domingo, 22 de janeiro de 2017

A Destruição do Mercado de Drogas Ilegais

(vídeo do Youtube. Vejamos até quando vai durar aqui)

Querido diário:

Sigo devendo falar mais sobre as prisões e o mercado de retenção de cidadãos criminosos. Mas quero falar um aspecto não excessivamente alardeado sobre as espantosas virtudes do mercado (de bens regulares, de mérito ou de demérito, o que exclui obviamente os bens públicos) para tratar de pilhas de necessidades sociais. Obviamente há mercados atuantes com diferentes graus de eficiência na provisão de cachaça, café, assassinatos, crack, cocaína, tortura, pedofilia, sabe-se lá o quê mais).
Então: li no caderno PrOA do jornal Zero Hora deste fim-de-semana o extraordinário artigo de Gilse Elisa Rodrigues e Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, de título "Na Terra dos Homens sem Cabeça". E fiquei pensando Na tristeza da curta sentença final: "E vai piorar". Claro que lembrei de "Profissionalismo é Isso Aí", pois "domingo numa solenidade uma autoridade me abraçou: bati-lhe a carteira, nem notou, levou meu relógio e eu nem vi. Já não há mais lugar pra amador."
Mas pensei em outra abordagem para o problema que tem uma pequena dificuldade, pois necessita -para ter sucesso- da criação de uma pirâmide de corregedorias para a polícia, a polícia da polícia, a polícia da polícia da polícia, a polícia etc. A solução é acabar com o mercado. Sabemos haver duas maneiras importantes de acabar com esta milenar instituição social: baixa o cacete nos consumidores ou produtores ou -mais civilizado- distribui gratuitamente o bem ou serviço cujo mercado deseja-se eliminar. Tá claro?, cria salas de consumo geridas por enfermeiras e quem quiser "uma viagem" terá que fazê-lo 'indoors".
Pelos conhecimentos que muita gente já nasceu dominando e tantos outros aprenderam no primeiro dia de aula do curso de economia, qualquer indivíduo vivendo o drama de um consumo compulsivo preferirá o bem distribuído gratuitamente. Se as otoridades acharem que estou propagandeando drogas, darei maiores explicações.

DdAB
A imagem que segue retirei-a do Facebook de Rodrigo Ghiringheli de Azevedo, com a seguinte legenda: "Sem palavras. Embarcou no avião errado e terminou cercado pelos abutres."


abcz
e aqui o Renan Calheiros, também réu:

abcz

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Teori e Tomás


Querido diário:

Cada vez que alguém morre, vai-se um tanto minha fantasia de imortalidade e outro tanto os anseios de alguns de alcançá-la. Nós, da utopia, não nos conformamos: queremos imortalidade. em geral, um país ou um império tem vida mais longa que uma pessoa (o império soviético durou de 1917 a 1991), mas quando país e pessoa associam-se numa complicada relação de crime e castigo fica a estupefação da morte do indivíduo. O mundo e o Brasil vivem dias difíceis. Hoje, por coincidência organizada, toma posse o pirado presidente americano. Ontem faleceu no mar, numa queda de avião, o ministro do supremo tribunal Teori Zavascki encarregado, como li há pouco no Facebook de julgar dezenas de políticos, inclusive o presidente da república, o mal-afamado Michel F. Temer.

Nesse espírito de luto e preocupação, estava lendo o breve anti-racionalista construído por Thomas Hobbes com sua imersão na filosofia da linguagem, mas -como é mais provável- caí em seguida em sua filosofia política. E decidi transcrever algo:

