segunda-feira, 1 de junho de 2020

Ulysses: os dois esquemas

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Nunca se deve falar o que não se vai falar. Mas, se não o fizermos, como as outras mentes saberão o que desejamos enfatizar o que fica de fora. Obviamente a maior parte dos desdobramentos do que quer que seja está banido de nosso pensamentos, ergo de nossa escrita. Assim, quando dizemos o que não diremos, estamos injetando nas mentes dos leitores dicas sobre o que poderíamos ter escrito, mas optamos por seguir o curso que está prestes a ler.

Pois "Ulysses" não fala de mais coisas que o faz. Mas o livro fala de tanta coisa que até hoje surgem estatísticas sobre o arco da criatividade de James Joyce: citações em línguas estrangeiras, colagens, vocabulário, leituras pregressas, e por aí vai Vivaldi. Pois então. Se estamos falando em esquemas no "Ulysses", não vou falar nos esquemas que Joyce fez para auxiliar a leitura do público, e nela servir seus dois amigos Carlo Linati (esquema escrito por Joyce em 1920) e para o biógrafo Stuart Gilbert (esquema de 1921). Portanto, não vou falar sobre o Barlow Schema, a não ser no rodapé, pois, para a guria da extrema direita, ele dará o que falar.

[Lembremos que a obra de Joyce começou a ser escrita em 1914 e foi declarada concluída em 1921. E começou a ser publicada em capítulos na "The Little Review" desde março de 1918 até dezembro de 1920, quando o esquema de Linati já estava pronto. E a obra final foi publicada pela americana Sylvia Beach, em sua editora parisiense em 1922.]

Se eu falar "Não vou falar dos satélites de Júpiter", talvez o leitor não entenda o que eu escreveria se nisso fosse falar, mas terá certo conforto ao ler o que escrevi/escreverei e percebe que não sentiu falta dos nomes, o que seja, do planetão. Ao mesmo tempo, se eu estivesse falando no "Ulysses", ressalvando que nada haveria sobre Júpiter, o leitor indagaria "Por quê ele falou que não vai falar nisto?" Especialmente ficará ele, leitor, espantado, pois existe, de fato, dentro do "Ulysses" um Júpiter, na verdade um Jupiter Pluvius, personagem, entre as centenas do romance. Mais adiante, um "jumping Jupiter". Depois ainda em "círculos devânicos de Marte e Júpiter".

Ou seja, até eu estou surpreso por ter achado tanta coisa sobre a qual não iria falar. E que falei? O mínimo dos mínimos foi mesmo que o esquema Linati foi escrito em 1920 e o Gilbert, em 1921. Claro que eles são parecidos e já tem muita coisa escrita comparando-os. E se eu disser que "não vou falar sobre Oxford"? Bem que eu poderia, pois há meia dúzia de passagens sobre a cidade e sua universidade mais famosa. E se eu disser que "não vou falar sobre Cambridge"? Pois neste caso, não dá para falar sobre o que está ausente...

Conclusão: praticamente o único tema que tem pouco ou nada a falar é um tweet de Richard Allan Barlow, para mim absoluto desconhecido. Deste modo, nada há a falar sobre conclusões. Mas um dia volto aos esquemas de Linati e Gilbert, nada falando sobre Barlow. Promise.

DdAB
P.S. O Barlow Schema veio daqui:
https://twitter.com/fuyerescaper/status/1247193327226798081. E tudo inicia com a montagem que segue:

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domingo, 24 de maio de 2020

Bater e Rufar


Minha ânsia adolescente de ler todos os livros do mundo, décadas depois de ver nascerem-me os dentes do siso, transformou-se em reler todos os livros que já lera. Na era da pandemia do sr. corona vírus covid-19, tenho feito o possível para andar para frente. Agora mesmo, na quarentena, estou lendo/relendo pela terceira ou quarta vez o notável

MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria ([1881], 1999) Memórias póstumas de Brás Cubas. Porto Alegre: L&PM.

Em compensação, vou falar em lembranças e relembranças, para não falar em lambanças. Aqui no blog andei falando em plágios que pratiquei em diferentes momentos de minha carreira desde que a profa. Abigahil andou elogiando minhas composições lá naquela Escola Zamenhof de Campo Grande, Matto Grosso.

Aqui? Sim. Por estas bandas (aqui:
https://19duilio47.blogspot.com/2012/06/plagiario-eu.html
e aqui:
https://19duilio47.blogspot.com/2015/09/mais-plagios.html),
andei falando em meus plágios. Para tempos de quarentena, não acho despropositado que xs leitorxs deem uma olhada.

Agora nas bandas de cá (https://19duilio47.blogspot.com/2020/04/uma-estranha-entrervista.html), publiquei uma entrevista que pode ser considerada um plágio criativo de um texto que estava escondido em meu inconsciente e que reapareceu há poucos dias. Mostrei uma estranha entrevista que só pode ser um plágio criativo das "Memórias Póstumas", optando por copiar e colar (plágio?) a versão do Domínio Público/Biblioteca Nacional:

CAPÍTULO LV / O VELHO DIÁLOGO DE ADÃO E EVA
Brás Cubas...?
Virgília......
Brás Cubas.....................................
Virgília..................!
Brás Cubas...............
Virgília............................................................................................................................................................................ ? ......................................................................................................................................................................................................
Brás Cubas.....................
Virgília.......
Brás Cubas.......................................................................................................................................................................................................................................!...........................!...........................................................!
Virgília.......................................?
Brás Cubas.....................!
Virgília.....................!

Pois então. Mais adiante, quando vi aquele

   Fui até a janela, e comecei a rufar com os dedos no peitoril. [...],

gelei, degelei, tornei a gelar. Era nóis, era eu, era um eu agora antigo, duplamente antigo, trazendo-me evocações extra-literárias. Falo de uma história pessoal que testemunhei num ensaio da banda furiosa do Ginásio São José, de Jaguary, Rio Grande do Sul. Meu colega Pablito, sob a batuta do professor de educação física, o tenente Oscar de Oslt, fez um teste para tocar tambor na banda. O requisito era saber "rufar", mas Pablo não sabia mais que bater. Tomou as baquetas em suas mãos e bateu de um jeito que não necessitou mais que um infinitésimo de microssegundo para o tenente desqualificá-lo daquele -como não diria nenhum dos dois, nem eu- endeavour.

