domingo, 7 de fevereiro de 2010

Meus discos, meus livros. e vem Van Gogh

querido blog:
como sabemos, estou em férias, como sabemos DSC comentou meu texto de ontem, mistura de ficção com rebeldia e alguma ortodoxia. não estou na beira da praia do Gostoso, nem com a agulha frita na boca. cerveja aqui em Paris? apenas nas brasseries. mas é a terra do vinho rosso, como dizem os da direita (quem olha o mapa sob nosso ponto de vista, os de baixo), os de Berlusconi.

como hoje vou ao Museu do Orsay, achei que podia homenagear DSC e van Gogh com o repouso que ele-ambos recomendam com o casalzinho. sou ainda do "Jeu de Paumme", há 30 anos. mas já fui no Orsay umas duas ou três vezes. ontem voltei a Les Halles, adoro aquela arquitetura, do conjunto propriamente e dos edifícios das cercanias. e da igreja de, se ainda lembro, São Eustáquio. e amanhã irei ao novo museu parisiense: Musée du Quai Branly. esses parisienses!
DdAB
p.s.: sobre grafias e pronúncias. não sei se escrevi certo o "Jeux de Paumme". mas sei que, um dia, andando de metrô, vi um guri claramente "local people" dizer ao pai: "ça y ça, entón vamos a lezale", ou seja, o s do "les" conectou-se com o "ha" de Halles, ao passo que o "s" final do Halles foi comido, como comem os franceses todos os "s" finais, exceto nas palavras "dolce vitta" e "acapulco", que não têm mesmo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ver para crer: a contabilidade é revolucionária

querido blog:
será que alguém que visse um marcianinho lendo Osho, numa praia de São Miguel do Gostoso, usando protetor solar Sundown e tomando coca-cola diet (decaf) iria crer? e será que alguém creria se lhe disséssemos verdades contábeis e requerêssemos que, a partir dela, o discurso deixasse impressões ideológicas para as eleições?

pois tenho razões para crer que é difícil aceitarmos verdades contábeis que vão contra a doutrinação que recebemos desde sempre e em especial desde que fomos alunos dos alunos (dos alunos) dos economistas estruturalistas.

podemos iniciar concedendo-lhes (Prebish e milhões de seguidores) a percepção de que a indústria é a chave da felicidade. o próximo passo é dizermos que o governo, na condição de emanação encarnada do espírito puro, deve promover a felicidade e -ipso facto- deve promover a industrialização. o problema, claro, reside neste passo que derivou-se de uma premissa completamente normativa, uma premissa que não tem qualquer relação contábil de cunho econômico que a sustente. como é que eu iria lá saber se o governo é mesmo a chave da felicidade? tal chave não seria um terreninho de frente para o mar em São Miguel do Gostoso? uma agulhazinha frita com cerveja nas praias da margem esquerda do Beberibe?

por que devemos insurgir-nos contra a idéia de que o governo deve promover a industrialização? na visão que herdei de uma leitura (apressada) que fiz de Osho, a verdadeira chave da felicidade é a mens sana in corpore sano. ou seja, três horas de ginástica por dia, três horas de aula e, de quebra, três horas de trabalho comunitário. em outras palavras, a chave da felicidade é a educação, a felicidade encontra-se na libertação e, como sabemos, a educação é a chave da educação.

e Keynes? e Prebish? e Anibal Pinto? tenho para mim que Anibal Pinto e Maria da Conceição Tavares são os responsáveis pela quebra que meu pensamento teve com o que disse John Maynard Keynes e dele nutriu-se Raúl Prebish. mas levei talvez 30 anos para entender as transições e os enrustimentos de julgamentos de valor. [nota: obviamente julgamentos de valor não carregam nada de errado; quem pode errar é o cientista social que, ao carregar lá seus julgamentos de valor, perdem a capacidade de julgar-lhes as consequências].

todos sabemos e eu vivo repetindo que o valor adicionado é o blim-blim-blim criado pela sociedade, de sorte a avaliar a "produção líquida", ou seja, descontar os insumos do total produzido. [nota: output quer dizer produção e não produto, e aqui os desgarrados latino-americanos podem ter começado a colocar mel na sopa dos keynesianos de primeira hora, como Richard Stone e James Meade]. sigo repetindo que o valor adicionado tem três óticas de cálculo. e podia ter umas 25, 314, sei lá. o fato é que tem três e apenas três. e acho que o mal-entendido é que pensarmos que as três óticas de cálculo do valor adicionado são:
.a. independentes do próprio valor adicionado e
.b. independentes entre si.
pensar .a. é mostrar desconhecimento do primeiro princípio da filosofia: o ser é idêntico a si mesmo: se a ótica P é uma das formas de avaliar o VA, então segue-se que a ótica P é apenas uma das formas de avaliarmos o VA, não é isto?