   [...] na natureza do homem encontramos três causas principais de discórdia. Primeiro, a competição; segundo, a desconfiança; e terceiro, a glória.
   A primeira leva os homens a atacar os outros tendo em vista o lucro; a segunda, a segurança, e a terceira, a reputação. Os primeiros usam a violência para se tornarem senhores das pessoas, mulheres, filhos e rebanhos dos outros homens; os segundos, para defendê-los; e os terceiros por ninharias, como uma palavra, um sorriso, uma diferença de opinião, e qualquer outro sinal de desprezo, quer seja diretamente dirigido a suas pessoas, quer indiretamente a seus parentes, seus amigos, sua nação, sua profissão ou seu nome. 
   Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Pois a guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas naquele lapso de tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida. Portanto a noção de tempo [itálico no original] deve ser levada em conta quanto à natureza da guerra, do mesmo modo que  quanto à natureza do clima. Porque tal como a natureza do mau tempo não consiste em dois ou três chuviscos, mas numa tendência para chover que dura vários dias seguidos, assim também a natureza da guerra não consiste na luta real, mas na conhecida disposição para tal, durante todo o tempo em que não há garantia do contrário. Todo temo restante é de paz.
   Portanto tudo aquilo que é válido pra um tempo de guerra, em que todo homem é inimigo de todo homem, o mesmo é válido também para o tempo durante o qual os homens vivem sem outra segurança senão a que lhes pode ser oferecida por sua própria força e sua própria invenção. Numa tal situação não há lugar para a indústria, pois seu fruto é incerto; consequentemente não há cultivo da terra nem navegação, nem uso das mercadorias que podem ser importadas  pelo mar; não a construções confortáveis, nem instrumentos para mover e remover as coisas que precisam de grande força; não há conhecimento da face da Terra, nem cômputo do tempo, nem artes, nem letras; não a sociedade; e o que é pior do que tudo, um constante temor e perigo de morte violenta. E a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta.

Nem me ocorre selecionar uma imagem para este pessimismo todo!

DdAB
Fonte: Hobbes. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Coleção Os Pensadores), páginas 76-77.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

De que Servem os Visionários


Querido diário:

Não pensemos que desisti de falar sobre privatizações de prisões, de hospitais, de pontes, estradas, arrecadação de impostos, tudo. Mas hoje quero falar de coisas diversas. Primeiro: há pelo menos 30 anos, tinha a incumbência de ler o romance:

SVEVO, Italo. A consciência de Zeno.

Fi-lo (diria o sr. F. Temer) numa edição de 2003 da Folha de São Paulo, com tradução de Ivo Barroso. O original em italiano é de 1938.

Segundo: naquele ano, já estávamos (eu, hein?) acostumados à teoria da relatividade, o cubismo (?), o keynesianismo, e tudo aquilo, inclusive a Guerra Civil Espanhola e os primeiros signos da, assim chamada, II Guerra Mundial.

Terceiro: vou transcrever os cinco parágrafos finais do livro, páginas 382-383 em minha edição. Ergo quem não leu pode ler igual, que -em boa medida- isto pouco ou nada tem a ver com a trama geral da história, a não ser que pensemos que estas reflexões do aluno/amigo de James Joyce (aliás, pelo que leio do 'Ulysses', em minha imaginação, o Svevo é a cara de Leopold Boom) têm a ver diretamente com a psicanálise, objeto indireto de todo o livro. Quer dizer, não é bem isto... Vejo previsões de tudo o que aconteceu no mundo desde então: desde as lesões por esforço repetitivo da classe trabalhadora, à degradação do meio-ambiente, com destruição de espécies animais e vegetais, a bomba atômica, e por aí vai. Tudo e até mais nos cinco parágrafos.