Hoje acredito que eu também estava pensando em inscrever-me para bater tambor nos preparativos para aquela parada setembrina de 1961. Mas, ao ver a recepção à mal-formação digital de meu camarada Pablo, lancei-me a um distanciamento, lento mas gradativo, do local do teste. Nem posso dizer que o tenente agiu como militar e não como professor, que saberia eu dizer naqueles tempos de adolescente?

Falei "evocações"? Então, além do "caso Pablito", tem que ter mais coisa, a fim de justificar o plural. Além do assunto das batidas de Pablito, habitante da Mata, então distrito de Jaguary, evoco minha própria experiência na Banda Marcial Juliana, do -como digo- Colégio Estadual Júlio de Caudilhos. Por alguma razão, no ano de 1963, 4a. série ginasial, decidi inscrever-me para os tambores dessa charanga. Havia uma vantagem, para mim, óbvia: quem tocava na banda ganhava de recompensa a dispensa das aulas de educação física, naqueles tempos ministradas no "Campo dos Cadetes", uma área do Parque da Redenção (Parque Farroupilha para os burocratas), Talvez houvesse outras vantagens, mas não lembro mais.

Circunstâncias transversas fizeram-me, nos momentos que antecediam a abertura dos portões para a turma entrar no prédio do "Julinho" para assistir às aulas da tarde, construir amizade com uma turma de rapazes. O colégio naqueles tempos só era misto no turno da noite: manhã para as garotas do hoje chamado ensino médio, além dos garotos que cursavam até a segunda série do ensino então chamado de ginásio. De tarde, postavam-se os rapazes da terceira e quarta séries do ensino médio e os demais cursando o chamado então curso colegial (clássico ou científico). Aquele bolinho que ficava encostado à parede da esquerda de quem olha, até hoje, o prédio de frente, era liderado pelo agora senhor Catatau, cujo nome o olvido roubou-me.

Pois Catatau, ao saber, ou até ao convidar-me para ingressar na Banda Marcial Juliana, indagou se eu sabia "rufar". Claro que sabia, mesmo antes da influência machadiana, rufar no vidro da janela, na beirada da mesa, deitado, sob o travesseiro, sempre com quatro dedos, o polegar às vezes fazendo o papel de bordão. Tampouco lembro de ter feito teste naquelas instâncias, digamos que com dois lápis servindo como baquetas. Claro que, tal qual meu amigo Pablo, fui reprovado: não sabia rufar baquetas, apenas quatro dedos, prr, prr, prr, prrrr e mais o pim-pim-pim do bordão. Tampouco lembro que testes fiz, mas recordo de fazê-lo, já com desenvoltura, no prato vazio do almoço, com dois garfos. Nesse ponto eu já me tornara um bom rufião, digo, um bom rufador...

Fiquei dois anos tocando tambor na banda. No segundo ano do curso científico, abandonei minha vocação rufante e voltei para as aulas de ginástica lá ainda no Campo dos Cadetes. No terceiro ano, não me envolvi em nenhuma delas: passei ao turno da noite, em que a turma deveria trabalhar de dia e, assim, não ter tempo para a cultura física. Foi então que...

DdAB
P.S. Contei, da melhor maneira que minhas atuais acuidades visual e aritmética permitem, o número de pontos constituintes do diálogo extraordinariamente machadiano. E, na hora da conferência, desisti, recorrendo ao PDF baixado daqui (http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf). Nada garanto, sobre o restante, principalmente, a qualidade da diagramação do livro da festejada editora L&PM. De fato, comparando com o original disponibilizado pela Biblioteca Nacional, agora deslocados de Virgília para Marcela, vemos:

   Não a conheci logo; era difícil; ela porém conheceu-me apenas lhe dirigi a palavra. Os olhos chispavam e trocaram a expressão usual pôr outra, meio doce e meio triste. Vi-lhe um movimento como para esconder-se ou fugir; era o instinto da vaidade, que não durou mais que um instante.. Marcela acomodou-se e sorriu.
[Os negritos foram colocados por mim para distinguir erros de conferência do texto editado pela L&PM, aquele "pôr", infinitivo do verbo que manteve o acento. Se bem lembro, versões arcaicas do Word/Windows corrigia a preposição "por", colocando o verbo "pôr". E aqueles dois "meio", que apareceram lá no site da Biblioteca Nacional (aqui:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf)
como "meia". Aí parece a outra sandice: a "fixação de texto": será que o grande Machado não estava mesmo transformando o advérbio em adjetivo?

P.S.S. Na página 234 da mesma obra, temos todo um capítulo (mas que eu transcrevo do arquivo  da Biblioteca Nacional, que, por sinal, dá os capítulos numerados em arábico e não em romano):

CAPÍTULO CLII / A MOEDA DE VESPASIANO
  Tinham ido todos; só o meu carro esperava pelo dono. Acendi um charuto; afastei-me do cemitério. Não podia sacudir dos olhos a cerimônia do enterro, nem dos ouvidos os soluços de Virgília. Os soluços, principalmente, tinham o som vago e misterioso de um problema. Virgília traíra o marido, com sinceridade, e agora chorava-o com sinceridade. Eis uma combinação difícil que não pude fazer em todo o trajeto; em casa, porém, apeando-me do carro, suspeitei que a combinação era possível, e até fácil. Meiga Natura! A taxa da dor é como a moeda de Vespasiano; não cheira a origem, e tanto se colhe do mal como do bem. A moral repreenderá, porventura, a minha cúmplice; é o que te não importa, implacável amiga, uma vez que lhe recebeste pontualmente as lágrimas. Meiga, três vezes meiga Natura!

