querids bloguers:
ontem acabou-se o fevereiro mais longo da história. quero dizer, tão mais longo quantos outros 503 fevereiros longos presumidos para a era cristã, ainda que apenas após o calendário gregoriano é que os pudéssemos reconhecer como tal. foram 29 dias de glória, como não se via há... quatro anos.
então, pensei que é fácil calcular qual ano é bissexto. por exemplo, se 2010 é bissexto, 2010-2006=4, então 2006 também é bissexto. obviamente, como sabemos, por evidente, o ano de 2010 não foi um ano bissexto, pois nele rolou uma Copa do Mundo, evento sabidamente de regularidade 4. como sabemos, os eventos de regularidade 4 ocorrem a cada quatro anos, como o ano bissexto. sem sobressaltos, também esses múltiplos de quatro protagonizam eleições para presidente da república. por contraste, mas mantendo a excusa aos sobressaltos, o 2012, o 2016, o 2020, assim como o 2008 e o 2004 serão e foram anos de eleições municipais.
então aquele critério de subtrair um ano do outro e chegar ao bissexto é mais furado do que manifesto eleitoral de partidos políticos brasileiros. quer um contraexemplo estupidamente convidadivo? usemos a fórmula para 2011. então 2001-2007 = 4, o que faria do ano que passou há dois meses também um ano bissexto!
aí um menino de rua deu-me a xave (ele não era bom em português): o primeiro ano bissexto do calendário corrigido foi o 4 d.C. e o segundo foi o 8 e o terceiro foi o 12, e assim por diante. então o primeiro pode ser calculado como B4 = 4 x 1, o segundo como B8 = 4 x 2, o terceiro, B12 = 4 x 3, e assim por diante, de sorte que, B2012 = 4 x 503. concluiu ele, triunfante, ontem vivemos o 503-ésimo dia bissexto da era cristão.
DdAB
p.s.: tirei esta intrigante imagem já das Getty Images de abcz.
p.s.s.: tá na moda a discussão sobre a recusa do governador Tarso Genro (PT-RS, como dizem) de pagar o piso salarial dos professores. ele alega que a correção monetária estabelecida na lei que ele mesmo ajudou a assinar é ilegal. enfim vejo algo, se não for 100% hipócrita, como positivo emergindo de um político: propostas explícitas de acabar com a indexação. como eu até já andei publicando, indexação é fria, pois "valores reais são imaginários". só existe valor a preços correntes, o resto é ficção deflacionativa.
Planeta 23
Espaço de um estudioso de Economia Política (Economia do Desenvolvimento e Economia de Empresas). Planetas com 23 horas? Tem. Seu habitante perde uma hora diária inteirinha em ginástica... Para ver o _Site de DdAB, clique nos Links Amados, logo após o "Eu sou...".
quinta-feira, 1 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Lange - O Objeto e Método da Economia: Parte Três/Final
querids blogeirs:
hoje acabarei as postagens sobre o interessante artigo de Oskar Lange. na verdade, falta pouco para concluir o artigo, apenas uma seção. mas depois postarei algo quase tão interessante. trata-se de um exercício para os estudantes/leitores que lidaram/lidarão com o original. sempre sustentei que o novato no estudo da ciência econômica deveria começar aprendendo o objeto e a análise e apenas então passar a refletir sobre o método. por isto, os temas de metodologia, em meu curso introdutório, eram reservados para a última semana de aula. neste caso, a lista lá de baixo poderia ser vista como uma espécie de coroamento de todos os conceitos usados durante o semestre, não apenas os relacionados com o artigo específico.
Primeira Parte: aqui.
Segunda Parte: aqui.
Terceira parte:
.5. O Postulado da Racionalidade
:: postulado da raconalidade - refere-se à possibilidade de interpretarmos decisões das famílias de uma maneira similar às decisões das empresas:
.a. empresas - querem maximizar lucros (e outros objetivos)
.b. famílias - querem maximizar a utilidade (satisfação) resultante do atendimento de várias necessidades.
:: que é agir racionalmente? o agente é um ente que age. ele age racionalmente quando tem um objetivo em vista (e.g,, maximizar a satisfação com o consumo de bens e serviços) e busca o caminho de menor esforço para alcançá-lo.
:: adotar a suposição de que os agentes econômicos agem racionalmente
"nos fornece o instrumento mais poderoso para a simplificação da análise teórica. Pois, se uma unidade de decisão age racionalmente, suas decisões em qualquer situaão dada podem ser prevista pela simples aplicação das regras da lógica (e da matemática) [sic]."
"[...] o postulado da raconalidade é um atalho para a descoberta de leis que governam as decisões das unidades e para a previsão de suas ações sob dadas circunstâncias."
"Embora sendo um atalho destinado a economizar investigação empírica elaborada, o ostulado da racionalidade é, apesar de tudo, apenas uma suposição empírica. É uma hipótese que, em cada caso, deve ser verificada confrontando-se as deduções lógicas do postulado com as observações da experiência."
"Isso precisa ser enfatizado porque alguns economistas acreditam que o postulado da racionalidade pode ser usado como princípio 'a priori', não sujeito à observação empírica. Em tal caso, contudo, as conclusões derivadas do postulado não poderiam ter, também, nenhuma relevância empírica. Em certas circunstâncias, bem-estar público e privado podem ser compatíveis: é o caso do laissez-faire."
SEGUNDA PARTE: Exercício sobre as Tês Postagens Agora Concluídas
Iniciar a construir seu "Pequeno Dicionário de Economia".
