terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Amartya Sen e os Austeritários


Querido diário:

O Clube dos Austeritários. Peguei da página de Roberto Rocha no Facebook o link para este maravilhoso artigo de Amartya Sen, com espantosas lições para o Brasil 2016 (e os anos anteriores, mas especialmente o futuro que precisa cerzir-se de maneira inteligente). Se posso expressar tudo em duas linhas, é que o reequilíbrio de uma economia combalida (pela crise de 2008, pela eleição de 2014) pode-se dar com recessão (austeridade) ou com expansão (clube de Dionísio...), ambos induzidos por políticas fiscais (menos ou mais gasto público, mais ou menos tributos) e monetárias (menos dinheiro ou mais dinheiro para a turma) adequadas ao caso. Em ambos os casos a relação dívida pública/PIB pode cair, só que obviamente o charme reside em reduzir esta relação com aumento do denominador. O professor Sen não é milagreiro, logo está supondo um ambiente que tem capacidade ociosa de homens e máquinas.

Seja como for, para desespero de meus familiares (que sempre me tiveram por doido), tenho uma divergência avolumada com o mr. Prêmio Nobél Man. Ele diz um troço que não me agrada: "There can be little doubt that Europe has needed, for quite some time, many serious institutional reforms – from the avoidance of tax evasion and the fixing of more reasonable retiring ages to sensible working hours and the elimination of institutional rigidities, including those in the labour markets."

Sejamos claro: só acho o fim da picada aquela encrenca de querer manter ou aumentar o tempo de exposição do cidadão ao mercado de trabalho e a eliminação das 'institutional rigidities' sobre o 'labour market'. Por isto é que acho que o velhinho cai em contradição aqui: "Another counterproductive ­consequence of the policy of imposed austerity and the resulting joblessness, for Keynesian reasons, has been the loss of productive power – and over time the loss of skill as well – resulting from continued unemployment of the young. The rate of youth unemployment is astonishingly high in many European countries today; more than half the young people in Greece have never experienced having a job."

Eu já falei algumas vezes querer menos exposição: entrada tardia, saída precoce, mais repouso semanal remunerado, menos horas de trabalho por dia, mais dias de férias por ano, mais "licenças-prêmio por tempo de serviço" (anos sabáticos para todos). Isto implica necessariamente que, se forçares a negadinha a trabalhar até os 100 anos de idade, o desemprego dos jovens alcançará a turma até os 50 anos. Um troço destes.

DdAB
Postagem espelhada do Facebook. E o artigo está aqui.

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