Machado de Assis conhecia o que não imaginamos! Aquela cita a Vespasiano e sua moeda que "não cheira a origem" aprendi-a lendo notas ao "Capital", de Karl Marx. Mas agora, na Wikipedia, vejo algo diferente do que eu imaginava lembrar. Eu pensava em dinheiro dos banheiros. A Wiki em português é taxativa:
[Vespasiano] Instituiu um imposto sobre a urina humana, ingrediente chave na indústria antiga da lavagem e processamento de tecidos, justificando com a famosa frase: Pecunia non olet (“Dinheiro não tem cheiro”).
E a Wikipedia em inglês parece aproximar-se da versão do "Capital" que referi sair-me da memória:
Vespasian and Mucianus renewed old taxes and instituted new ones, increased the tribute of the provinces, and kept a watchful eye upon the treasury officials. The Latin proverb "Pecunia non olet" ("Money does not stink") may have been created when he had introduced a urine tax on public toilets.
Before Vespasian, this tax was imposed by Emperor Nero under the name of "vectigal urinae" in the 1st century AD. However the tax was removed after a while, it was re-enacted by Vespasian around 70 AD in order to fill the treasury.

P.S.S. A imagem que nos encima é uma referência ao capítulo "O Delírio", uma obra prima que poderia parecer um conto. E muito bela.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

270 Introduções à Filosofia: jamais serei Ph.D.


Já cansado de declarar-me estudante de nível intermediário em introdução à filosofia, fui à Stanford Encyclopedia of Philosophy e pedi busca por "philosophy" (https://plato.stanford.edu/search/searcher.py?query=philosophy), pensando já ter-me envolvido na leitura de todas as áreas em que se divide o campo. Vieram 2003 páginas, parece uma data..., com 10 entradas em cada uma. Lendo um verbete por dia, levaria dois meses para cumprir a tarefa monótona, porém celestial.

Pensei que, tendo lido uma pilha de livros introdutórios, eu já teria sido capaz de formar uma visão de conjunto de todo o campo. Muito me enganei, pois há filosofia de tudo, talvez até a filosofia da filosofia da filosofia, jamais chegarei lá... Para iniciar, a primeira é "Latinx Philosophy", um desses "nunca ouvi falar" que tanto me ocorre no lar, na sala de estar, no bar, em todo lugar. E por que este latinório veio em primeiro lugar? Só pode ser blague do algoritmo, que deve ter-me identificado como do lado debaixo do equador, un cucaracho, como falava nosso inesquecível general Figueiredo. Que jamais imaginaria que um capitão igualaria seu estilo escalafobético.

Este Latinx Philosophy aparece conforme reproduzi em seguida. Claro que haverá muitos desdobramentos relevantes que não serão capturados em meu estilo de pesquisa. E, nem sei se é pior, estarei carregando erros vergonhosos, como exemplifico no P.S.S.S. lá de baixo com "undergraduate philosophy", embora exista o "children's philosophy", uma confusão. Seja como for tenho certeza de que a lição é óbvia: jamais passarei do nível intermediário. Eis aqui o primeiro verbete que apareceu, com aquele Latinx:

Latinx Philosophy (https://plato.stanford.edu/entries/latinx/)
of Latinx philosophy in impulses to autochthonous philosophy within Latin American philosophy. 2.3 Latina...characterizes Hispanic/Latinx philosophy as an ethnic philosophy, that is, the philosophy produced by an ethnic... accounts of ethnic philosophy, Hispanic philosophy, and Latin American philosophy. It also faces challenges...


Mas há lições em todas as áreas em que meu terreninho foi dividido. E já começou na primeira página. Eu, que estudei inglês no início dos anos 1970 no Instituto Cultural Norte-Americano de Porto Alegre, alcançando o nível "advanced", nunca ouvira falar no adjetivo "latinx". Uma das boas razões para não ter ouvido foi que ele não existia mesmo. Claro que fui tentar entender o que estava acontecendo e procurei no Google. Este enviou-me para a Wikipedia e rapidamente ficou claro tratar-se de um neologismo (lá no dizer deles) de 2004 abarcando os latino-americanos, as latino-americanas e todos os gêneros envolvidos entre o "o" e o "a". Que fiz com o verbete que acabo de glosar? Tirei as seguintes filosofias (e desprezei aquele "autochthonous philosophy", por excesso de generalidade, na linha de tipo "filosofia terráquea", em que tudo cabe, até a maneira de pensar do presidente Bolsonaro, como sabemos, uma aberração que berra e faz a barba):

.1. Latinx philosophy
.2. Latin American philosophy
.3. Hispanic/Latinx philosophy
.4. ethnic philosophy
.5. Hispanic philosophy.
Dado o confinamento a que fomos submetidos por um processo de globalização de tudo - riqueza, pobreza, saúde e doença - achei de achar-me no tempo ocioso e fui pesquisar essas 2003 entradas na Plato. Ao iniciar a mexer na encrenca, andei bastante para frente e cheguei a pensar no que haveria no verbete 1947, meu ano de nascimento. Ele poderia guardar algo numerologicamente especial. Mas não tive paciência de girar a roleta até chegar por lá. Então decidi fazer um experimento com os 150 primeiros entradas (ou seja, umas 15 entradas). Só no confinamento!!! E aqui vão os 270 resultados que encontrei.