.a. Retirar do texto de Lange o significado das palavras que serão listadas abaixo. Trata-se, como diz o título do exercício, de construir definições de termos econômicos.
.b. É sábio, então, começar tendo uma boa ideia (passada por um dicionário comum ou filosófico) do que é uma definição (termos correlatos: conceito, categoria).
.c. Neste exercício, alguns casos têm a definição prontinha. Por exemplo, para "produção": "a atividade humana que consiste em adaptar os recursos e s forças da natureza com o fim de criar bens e serviços é designada como produção.
.d. Outros requerem um pouco mais de elaboração, inclusive com casos em que a definição será derivada de outras já construídas. Exemplifico este caso com "necessidade" ou "necessidade social". O texto nem fala, mas -a partir do entendimento do conceito de necessidade biológica- pode-se deduzir o que é a necessidade social.
Palavras a procurar (algumas delas poderão estar nas três postagens do capítulo do livro que fiz há alguns dias):
atividade econômica, bem de consumo (ou bens indiretos), bem de produção (ou bens diretos), bem/bens, caráter social da produção, caráter social do trabalho, consumo, consumo improdutivo, consumo produtivo, cooperação, desgaste e depreciação, distribuição, distribuição (ou repartição), divisão do trabalho, economia política, força natural, forças produtivas, forças produtivas sociais, instrumentos de trabalho, meios de distribuição, meios de prestar serviços, meios de produção, meios de trabalho, necessidade/s, necessidades biológicas, necessidades coletivas, necessidades individuais, necessidades sociais, objeto da economia política, objeto material, objetos de trabalho, processo, processo de produção, processo econômico, produção, produção social, produto, relações de distribuição, relações de produção, relações econômicas, relações sociais, serviço/serviços, trabalho não-produtivo, trabalho produtivo, troca e utilidade/valor de uso.
DdAB
imagem: aqui. por que tanta ilustração com o dinheiro e o mundo? porque vivemos numa economia monetária. exagerando: vivemos num planeta monetário que gira por influência do dinheiro. hoje em dia, ninguém vive sem contato com o mundo dos bens e serviços que tomam a forma de mercadorias ou de bens públicos. há quem desgoste, claro. indivíduos racionais (epa, já vem uma aplicação da seção 5 do artigo de Lange) preferem o apêndice inflamado ser removido, o filho alfabetizado, o almoço servido e o patrimônio segurado (epa, tornei-me poético, hehehe).
hoje acabarei as postagens sobre o interessante artigo de Oskar Lange. na verdade, falta pouco para concluir o artigo, apenas uma seção. mas depois postarei algo quase tão interessante. trata-se de um exercício para os estudantes/leitores que lidaram/lidarão com o original. sempre sustentei que o novato no estudo da ciência econômica deveria começar aprendendo o objeto e a análise e apenas então passar a refletir sobre o método. por isto, os temas de metodologia, em meu curso introdutório, eram reservados para a última semana de aula. neste caso, a lista lá de baixo poderia ser vista como uma espécie de coroamento de todos os conceitos usados durante o semestre, não apenas os relacionados com o artigo específico.
O objeto e método da economia.
Literatura Econômica. v.7 n.2 p.207-230, 1984.
Primeira Parte: aqui.
Segunda Parte: aqui.
Terceira parte:
.5. O Postulado da Racionalidade
:: postulado da raconalidade - refere-se à possibilidade de interpretarmos decisões das famílias de uma maneira similar às decisões das empresas:
.a. empresas - querem maximizar lucros (e outros objetivos)
.b. famílias - querem maximizar a utilidade (satisfação) resultante do atendimento de várias necessidades.
:: que é agir racionalmente? o agente é um ente que age. ele age racionalmente quando tem um objetivo em vista (e.g,, maximizar a satisfação com o consumo de bens e serviços) e busca o caminho de menor esforço para alcançá-lo.
:: adotar a suposição de que os agentes econômicos agem racionalmente
"nos fornece o instrumento mais poderoso para a simplificação da análise teórica. Pois, se uma unidade de decisão age racionalmente, suas decisões em qualquer situaão dada podem ser prevista pela simples aplicação das regras da lógica (e da matemática) [sic]."
"[...] o postulado da raconalidade é um atalho para a descoberta de leis que governam as decisões das unidades e para a previsão de suas ações sob dadas circunstâncias."
"Embora sendo um atalho destinado a economizar investigação empírica elaborada, o ostulado da racionalidade é, apesar de tudo, apenas uma suposição empírica. É uma hipótese que, em cada caso, deve ser verificada confrontando-se as deduções lógicas do postulado com as observações da experiência."
"Isso precisa ser enfatizado porque alguns economistas acreditam que o postulado da racionalidade pode ser usado como princípio 'a priori', não sujeito à observação empírica. Em tal caso, contudo, as conclusões derivadas do postulado não poderiam ter, também, nenhuma relevância empírica. Em certas circunstâncias, bem-estar público e privado podem ser compatíveis: é o caso do laissez-faire."
SEGUNDA PARTE: Exercício sobre as Tês Postagens Agora Concluídas
Iniciar a construir seu "Pequeno Dicionário de Economia".
.a. Retirar do texto de Lange o significado das palavras que serão listadas abaixo. Trata-se, como diz o título do exercício, de construir definições de termos econômicos.
.b. É sábio, então, começar tendo uma boa ideia (passada por um dicionário comum ou filosófico) do que é uma definição (termos correlatos: conceito, categoria).
