para a cadeia, e não acho que fosse o Planeta 23.
DdAB

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