"A vida atual está contaminada até as raízes. O homem usurpou o lugar das árvores e dos animais. Mas o pior está por vir. O triste e ativo animal pode descobrir e pôr a seu serviço outras forças da natureza. Paira no ar uma ameaça deste gênero. Prevê-se uma grande riqueza... no número de homens. Cada metro quadrado será ocupado por ele. Quem se livrará da falta de ar e de espaço? Sufoco só de pensar nisto!
"E infelizmente não é tudo.
"Qualquer esforço de restabelecer a saúde será vão. Esta só poderá pertencer ao animal que conhece apenas o progresso de seu próprio organismo. Desde o momento em que a andorinha compreendeu que para ela não havia outra vida possível senão emigrando, o músculo que move as suas asas engrossou-se, tornando-se a parte mais considerável de seu corpo. A toupeira enterrou-se e todo o seu organismo se conformou a essa necessidade. O cavalo avolumou-se e seus pés se transformaram em cascos. Desconhecemos as transformações por que passaram alguns outros animais, mas elas certamente existiram e nunca lhes puseram em risco a saúde.
 "O homem, porém, este animal de óculos, ao contrário inventou artefatos alheios ao seu corpo. E se há nobreza e valor em quem os inventa, quase sempre faltam a quem os usa. Os artefatos se compram, se vendem, se roubam e o homem se torna cada vez mais astuto e fraco. Compreende-se mesmo que sua astúcia cresça na proporção de sua fraqueza. Suas primeiras máquinas pareciam prolongamentos de seu braço e só podiam ser eficazes em função de suas próprias forças, mas, hoje, o artefato já não guarda nenhuma relação com os membros. E é o artefato que cria a moléstia por abandonar a lei que foi a criadora de tudo o que há na Terra. A lei do mais forte desapareceu e perdemos a seleção salutar. precisávamos de algo melhor do que a psicanálise: sob a lei do possuidor do maior número de artefatos é que prosperam as doenças e os enfermos.
 "Talvez por meio de uma catástrofe inaudita, provocada pelos artefatos, havemos de retornar à saúde. Quando os gases venenosos já não bastarem, um homem feito como todos os outros, no segredo de uma de uma câmara qualquer neste mundo, inventará um explosivo incomparável, diante do qual os explosivos de hoje serão considerados brincadeiras inócuas. E um outro homem, também feito da mesma forma que os outros, mas um pouco mais insano que os demais, roubará esse explosivo e penetrará até o centro da Terra para pô-lo no ponto em que seu efeito possa ser o máximo.Haverá uma explosão enorme que ninguém ouvirá, e a Terra, retornando à sua forma original de nebulosa, errará pelos céus livre dos parasitos e das enfermidades."

Explosão demográfica: em 2050 a Nigéria será o terceiro país mais populoso do mundo. Que esperar de um planeta sem renda básica da cidadania? Mais migração, mais desespero migratório a qualquer custo. O ar já anda "pra cachorro" há tempos e anuncia-se com cada vez mais alarde a falta dágua.

Nossa saída são as naves espaciais, como as andorinhas que transitam no espaço sublunar. A saída que nos aguarda talvez seja reduzir a natalidade para podermos todos embarcar em tais naves, confrontando-nos com a distopia do filme "Blade Runner", pois lá a classe alta deu no pé, morando muito além do mundo sublunar. Só que, se escaparmos, e nos reencontrarmos em 100 mil anos, ficaremos surpresos com a transformação física dos demais (para não falar dos faladores), asas musculosas, olhos de lince e cascos de escol. Todas serão transformação voluntária (engenharia genética) e involuntária (viver na nave, radiações estranhas, alimentação artificial, sei lá).

Gostei daquela da definição de homem, enquanto animal de óculos. Eu mesmo, neste sentido, tornei-me homem há 30 anos, ou seja, era um não-sei-quê até os 40. Aprendi com João Rogério Sanson que óculos, obturações dentárias, implante de platina no braço, coração de metal etc., que podemos designar essas maravilhas científicas como órgãos exo-somáticos, sabendo que 'soma' é corpo numa língua terráquea. Mas não estou totalmente concorde que essa exo-somatização seja malévola, menos ainda quanto à criação de artefatos que substituam a ação humana. Outro italiano, Umberto Eco, definiu (nome da rosa?) a máquina como sendo um macaco da natureza que lhe imita a ação, mas não a forma. 