.c. Neste exercício, alguns casos têm a definição prontinha. Por exemplo, para "produção": "a atividade humana que consiste em adaptar os recursos e s forças da natureza com o fim de criar bens e serviços é designada como produção.
.d. Outros requerem um pouco mais de elaboração, inclusive com casos em que a definição será derivada de outras já construídas. Exemplifico este caso com "necessidade" ou "necessidade social". O texto nem fala, mas -a partir do entendimento do conceito de necessidade biológica- pode-se deduzir o que é a necessidade social.
Palavras a procurar (algumas delas poderão estar nas três postagens do capítulo do livro que fiz há alguns dias):
atividade econômica, bem de consumo (ou bens indiretos), bem de produção (ou bens diretos), bem/bens, caráter social da produção, caráter social do trabalho, consumo, consumo improdutivo, consumo produtivo, cooperação, desgaste e depreciação, distribuição, distribuição (ou repartição), divisão do trabalho, economia política, força natural, forças produtivas, forças produtivas sociais, instrumentos de trabalho, meios de distribuição, meios de prestar serviços, meios de produção, meios de trabalho, necessidade/s, necessidades biológicas, necessidades coletivas, necessidades individuais, necessidades sociais, objeto da economia política, objeto material, objetos de trabalho, processo, processo de produção, processo econômico, produção, produção social, produto, relações de distribuição, relações de produção, relações econômicas, relações sociais, serviço/serviços, trabalho não-produtivo, trabalho produtivo, troca e utilidade/valor de uso.
DdAB
imagem: aqui. por que tanta ilustração com o dinheiro e o mundo? porque vivemos numa economia monetária. exagerando: vivemos num planeta monetário que gira por influência do dinheiro. hoje em dia, ninguém vive sem contato com o mundo dos bens e serviços que tomam a forma de mercadorias ou de bens públicos. há quem desgoste, claro. indivíduos racionais (epa, já vem uma aplicação da seção 5 do artigo de Lange) preferem o apêndice inflamado ser removido, o filho alfabetizado, o almoço servido e o patrimônio segurado (epa, tornei-me poético, hehehe).
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Lange - O Objeto e Método da Economia: Parte Dois
querids blogueirs:
seguimos hoje com a segunda parte do artigo de Oskar Lange [cujo original é de 1945]. para ler o que ontem postei, clicar aqui.
seguimos hoje com a segunda parte do artigo de Oskar Lange [cujo original é de 1945]. para ler o que ontem postei, clicar aqui.
O objeto e método da economia.
Literatura Econômica. v.7 n.2 p.207-230, 1984.
2. A objetividade da ciência econômica
[chamar a atenção que objetividade não é neutralidade]
:: uma vez que os fatos são interpessoais, isto é, valem para todos, a economia é objetiva: duas pessoas que concordam em acatar as regras da lógica chegarão às mesmas conclusões, pois a mesma hipótese deve gerar o mesmo teorema.
:: as divergências entre ortodoxos e não-ortodoxos, burgueses e socialistas, e outros, não refutam a tese da objetividade e sim devem:
.a. refletir divergências entre objetivos sociais
.b. refletir divergências sobre os fatos relevantes
.c. fracassar ao ater-se às regras da lógica, da identificação e da verificação.
:: a persistência de divergência indica que as influências perniciosas são muito fortes. estas podem ser conscientes ou subconscientes:
.a. certa sociedade histórica
.b. certo padrão civilizatório (crenças, valores, preconceitos e interesses, horizontes, limitações)
.c. dependem da universidade, instituição de pesquisa, editores, imprensa, governo, empresas
.c. nação particular (classe social, grupo religioso ou filosófico, tradição política).
:: as influências subconscientes operam por meio de processos de racionalização de motivações não-lógicos; as ideologias não têm validade interpessoal. convencem apenas aqueles que compartilham das mesmas motivações subconscientes e se submetem aos mesmos processos de racionalização.
:: mas devemos notar que nem toda a influência ideológica é perniciosa, uma vez que foi a ideologia que influenciou no desenvolvimento da própria economia teórica.
:: certas situações econômicas levam ao desemprego e à inflação, qualquer que seja a simpatia ou antipatia do economista pelo sistema capitalista.
:: o elemento ideológico pode até ajudar a alcançar resultados válidos interpessoalmente:
.a. física e química - lucro e defesa nacional
.b. biologia - simpatia humana pelo doente
.c. ciências sociais - justiça social, liberdade.
:: também se sabe que as motivações conservadoras desfavorecem, ao passo que as progressistas favorecem, a obtenção desses resultados.
"é o desejo de mudança e aperfeiçoamento que, consciente ou subconsciente, que cria a inquietude da mente resultando na investigação científica da sociedade humana."
.3. As Unidades Econômicas e sua Coordenação
:: unidades: indivíduos, famílias, empresas, entidades governamentais
[quase 30 anos depois de ter lido o artigo pela primeira vez, penso: cara, bicho, gente, indivíduo, pessoa: ele está falando no que a matriz de contabilidade social designa como instituições envolvidas com a absorção da produção. as famílias protagonizam o consumo das famílias, as empresas protagonizam o investimento. também as empresas são responsáveis pelas exportações e importações. por fim, as entidades governamentais protagonizam o consumo do governo (e, se quisermos, o investimento do governo)].
:: cada um dispõe de certos recursos, os quais são classificados em três tipos:
.a. consumo
.b. produção
.c. troca
[na MaCS, fala-se em produção, apropriação e absorção; a apropriação pode ser feita por troca ou donativo]
:: os objetivos guiam as decisões:
.a. nas famílias é o consumo
.b. nas empresas é o lucro
.c. nos serviços públicos: bem estar público [escolas, hospitais, sistema judiciário, serviços industriais de utilidade pública, correio, exército]
:: as decisões destes três tipos de unidades podem ser independentes, e sua totalidade constitui a economia [o sistema econômico].
