quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Governo Mundial e Meio-Ambiente


Querido diário:

Aqui vemos um gráfico da evolução da temperatura do hemisfério Norte, uma boa proxy do que vem acontecendo no hemisfério Sul, dadas as propriedades da bola terráquea.

Sem governo mundial, não tem meio-ambiente. Mas não é um governo mundial qualquer. Ele tem que conceder a renda básica universal, com o quê tranca a expansão demográfica para aquém da capacidade de carga do planeta.

DdAB
P.S. retirei o gráfico do site de Michael Roberts, aquele carinha britânico que editou um livro que contém um capítulo de autoria do prof. Adalmir Marquetti.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Deputados Corruptos e a Justiça Brasileira


Querido diário:

Que mais podemos querer? Um terço do congresso, um negócio bicameral composto por câmara de deputados e por um senado federal? Quase 200 pessoas com um pé na cadeia e "representando o povo ou o território". Cá entre nós...

Quando digo que a impunidade é a mãe do crime, replicam que há milhares de pais.

DdAB
É o jornal O Estado de São Paulo: 1/3 do Congresso eleito em 2018 responde a processos na Justiça; acusações vão desde corrupção e lavagem de dinheiro a assédio sexual.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Jornal de Direita Falando em Esquerda

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Querido diário:

Se bem entendo, repercute nas redes sociais um artigo publicado hoje nos jornais de direita Estadão e O Globo por Luis Fernando Veríssimo. Pois não o vi em Zero Hora, o jornal que frequentemente designo por Zerro Herra, dada sua visão de mundo que reputo de errada e seus erros de todo tipo. Lembro de um dos records em que se iniciava certa matéria falando que um vivente deixou de sê-lo por ter levado uma facada, mais adiante esclarecendo que era um tiro na barriga, algo assim.

Então Luis Fernando Veríssimo deixou Zero Hora? Zerro Herra é que deixou-o? Sei lá, os próximos dias vão responder. Os dias que correm, na verdade, são os primeiros da eleição de Jair Bolsonaro para o cargo de presidente do Brasil, no dizer de Juca Chaves, "bossa nova é ser bom presidente desta terra descoberta por Cabral [...] e depois desfrutar da maravilha de ser o presidente do Brasil." É maravilhoso, né?, especialmente quando fala-se em reforma tão radical que até os poderes conferidos aos militares pelo A.I.5 duvidariam...

E Zerro Herra? Na página 12 tem uma manchete: "Esquerda quer isolar PT no Congresso". Li de baixo para cima e vice-versa e entendi a definição de esquerda: Ciro Gomes. E que diz o jornal que ele diz? "[...] Ciro espera atrair partidos de centro, como PSDB, PPS e até dissidentes do DEM." Diz Ciro [...] O objetivo é ampliar a centro-esquerda. Imagino que o PSDB não vai querer se associar ao PT e, pelo menos a parte mais sadia da sigla, não vai querer se associar ao Bolsonaro - explicou o pedetista em entrevista à Folha de S.Paulo."

Eu mantenho-me filosófico a respeito de tudo isso. Só vendo o que farão mesmo na economia para crer.

DdAB
P.S. Na segunda-feira, dia 5 de novembro deste ano corrente de 2018, a página 6 do caderno principal do carimbadíssimo jornal trás o artigo citado: "Os omissos". Antes tarde do que nunca.

domingo, 28 de outubro de 2018

As Duas Derrotas de Lula

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Querido diário:

Parece óbvio que Lula foi derrotado em certo sentido, mas de outra forma -mais séria-, se ele tivesse sido candidato, seu carisma teria impedido que pobre (ou seja, gente que ganha menos de R$ 2.000 por mês) votasse no vencedor desta eleição malhada.

