segunda-feira, 21 de maio de 2018

Estúpidos, Imbecis, Idiotas (sem falar em políticos)


Querido blog:

É sabido que temos mais amigos inteligentes que menos. Mas também há uma plêiade composta por gente próxima que desfruta de pelo menos um dos três graus da debilidade mental que marca o título desta postagem. Eu mesmo, que tento evadir-me das três classificações, volta e meia preciso voltar ao dicionário para relembrar o alcance de cada uma. E hoje em dia sempre recorro ao dicio.com.br. E, quando este falha ou não me satisfaz, corro à Wikipedia. Então aqui vai em tipo normal o Dicio e em itálico + negrito a Wiki.

Estúpido - desprovido de inteligência; que expressa estupidez, ignorância: tarefa estúpida; sujeito estúpido; opinião estúpida.Aborrecido; que provoca tédio: filme estúpido. A estupidez é a qualidade ou condição de ser estúpido, ou a falta de inteligência, ao contrário de ser meramente ignorante ou inculto. Esta qualidade pode ser atribuída às ações do indivíduo, palavras ou crenças. O termo assim também pode se referir ao uso inadequado do juízo, ou insensibilidade a nuanças por uma pessoa que se julga inteligente.

Imbecil - desprovido de inteligência; que é tolo ou idiota [epa!]. Que expressa imbecilidade; que não tem sentido; banal. Imbecilidade é, na psiquiatria, o grau intermediário da tríade oligofrênica. Imbecilidade é um termo em desuso especialmente pela conotação ofensiva que adquiriu e vem sendo substituído por deficiência intelectual de grau moderado.

Idiota - pessoa sem inteligência, discernimento ou bom senso; ignorante.Quem diz tolices ou coisas sem nexo; tolo, estúpido.Quem é muito pretensioso ou demonstra uma vaidade excessiva; vaidoso. uma forma grave de dano cerebral que deixa o indivíduo com comportamentos equivalentes a o de uma criança com dois anos (idade mental), situando-se na escala de Q.I. com valores iguais ou inferiores a 20. [Já estamos no mundo da oligofrenia, também adjetivação que lembra certas posições de certas pessoas em certas discussões].

Pois li agora e não gostei. Parece haver uma hierarquia entre eles. Não lembro bem a ordem. Aqui vemos sinônimos entre uns e outros. Parece que meu velho Webster (de quem estou afastado por razões nobres) é que tem as respostas da melhor qualidade. O mais amargo da debilidade mental, especialmente os imbecis, é aquela adquirida, digamos, por excesso de inteligência (?), por desrespeito à opinião alheia, por incidir em vários estratagemas de Schopenhauer. No estratagema 8, no 27, no 30, no 32 e o último, o n. 38, de que andei sendo vítima nas eruditas redes sociais. E fiquei imaginando se a macacada do título indaga se Chopp En'hauer será mais uma das marcas do novo e festejado chope caseiro criado em 2018.

DdAB
O que segue foi recolhido daqui. Trata-se de um lindo resumo divulgado por Gloria Tellez (Mestre em Ciências Sociais pela UFBA/UESC, e Licenciada em Sociologia pela Universidade de Habana. Tem Certificação Internacional em Coaching, pela Lambent do Brasil e em Psicanálise pelo Psychoanalytic Center of California.)