:: há equilíbrio na economia quando as decisões das unidades são consistentes umas com as outras.
:: como alcançar a coordenação?
.a. planejamento
.b. mercado
.c. misto entre planejamento e mercado.
.4. O Capitalismo e Outras Formas de Organização Econômica
:: a história da sociedade humana mostra diferentes maneiras pelas quais a administração de recursos escassos é organizada.
:: de todas as atividades econôicas é a produção aquela para a qual os homens dedicam mais tempo e atenção.
[isto também deve ter mudado nesses últimos 30 anos, ou desde que Lange publicou o artigo, lá em 1945; hoje fala-se em custos de produção e custos de transação e estes últimos chegam a superar os de produção; a menos, claro, que estejamos entendendo como produção o que Marx chamava de trabalho improdutivo, como o comércio e a proteção jurídica ao cumprimento dos contratos].
:: em tempos passados, os produtores eram as famílias: tratava-se da economia doméstica.
:: a crescente troca levou ao aparecimento da empresa.
[e aqui tem algo rimando com os parênteses acima: a empresa surgiu por causa do custo de usar o mercado, na visão de Ronald Coase]
:: o objetivo da empresa é o lucro, e ela o atinge tanto melhor conforme maior seja seu valor, ou seja, ela procura maximizar o lucro auferido em sua atividade.
:: a economia cuja maior parte da produção é da empresa é a economia capitalista:
.a. capitalismo estatal
.b. capitalismo privado
:: mas ainda há outros objetivos para a empresa: prestígio, posição social, desejo de 'vida mansa', responsabilidade social, aversão a decisões que envolvam risco.
:: elas sacrificam algum lucro para atender a esses objetivos. mas a busca do lucro domina os outros objetivos de tal modo que podemos pensar que elas se ajustam aproximadamente a nossa concepção teórica de empresa que maximiza lucros.
[mesmo porque, sem lucro, não haveria como investir em, digamos, posição social do proprietário e sua família].
:: quanto ao risco, pode-se dizer que a empresa deseja maximizar seu lucro descontado o risco.
:: outra forma de organização econômica é o socialismo: a produção é feita por serviços públicos operados para a satisfação das necessidades da comunidade.
:: os proprietários são
.a. os governos: central, estadual e municipal
.b. as associações de cidadãos: cooperativas, clubes, sindicatos, fazendas coletivas
.c. corporações especiais do governo
.d. fundações.
:: a coordenação é planificação e mercado, tal como no capitalismo
[mas não havia um verdadeiro mercado monetário nos países socialistas, como identificamos claramente hoje em dia]
::a história raramente nos confronta com uma organização econômica que corresponda exatamente às nossas classificações teóricas, pois há claramente as economias mistas.
DdAB
o original desta foto com a fetichização da própria pele encontra-se aqui. tomara que fosse das tatuagens que se desvanecem quando o lombo (avermelhado pela agressão do artista) é submetido a sucessivos banhos de água e sabão.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Lange: O objeto e Método da Economia - Parte Um
querids blogueirs:
Proêmio:
estaremos tods lembrads que, no outro dia, anunciei (aqui) alguns textos de Oskar Lange, a quem atribuí influência importante na minha formação de -agora temos até batismo - economista neo-heterodoxo.
nos dias seguintes, transcrevi as notas que usei para ministrar aulas de "O objeto da economia política; noções preliminares. p.13-15."
e hoje começo a fazer o mesmo com relação ao artigo [de 1945]:
cujo original é de 1945, o ano da guerra que ainda não terminou... e uns malvadinhos diriam que ele, Lange, não terminou de escrever "economia política", ficando apenas no substantivo. e outros, malvadões, diriam que, se é o substantivo, ainda bem, pois o pior é o adjetivo. seriam, talvez, os que criaram o afamado silogismo "Todo político é ladrão"...
então lá vem Lange:
:: com isto, lembramos a noção de "necessidades", que são biológicas ou sociais. as biológicas têm comunalidades com o mundo dos demais seres vivos, ao passo que as sociais são produto da vida em sociedade.
:: para satisfazer as necessidades: usam-se recursos, que são bens e serviços. alguns são escassos e outros são abundantes. a questão sobre como distribuir os recursos escassos resulta de decisões tomadas pelos homens.
:: administrar os recursos escassos é produto dos padrões da civilização e organização e instituições da sociedade. há, a este respeito, uma influência que se desdobra:
.a. as necessidades determinam os padrões da civilização [e tu sabia que "civis é 'cidade'?].
.b. as organizações e instituições sociais determinam as maneiras pelas quais os recursos são usados.
:: as formas de administrar os recursos são influenciadas por:
.a. firmas de propriedade
.b. instituições tais como as corporações e os bancos
.c. conhecimento técnico
.d. regulamentação de atividades
.e. hábitos
.f. padrão moral.
:: daí poder-se ver por que a economia é uma ciência social, mas ela difere da sociologia, uma vez que privilegia o estudo das ações do homem quanto aos recursos escassos.
:: a economia não se satisfaz apenas com o conhecimento descritovo, tentando discernir padrões gerais de uniformidade na administração dos recursos escassos. [estes padrões, também chamados de 'regularidades' podem ser classificados em paralelismos e simetrias]. por exemplo, se os indivíduos ficam mais ricos, eles gastam mais em bens e serviços.