Parece evidente que deu-se um lawfare há anos contra Lula, especificamente 2016 com aquela decisão de prisão mesmo antes de ter todas as chances de defesa. Assim, o lawfare foi contra Lula, contra a candidatura de Lula, contra novo mandato presidencial de Lula. A tristeza do espetáculo é que o que vemos é tão mais desprezível precisamente por ter partido do poder judiciário, essa excrescência brasileira fornida nos últimos 30 ou 40 anos no mais desatobinado corporativismo cúmplice do poder legislativo, pois o salário de uns é indexado ao salário dos outros.

Mas não basta. Lula também foi derrotado na eleição, naquela estratégia -sabendo-se preso- de não ter iniciado a campanha eleitoral muito antes dos prazos legais. Na linguagem da teoria dos jogos, o superjogo era participar ou não da eleição. Ao decidir participar, obviamente, Lula estava aceitando as regras vigentes. O mínimo que andei querendo dele era que ele tivesse indicado Fernando Haddad lá atrás. Ainda assim, antes disto, eu desejei que ele tivesse ajudado a formar um frente de esquerda liderada por alguém alheio ao PT. Mas nem seria Ciro Gomes, alguém mágico, alguém tipo Renato Janine Ribeiro.

Agora Lula foi derrotado duas vezes. De pirraça, nós também derrubamos o rei das peças brancas!

DdAB
P.S. E aquele cavalo bem equilibrado do tabuleiro lá de cima representa os burros que, investidos da mais aguda falsa consciência, votaram em Jair Bolsonaro.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Apoio Final a Haddad: Bertold Brecht

Querido diário:

Mais um apoio insuspeito a Fernando Haddad para o cargo de presidente do Brasil. Agora, vem-nos da Alemanha: Bertold Brecht (*10.fev.1898; +14.ago.1956). Trata-se do extraordinário poema "Aos que Vão Nascer", com tradução de Geir Campos. Penso tê-lo ouvido recitado numa daquelas peças de teatro político dos anos 1960 e também mantido contato com essa tradução publicada na Revista Civilização Brasileira daqueles tempos.

Aos que Vão Nascer
(Bertold Brecht)
I
Realmente, eu vivo num tempo sombrio.
A inocente palavra é um despropósito. Uma fronte sem ruga
denota insensibilidade. Quem está rindo
é só porque não recebeu ainda
a notícia terrível.

Que tempo é este em que
uma conversa sobre árvores chega a ser falta,
pois implica silenciar sobre tantos crimes?
Esse que vai cruzando a rua, calmamente,
então já não está ao alcance dos amigos
necessitados?

É verdade: ainda ganho o meu sustento.
Porém, acreditai-me: é puro acaso. Nada
do que faço me dá direito a isso, de comer a fartar-me.
Por acaso me poupam. (Se minha sorte acaba,
estou perdido.)

Dizem-me: – Vai comendo e vai bebendo! Alegra-te com o que tens!
Mas como hei de comer e beber, se
o que eu como é tirado a quem tem fome, e
meu copo d’água falta a quem tem sede?
Contudo eu como e bebo.

Eu bem gostaria de ser um sábio.
Nos velhos livros consta o que é sabedoria:
manter-se longe das lidas do mundo e o tempo breve
deixar correr sem medo.
Também saber passar sem violência,
pagar o mal com o bem,
os próprios desejos não realizar e sim esquecer,
conta-se como sabedoria.
Não posso nada disso:
realmente, eu vivo num tempo sombrio!

II
Às cidades cheguei em tempo de desordem,
com a fome imperando.
Junto aos homens cheguei em tempo de tumulto
e me rebelei com eles.
Assim passou-se o tempo
que sobre a terra me foi concedido.

Minha comida mastiguei entre refregas.
Para dormir deitei-me entre assassinos.
O amor eu exercia sem cuidado
e olhava sem paciência a natureza.
Assim passou-se o tempo
que sobre a terra me foi concedido.

As ruas do meu tempo iam dar no atoleiro.
A fala denunciava-me ao carrasco.
Bem pouco podia eu, mas os mandões
sem mim sentiam-se mais garantidos, eu esperava.
Assim passou-se o tempo
que sobre a terra me foi concedido.