Em “A Arte de Ter Razão”, Schopenhauer traçou 38 estratagemas para vencer qualquer discussão, mesmo quando se está errado. Nelas descreve estratégias para defender suas crenças, ridicularizar seus rivais e manipular as pessoas. São técnicas que têm efeito de curto prazo, uma vez que você consegue o seu objetivo no momento (convencer alguém a fazer/aceitar algo que não deseja) mas algum tempo depois, a vitória pode se voltar contra nós, quando a pessoa descobrir que foi manipulada. Achei na net este ótimo resumo dos 38 estratagemas. Conheça-os para se proteger daqueles que fazem uso deles.
Nº 1. Leve a proposição do seu oponente além dos seus limites naturais; exagere-a. Quanto mais geral a declaração do seu oponente se torna, mais objeções você pode encontrar contra ela. Quanto mais restritas as suas próprias proposições permanecem, mais fáceis elas são de defender.
Nº 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para refutar a argumentação dele. Exemplo: a pessoa A diz: “Você não entende os mistérios da filosofia de Kant”. A pessoa B replica: “Ah, se é de mistérios que estamos falando, não tenho como participar dessa conversa”.
Nº 3. Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito.
Nº 4. Oculte a sua conclusão do seu oponente até o último momento. Semeie suas premissas aqui e ali durante a conversa. Faça com que o seu oponente concorde com elas em nenhuma ordem definida. Por essa rota oblíqua você oculta o seu objetivo até que tenha obtido do oponente todas as admissões necessárias para atingir o seu objetivo.
Nº 5. Use as crenças do seu oponente contra ele. Se o seu oponente recusa-se a aceitar as suas premissas, use as próprias premissas dele em seu favor. Por exemplo, se o seu oponente é membro de uma organização ou seita religiosa a que você não pertence, você pode empregar as opiniões declaradas desse grupo contra o oponente.
Nº 6. Deixe a questão confusa mudando as palavras do seu oponente ou aquilo que ele está procurando provar. Chame uma coisa por um nome diferente: diga “boa reputação” ao invés de “honra”, “virtude” ao invés de “virgindade”, “animais de sangue quente” ao invés de “vertebrados”.
Nº 7. Declare a sua proposição e demonstre a verdade dela fazendo ao oponente uma longa lista de perguntas. Fazendo muitas perguntas abrangentes ao mesmo tempo, você pode ocultar aquilo que está tentando fazer com que o seu oponente admita. Você em seguida avança o argumento a partir de uma admissão do oponente.
Nº 8. Deixe o seu oponente furioso. Uma pessoa enfurecida é menos capaz de usar o seu julgamento ou de perceber onde residem as suas vantagens.
Nº 9. Use as respostas que o seu oponente dá à sua pergunta de modo a alcançar conclusões diferentes ou opostas.
Nº 10. Se o seu oponente responde a todas as suas perguntas negativamente e recusa-se a ceder em qualquer ponto, peça que ele concorde com a versão oposta das suas premissas. Isso pode confundir o seu oponente quanto ao ponto em particular a respeito do qual você está tentando fazer com que ele ceda. Pois a natureza humana é tal que, se “A” e “B” estão refletindo em conjunto, e comunicando as suas opiniões um ao outro a respeito de qualquer assunto, e “A” percebe que os pensamentos de “B” sobre o mesmo assunto não são os mesmos que os seus, ele não começa revisando o seu próprio processo de raciocínio, a fim de descobrir qualquer erro que possa ter cometido, mas pressupõe que o erro tenha ocorrido no raciocínio de “B”.
Nº 11. Se o seu oponente admite a verdade de algumas de suas premissas, abstenha-se de pedir que ele concorde com a sua conclusão. Mais tarde introduza suas conclusões na conversa como coisa resolvida ou admitida por ele. O seu oponente e outros na assistência poderão ser levados a acreditar que foi de fato com a sua conclusão que ele concordou.
Nº 12. Se o argumento move-se para o terreno de idéias gerais que não têm nomes particulares, você deve usar uma linguagem ou metáfora que seja favorável à sua proposição. Exemplo: O que uma pessoa imparcial chamaria de “fé pessoal” ou “opção religiosa” é descrito pelo seu partidário como “santidade” ou “devoção”, e pelo seu oponente como “preconceito” ou “superstição”.
Nº 13. A fim de fazer com que o seu oponente aceite a sua proposição, apresente também uma contra-proposição oposta. Se o contraste for acentuado, seu oponente acabará aceitando a sua proposição para evitar parecer controverso. Exemplo: Se você quer que ele admita que um rapaz deve fazer absolutamente qualquer coisa que o seu pai manda que ele faça, pergunte se o seu adversário acredita que “devemos em tudo desobedecer aos nossos pais”. É como colocar o cinza ao lado do preto e chamá-lo de branco, ou colocar o cinza perto do branco e chamá-lo de preto.
Nº 14. Tente lograr o seu oponente. Se ele respondeu diversas de suas perguntas sem que as respostas inclinem-se em favor da sua conclusão, avance a sua conclusão triunfantemente, mesmo se não procede. Se o seu oponente for tímido ou estúpido, e se você possuir uma grande dose de descaramento e uma boa voz, essa técnica pode funcionar.