18th Century German Philosophy Prior to Kant
Academic philosophy
Adam Smith’s Moral and Political Philosophy
Aesthetics
African American Philosophy
African Philosophy
African Sage Philosophy
Afro-Caribbean Philosophy
Akan Philosophy (ethics and political...)
Akan Philosophy of the Person
al-Farabi’s Philosophy of Logic and Language
al-Farabi’s Philosophy of Society and Religion
America’s Analytic Philosophy
American philosophy
American pragmatist philosophy
Analytic Philosophy
Analytic Philosophy in Latin America
Analytic Philosophy of Technology
Ancient Philosophy
Ancient Political Philosophy
Applied or practical philosophy
Applied philosophy
Aquinas’ Moral, Political, and Legal Philosophy
Arabic and Islamic Natural Philosophy and Natural Science
Arabic and Islamic Philosophy
Arabic and Islamic Philosophy of Language and Logic
Arabic and Islamic Psychology and Philosophy of Mind
Arabic philosophy
Arabic philosophy and Averroism
Aristotle's philosophy of mind
Aristotle’s Natural Philosophy
Asian philosophy
Autonomous philosophy
Byzantine Philosophy
Chinese Philosophy
Chinese Philosophy and Chinese Medicine
Chinese Philosophy of Change (Yijing)
Chinese Philosophy: ethics
Chinese Philosophy: legalism
Chinese Philosophy: Mohism
Chinese political philosophy
Christian Philosophy
Civil philosophy
Classical Indian Philosophy
Comparative Philosophy: Chinese and Western
Computational Philosophy
Confucian Japanese Philosophy
Contemporary philosophy of art
Continental philosophy
Critical philosophy
Cross-cultural philosophy
Daoist philosophy
Dewey’s Moral Philosophy
Dewey’s Political Philosophy
Doxography of Ancient Philosophy
Ecofeminist Philosophy
Einstein’s Philosophy of Science
Environmental Philosophy
Epicurus' philosophy
Epistemology
Epistemology in Chinese Philosophy
Epistemology in Classical Indian Philosophy
Ethics
Ethics and social/political philosophy
Ethnic philosophy
Ethnophilosophy
Experimental Moral Philosophy
Experimental Philosophy
Feminist Environmental Philosophy
Feminist Epistemology and Philosophy of Science
Feminist History of Philosophy
Feminist Philosophy
Feminist Philosophy of Biology
Feminist Philosophy of Language
Feminist philosophy of law
Feminist Philosophy of Religion
Feminist Political Philosophy
Formalist philosophy of mathematics
General philosophy of science
Greek philosophy
Greek political philosophy
Greek Popular Philosophy
Greek Sources in Arabic and Islamic Philosophy
Hermeneutics
Hispanic and Latino/a philosophy
Hispanic philosophy
History of Philosophy
Hobbes’ Philosophy of Science
Hobbes’s Political Philosophy
Hume’s Moral Philosophy
Ibn Rushd’s Natural Philosophy
Ibn Sina’s Natural Philosophy
Imperial Chinese philosophy
Indian Buddhist Philosophy
Indian philosophy
Influence of Arabic and Islamic Philosophy on Judaic Thought
Influence of Arabic and Islamic Philosophy on the Latin West
Innovation in philosophy
Intuitionism in the Philosophy of Mathematics
Ionian Philosophy
Islamic philosophy
Japanese Confucian Philosophy
Japanese Philosophy
Japanese Pure Land Philosophy
Japanese Zen Buddhist Philosophy
John Wyclif’s Political Philosophy
Joseph Butler’s Moral Philosophy
Kant's Critical Philosophy of Mathematics
Kant’s Moral Philosophy
Kant’s Philosophy of Mathematics
Kant’s Philosophy of Religion
Kant’s Philosophy of Science
Kant’s Social and Political Philosophy
Language in Indian philosophy
Latin American philosophy
Latin American Philosophy: Metaphilosophical Foundations
Latin and Arabic philosophy
Latinx Philosophy
Legal philosophy
Leibniz-Wolffian philosophy
Leibniz’s Early Philosophy
Leibniz’s Exoteric Philosophy
Leibniz’s Philosophy of Mind
Leibniz’s Philosophy of Physics
Locke’s Moral Philosophy
Locke’s Philosophy of Science
Locke’s Political Philosophy
Logic and Language in Early Chinese Philosophy
Logic in Classical Indian Philosophy
Logic in Islamic philosophy
Madhyamaka philosophy
Medieval natural philosophy
Medieval Philosophy
Medieval Political Philosophy
Meta-philosophy
Metaphysics
Metaphysics in Chinese Philosophy
Mexican philosophy
Mill’s Moral and Political Philosophy
Modern philosophy
Moore’s Moral Philosophy
Moral Philosophy
Moral and Political Philosophy
Mysticism in Arabic and Islamic Philosophy
Natural philosophy
Natural Philosophy in the Renaissance
Naturalism in Classical Indian Philosophy
Naturalism in Legal Philosophy
Naturalism in the Philosophy of Mathematics
Newton’s Philosophy
Nietzsche’s Moral and Political Philosophy
Nominalism in the Philosophy of Mathematics
Nonfeminist philosophy
Normative social and political philosophy
Ontology
Perfectionism in Moral and Political Philosophy
Peripatetic philosophy
Peruvian philosophy
Phenomenological philosophy
Philosopht Xunzi
Philosophy
Philosophy and biology.
Philosophy and Public Policy after Piketty
Philosophy for Children
Philosophy Hanfeizi
Philosophy in Mexico
Philosophy of action
Philosophy of Architecture
Philosophy of Aristotle
Philosophy of Arithmetic in Light of the Traditional Logic
Philosophy of art
Philosophy of Biological and Biomedical Studies
Philosophy of Biological Science
Philosophy of Biology
Philosophy of Biomedicine
Philosophy of Cancer
Philosophy of Cell Biology
Philosophy of Chemistry
Philosophy of Childhood
Philosophy of Computer Science
Philosophy of Cosmology
Philosophy of Dance
Philosophy of Descartes
Philosophy of Digital Art
Philosophy of Economics
Philosophy of Education
Philosophy of Evidence-Based Medicine
Philosophy of Evolutionary Biology
Philosophy of Film
Philosophy of Formal Sciences
Philosophy of History
Philosophy of Humor
Philosophy of Immunology
Philosophy of intuitionism
Philosophy of Kalam
Philosophy of language
Philosophy of Law
Philosophy of Liberation
Philosophy of Linguistics
Philosophy of Locke
Philosophy of logic
Philosophy of Macroevolution
Philosophy of Mathematics
Philosophy of Medicine
Philosophy of Mind
Philosophy of mind and language
Philosophy of Mind in Antiquity
Philosophy of Modern Physics
Philosophy of Molecular Biology
Philosophy of Money and Finance
Philosophy of Music
Philosophy of Neuroscience
Philosophy of nominalism
Philosophy of painting
Philosophy of perception
Philosophy of philosophy
Philosophy of Physics
Philosophy of Plato
Philosophy of play
Philosophy of pragmatism
Philosophy of Psychiatry
Philosophy of race and gender
Philosophy of religion
Philosophy of science
Philosophy of Science in Latin America
Philosophy of sensation and perception
Philosophy of Sport
Philosophy of Statistical Mechanics
Philosophy of Statistics
Philosophy of Systematic Biology
Philosophy of Systems and Synthetic Biology
Philosophy of Technology
Philosophy of the Arts
Philosophy of Theater
Philosophy of Time
Philosophy of truth and reason
Philosophy of Western Europe
Philosophy: Mohism
Platonism in the Philosophy of Mathematics
Political philosophy
Positive philosophy of religion
Post-structuralist philosophy
Practical philosophy
Pre-Critical philosophy
Presocratic Natural Philosophy
Presocratic Philosophy
Probability in Medieval and Renaissance Philosophy
Process Philosophy (ontology and metaphysics)
Pufendorf’s Moral and Political Philosophy
Qing Philosophy
Rational Ethics
Robert Nozick’s Political Philosophy
Russell’s Moral Philosophy
Sage Philosophy
Scottish Philosophy
Scottish Philosophy in the 18th Century
Scottish Philosophy in the 19th Century
Social and Political Thought in Chinese Philosophy
Social philosophy
Spinoza’s Political Philosophy
Structuralism in the Philosophy of Mathematics
Theology
Theoretical Philosophy
Tibetan Epistemology and Philosophy of Language
Trans-empirical philosophy
Universal philosophy
Western philosophy
Whitehead’s philosophy
Wittgenstein's anti-philosophy
Wittgenstein’s Philosophy of Mathematics