Minguadas eram as forças. E a meta
ficava a grande distância;
claramente visível, conquanto para mim
difícil de alcançar.
Assim passou-se o tempo
que sobre a terra me foi concedido.

III
Vós, que vireis na crista da maré
em que nos afogamos,
pensai,
quando falardes em nossas fraquezas,
também no tempo sombrio
a que escapastes.

Vínhamos nós então mudando de país mais do que de sapatos,
em meio às lutas de classes, desesperados,
enquanto apenas injustiça havia e revolta nenhuma.

E entretanto sabíamos:
também o ódio à baixeza
endurece as feições,
também a raiva contra a injustiça
torna mais rouca a voz. Ah, e nós,
que pretendíamos preparar o terreno para a amizade,
nem bons amigos nós mesmos pudemos ser.
Mas vós, quando chegar a ocasião
de ser o homem um parceiro para o homem,
pensai em nós
com simpatia.


Não fica óbvio que Brecht também apoia Haddad?

DdAB

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Também Drummond Apoia Haddad

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Querido diário:

Carlos Drummond de Andrade (*31.out.1902; +17.ago.1987) escreveu tantos poemas que a gente até fica espantada com a coerência poética e política. Entre as mensagens que venho recebendo de apoio à candidatura que protagoniza a maior onda vermelha de todos os tempos, nomeadamente, a de Fernando Haddad à presidência da república do Brasil, destaca-se a que hoje vemos. O maior poeta. Mas não é apenas ele. Lá no P.S. vemos outro poema dele, desta vez, transmitido por Manoela d'Ávila, a candidata a vice-presidente, transmitido, repito, por ela a Luiz Inácio Lula da Silva. Por ora temos aqueles versos que me fazem rir e chorar: a canção que faça acordar os homens (os dorminhocos que já elegeram Jânio Quadros, Fernando Collor e votaram expressivamente em Aécio Neves) e adormecer a criançada, esses milhões de meninos de rua, cujo sono sempre tem sobressaltos, dado o ambiente aziago em que entram em vigília.

Canção Amiga
Carlos Drummond de Andrade

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me veem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

Pois é isto: eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças. Confirma-se a força da onda vermelha.

DdAB
P.S. Diz-se aqui que Manoela d"Ávila recitou o seguinte poema para Lula:

Mãos dadas
Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista pela janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicidas,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Mais Apoios a Haddad: Antonio Callado


Querido diário:

Antônio Callado (*26.jan.1917; +28.jan.1997) foi um grande jornalista e romancista brasileiro. Conheci-o ao ler o romance "Quarup", que virou uma espécie de cult de minha geração lá dos anos finais da década dos 1960s. E depois veio o "Bar Don Juan", agora já mais claramente postado contra a ditadura militar, o que me leva a entender que ele apoia incondicionalmente a candidatura de Fernando Haddad à presidência da república dos estados unidos do brazil.

Pois foi em algum lugar que a memória não retrata que li em alguma entrevista ou matéria sobre o Pantanal Mato-grossense. Conta-nos ele que descia de barco um afluente do Rio Paraguay e, all of a sudden, todos viram um jacaré postado à margem do rio, observando o movimento de sobe-desce de canoas e animais de diferentes espécies. Um dos passageiros da canoa que transportava Antônio Callado, mal viu o réptil, puxou de sua espingarda e -mestre em caçadas, pelo que podemos depreender- deu um tiro precisamente na metade do caminho que une os dois olhos do bichinho, matando-o instantaneamente. Callado, estupefato, apenas balbuciou: "Mas o que é isto? Que fizeste, infeliz cidadão?" E relata que o indigitado cidadão disse apenas: "Ué, ele estava olhando pra cá."

Moral da história: dê arma para um animal e ele só pode dar um tiro na cara do outro.

DdAB