19 maio, 2026

Caso um tanto Poético sobre uma Vaca



Quatro gurias de Jaguary, todas estudantes de psicologia na PUCRS, tomavam sua cervejinha no mesmo bar que frequento. Eu comemorava a ingesta de um pastel muito maneiro e elas festejavam o julgamento bem-sucedido de seus TCCs. Havia algo de solene entre elas, por volta das 23h00, quando se retiraram, familiarmente tratando-se de "doutoras". Involuntariamente (ou foi de propósito para capturar minha atenção?), uma delas, que pareceu-me chamar-se Ariadne, deixou cair um pedacinho de guardanapo em que se lia: 

   Prá que rezar, Elói, Elói
   Se a vaca funga na cacunda da pantera.

Eu, que tomava meu traçado de trigo velho com um chopps, mas não conseguia me concentrar na conversa da happy hour do pessoal da firma, pensava filosoficamente sobre como é que uma vaca pôde alçar-se à cacunda de uma pantera. Não atinei com respostas adequadas, pois imaginei:

a) um ventão daqueles que faz a vaca ir-se aos ares a aterrizar justo na tal cacunda,
b) um ventão daqueles que faz a pantera sucumbir dentro de um buraco à beira do qual, alegremente, a vaca pastava. Esta, assustada, pensou em fugir pela direita, mas enganou-se e pulou para a esquerda precisamente sobre o lombo da pantera,
c) um ente espacial, só por farra, joga a pantera sob os pés da vaca que, assustada, revoluteia e posta-se precisamente sobre a cacunda do carnívoro,
d) numa sociedade tecnologicamente avançada do futuro, ambas, vaca e pantera, são desmaterializadas de seus patamares num museu e lançadas a 250 mil quilômetros de distância, rematerializando-as na posição que estamos examinando em holograma e
e) nessa sociedade, um guri ganhou de aniversário de 80 anos uma pantera de plástico terconite e inadvertidamente fê-la (!!!) alçar-se sob as quatro patas da ruminante, a qual, surpresa, pôs-se a fungar selvagemente.

Mas, ainda mais ousado, fiquei imaginando se aquele dodecassílabo estaria entrando em um poema de fundo psicológico.

DdAB
Imagem. YouTube, parecendo-me ser um galo na cacunda de uma vaca.

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