Então fiquei pensando: PhD em Philosophy? Qual delas?

DdAB
P.S. Parece que não faltou nada, exceto a Filosofia do Conjunto Vazio, numa referência às indagações sobre a natureza do pensamento do presidente da república do Brasil.
P.S.S. A listagem inteira nos moldes anteriormente referidos deu umas 150 páginas de  texto no Libre Office do Ubuntu. Pensei: para ler um livro de 150 páginas, nunca encontro tempo, mas para esta lista de filosofias encontrei. E aí lembrei de um primo cuja mãe/tia não se conformava com os péssimos resultados escolares alcançados por ele, que mostrava extraordinária memória ao saber de cor todas as escalações de todos os times de futebol que disputavam campeonatos no Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
P.S.S.S. E aqui está o milésimo verbete:

embellishments, though—as is usually the case in philosophy—there are many issues taken up here which could...the like. The targets might be undergraduate philosophy students, and the goal might be to give them ... not a perfection (see almost any textbook in philosophy of religion); (6) ontological arguments presuppose...
Graham Oppy
Claramente daqui não posso ficar com a "undergraduate philosophy", mas - se ainda não o tivesse feito - retiraria a "philosophy of religion". E, em outros locais, tem casos que requerem atenção, que dou apenas um contra-exemplo: "philosophy written".

sábado, 16 de maio de 2020

Bono Vox e Mestre Capiba



Por ser uma breve observação sobre o genial compositor pernambucano Mestre Capiba (aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Capiba), deixo-a para o final, de sorte a poder estender-me sobre algo genial: a lista de 60 canções selecionadas por Bono (Vox) para comemorar seu ingresso no mundo sex - sexagenário, os 60 anos de existência.

De minha parte, no ano zero de minha própria existência, o carnaval foi embalado pela canção de Braguinha intitulada "Pirata da Perna de Pau" (ver aqui: http://dicionariompb.com.br/braguinha/obra). Corria, pelo que me contam, o ano de 1947 (no em que, em meu próprio dia, nasceu Moraes Moreira). Em breve a ela eu deveria/deverei acrescentar mais 72, soixante dix-sept. Vou imediatamente iniciar a procura do que rolou em 1948.

Segue-se a lista de Bono:

Ordem originalOrdem alfabética
1. Luciano Pavarotti e Bono e Zucchero – "Miserere"Adele – "Chasing Pavements"
2. Sex Pistols – "Anarchy In the UK"Andrea Bocelli - "Con Te Partiro"
3. Kanye West – "Black Skinhead"Angélique Kidjo – "Agolo"
4. Billie Eilish – "everything i wanted"Arcade Fire – "Wake Up"
5. David Bowie – "Life on Mars?"Bee Gees – Immortality – "Demo Version"
6. The Beatles – "I Want to Hold your Hand"Beyoncé feat Kendrick Lamar – "Freedom"
7. Ramones – "Swallow My Pride"Billie Eilish – "everything i wanted"
8. The Clash – "Safe European Home"Bob Dylan – "Most of the Time"
9. Public Enemy – "Fight The Power"Bob Marley & The Walers – "Redemption Song"
10. Patti Smith – "People Have the Power"Bruce Springsteen – "There Goes My Miracle"
11. John Lennon – "Mother"Coldplay – "Clocks"
12. The Rolling Stones – "Ruby Tuesday"Daft Punk feat Pharrell Williams & Nile Rodgers – "Get Lucky"
13. Elton John – "Daniel"Daniel Lanois – "The Maker"
14. Andrea Bocelli - "Con Te Partiro"David Bowie – "Heroes"
15. Elvis Presley – "Heartbreak Hotel"David Bowie – "Life on Mars?"
16. Johnny Cash – "Hurt"Depeche Mode – "Walking In My Shoes"
17. This Mortal Coil – "Song to the Siren"Echo and the Bunnymen – "Rescue"
18. Kraftwerk – " Neon Lights"Elton John – "Daniel"
19. The Fugees – "Killing Me Softly With His Song"Elvis Presley – "Heartbreak Hotel"
20. Prince – "When Doves Cry"Frank Sinatra & Bono – "Under My Skin"
21. Daft Punk feat Pharrell Williams & Nile Rodgers – "Get Lucky"Gavin Friday – "Angel"
22. Madonna – "Ray of Light"Iggy Pop – "Lust for Life"
23. JAY-Z feat Alicia Keys – "Empire State of Mind"INXS – "Never Tear Us Apart"
24. Talking Heads – "Love Goes to Building on Fire"JAY-Z feat Alicia Keys – "Empire State of Mind"
25. Lou Reed – "Satellite of Love"John Lennon – "Mother"
26. The Verve – "Bitter Sweet Symphony"Johnny Cash – "Hurt"
27. Joy Division – "Love Will Tear Us Apart"Joy Division – "Love Will Tear Us Apart"
28. New Order – "True Faith"Kanye West – "Black Skinhead"
29. R.E.M. – "Nightswimming"Kendrick Lamar feat U – "XXX"
30. Adele – "Chasing Pavements"Kraftwerk – " Neon Lights"
31. Arcade Fire – "Wake Up"Lady Gaga – "Born This Way"
32. Pixies – "Monkey Gone to Heaven"Lou Reed – "Satellite of Love"
33. Oasis – "Live Forever"Luciano Pavarotti e Bono e Zucchero – "Miserere"
34. Iggy Pop – "Lust for Life"Madonna – "Ray of Light"
35. Gavin Friday – "Angel"Massive Attack – "Safe From Harm"
36. Massive Attack – "Safe From Harm"New Order – "True Faith"
37. Kendrick Lamar feat U2 – "XXX"New Radicals – "You Get What You Give"
38. Bob Marley & The Walers – "Redemption Song"Nick Cave & The Bad Seeds – "Into My Arms"
39. Echo and the Bunnymen – "Rescue"Nirvana – "Smells Like Teen Spirit"
40. Nirvana – "Smells Like Teen Spirit"Oasis – "Live Forever"
41. Pearl Jam – "Jeremy"Patti Smith – "People Have the Power"
42. Bob Dylan – "Most of the Time"Pearl Jam – "Jeremy"
43. Beyoncé feat Kendrick Lamar – "Freedom"Peter Frampton – "Show Me The Way"
44. Depeche Mode – "Walking In My Shoes"Pixies – "Monkey Gone to Heaven"
45. Nick Cave & The Bad Seeds – "Into My Arms"Prince – "When Doves Cry"
46. Simon & Garfunkel – "The Sounds of Silence"Public Enemy – "Fight The Power"
47. Coldplay – "Clocks"Ramones – "Swallow My Pride"
48. INXS – "Never Tear Us Apart"REM – "Nightswimming"
49. New Radicals – "You Get What You Give"Sex Pistols – "Anarchy In the UK"
50. Angélique Kidjo – "Agolo"Simon & Garfunkel – "The Sounds of Silence"
51. Lady Gaga – "Born This Way"Simple Minds – "New Gold Dream (///)"
52. Frank Sinatra & Bono – "Under My Skin"Sinéad O’Connor – "You Made Me The Thief Of Your Heart"
53. David Bowie – "Heroes"Talking Heads – "Love Goes to Building on Fire"
54. Simple Minds – "New Gold Dream (81/82/83/84)"The Beatles – "I Want to Hold your Hand"
55. Sinéad O’Connor – "You Made Me The Thief Of Your Heart"The Clash – "Safe European Home"
56. Van Morrison – "A Sense of Wonder"The Fugees – "Killing Me Softly With His Song"
57. Bruce Springsteen – "There Goes My Miracle"The Rolling Stones – "Ruby Tuesday"
58. Daniel Lanois – "The Maker"The Verve – "Bitter Sweet Symphony"
59. Peter Frampton – "Show Me The Way"This Mortal Coil – "Song to the Siren"
60. Bee Gees – Immortality – "Demo Version"Van Morrison – "A Sense of Wonder"