no caso de .b., a situação é ainda pior. ou seja, quando queremos industrialização, pensamos que "produção" e "produto" são a mesma coisa. e que "produto" coloca a "renda" e a "despesa" na cadeirinha de praia do marcianinho de São Miguel do Gostoso. no outro dia, pensei que a equação da despesa Y = C+I fosse uma burrada de Keynes. rapidamente refiz-me e dei-me conta de que a burrada era minha mesmo: acho que o bom velhinho (se morreu jovem sempre foi jovem?) pensava algo como segue.

quero (diria lá ele, em português) o investimento, que aumenta a capacidade produtiva. investimento é ótica da despesa, então vou deixá-lo flanando solito (diria ele, se -ao invés de estudar em Cambridge-UK- tivesse estudado em Porto Alegre e Paris). e jogar tudo o mais que faz parte da ótica da despesa na letra C.

nada de errado. mas o que o Prof. Marcondes (nome fictício de um imbecil que ainda não aprendeu essa categorização interpretativa...) não entendeu é que, neste caso, devemos entender C como C+G+(X-M). ou seja, a absorção não-investimento. o próximo passo é pensarmos que a economia precisa investir para ser feliz, logo o governo precisa vender petróleo, sal grosso e o que mais seja, com cargos em comissão para políticos e seus sequazes. mas aí entra a turma chamada depreciativamente de input-outputers que não entendeu patavina. eles pensam que aumentar a produção implica necessariamente aumentar o produto.

quando ocorre o milagre de aumento da produção conduzir a aumento do produto (por exemplo, não houve incêndio nem terremoto), o que aconteceu não foi bem isto. o que foi?
.a. o emprego gerou produção
.b. a produção gerou valor adicionado
.c. o valor adicionado foi medido pela ótica do produto, da renda e da despesa e deu o mesmo valorzinho (não pode o produto dar 1.000, a despesa 999 e a renda 1.001, né, meu?).

uma coisa diferente é eu dizer que posso inventar um blim-blim-blim que diga que
.a. o produto é função dos fatores
.b. a renda é função de atributos humanos, oomo a educação, a inteligência emocional, a nutrição e seja lá que mais, além de baixarias como o gênero e a cor da pele.
.c. a despesa é função dos preços, da renda (mais rigorosamente, da receita, pois -como sabemos- sou aposentado e gasto em viagens internacionais) e de outros blim-blim-blins. por exemplo, de haver expediente no turno, como sei que Paris não me permitirá consumir na segunda-feira-matin, pois o comércio não abre.
não há nada de errado este tipo de modelagem; é o mesmo que dizer que, por exemplo, y é o número de cáries e x é a ingesta de açúcar e dizer que y=f(x). claro que o mundo não funciona assim, mas não podemos negar que é mais-ou-menos assim.

a verdade verídica, já disse várias vezes, é a seguinte: se a demanda final aumenta em $1, então o modelo de Leontief (que sabia contabilidade) te leva a achar um aumento de $1 no produto e outros (outros, no sentido de que ainda eram os mesmos, né?) $ 1 na renda. então por que colocar mais dinheirinho do Tesouro Nacional na produção de gasolina e não de escolas? acho que é porque ser diretor de escola paga menos do que ser gerente de posto de gasolina. e ser político que nomeia para diretor da Petrobrás tem mais poder do que político que nomeia para diretor de escola, compreendeu?

e se a negadinha gastasse em educação? a primeira consequência é que o valor adicionado cresceria da mesma forma que o faria na hipótese de que o gasto viesse a encaminhar-se à gasolina. e os cargos em comissão? estes começariam a tornar-se lugar comum, pois haveria abundância de gente educada, cairia o voto obrigatório, essas coisas. e a matriz de insumo-produto?

claro que gastar mais em, digamos, produção de gravatas tem menores linkages do que, digamos, automóveis. mas isto estaria apenas dizendo que há mais linkages, que se precisa de mais insumos por unidade de produto para gerar um automóvel do que uma gravata. mas segue a lógica do $1=$1=$1: o produto de uma gravata é igual à renda de um automóvel (e à despesa com esmolas) por unidade de produção.