E depois tem a proposição central do marxismo para a salvação da humanidade e a débacle do capitalismo: substituição de trabalho vivo por trabalho morto. Um tanto hedonista, pois acho melhor capinar com enxada que com as unhas, com trator que com o indicador e o polegar. E viver mais (já pensou em 100.000 anos?), e viajar para mais longe (abandonando o mundo sublunar, por suposto, além do raio de expansão do Sol, quando tudo acabar, exceto as naves humanas e seus amigos animais e plantas).

Máquinas? E ainda tem -esta sim autenticamente- uma frase de Marx que diz que o homem é o único animal que, ao transformar a natureza, transformou sua própria natureza. Criamos navalhas e naves, garrafas e tarrafas, sei lá. Talvez a maior invenção de todas, involuntária, foram as instituições. Sem elas, não teríamos nem tribo, nem mercado, nem estado. Seria a viagem de David Hume, com aquela vida "solitary, poor, nasty, brutish, and short".

Sobre o explosivão: foi Nikita Kruschov que ridicularizou os americanos (foi?, ridicularizou?) que teriam construído bombas de hidrogênio para destruir milhões de Uniões Soviéticas (ironia que ela foi destruída sem bombas, por ter instituições extorsivas, outro dia falo mais sobre isto). E ele redarguiu que fizeram uma única bomba, pois não precisam destruir os Estados Unidos mais que uma vez.

Pois bem. Quem quiser ver como Italo Svevo chegou a essas conclusões pode ler o livro. Pode consultar a Wikipedia italiana e até a inglesa. E até a portuguesa/brasileira.

DdAB

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Leões de Raça: Capital dos Carta e Zero Herra


Querido diário:

Sempre que começo a ler minha Carta Capital, muno-me (!) de uma garrafa de cachaça (garantidamente com baixo volume de ar) e um copo vazio. Que rapidamente encho (até a borda) e ingiro como fazíamos com o "café bebido", lá no clube do antanho.

Fiz bem ao antecipar-me ao futuro, lendo a Carta Capital a próxima quarta-feira, página 12, onde vemos o editorial assinado por Mino Carta, o possível dono do capital empatado. Fiquei filosofando sobre o mau jornalismo. Ingeri a "água da vida eterna" (palavras de K. Marx) e engasguei-me com a chamada geral:

Uma encenação de 500 anos chega ao último ato e o resultado é o caos absoluto em que mergulhamos. Neste momento, só é possível prever um desfecho de extrema violência.

Não sei se mais exagerado sou eu (myself) ou o quê, eu com essas minhas anunciadas cachaçadas ou o Mino com seu exagero. A diferença entre nós é que cachaça deve dar aposentadoria por invalidez, ao passo que mau jornalismo deve ser punido com demissão, ou penas mais leves para réus primários. Cara: admito que a encenação tenha mesmo 500 anos, o Brazil sendo regido por aquilo que Acemoglu e Robinson chamam de instituições extrativistas. Ok, é uma encenação de palhaços auto-interessados da maneira predatória.

Último ato? Acho brabo, a encenação vai continuar, encenamos que somos um país decente, seguimos acreditando que há futuro, mas temos um presente de dar dó, com um número crescente de pessoas de bem desejando um futuro melhor para seus filhos... fora do Brasil. Caos absoluto? Entramos no reino das mentiras. Aqui não rege um caos absoluto, temos uma esculhambação de dar dó, mas o povo segue trabalhando, indo e vindo a seus locais de trabalho, os ônibus e metrôs funcionando regularmente, e os bancos, as lanchonetes, a happy hour. Mergulhamos? Acho é que fomos mergulhados. Cada um prevê o que bem entende. Eu prevejo que ganharei a próxima mega-sena da virada. Mino prevê um desfecho de extrema violência. Só se está referindo-se à reforma da previdência, a mais presídios, às vilas da periferia.