Quanto menos eu conheço da lista, mais louvo a qualidade da audição de Bono. Claro que reconheci "I want to hold your hand", senti falta de "She loves you" e também de Chico Buarque, "Pedro Pedreiro". Também senti falta dos quartetos para cordas de Beethoven, pois gosto da piadinha de William Baumol dizendo que o setor serviços tem um fator intrínseco de estancamento da produtividade do trabalho, pois um quinteto de cordas não poderá jamais ser composto por quatro instrumentistas. Ainda assim, amo os quartetos de Beethoven das cordas e também os do piano, sem saber até hoje quais os mais sublimes.

Seja como for, essa diferença entre os 60 de Bono e os talvez milhares de quartetos e quintetos de cordas e de piano de Beethoven, Mozart, Brahms, essa turma leva-me a pensar na frase que ouço (hoje não consegui confirmação) de autoria de Mestre Capiba: a música se divide em dois grupos indevassáveis: a boa e a má. Quartetos, quintetos, roquenrou e pop-rock: esta é a vida.

DdAB
P. S. "She loves you" tá explicado no texto. "I'll get you in the end" entrou no mesmo compacto que o pai da Angélica (que era piloto da Varig) trouxe-lhe no 15o. aniversário. E eu dancei com ela e ela disse-me "I'll get you in the end", mas nunca pegou, os tempos não eram propícios.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Heródoto Merece Respeito, Bolsonaro!





Interesses materiais (R$ 10,00) levaram-me a adquirir o livro:

KAPUŚCIŃSKI, Ryszard (2006) Minhas viagens com Heródoto; entre a história e o jornalismo. São Paulo: Companhia das Letras.

Um livro fascinante que me deu lições fascinantes, se não me faço redundante. Tanta coisa... Decidi fazer uma postagem brincando com a estupidez do presidente da república e seus acólitos. Tentando assenhorear-me do cerne do livro do, como vim a entender ser seu prenome, Ricardo, fui direto para a Wikipedia e entendi que a melhor solução para mim é ir direto ao assunto, pois -outra fonte- dá 2.8 milhões de entrada para "Heródoto". Só para contar 1, 2, 3, ... 2.799.999, 2.800.000, levaria quase um dia e meio.

Então decidi ser rasteiro, como o presidente da república, claro. Mas não posso ser tão naïve quanto o pinta. Então direto lembrei de uma postagem (aqui: https://19duilio47.blogspot.com/2013/04/os-sete-orificios-da-cabeca.html) em que comento o que é ciência e o que não é. E o caráter evolutivo da ciência que nos leva a pensar que os antigos diziam cada barbaridade. E nunca que os pósteros pensarão o mesmo de nós, claro. Da postagem e do livro de Rubem Alves, destaco uma citação:

Existem sete janelas na cabeça: duas ventas, duas orelhas, dois olhos e uma boca. Do mesmo modo, existem no céu duas estrelas propiciadoras, duas desfavoráveis, duas luminosas e uma só indecisa e indiferente, que é Mercúrio. Daí e de muitos outros fenômenos semelhantes da natureza (sete metais, etc.), que seria fatigante enumerar, concluímos que o número dos planetas é necessariamente sete... Além disso, os satélites são invisíveis a olho nu, logo não podem ter influência sobre a Terra, logo são inúteis, logo não existem.