o que eu lamento é que tem neguinho que é contra esmolas e a favor de cargos em comissão na Petrobrás para salvar o Brasil. e que um deles vai empalmar a presidência da república depois de Lula. e que a Petrobrás vai seguir dando cargos em comissão, que o voto seguirá sendo obrigatório, que não teremos orçamento (menos ainda sua universalização), essas coisas.

e que, como tal, o orçamento não vai ajudar a orientação da alocação dos recursos públicos na provisão de bens públicos e meritórios. eu disse "provisão" e não "produção". mas agora disse "produção" e não "produto", "renda" ou "despesa". essas coisas.

fazer um porta-aviões é bom. mas dar dinheiro para uma velhinha de São Miguel do Gostoso que -otherwise- não poderia manter-se equilibrada por 40, 60 ou 80 anos é uma baixaria inominável. e os linkages da velhinha, cedo ou tarde, levam ao porta-aviões. isto ensinaram-nos os pensadores pré-fisiocratas, os fisiocratas e todos os pensadores pós-fisiocratas. todos? não, não foram todos. essas coisas...

DdAB
p.s. podemos ver que não estou falando do Mar Adriático, pois encontro-me a menos de 1km de distância do Arroio Sena, este serpenteante curso dágua que atravessa Paris.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Multiplicação, evolução, crítica e superação

querido blog:
aparentemente hoje entrarei em férias. se é que já não estava desde que saí do Banco da Lavoura de Minas Gerais, em setembro de 1969. seja como for, fiz muitos "trabalhos" durante todos esses anos. acabei mais um, um que me dá incontáveis alegrias, pois parece que não acaba nunca e volta e meia tenho a sensação de havê-lo liquidado. hoje liquidei novamente.

a simpática imagem de hoje veio em resposta ao pedido ao Mr. Images de "multiplicação". pensei no filme de 1969 ou até antes de título obliterado na bilheteria: "multiplication, that's the name of the game". e falava-se na reprodução animal e vegetal, ou era apenas a animal? eu penso que a entropia é ameaçada pela vida, e vice versa. como tal, penso que não nos devemos amofinar, pois -disse Freud no outro dia- não devemos contestar a ordem unviersal, uma ordem da qual somos caudatários e não podemos pensar (tão cedo) em mudar.

seja como for, pensei que a prima sofisticada da função linear (e suas afins, diria SdS) é a função potência. nesta linha é que o Prof. Cobb deu as dicas ao Mr. Douglas, a fim de que este obtivesse os expoentes que -segundo Cobb- poderiam estar descrevendo a participação na renda americana de seus trabalhadores e capitalistas. e depois pensei que as relações multiplicativas (de expoente 1, portanto, mas não apenas elas) são sabidinhas ao deixarem-se anamorfizar logaritmicamente e, como tal, oferecer taxas de crescimento instantâneas ou elasticidades.

[como sabemos, uma função de produção de Cobb-Douglas diz que q = A x K^a x L^b, onde q é a produção (mas ele pensava na renda nacional), A é um parâmetro de escala, K e L são as quantidades físicas dos fatores capital e trabalho e a e b são os parâmetros que, somados, reproduzem a unidade da renda nacional[

claro que este tipo de visão, de modo análogo à superação da função linear pela logarítmica, teve seus dias contados. o famoso SMAC (Solow, Minhas, Arrow e Chenery) inventou a função CES, que dá um passo adiante na generalização da linha reta e da função potência. de acordoc com minha gramática microeconômica, depois dela, abriram-se as comportas e milhares de outras funções cada vez mais generalistas foram sendo inventadas.. por modéstia, listei apenas 1.000 que eu mesmo inventei, mais a VES ()variable elasticity of substitution) e a transcendental logarítmica, ditto translog.

essas funções vão-se distanciando da simplicidade da reta de x e y, mas têm mais capacidade de capturar leis importantes que regem a entropia e outros blim-blim-blins. tenho sugerido que o conceito central da formalização tentada pelo homem das coisas da natureza é o conceito de média, mas as multiplicativas fogem do conceito de média aritmética (e eu não dissera que o conceito de média requer que ela seja aritmética) e as mais sofisticadas fogem mais ainda.