Nº 15. Se você quer apresentar uma proposição que é difícil de provar, coloque-a de lado por um momento. Ao invés disso, peça que o seu oponente aceite ou rejeite alguma proposição verdadeira, como se fosse através disso que você fosse extrair a sua prova. Se o seu oponente rejeitá-la suspeitando de alguma armadilha, você obtém o seu triunfo demonstrando o quão absurdo é o seu oponente rejeitar uma proposição que é obviamente verdadeira. Se o seu oponente aceitá-la, a razão permanece com você pelo momento. Você pode então ou tentar demonstrar a sua proposição original ou, como no Nº 14, agir como se a sua proposição original tivesse sido provada pelo que o seu oponente admitiu. Essa técnica requer um grau extremo de descaramento para que funcione, mas a experiência já comprovou inúmeras vezes a sua eficácia. A Controvérsia Dialética é a arte de debater, e debater de modo a sair por cima, quer você esteja certo ou não.
Nº 16. Quando o seu oponente apresenta uma proposição, considere-a inconsistente com as declarações, crenças, ações ou omissões do oponente. Exemplo: Se o seu oponente defende o suicídio, pergunte imediatamente: “Então porque você não se enforca?” Se ele observar que a sua cidade não é um lugar bom para se viver, pergunte: “Então por que você não parte no primeiro avião?”
Nº 17. Se o seu oponente pressioná-lo com uma evidência contrária, você pode com freqüência safar-se defendendo alguma distinção sutil. Tente encontrar algum significado subjacente ou ambigüidade na idéia do seu oponente.
Nº 18. Se o seu oponente abriu uma linha de argumentação que acabará levando inevitavelmente à sua derrota, não permita que ele a leve até a sua conclusão. Interrompa o debate, retire-se imediatamente ou leve o seu oponente a mudar de assunto.
Nº 19. Se o seu oponente desafiá-lo expressamente a apresentar uma objeção a algum ponto definido da sua argumentação e você não tem mais nada a dizer, tente fazer o argumento dele menos específico. Exemplo: Se ele pedir algum motivo pelo qual determinada hipótese não deva ser aceita, fale da falibilidade do conhecimento humano e ilustre com vários exemplos.
Nº 20. Se o seu oponente aceitou todas ou a maior parte das suas premissas, não peça que ele concorde diretamente com a sua conclusão. Ao contrário, exponha a conclusão você mesmo como se ela também tivesse sido admitida. Uma pessoa pode estar objetivamente com a razão, e mesmo assim sair por baixo na opinião dos observadores (e algumas vezes na sua própria opinião). Por exemplo, suponha que eu apresente uma prova para demonstrar uma afirmação minha. Se o meu adversário refutar a prova, dará a impressão de estar refutando também a afirmação – para a qual podem, no entanto, haver outras provas. Nesse caso, é claro, meu adversário e eu trocamos de posição: ele sai por cima quando, na verdade, está errado.
Nº 21. Quando o seu oponente utilizar um argumento superficial e você enxergar essa falsidade, refute-o estabelecendo a natureza superficial desse argumento. Melhor ainda é rebater o oponente com um contra-argumento tão superficial quanto o dele, só para vencê-lo – afinal de contas é em ganhar que você está interessado, não na verdade. Exemplo: Se o seu oponente apelar para o preconceito, para a emoção ou para ataques pessoais, devolva o ataque na mesma moeda.
Nº 22. Se o seu oponente pedir que você admita alguma coisa a partir da qual o ponto em discussão pode ser concluído, recuse-se a fazê-lo, declarando que ele incorre em petição de princípio.
Nº 23. Contradição e contenciosidade irritam a pessoa de modo a fazê-la exagerar suas declarações. Contradizer o seu oponente pode levá-lo a estender a sua declaração além dos limites, e quando você contradiz essa manifestação exagerada parece estar refutando a declaração original. Do modo correspondente, se o seu oponente tentar estender a sua própria declaração mais do que você tencionou, redefina os limites da sua declaração e afirme: “foi isso que eu disse, e não mais do que isso”.
Nº 24. Recorra a um falso silogismo (Silogismo: A=B e B=C, então A=C). Seu oponente faz uma declaração, e você por falsa inferência e distorção das idéias dele extrai à força proposições não-tencionadas e absurdas da afirmação original. Fica parecendo assim que a proposição do seu oponente trouxe à luz essas inconsistências, restando a impressão de que ela mesma foi indiretamente refutada.
Nº 25. Se o seu oponente está fazendo uma generalização, encontre uma instância que demonstre o contrário. Basta uma contradição válida para derrubar a proposição do seu oponente. Exemplo: “Todos os ruminantes tem chifres” é generalização que pode ser subvertida pela instância única do camelo.
Nº 26. Uma manobra brilhante é virar a mesa e utilizar os argumentos do seu oponente contra ele mesmo. Exemplo: Seu oponente declara: “fulano é ainda uma criança, você deve fazer-lhe uma concessão”. Você retruca: “justamente porque ele é criança devo corrigi-lo, caso contrário ele persistirá em seus maus hábitos”.