Pois então, e apenas então. Nosso amigo, polaco Ricardo, na página 204, cita Heródoto:

De minha parte, não posso deixar de rir quando vejo os que descreveram a circunferência da Terra pretenderem, sem atender à razão, ser a Terra redonda, envolvida pelo oceano de todos os lados, e a Ásia igual  à Europa. [...]

Moral da história: devemos tratar Heródito e Francis Bacon com o maior respeito. E não posso deixar e rir por tratar Jair Bolsonaro com o maior desprezo.


DdAB
P.S. O mapa principal veio daqui=
http://www.mapas-historicos.com/cartografia-historia.htm, que também forneceu o que vemos acima de minhas iniciais. Diz ali mesmo na figura tratar-se do "mapa de Eratóstones". Sabemos que 200 anos antes de Cristo, a moçada já sabia que a Terra é esferóide.
P.S.S. No outro dia, comentei o que Bolsonaro fez ao ler minha postagem em que eu referia uma citação que se espalhava pelas páginas 215-6, ele pensou ser 209. E agora não precisou de calculadora, afirmando, com orgulho, que a página que refiro é 204, dizendo: "Agora entendo, 204-0=204."

domingo, 10 de maio de 2020

Meu Problema Filosófico: Bolsonaro


Especializando-me em introdução à filosofia, li, tempinhos atrás, o livro

RUSSELL, Bertrand ([1912], 2018) Os problemas da filosofia. Lisboa: EDIÇÕES 70.

Velhinho, né? Mas, já que estamos no assunto da wing do tema da biblioteca de que me encontro divorciado (motivo covid-19, mas que haverá reencontro em breve), vai um outro introdutório e maravilhoso. Diferentemente daquele mr. Marcondes que citei no dia 3 de maio, Thomas Nagel não fala em história da filosofia, mas seleciona alguns temas, dando interessantes respostas filosóficas sob o ponto de vista contemporâneo, contemporâneo dele. Além de um capítulo introdutório de seu livro, temos:

Como sabemos alguma coisa?
Outras mentes
O problema mente-corpo
O significado das palavras
Livre-arbítrio
Certo e errado
Justiça
Morte
O significado da vida

NAGEL, Thomas (2007) Uma breve introdução à Filosofia. São Paulo: Martins Fontes. [Título original: What does it all mean? O título em português foi retirado do primeiro parágrafo da Intrudução]

Voltando a Russell, quero citar um trechinho, associar com Isaac Azimov (citarei de memória) e fazer um comentário edificante sobre o futuro do presidente da república. Eu disse Russell, páginas 215-6:

[...] Há muitas questões - e entre elas as que são do mais profundo interesse para a nossa vida espiritual - que, tanto quanto podemos ver, têm de continuar insolúveis pelo intelecto humano a menos que os seus poderes passem a ser de uma ordem diversas diferente do que são agora. Tem o universo alguma unidade ou plano ou propósito, ou é uma confluência fortuita de átomos? É a consciência uma parte permanente do universo, dando a esperança de um crescimento sem fim em sabedoria, ou é um acidente transitório num pequeno planeta no qual a vida terá de acabar por se tornar impossível? São o bem e o mal importantes para o universo ou apenas para o homem? Tais questões são levantadas pela filosofia, e respondidas de modos diversos por filósofos diversos. Mas parece que, sejam as respostas susceptíveis de ser descobertas de outro modo ou não, nenhuma das respostas sugeridas pela filosofia são demonstrativamente verdadeiras. Contudo, por mais pequena que seja a esperança de descobrir uma resposta, faz parte da actividade filosófica continuar a considerar tais questões, para nos tornar cientes de sua importância, para examinar todas as suas abordagens e para manter vivo aquele interesse especulativo no universo que é susceptível de sr liquidado, se nos confinarmos ao conhecimento que pode ser definitivamente estabelecido.

Actividade? Susceptível? Só pode ser mesmo português de Portugal, tanto é que a editora 34 tem sede em Lisboa... Seja como for, imagino Bolsonaro lendo este trecho do antigo livro introdutório de um dos grandes filósofos do século XX. Foi Russell um dos que contribuiu substantivamente para a união definitiva da lógica e da matemática. E, no final da vida, tornou-se um ativista da causa da paz mundial, como é o caso de Noam Chomsky nos dias que correm. Imagino Bolsonaro militando a favor da paz mundial: aí mesmo é que guerras e mais guerras é que iriam rolar.

Por todas as conquistas comprovadas do intelecto de Bolsonaro, torna-se patente que, ao ler o trecho que selecionei, além de dar berros, urros e rugidos de ódio de sua condição de imbecil, ele também diria tratar-se de uma abordagem comunista, pois - argumentaria ele - leitura complicada e coisa de Moscow.

Deixando avaliações sobre o presidente do Brasil de lado, passo a comentar alguma coisa da passagem selecionada. Hoje sabemos que, seguindo a sequência principal, o Sol vai tornar-se uma anã branca. Quando essa contração começar, é provável que o sistema planetário sofra calorões inauditos. E, dando sequência a essa situação, ao transformar-se em estrela gigante vermelha, o calor da expansão é capaz de acabar com o que ainda restava de seu sistema planetário. Se a Terra ainda estivesse na órbita que conhecemos, ela seria torrada como minhoca no café dos bêbados, uma simpatia bem antipática para eles deixarem a birita.

E daí? Daí vem Isaac Azimov para nos salvar. Primeiro, ele provavelmente em algum de seus livros de ficção científica problematizou a questão do abandono do planeta. Eu mesmo já andei dizendo que "viver em planeta é perigoso", antevendo o momento em que a humanidade construirá naves espaciais enormes, acomodando famílias inteiras, comunidades inteiras e flanará fagueira pela imensidão do espaço.

Seja como for, ainda em seus movimentos terráqueos, Azimov escreveu um conto intitulado "A última pergunta", integrante do livro "Nove amanhãs" (memórias que merecem conferência, pois meu livro está alheio a meu confinamento). A história começa com dois engenheiros, um tanto embriagados na comemoração de um evento cibernético, digamos, um novo e potente computador, quando um indaga ao outro: a entropia pode ser invertida? Entropia como sabemos é o estado de desorganização da matéria. O melhor exemplo que chegou a mim é pensarmos no sistema formado por um ovo: casca, clara e gema. Então seu estado de organização é máximo. Imagine que o ovo se quebra, a entropia sobe significativamente, ou seja, aquela matéria bem organizada deixa de sê-lo. E nunca mais se poderá montar novamente aquele ovo. Perdeu-se organização, aumentou-se a entropia.