a questão que não pode ser negligenciada é que, ao usarmos o conceito de média aritmética não-ponderada, temos pelo menos vantagens de que seus estimadores são eficientes, consistentes e não-tendenciosos, o que nos leva, logicamente, a encerrar estes escritos sobre teoria.
DdAB

domingo, 31 de janeiro de 2010

Segundo Dedo Longo

querido blog:
aqui na margem mais ocidental do Mar Adriático fez um domingo às vezes ensolarado. agora chove, mas chove, chove e choverá em todos os lugares deste desabrigado e desabrido planeta. seja como for, parece que as pegadas que andamos plantando por aqui e por ali deixaram algum/s registro/s. no caso, eu queria comentar o significado astronômico e astrológico do segundo dedo do pé.

terei ouvido que a Sra. Nadir (de Tal) estaria fadada a mandar no marido, por ter nascido com dois dedos do pé (ambos), o adjacente e o que lhe é adjacente, mais compridos do que os demais, inclusive o próprio hálux. de minha parte, minha mulher manda em mim, mas faz-me algumas vontades (servidão voluntária?) que embasbacaria as feministas mais combativas e mesmo os homens basbaques. não mais de 20 ou 30 anos atrás, deu-se um diálogo que não posso manter inédito para as ondas mundiais. esparrafachava-me em uma cadeira de praia, com uma sede dos diabos, mais fácil Cristo sair da cruz do que eu levantar-me dali. pedi a minha bonecra:

-trar-me-ias uma estupidamente do congelador?

ao voltar com a geladésima, a Sra. Zenite, nossa convidada para aquele período praiano (no Hemisfério Sul), indagou-lhe:

-por que que tu busca estas coisa para o Negrone? (supondo que a personagem [realíssima] que agora descrevo assim se chamasse).

a boneca disse apenas:

-porque ele pediu.

mesmo sabendo ter colocado tudo a perder, a Sra. Zenith indagou-me:

-e tu, por que que tu pede?

não que eu seja malvado, mas não tive contemplação e respondi um tanto secamente para quem ingeria uma mofada de tão molhada:

-porque ela tráz.
DdAB

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Amar o Grêmio

bom dia, meu amado blog:
tudo bom? esta é uma carta pessoal. quero falar de amor. o marcador, claro, é "Vida Pessoal", mas poderia ser os demais, nomeadamente, "Escritos" e "Economia Política". trata-se de "Escritos" porque não são "Falados", item que não consta de minhas indexações. trata-se de "Economia Política", pois nada há de mais distante da "Política Econômica" do que o que seguirei a escrever.

mulheres gremistas? gremistas petistas que desfraldam bandeiras azuis? gremistas GLS que agitam bandeiras multicores? nunca esquecerei uma reportagem do um tanto obfuscado jornal Zero Hora sobre harmonia das "torcidas", em que um par de garotas, com camisas Gre-Nal, mostravam intensa felicidade em estarem juntas, em amarem clubes diversos, adversários, e se amarem fraternalmente. chamou-me a atenção cada detalhe da foto. o que destaco (e não é o mais importante, apenas é importante para o tema) é que a garota com a camiseta do Grêmio, puxou o tecido com o punho cerrado bem sobre seu coração. amor ao Grêmio, amor à amiga, amor, por que negar?, à idéia do jornal de vê-las harmonizadas.

hoje apenas os gaúchos mais primários, brutos ("um bruto", parece-me ter lido em Graciliano, já não lembro se o rapaz de "Caetés" ou o próprio Paulo Honório (de "S. Bernardo") ou um terceiro, que me fugiria com as preás, a Baleia. e Graça botaria esta última vírgula?), repito, brutos, pensam na rivalidade universal como única alternativa à convivência com o - chavão - coirmão. elas eram coirmãs. e são. e amam seus clubes, e tem lá seus outros amores. ninguém ama apenas um objeto. nem ninguém pensa no objeto amado o tempo inteiro. no outro dia, falei que Freud referia-se a seus - hoje sabemos - algozes como "meus amados charutos". quando li isto, engasguei.

pois bem, a literatura moderna divide-se em contos, fábulas e apólogos, não é isto? bem, talvez não seja tão moderna assim, pois terei aprendido isto lá por 1965... seja como for, o conto fala de gente, a fábula fala de bichos que falam e o apólogo fala de objetos que falam. "Uns braços" é um conto, "O Leão e o Burro" é uma fábula e "A aguia de Haia" é um apólogo (n.b. "aguia" pronuncia-se "agúia" e não "águia".). não é isto?