:: o ramo da economia que lida com tais padrões de uniformidade e os combina num sistema coerente é a teoria econômica. as proposições que enunciam estes padrões de uniformidade são as leis econômicas [e.g., se a renda sobe, compra-se mais]. mas devemos ter presente que as leis são proposições condicionais.
:: ou seja, tal e qual acontece sempre que tais e quais condições são satisfeitas [p.ex., se a renda sobe, mas os preços sobem ainda mais, não podemos garantir que se compra mais].
:: deste modo, podemos entender que as leis são historicamente limitadas a certos tipos de organizações e instituições sociais. não há, a partir disso, nenhuma diferença entre as leis sociais e as naturais, apenas que estas têm maior permanência histórica [algumas leis da meteorologia são menos permanentes...]
:: as leis são estabelecidas para fazerem predições. na economia, servem para prever o resultado de políticas, i.e., de ações públicas ou privadas com referência à administração dos recursos.
:: o processo da construção da teoria econômica é a observação, que deve ser
.a. realizada
.b. classificada
.c. interpretada
à luz das uniformidades estabelecidas pela própria teoria.
:: as leis são um conjunto de proposições dedutivas obtidas pelas regras da lógica (e da matemática) a partir de um conjunto de supostos e postulados.
:: a economia é tanto uma ciência dedutiva quanto empírica.
:: os teoremas estão sujeitos a testes através da observação empírica, quando -então- se tornam teorias ou hipótes ou modelos.
:: a teoria não é específica: não se pode conceber -por exemplo- o preço de um bem específico
:: os teoremas da economia teórica nunca são confirmados completamente e sim apenas parcialmente.
:: às vezes, formulam-se hipóteses compatíveis com os fatos
:: a administração dos recursos escassos deve ser feita tendo em vista certos objetivos sociais:
.a. satisfazer as necessidades individuais
.b. satisfazer as necessidades coletivas: industrialização, guerra, justiça social
:: uma vez que os objetivos têm caráter social, pode-se encontrar regras de uso dos recursos escassos que melhor conduzem à realização desses objetivos.
:: o uso daí sugerido é o uso "ideal". dele surge um padrão para a avaliar o uso real. e daí surge o capítulo da microeconomia chamado de "economia do bem-estar".
:: na economia do bem-estar, o caráter condicional das proposições é mais claro do que no restante da economia teórica.
:: as regras do uso "ideal" dos recursos podem então ser consideradas como um tipo especial de leis econômicas. isto torna conveniente incluir a economia do bem-estar na economia teórica como um ramo complementar.
[seções 2 e 3 seguem amanhã; termina quarta-feira!]
DdAB
imagem: aqui. entre o que falamos acima e o globo movido por dinheiro, houve uma longa evolução histórica. pelo menos 10 ou 20 mil anos!
Proêmio:
estaremos tods lembrads que, no outro dia, anunciei (aqui) alguns textos de Oskar Lange, a quem atribuí influência importante na minha formação de -agora temos até batismo - economista neo-heterodoxo.
nos dias seguintes, transcrevi as notas que usei para ministrar aulas de "O objeto da economia política; noções preliminares. p.13-15."
e hoje começo a fazer o mesmo com relação ao artigo [de 1945]:
O objeto e método da economia.
Literatura Econômica. v.7 n.2 p.207-230, 1984.
cujo original é de 1945, o ano da guerra que ainda não terminou... e uns malvadinhos diriam que ele, Lange, não terminou de escrever "economia política", ficando apenas no substantivo. e outros, malvadões, diriam que, se é o substantivo, ainda bem, pois o pior é o adjetivo. seriam, talvez, os que criaram o afamado silogismo "Todo político é ladrão"...
então lá vem Lange:
1. De que trata a economia
:: economia é a ciência da administração dos recursos escassos na sociedade humana:: com isto, lembramos a noção de "necessidades", que são biológicas ou sociais. as biológicas têm comunalidades com o mundo dos demais seres vivos, ao passo que as sociais são produto da vida em sociedade.
:: para satisfazer as necessidades: usam-se recursos, que são bens e serviços. alguns são escassos e outros são abundantes. a questão sobre como distribuir os recursos escassos resulta de decisões tomadas pelos homens.
:: administrar os recursos escassos é produto dos padrões da civilização e organização e instituições da sociedade. há, a este respeito, uma influência que se desdobra:
.a. as necessidades determinam os padrões da civilização [e tu sabia que "civis é 'cidade'?].
.b. as organizações e instituições sociais determinam as maneiras pelas quais os recursos são usados.
:: as formas de administrar os recursos são influenciadas por:
.a. firmas de propriedade
.b. instituições tais como as corporações e os bancos
.c. conhecimento técnico
.d. regulamentação de atividades
.e. hábitos
.f. padrão moral.
:: daí poder-se ver por que a economia é uma ciência social, mas ela difere da sociologia, uma vez que privilegia o estudo das ações do homem quanto aos recursos escassos.
:: a economia não se satisfaz apenas com o conhecimento descritovo, tentando discernir padrões gerais de uniformidade na administração dos recursos escassos. [estes padrões, também chamados de 'regularidades' podem ser classificados em paralelismos e simetrias]. por exemplo, se os indivíduos ficam mais ricos, eles gastam mais em bens e serviços.
:: o ramo da economia que lida com tais padrões de uniformidade e os combina num sistema coerente é a teoria econômica. as proposições que enunciam estes padrões de uniformidade são as leis econômicas [e.g., se a renda sobe, compra-se mais]. mas devemos ter presente que as leis são proposições condicionais.