Nº 27. Se o seu oponente surpreender você ficando particularmente indignado diante de um argumento seu, insista nesse argumento com ainda maior zelo. Isso não apenas deixará o seu oponente furioso, mas vai deixar a impressão de que você tocou um ponto frágil na argumentação dele, e de que seu oponente está mais suscetível a um ataque no que diz respeito a esse ponto do que você esperava.
Nº 28. Quando a audiência consistir de indivíduos (ou uma pessoa) que não sejam autoridade no assunto, você pode levantar uma objeção inválida e o seu oponente parecerá ter sido derrotado aos olhos da sua audiência. Esta estratégia é particularmente efetiva quando a sua objeção faz o seu oponente parecer ridículo, ou quando a audiência ri. Se o seu oponente tiver de fazer uma longa, prolixa e complicada explicação para corrigi-lo, a audiência não estará disposta a ouvi-lo.
Nº 29. Se você perceber que está sendo vencido na argumentação, crie uma diversão – isto é, comece de repente a falar sobre outra coisa, como se isso tivesse importância na matéria em questão. Isso pode ser feito sem medo se a diversão mostrar ter alguma relação mesmo que genérica com a questão.
Nº 30. Apele para a autoridade ao invés de para a razão. Se o seu oponente respeita determinada autoridade ou especialista, cite essa autoridade para avançar o seu argumento. Se necessário, cite o que essa autoridade disse em outro sentido ou circunstância. Autoridades que o seu oponente não chegou a entender são em geral às que ele admira mais. Você pode, se necessário, não apenas distorcer as autoridades citadas em seu favor, mas também falsificá-las, citando algo inteiramente inventado por você. Falam sem pensar, e mesmo que depois percebam que estão errados, querem parecer o contrário. O interesse da verdade dá lugar aos interesses da vaidade: assim, por causa da vaidade, o que é verdadeiro deve parecer falso, e o falso verdadeiro.
Nº 31. Se sabe não ter uma resposta para os argumentos apresentados pelo seu oponente, você pode num golpe de ironia declarar-se um juiz incompetente. Exemplo: “O que você diz ultrapassa os meus pobres poderes de compreensão. Pode muito bem ser verdade, mas não sou capaz de entender, por isso abstenho-me de expressar qualquer opinião sobre o assunto”. Desta maneira você insinua à sua audiência, diante da qual permanece com uma boa imagem, de que o que seu oponente está dizendo é um contra-senso.
Nº 32. Um método rápido de livrar-se da declaração de um oponente, ou de colocá-la sob suspeita, é classificá-la debaixo de uma categoria odiosa. Exemplo: Você pode dizer: “Isso é fascismo”, ou “ateísmo”, ou “nazismo”, ou “superstição”. Fazendo essa objeção você está pressupondo tacitamente que: 1) a declaração em questão é idêntica à categoria mencionada ou está pelo menos contida nela; e 2) o sistema mencionado foi inteiramente rejeitado pela presente audiência.
Nº 33. Admita as premissas do seu oponente mas negue a sua conclusão. Exemplo: “Isso é muito bom na teoria, mas na prática não funciona”.
Nº 34. Se você apresenta uma pergunta ou um argumento e seu oponente não lhe dá uma resposta direta, contorna-os com outra pergunta ou tenta mudar de assunto, é sinal claro de que você atingiu um ponto fraco, por vezes de forma não intencional. Você, por assim dizer, reduziu seu oponente ao silêncio. Insista, portanto, ainda mais no ponto em questão, e não deixe que seu oponente o evite, mesmo quando você não sabe ainda em que consiste a fraqueza que acaba de descobrir. Ao seguirmos estas regras com esta finalidade, não devemos nos preocupar em qualquer sentido com a verdade objetiva, porque normalmente não sabemos onde está a verdade.
Nº 35. Ao invés de concentrar-se no intelecto do seu oponente ou no rigor de seus argumentos, concentre-se nos motivos dele. Se você conseguir fazer com que a opinião do seu oponente, caso se mostre verdadeira, pareça distintamente prejudicial ao seu próprio interesse, ele a abandonará imediatamente. Exemplo: Um clérigo está defendendo algum dogma filosófico. Demonstre que sua proposição contradiz alguma doutrina fundamental da sua igreja, e ele se verá forçado a abandonar o argumento.
Nº 36. Você pode também confundir e desconcertar seu oponente através de grandiloqüência pura e simples. Se seu adversário é fraco ou se não deseja aparentar não ter idéia sobre o que está falando, você pode impor facilmente sobre ele algum argumento que pareça profundo e erudito, ou soe como inquestionável.
Nº 37. Se seu oponente estiver certo mas, felizmente para você, apresentar uma prova deficiente, você pode com facilidade refutar a prova e em seguida alegar que refutou a posição inteira. É dessa forma que maus advogados perdem boas causas. Se seu oponente for incapaz de produzir uma prova irrefutável, você ganhou o dia.
Nº 38. Parta para o ataque pessoal, insultando grosseiramente, tão logo perceba que seu oponente está com a vantagem. Partindo para o ataque pessoal você abandona o assunto por completo, passando a concentrar o seu ataque na pessoa, fazendo uso de observações ofensivas e malevolentes. Esta é uma técnica muito popular, porque requer pouca habilidade para ser colocada em prática.
abcz