por isto, somos forçados a concluir que podemos amar coisas, como fez Freud com os charutos, seus milhares de objetos de uso, desde as obras de arte até as camisas e o terno que, se ainda lembro, dos anos magros, era único e ele preciava deitar-se até que a Frau o lavasse e passasse, pois nada mais tinha de roupa. estranho esse velhinho. eu disse "esse" e não "este".

no outro dia, minha cunhada LP falou que fora ao jogo do Grêmio (acompanhada de sua irmã LP), este fora derrotado, em virtude de falhas gritantes do árbitro, do time adversário, da própria "torcida", de tudo e de todos, exceto a falhas do Grêmio itself. eu percebi o sofrimento e indaguei o que a fazia "apoiar" o Grêmio. ela, especialista no tema, disse ser amor. aqui em Pescara, às vésperas de receber CA, pensei em ZP (Zizzi Pozzi) e seu disco: "per amore". ligando Grêmio e charutos, obras completas de Machado e cadeiras de açoita-cavalo, canetinhas stábilo e tapete turco, vejo que amo pilhas de objetos materiais. e não sou materialista: materialista é quem ama a matéria intocada pela mão humana. quem ama um televisor é menos materialista do que quem ama uma cachoeira. quem ama um televisor e desconhece o segredo do fetichismo das mercadorias é porque não leu a seção 4 do capítulo 1 do volume 1 d'O Capital. não falei que tudo tem a ver com "escritos" e "economia política"?
DdAB

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vida de Campo

querido blog:
é brabo a vida de campo. é brabo nadar de poncho. é brabo nadar de poncho e mergulhar de guarda-chuva. água morro abaixo e fogo morro acima: forças inexoráveis. que podes fazer se te antepões a forças inexoráveis? deixa a água correr, deixa o fogo morrer. pode escrever errado para dizer que quem está dizendo são os outros, que diriam errado anyway?

por outro lado, diziam-me: "se eu não me queimo, se tu não te queimas, de onde surgirá a chama?" eu pensei em fazer minha parte, mas sobrevivi. pensei ter-me sentido culpado por ter tido amigos que se foram com a guerrilha. como, parece, ouvi de Zé Kéti, que era arrimo de família, um troço assim, que por estas ou outras sinuosas e pouco bélicas razões, não teria vindo fazer a Campanha da Itália, mas ficara "batendo perna no quartel", que devia ser bem situadinho no Rio de Janeiro.

por outro lado, entendi que os regionalismos são fascinantes e nem todos originam-se de nossos antepassados índios. será que todos sabemos o que é um poncho? e pubar? uma puba, do tupi, é algo fermentado. em particular a mandioca dada para animais atualmente ainda é deixada "a pubar" uns dias antes de ser-lhes servida. a internet Google Images deu-me a imagem acima.

por outro lado, entendi que um menino que circula elipsóidemente (então não circula, não é?) passou a odiar coraçãozinho de galinha servido no espeto, pois soube que o animal que o fazia pulsar já morrera. teve certa repugnância em ver-se envolvido com o cadáver de uma galinha. e lembrou-me -a história- de Albert Schweitzer, que disse ter-se tornado vegetariano, ao perceber que ser onívoro significava comer cadáveres.
DdAB

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Parcimonismo e e Perdularismo


querido blog:
seguem as reflexões sobre meiotas, isto que aqui em Pescara não tem cachaça, ainda que os supermercados estejam recheados de maionese, o que permite nela viajarmos.

mesmo que inventando alguma das palavras do título desta postagem, minhas reflexões sobre meiotas e teoria do meio copo cheio, poliana etc. adaptam-se, facilmente, do que segue. e que teria ouvido de dois meninos de rua, caso os houvesse por aqui. aqui há, já sabemos, trabalhadores precários, vendendo isqueiros, guarda-chuvas e similares.

disse o promeiro sobre o preço de um par de cobertores pura lã Aurora (não mais produzidos):
-499? (que era o preço da vitrine)
respondeu-lhe o outro:
-ah, 400 é um bom preço.
chocado com o critério de arredondamento usado pelo segundo menino de rua, o primeiro disse:
-500, né, meu?

eu disse que não diria nada aproveitável?
DdAB
p.s.: ainda assim, o otimista (cultivado ou natural) teria dito: "falar e rir para a sorte abrir". isto leva logicamente a pensarmos que o Senado Federal é que é um pândego. devia ser fechado.