:: ou seja, tal e qual acontece sempre que tais e quais condições são satisfeitas [p.ex., se a renda sobe, mas os preços sobem ainda mais, não podemos garantir que se compra mais].
:: deste modo, podemos entender que as leis são historicamente limitadas a certos tipos de organizações e instituições sociais. não há, a partir disso, nenhuma diferença entre as leis sociais e as naturais, apenas que estas têm maior permanência histórica [algumas leis da meteorologia são menos permanentes...]
:: as leis são estabelecidas para fazerem predições. na economia, servem para prever o resultado de políticas, i.e., de ações públicas ou privadas com referência à administração dos recursos.
:: o processo da construção da teoria econômica é a observação, que deve ser
.a. realizada
.b. classificada
.c. interpretada
à luz das uniformidades estabelecidas pela própria teoria.
:: as leis são um conjunto de proposições dedutivas obtidas pelas regras da lógica (e da matemática) a partir de um conjunto de supostos e postulados.
:: a economia é tanto uma ciência dedutiva quanto empírica.
:: os teoremas estão sujeitos a testes através da observação empírica, quando -então- se tornam teorias ou hipótes ou modelos.
:: a teoria não é específica: não se pode conceber -por exemplo- o preço de um bem específico
:: os teoremas da economia teórica nunca são confirmados completamente e sim apenas parcialmente.
:: às vezes, formulam-se hipóteses compatíveis com os fatos
:: a administração dos recursos escassos deve ser feita tendo em vista certos objetivos sociais:
.a. satisfazer as necessidades individuais
.b. satisfazer as necessidades coletivas: industrialização, guerra, justiça social
:: uma vez que os objetivos têm caráter social, pode-se encontrar regras de uso dos recursos escassos que melhor conduzem à realização desses objetivos.
:: o uso daí sugerido é o uso "ideal". dele surge um padrão para a avaliar o uso real. e daí surge o capítulo da microeconomia chamado de "economia do bem-estar".
:: na economia do bem-estar, o caráter condicional das proposições é mais claro do que no restante da economia teórica.
:: as regras do uso "ideal" dos recursos podem então ser consideradas como um tipo especial de leis econômicas. isto torna conveniente incluir a economia do bem-estar na economia teórica como um ramo complementar.
[seções 2 e 3 seguem amanhã; termina quarta-feira!]
DdAB
imagem: aqui. entre o que falamos acima e o globo movido por dinheiro, houve uma longa evolução histórica. pelo menos 10 ou 20 mil anos!
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
Mais da Carta Capital
querido diário:
novamente caiu o horário de verão. uma vez que o domingo parece outonal em Porto Alegre, apenas posso dizer que o Sol gira mesmo em torno da Terra, ou vice-versa, pois seu passeio já venceu a inflexão estival. novamente leio a Carta Capital da próxima quarta-feira.
nas p.30-31 tem uma entrevista com o prof. Antonio Dias Leite, importante intelectual brasileiro, de 93 anos de idade e que foi ministro das minas e energia principalmente no afamado governo Médici. festeja-se agora o lançamento de um livro (2011) de título talvez propositadamente comercial: "Brasil, país rico; o que ainda falta". ou seja, não somos um país rico, pois faltam requisitos. parece-me -to be true- que, na verdade, falta mesmo é renda per capita. a turma do FMI e do Banco Mundial nos distingue com o título de "renda média".
mas o que poderia fazer a diferença é que os pobres brasileiros não precisariam ser tão pobres. o vilão desta história é o índice de Gini, se minha ironia não me esconde a visão das causalidades.
li e amei o livro "Caminhos do Desenvolvimento", em que Dias Leite articula um projeto nacional para o Brasil. na entrevista, fala-se nesta questão, com outro enfoque. seja como for, talvez por barbeiragem do jornalista Maurício Dias, o entrevistador, que indagou:
"Essa seria mais uma contradição?".
e diz que Dias Leite respondeu:
"Ninguém sabe exatamente o que é 'curto' e o que é 'longo' prazo. Para o mundo financeiro, o curto prazo é uma semana, o longo prazo é um mês."
pois eu, na condição de economista neo-heterodoxo, juro que sei o que são os prazos relevantes para a análise econômica e, em especial, a teoria da produção. claro que Dias Leite não disse nada contra isto, pois sabe-se lá o que quereria dizer o jornalista com a pergunta e ele com esta tirada.
curtíssimo prazo: período de planejamento (veja só, não é "período de tempo") em que nenhum fator de produção pode variar.
curto prazo: período de planejamento em que apenas o trabalho pode variar.
médio prazo: não existe esta definição na teoria microeconômica da produção.
longo prazo: período de planejamento em que podem ajustar-se os níveis de alocação do trabalho e do capital.
prazo secular (ou longuíssimo prazo): período de plajamento em que todos os fatores de produção podem variar, inclusive a tecnologia. neste caso, desloca-se a própria função de produção. aliás, sempre que uma função de produção se desloca, ou seja, seu intercepto cambia, estamos no prazo secular. e isto pode durar um dia, ou uma semana, sabe-se lá. quando falamos em "secular", parece que estamos falando em grandes ondas de inovação. mas este não é o uso adequado do termo.