sábado, 19 de maio de 2018

Modelos Preditivos e Falta de Vergonha na Cara


Querido blog:

Dias atrás, vi duas fotos nas redes sociais e decidi reuni-las no que nos antecede. Primeiro era a revista IstoÉ, um lixo nacional que abandonei há muito tempo e que, para certificar-me de que não faliu, dou uma olhada nos consultórios médicos que, episodicamente, frequento. Segundo era a Míriam Leitão, comentarista da Rede Globo, parece que economista, sei lá. Fala sobre economia.

A figura que engendrei fala que IstoÉ está no clube dos que não acertam uma... Ou seja, só previsão errada. No caso, vemos o engajamento da revista na escolha de péssimos palpites para a sagração de um candidato de direita para as próximas eleições presidenciais. Da baixaria de vermos "a ofensiva de Aécio", o que podemos lembrar é aquela gravação em que, consciente de completa impunidade, ele discutia subornos e assassinatos. Quer dizer, se formos depender da IstoÉ para ungirmos um bom candidato a quebrar o imbroglio institucional que toma conta do Brasil, estamos -como se diz por aqui- mal-entaipados.

E a Míriam Leitão, prevendo sucesso no programa econômico da Argentina, sob a égide da "macroeconomia neoliberal", também nos deixa desconfortáveis, pois deu tudo errado. E mesmo no Brasil, que tem alguma semelhança ideológica e orloffiana com os vizinhos, parece que o abalo local e mundial vai mostrar que essa mesmíssima macroeconomia é um fracasso.

Falei sobre a falta de vergonha, mas pode ser exagero meu, pois é bem possível que os capistas da IstoÉ ou a própria Míriam nada tenham a ver com o método científico. Se tivessem/tiverem, precisarão cuidar de suas previsões e testar os resultados delas, confrontando-os com o que verdadeiramente aconteceu no mundo. Mas, desolado, reconheço que este tipo de comportamento não é compatível com as ações mesmo de uma plêiade de rematados economistas acadêmicos. Tem gente que não consegue ver que a desigualdade é perniciosa para a sociedade, que não consegue ver que sempre deve indagar-se sobre os reflexos de tais ou quais medidas de política econômica sobre a desigualdade.

DdAB

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Sartori e... Milhares de Outros Defensores de Asssaltos

Resultado de imagem para um milhão de empregos
Querido blog:

Vida mansa é ter uma cozinheira que vem em tua casa, faz gostosuras, lava a louça, essas coisas e vai embora. Pois hoje ela chegou afogueada: foi assaltada. Novamente. Eram pouco mais de 7h00, ela estava na parada de ônibus perto de casa. Dois rapazes, sem máscara, sem nada, andando em uma moto, pegaram tudo de uma turminha de trabalhadores.

Quando em 1994 Olívio Dutra foi candidato a governador do Rio Grande do Sul e perdeu para Antonio Brito, a pessoas de bem que o primeiro criasse um milhão de empregos na Brigada Militar, nossa força pública. Não criou, talvez tenha criado meia dúzia. Anos depois, mais afinado com a nomenklatura, sugeri ao futuro secretário da fazenda de Yeda Crisius (minha professora e colega), o prof. Aod Cunha, que criasse os mesmíssimos um milhão de empregos. Não criou.

É inconcebível que, governo após governo, os problemas permaneçam, roubos de pequenos, médios e grandes. Ladrões de todos os calibres. Uma tragédia, uma vida difícil, populares assaltando populares. Incompetência generalizada hoje e sempre. Não dá para aliviar os governadores, prefeitos e presidentes de esquerda: não dá para aliviar ninguém. Trata-se de um bando de irresponsáveis que não conseguem estabelecer prioridades para aquilo que realmente castiga o povo, ou seja, sua liberdade de sair à rua sem ser assaltado.