Nenhum dos engenheiros sabe a resposta e deslocam a pergunta ao computador. Este faz uns barulhinhos, range dentes (dentes?), etc., e manda um bilhetinho: não tenho dados suficientes para responder. À medida que os computadores vão evoluindo, volta e meia, alguém torna a indagar ao mais moderno deles: a entropia pode ser invertida? E assim a humanidade evoluiu, sempre expandindo seu conhecimento e mantendo-se incapaz de responder a essa simples pergunta. Os próprios seres humanos começaram a se transformar, tornando-se espécies de seres gelatinosos que se comunicam por telepatia, sei lá. Quando eles já não têm razão para viver, pois evoluíram para uma espécie de beco sem saída, dotados de um conhecimento deles próprios astronômico e do funcionamento do próprio universo, que praticamente está em desorganização absoluta. No momento em que estão prestes a encerrar a trajetória pós-humana, um deles indaga novamente: a entropia poderá ser invertida?

E a resposta que não seria dada nem pela ministra Damares nem pelo próprio presidente Bolsonaro é: faça-se a luz!

DdAB
P.S. Aquela maçaroca lá do início é para reproduzir duas galáxias se encontrando. Eu a selecionei pois pareceu-me ter tudo a ver com o atual governo brasileiro e seu intelecto privilegiado (no mau sentido).
P.S.S. Informantes do Palácio do Planalto levaram-me a crer que, quando o presidente da república ler esta postagem e aquela referência à página do livro de Russell que citei, ou seja, páginas 215-6, ele exclamará: "Que animal! Ao invés de citar a página 209, fica mandando a gente usar a máquina de calcular para ver qual é mesmo a página citada."

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Meus CDs e a Pandemia: sorrisos e lágrimas


Melhor dizendo, desdizendo o título: meus 394 CDs mexidos nesta tarde de confinamento domiciliar, causaram-me tristeza, rapidamente substituída por incontida alegria. Minha postagem atende ao marcador "Vida Pessoal", mas -falando rapidamente em capacidade ociosa- poderia também ser "Economia Política", que é o marcador modal. Que capacidade ociosa? Primeiro, é que ouço apenas um de cada vez, ficando, portanto os outros 393 completamente ociosos. Segundo, especialmente agora que permanecerão sob meu teto, a capacidade ociosa de todos os 394 será total. Um dia, quem sabe, eles vão a um museu?

Tudo começou com intenções nutridas bem antes da classificação desta gripe matadora pelo presidente da triste república do Brasil como gripezinha. Olha o absurdo do cara que, quando escrevi "gripezinha", o corretor de texto sublinhou, está fora do léxico do velho Google. Aliás, Bolsonaro também é sublinhado em vermelho. Como diz o versinho da infância:

Diz o vermelho perigo,
O verde pode passar.
O amarelo, nosso amigo,
Nos aconselha a esperar.

Espero que ele renuncie, contrariamente -já vou falar- ao que hoje decidi: não renunciar a meus CDs deu-me incontida alegria. A verdade é que devem ter-se passado já uns 72 anos que não ouço nenhum deles. Isto que, entre minhas "iguarias", tenho uma coleção de uns 40 Concertos de Aranjuez, com diferentes violonistas. Um dia, irreverente, pensei -e nunca fiz, mas ainda há tempo- em fazer uma análise da variância entre os tempos dos três movimentos executados pelos diferentes violonistas. Creio que, com esse resultado seriam esclarecidas aquelas questiúnculas menores (para o presidente da república, lógico) sobre de onde viemos e para onde vamos.

Pois então, e apenas então. Comecei a "folhar" aquelas embalagens minimalistas (comparadas com os bolachões, lógico), muitas delas apenas miniaturizando as capas das velhas gravações. A intenção era lançar todas ao lixo seco. Olha que te olha que de repente comecei a curtir, a lembrar de diferentes momentos de minha vida (estimativa conservadora: mais de 394 momentos), em muitos casos até o instante da compra, outros, o sublime instante em que ganhei um ou outro de presente. Outros ainda evocaram-me incríveis situações prazerosas proporcionadas pelo prazer de lembrar, cantarolar canções ou movimentos dos vários CDs contendo música de câmara. E meus tangos, também uma coleção de uns 50 exemplares?

A questão -the question, como diriam William Shakespeare e Aristóteles- passou a ser: selecionar tantos bons momentos, proxies de felicidade sublime e sideral. Mas aí veio-me uma ideia da manutenção do plano original: tristeza profunda ao dar-me conta de que havia CDs e canções que me lembraram maus momentos, por exemplo, quando estava para voltar ao Brasil do paraíso (Oxford). O lindo "Apesar de Você" de minha ligeira pós-adolescência. A vingança com "Vai passar", de meados dos anos oitenta. Tanta coisa que comecei a selecionar entre os que já estavam na lista do matadouro aqueles que, -on second thoughs, como diriam Winston Churchill e Elisabeth Regina, herself- mereciam ficar. Ao selecionar todos, alcançou-me a incontida alegria que tenho anunciado desde o início destas românticas reflexões. Consolidada a decisão, achei que todos os demais mereciam ser examinados com a mesma intenção. E surgiu a moral da história: ficaram todos. Mudaram de lugar na casa, a fim de não incomodar o cotidiano, mas é certo que todo dia 8 de maio de todos os anos que me restam vou examiná-los, ouvir algumas peças e... ser feliz.

DdAB
P. S. A imagem, sei que não é eterna, pois os links também são finitos, é de um filmezinho de "She's a rainbow", dos Rolling Stones e do disco "Their Satanic Majesties Request", de 1967, ano em que iniciei minha série de exames vestibular para a faculdade de arquitetura. Esta faceta de minha vida pessoal conto-a outro dia. As marcas que lembram o YouTube são de lá mesmo e você a encontra clicando aqui. De todos meus agora já proverbiais 394 CDs o que tem esta canção é o preferido, pois guarda a canção preferida entre todas as canções dos 73 anos incompletos.