DdAB
imagem: aqui.
p.s.: fora que o jornalista, como muitos, não sabe o que é leito de Procusto.
novamente caiu o horário de verão. uma vez que o domingo parece outonal em Porto Alegre, apenas posso dizer que o Sol gira mesmo em torno da Terra, ou vice-versa, pois seu passeio já venceu a inflexão estival. novamente leio a Carta Capital da próxima quarta-feira.
nas p.30-31 tem uma entrevista com o prof. Antonio Dias Leite, importante intelectual brasileiro, de 93 anos de idade e que foi ministro das minas e energia principalmente no afamado governo Médici. festeja-se agora o lançamento de um livro (2011) de título talvez propositadamente comercial: "Brasil, país rico; o que ainda falta". ou seja, não somos um país rico, pois faltam requisitos. parece-me -to be true- que, na verdade, falta mesmo é renda per capita. a turma do FMI e do Banco Mundial nos distingue com o título de "renda média".
mas o que poderia fazer a diferença é que os pobres brasileiros não precisariam ser tão pobres. o vilão desta história é o índice de Gini, se minha ironia não me esconde a visão das causalidades.
li e amei o livro "Caminhos do Desenvolvimento", em que Dias Leite articula um projeto nacional para o Brasil. na entrevista, fala-se nesta questão, com outro enfoque. seja como for, talvez por barbeiragem do jornalista Maurício Dias, o entrevistador, que indagou:
"Essa seria mais uma contradição?".
e diz que Dias Leite respondeu:
"Ninguém sabe exatamente o que é 'curto' e o que é 'longo' prazo. Para o mundo financeiro, o curto prazo é uma semana, o longo prazo é um mês."
pois eu, na condição de economista neo-heterodoxo, juro que sei o que são os prazos relevantes para a análise econômica e, em especial, a teoria da produção. claro que Dias Leite não disse nada contra isto, pois sabe-se lá o que quereria dizer o jornalista com a pergunta e ele com esta tirada.
curtíssimo prazo: período de planejamento (veja só, não é "período de tempo") em que nenhum fator de produção pode variar.
curto prazo: período de planejamento em que apenas o trabalho pode variar.
médio prazo: não existe esta definição na teoria microeconômica da produção.
longo prazo: período de planejamento em que podem ajustar-se os níveis de alocação do trabalho e do capital.
prazo secular (ou longuíssimo prazo): período de plajamento em que todos os fatores de produção podem variar, inclusive a tecnologia. neste caso, desloca-se a própria função de produção. aliás, sempre que uma função de produção se desloca, ou seja, seu intercepto cambia, estamos no prazo secular. e isto pode durar um dia, ou uma semana, sabe-se lá. quando falamos em "secular", parece que estamos falando em grandes ondas de inovação. mas este não é o uso adequado do termo.
DdAB
imagem: aqui.
p.s.: fora que o jornalista, como muitos, não sabe o que é leito de Procusto.
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Economia Política
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Equilíbrio Einsteniano
querida/os blogueiras/os:
será que alguém que milita em um partido irracional (PSOL) é racional? na p.12 de Zero Hora de hoje, tem um artigo assinado por Fernanda Melchionna, vereadora deste partido. precisamos pensar no título do artigo entre aspas: "Viver é como andar de bicicleta". e nos impressionarmos com a última frase: "Albert Einstein dizia: "Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio."
como suspeito de tudo, ambém suspeito da autoria da frase. onde estará escrita? procurei no Google. tem quase 50 mil documentos com parte ou toda. mas não procurei diligentemente ao ponto de achar onde, bem escritinho, está o pensamento. seja como for, creio que ele é maravilhoso breve contra a irracionalidade dos economistas que consideram que o conceito de equilíbrio é pernicioso para a construção da ciência econômica. muitos dos acusadores usam como argumento precisamente a segunda parte da frase: sem movimento, não há equilíbrio. eu já lera -Raymundo Pereira no "Movimento"?- que "da contradição é que surge o movimento".
acho que isto explica tudo: há contradição entre ofertantes e demandantes. dela, há movimentos nas quantidades e nos preços que levam a um vetor preço-quantidade que gera o equilíbrio. se não gerar amanhã, pelo menos terá gerado ontem: mesmo que muitos agentes tenham ficado insatisfeito, vendendo de menos ou comprando mais do que o previsto pelos primeiros., que deverão desviar-se de seus estoques considerados ótimos.
eu já disse que E = m x c^2 equivale a x = B x f, com os símbolos de matéria, energia, velocidade da luz, produção setorial, matriz inversa de Leontief e vetor da demanda final. e claro que estamos supondo, em ambos os casos, equilíbrio, igualdades. movimento. somos racionais, afinal. ainda que haja partidos muito céleres em querer o socialismo. o que nós -adeptos da teoria da escolha racional- passamos a entender que queremos são é reformas democráticas que conduzam a ele. ele, não. não agora.
DdAB
imagem: aqui. é só procurar o "é preciso estar em movimento". pode-se até voar, por instantes, e manter o equilíbrio. equilíbrio dinâmico é o termo que me foi ensinado.
p.s.: acho que já falei que um dia falei para um aluno, que era aquerenciado com Mário Possas e outros campineiros. ele sustentou que não existe equilíbrio. depois contou-me que eu cocei as barbas (será que as portava?) e lhe disse: "se não houvesse equilíbrio, não estarias aqui". não lembro de ter dito, mas lembro de ele dizer que eu disse. se o fiz, e o faço agora, é apenas para relembrar que E = m * c^2, ou seja, um inegável equilíbrio entre matéria, energia, espaço e tempo. seria impossível que um conceito tão arraigado assim à natureza das coisas fosse irrelevante para construir qualquer edificação científica mais sólida.