DdAB
Aquela foto que colhi do Google Images é uma homenagem à sem-vergonhice nacional epitomada pelo fato de que faltaram R$ 230 milhões para completar as obras da copa do mundo de 2014 na cidade do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que Sérgio Cabral, governador da época, ao invés de pensar no milhão de empregos no sul, afanou -ele mesmo- R$ 220 milhões.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Desindustrialização e Desigualdade

Resultado de imagem para abstracionismo


Querido blog:

O problema com o Brasil contemporâneo não é a desindustrialização, mas a desigualdade. Se apenas voltar a "industrializar" pode ser que a desigualdade fique "apenas" onde sempre esteve! Por contraste, caso o governo comece a gastar onde sempre deveu, é possível que se comece um novo estilo de estrutura econômica em que se formará capital fixo e capital humano: bens públicos e bens de mérito.

DdAB

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Os Intelectuais e a Prática

Querido blog:

Há tempos estou para fazer uma postagem sobre um número da revista Cult, o n.9 ano 21, edição especial de janeiro do ano corrente, especial, pois traz uma coletânea de textos publicados em vários números pretéritos na própria Cult sobre Hannah Arendt. Na página 48, fisguei um trechinho do artigo de Eduardo Jardim, intitulado Tensão entre a teoria e a prática.

[...]
A noção de que a teoria deve servir para uma intervenção transformadora na realidade marcou a compreensão que os cientistas sociais tiveram da sua vocação. Essa convicção se sustentava na aceitação de um dualismo de teoria e prática, presente ao longo da nossa tradição de pensamento, que, iniciada com os antigos, pretendeu impor à teoria a tarefa de produzir critérios para atuar na realidade - do que resultou uma compreensão instrumental da atividade intelectual. Hannah Arendt, por sua vez, propôs tratar da relação entre teoria e prática fora dos marcos tradicionais, o que a conduziu a tomar distância da solução 'ativista' adotada pela orientação dominante nas ciências sociais. Para ela, na atualidade, importa considerar o estatuto próprio da teoria, independentemente das tarefas que lhe são atribuídas, o pensamento sendo visto como a mais desinteressada das atividades espirituais.

E tenho sempre presente uma lição que aprendi há menos de um ano ao ver o filme argentino "Cidadão Ilustre". Essa personagem que enriqueceu na Espanha como escritor, ao visitar a cidade de nascença na Argentina, começou a ser requisitado a contribuir pecuniariamente para diversos e estrambóticos projetos. Um deles era um pai de um adolescente (?) excepcional pedindo que o escritor pagasse ao filho uma cadeira de rodas mais moderna do que a que se vê na tela. O escritor, negando-se a atender o pedido, disse apenas: "Não pense que não me preocupo com as questões sociais de meu tempo. Ocorre que escolhi outras frentes de combate e não esta da caridade cheek-to-cheek."

Não que isto seja um consolo para mim, que faço o que de melhor posso para mudar o mundo. Mas associo as duas passagens que me marcaram. Confronto-as com uma frase que aprendi com Jean Paul Sartre, na orelha daquele velho livro de sua própria autoria intitulado "Furacão sobre Cuba". Dizia-nos Sartre: "Quem não fizer tudo aquilo que pode, e mesmo mais do que pode, é como se não tivesse feito absolutamente nada". Quando li isto, fiquei pensando em como poderia eu fazer mais do que posso. Meu papel como intelectual e professor aposentado é fazer exatamente o que faço que posso chamar de "ligeiramente menos do que posso"... Afinal um heptagenário precisa aplicar-se em atividades individuais precisamente para manter essa condição e até ampliá-la para octogenário.

DdAB
P.S. Acabo de descobrir que o www.dicio.com.br não fala em heptagenário, mas em septuagenário.
P.S.S. Tá confirmado que o nome é septuagenário, como indica aquele rapaz de 70 anos que se dedica a atividades pouco edificantes, de acordo com a internet. Espero que seja fake-news.
P.S.S.S. Ali atrás declarei-me intelectual, pois:
.a uso óculos
.b tenho mais de 1.000 livros
.c tenho péssima caligrafia.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Carbono versus Silício


Querido diário:

Todos sabemos que uma das minhas leituras literárias preferidas é a ficção científica. Não sei se meu primeiro tutor no assunto foi meu genial amigo Mauro Nogueira Oliveira, talvez tenha sido ele mesmo. O fato é que ele me emprestou alguns livros, entre eles a trilogia da Fundação, de Isaac Azimov que li precisamente no ano de 1979, outono. Eu era do hoje chamado PPGE/UFRGS e morava na Cidade Jardim, bairro Nonoai ou Teresópolis, quem sabe?