será que alguém que milita em um partido irracional (PSOL) é racional? na p.12 de Zero Hora de hoje, tem um artigo assinado por Fernanda Melchionna, vereadora deste partido. precisamos pensar no título do artigo entre aspas: "Viver é como andar de bicicleta". e nos impressionarmos com a última frase: "Albert Einstein dizia: "Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio."
como suspeito de tudo, ambém suspeito da autoria da frase. onde estará escrita? procurei no Google. tem quase 50 mil documentos com parte ou toda. mas não procurei diligentemente ao ponto de achar onde, bem escritinho, está o pensamento. seja como for, creio que ele é maravilhoso breve contra a irracionalidade dos economistas que consideram que o conceito de equilíbrio é pernicioso para a construção da ciência econômica. muitos dos acusadores usam como argumento precisamente a segunda parte da frase: sem movimento, não há equilíbrio. eu já lera -Raymundo Pereira no "Movimento"?- que "da contradição é que surge o movimento".
acho que isto explica tudo: há contradição entre ofertantes e demandantes. dela, há movimentos nas quantidades e nos preços que levam a um vetor preço-quantidade que gera o equilíbrio. se não gerar amanhã, pelo menos terá gerado ontem: mesmo que muitos agentes tenham ficado insatisfeito, vendendo de menos ou comprando mais do que o previsto pelos primeiros., que deverão desviar-se de seus estoques considerados ótimos.
eu já disse que E = m x c^2 equivale a x = B x f, com os símbolos de matéria, energia, velocidade da luz, produção setorial, matriz inversa de Leontief e vetor da demanda final. e claro que estamos supondo, em ambos os casos, equilíbrio, igualdades. movimento. somos racionais, afinal. ainda que haja partidos muito céleres em querer o socialismo. o que nós -adeptos da teoria da escolha racional- passamos a entender que queremos são é reformas democráticas que conduzam a ele. ele, não. não agora.
DdAB
imagem: aqui. é só procurar o "é preciso estar em movimento". pode-se até voar, por instantes, e manter o equilíbrio. equilíbrio dinâmico é o termo que me foi ensinado.
p.s.: acho que já falei que um dia falei para um aluno, que era aquerenciado com Mário Possas e outros campineiros. ele sustentou que não existe equilíbrio. depois contou-me que eu cocei as barbas (será que as portava?) e lhe disse: "se não houvesse equilíbrio, não estarias aqui". não lembro de ter dito, mas lembro de ele dizer que eu disse. se o fiz, e o faço agora, é apenas para relembrar que E = m * c^2, ou seja, um inegável equilíbrio entre matéria, energia, espaço e tempo. seria impossível que um conceito tão arraigado assim à natureza das coisas fosse irrelevante para construir qualquer edificação científica mais sólida.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Mais Atropelos: agora é na praia
querida/o blogueira/o:
no outro dia, voltei a ficar estupefato ao ler em Zero Hora Papel (foto e site aqui) a notícia de que um rapaz de 18 anos, aparentemente portador de carteira de motorista, dirigindo uma camionete EcoSport, lançou-se pela avenida sobre um trecho ocupado por muitas pessoas. ele feriu 17 delas, sob a alegação de que queriam matá-lo precisamente porque ele avançava seu carro sobre elas.
há depoimentos de que um amigo dele foi visto, ocupando o banco do carona, portando uma arma e a usando, com tiros para cima. o novo atropelador nega peremptoriamente, diz que nada disso aconteceu em seu carro, que estava sozinho e que não bebera mais do que alguns goles de cerveja, o que o impediu de fazer o teste do bafômetro. o atropelador original tem parte da história contada aqui.
em minha visão microeconômica do mundo, o problema do crime é o preço baixo. obviamente a violência sempre é injustificável, mas no país da impunidade, ela passa a tornar-se moda.
DdAB
p.s.: da p.30 de Zero Hora de amanhã (!): "Pela versão do jovem, temendo linchamento, ele tentou fugir, ataropelando as pessoas. Testemunhas, porém, disseram à Polícia Civil que Pelizzer teria se irritado com pessoas que lançavam espuma com spray no veículo, e acelerado contra a multidão." fora o tiro para o ar. (acrescentado às 15h15min de 25/fev/2012).
no outro dia, voltei a ficar estupefato ao ler em Zero Hora Papel (foto e site aqui) a notícia de que um rapaz de 18 anos, aparentemente portador de carteira de motorista, dirigindo uma camionete EcoSport, lançou-se pela avenida sobre um trecho ocupado por muitas pessoas. ele feriu 17 delas, sob a alegação de que queriam matá-lo precisamente porque ele avançava seu carro sobre elas.
há depoimentos de que um amigo dele foi visto, ocupando o banco do carona, portando uma arma e a usando, com tiros para cima. o novo atropelador nega peremptoriamente, diz que nada disso aconteceu em seu carro, que estava sozinho e que não bebera mais do que alguns goles de cerveja, o que o impediu de fazer o teste do bafômetro. o atropelador original tem parte da história contada aqui.
em minha visão microeconômica do mundo, o problema do crime é o preço baixo. obviamente a violência sempre é injustificável, mas no país da impunidade, ela passa a tornar-se moda.
DdAB
p.s.: da p.30 de Zero Hora de amanhã (!): "Pela versão do jovem, temendo linchamento, ele tentou fugir, ataropelando as pessoas. Testemunhas, porém, disseram à Polícia Civil que Pelizzer teria se irritado com pessoas que lançavam espuma com spray no veículo, e acelerado contra a multidão." fora o tiro para o ar. (acrescentado às 15h15min de 25/fev/2012).
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