Mas o que passou a interessar-me desde meus anos de doutorado na aprazível cidade de Oxford foi a divulgação científica. Volta e meia faço estrambóticos elogios a Richard Dawkins e o livro "O Relojoeiro Cego". Depois li algumas outras obras de sua autoria, sempre com enlevo, até que ele tornou-se chato e repetitivo e até assustador em seu proselitismo contra a religião. Não que eu seja a favor da religião, ao contrário. Sou há anos da campanha "Ateus, saiam do armário", tema sobre o qual já publiquei alguma coisa neste very blog.

Em compensação, hoje vou fazer uma transcrição de um trecho de um livro que li entre 5 e 21 de fevereiro de 1996. Eu era professor do PPGE/UFSC, quando estava iniciando-se o mestrado em economia industrial. Geralmente não leio um livro em tão pouco tempo, ao contrário. Leio vários ao mesmo tempo, como já listei aqui no próprio blog. Pois então:

ATKINS, Peter (1995) The periodic kingdom; a journey into the land of the chemical elements. London: Weidenfeld and Nicholson. (Science Masters)

E na página 17, naturalmente, seguimos falando na Tabela Periódica de Mendeleiev. Então, se bem entendo a encrenca lá do alto, temos o carbono na posição que chamarei de (2,14) e imediatamente abaixo dele, o (3,14), nosso objeto de estudo, o silício (silicon para tradutores apressados...). Então o carbono é um não-metal e o silício é um semi-metal. Então, dããã, praticamente tudo é metal... E aí vem o Atkins:

Immediately to the south of carbon lies silicon. As is so often the case with neigbors, it is an uneasily ambiguous adjacency. Like carbon, but to a lesser degree, silicon is capable of forming some of the long-chain molecules needed in any process as complex as life, but it has not achieved a life of its own. It may be a sleeper in this regard, however. Carbon's principal products, living organisms, have struggled over a few billion years to establish mechanisms for the accumulation and dispersal of information (an austere distillation and definition of what we mean by "life"), and silicon has lain in wait. The recent alliance of the two regions, in which carbon-based organisms have developed the use of silicon-based artifacts for information technology, has resulted in the enslavement of silicon. However, such is the precocity of carbon's organisms that they are steadily developing silicon's latent powers, and one day silicon may well overturn the suzerainty of its northern neighbor and assume the dominant role. It certainly has long-term potential, for its metabolism and replication need not be as messy as its metabolism and replicaton need not be as messy as carbon's. Here we may see one of the most subtle interplays of alliances anywere in the kingdom, for silicon will not realize its potencial without the burden of development being carried out by carbon.

Então olha só. Não é impossível que aquela negadinha chamada por alguns de neo-malthusiana que deseja parar o desenvolvimento científico e tecnológico, sob a alegação de que o Terceiro Planeta de Sol não aguenta migre para um planeta retrógrado (com trocadilho...) e lá fique eternamente fazendo sua quimicazinha metabólica na base do carbono. Nós, os da esquerda progressista, vamos acelerar o desenvolvimento do atual sistema econômico, bater a escassez e criar naves que nos levem adiante, adiante, adiante. Num desses momentos, começaremos a fazer implantes cada vez mais íntimos, cada vez mais na base do silício. E esses implantes começarão a gerar nossos sucessores siderais. Mas permanece um probleminha: que fazer se o universo durar mesmo apenas uns 14 bilhões de anos? A solução, como ensinou-me Isaac Azimov será domesticar buracos negros e neles navegar, pulando de um universo a outro que nem uma guariba. Talvez então sejamos seres carbono-silício ou apenas silício, ou uma cruza entre eles, e não mais nos chamaríamos de humanos, mas adotaríamos um nome que um dia destes divulgarei.

DdAB
P.S. Dado meu desabotinado grau de ignorância sobre as implicações de tudo isto, achei oportuno colocar aqui o link que originou a figura que nos encima.

P.S.S.: Tradução do Google Tradutor (com pequena ajuda minha):
Imediatamente ao sul do carbono está o silício. Como tantas vezes acontece com os vizinhos, é uma adjacência desconfortável e ambígua. Como o carbono, mas em menor grau, o silício é capaz de formar algumas das moléculas de cadeia longa necessárias em qualquer processo tão complexo quanto a vida, mas não alcançou vida própria. Pode ser um dorminhoco a este respeito, no entanto. Os principais produtos do carbono, os organismos vivos, lutaram por alguns bilhões de anos para estabelecer mecanismos para o acúmulo e a dispersão de informações (uma destilação austera e definição do que entendemos por "vida"), e o silício ficou à espreita. A recente aliança das duas regiões, na qual os organismos baseados em carbono desenvolveram o uso de artefatos baseados em silício para a tecnologia da informação, resultou na escravização do silício. Contudo, tal é a precocidade dos organismos de carbono que eles estão constantemente desenvolvendo os poderes latentes do silício, e um dia este pode muito bem derrubar a suserania de seu vizinho do norte e assumir o papel dominante. Certamente ele tem um potencial de longo prazo, pois seu metabolismo e replicação não precisam ser tão confusos quanto o carbono. Aqui podemos ver um dos mais sutis arranjos de alianças no reino, pois o silício não realizará seu potencial sem o ônus do desenvolvimento ser realizado pelo carbono.

P.S.S. Lula presidente! E cadê o vice-presidente da chapa dele?

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Talo, Marcos e a Pegada do Processo Eleitoral


Querido diário:

Estou acompanhando cada vez com mais interesse as manifestações do Facebook sobre o futuro da candidatura Lula para a presidência da república. Selecionei dois textos que falam por si mesmos:

Talo Pereyra
7 de maio às 20:06 ·
Sou dos que acreditam que o PT está certo em defender Lula até as últimas consequências. Todavia, devo dizer que a tática petista, correta no essencial, não precisa de comentários emocionais em que se ataque o Ciro Gomes, como os proferidos por Gleisi Hoffmann "nem com reza brava" e reproduzidos à exaustão pelos setores mais despolitizados do PT (refiro-me aos da turma do "Lula ou nada"). Não deposito nenhuma confiança no judiciário. Mesmo que nos próximos dias Lula recupere a sua liberdade, posto que a sua prisão é uma das muitas arbitrariedades que temos visto no processo do famigerado triplex, desmascarado em ação ousada e brilhante pelo MTST de Boulos que mostrou que não havia "espaço gourmet" nem "elevador privativo" escancarando a farsa, haverá ainda que superar dificuldades enormes (quase que intransponíveis) para que o PT possa homologar a almejada candidatura do Lula. Isso posto, parece-me um profundo equívoco de Gleisi e outros dirigentes petistas isolar o PT das complexidades do atual processo eleitoral. Moro e a Globo não vão soltar facilmente sua "presa". Prenderam Lula para tirá-lo da disputa. E para eles não há "plano B" porque sabem que se Lula concorre vence. Levar ao Planalto um direitista, legitimado pelo voto (!) é o sonho da Globo! Querem um Macri. Se isso ocorrer, as consequências serão catastróficas. Vejam só o que está ocorrendo na Argentina... Não é momento para destruir pontes proferindo (ou reproduzindo) comentários irresponsáveis.


Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo citando Marcos Rolim (aqui)
10 de maio (tipo) às 18h

"O PT é, hoje, o principal obstáculo a uma política de Frente Ampla capaz de viabilizar uma candidatura competitiva de unidade entre os democratas, em um campo que vai do centro à esquerda (uma distância que, ao contrário do que imaginam os fiéis, é muito pequena no Brasil). A tática de insistir com o nome de Lula como candidato e de se dedicar efetivamente a derrotar a Lava Jato, dificulta a unidade possível e assinala um desses momentos históricos de falência da razão em que décadas inteiras tendem a se definir."

Já falei no outro dia: o mínimo que Lula já deveria ter feito, antes que as eleições comecem, isto é, antes que a TV comece a dar prioridade ao tema, ou melhor, antes que o horário político (criado pelos políticos para seu bem-estar e manutenção de seu encastelamento nos cargos eletivos), era ter negociado seu candidato a vice-presidente. E, antes dele, o programa que iria cimentar a coalizão de partidos de esquerda.

Candidato a vice-presidente é que não falta: Boulos, Manoela, Haddad, Olívio, e tanta gente mais. Ciro, why not?

Também indiquei uma backward induction para a modelagem estratégica do caso:
.a haverá ou não eleições
.b em havendo, Lula se elege
.c em havendo, Lula não se elege
.d em havendo, Lula não se elegeu pois os golpistas, os íncubos, os sei-lá-quê-mais impediram
.e em havendo, Lula influi nos rumos eleitorais
.f em havendo, Lula -que já havia indicado um vice-presidente em uma coalizão de esquerda- vê seu vice transformado em candidato a presidente e tendo como vice-presidente outra pessoa chave da coalizão
.g segue...

DdAB
A imagem é a dialética eleitoral: o impedimento da candidatura de Lula não é o fim. A terra seguirá dando suas voltas a cada 24 horas, o povo seguirá penando, se não houver uma frente de esquerda vencendo as eleições, inclusive compondo um congresso nacional decente.