Isto é jornalismo, sporca pippa? Em compensação, na página 2 do jornal, a coluna intitulada "Informe Especial" brinda-nos com esta maravilha sociológica:

OMISSÃO CONVENIENTE 2
   Há muito que a falsa divisão entre veranistas ricos e moradores pobres [das praias do Rio Grande do Sul] caiu por terra. Existe hoje uma sólida classe média alta vivendo nas praias: empresários da construção civil, comerciantes, profissionais liberais. Mas essa pseudoluta de classe é conveniente para justificar a incompetência na gestão [ou seja, as prefeituras do litoral].
   Mesmo para os menos favorecidos, o turismo é uma fonte de desenvolvimento que mereceria mais respeito.

Por triste coincidência, andei pela Nova Tramandaí no sábado e minha visão do assunto é de amostra unitária... Dependendo do conceito que podemos usar para classe baixa, não vi ninguém, ao contrário, só vi ricos, ricaços em suas carroças, carrinhos de tração humana e um que outro gordini.

DdAB
P.S. Quer um gole? Clique aqui. E o título tem a ver com isto aqui.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As Luzes do Agente Decisor


Querido diário:

Volta e meia faltam-me luzes. Por exemplo, para entender os meandros da teoria da escolha social e sua parceira teoria da escolha pública. Em particular, o que faz as pessoas numa democracia representativa escolherem políticos como os brasileiros contemporâneos.

E, mais prosaicamente, hoje faltou-me luz, quando fui ao banheiro, com o intuito de aparar a barba. E aí é que me vieram reflexões, enquanto agente decisor, pois pratiquei uma ação intrigante. O banheiro é banhado (rsrsrs) com luz solar, luz da manhã, como é o caso no instante em que escrevo. Mas, como sabem os que gostam de "una afectada perfecta", a luz perfeita não é favorável do lado da sombra. O homem moderno corrigiu este viés da natureza, no caso, meu lado direito, com luz artificial.

Pois aí é que vem a história: acendi uma luz incidindo de cima para baixo sobre o espelho do banheiro. E, guloso, acendi a luz do próprio teto do banheiro. Vi que a primeira deu uma contribuição substantiva para a iluminação do jeito que a desejava, ao passo que a contribuição marginal da segunda foi modesta. Que fiz? Pensei na conta de luz e desliguei? Claro que não, pois nem pensara no assunto $$$, mas desliguei do mesmo jeito. Pão-durismo com os recursos sociais? Sei lá, acho que é mesmo o elogio do conceito de contribuição marginal, uma das maiores contribuições dos pensadores que viriam a ser designados como economistas, para o processo decisório humano.

DdAB
P.S. recusei-me a usar o marcador Besteirol, ainda que haja procedência...
P.S.S. Imagem daqui. Desnecessário dizer que todo aquele luxo não me é aquerenciado...
P.S.S.S. E tem mais: concluída a postagem, lancei-a no Facebook com os seguintes dizeres:
Another viageichon no blog: reflexões sobre a racionalidade humana e o conceito de contribuição marginal. É que tenho amigos economistas, alguns deles, heureseument, que vêm este tipo de abordagem com incontido desdém e eu, teimoso, insisto que a redenção do poder ao povo precisa deste conceito e, provavelmente, não terá sucesso sem ele.
Quer dizer, assim que fiz o que acabo de informar, fui à cozinha, descasquei um pêssego e comecei da comê-lo. Lá pelo meio da empreitada, percebi que ainda portava a faca que usara para descascá-lo na mão. E dei-me conta de que julguei o benefício de largá-la e depois lavá-la ou mantê-la na mão, concluir a ingesta da fruta tropical de safra veranil, não valer a pena, o que me levou a retê-la, comê-lo e depois lavá-la. É... É besteirol...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Divertida Aplicação da Língua Portuguesa


Querido diário:

Sigo preparando uma postagem que já se faz enorme sobre o que é esquerda e direita na parada da privatização das prisões. Mas Salvatore Santagada divulgou o texto que segue que tem apenas um correlato na teoria das três metades.

Português é uma das línguas mais difíceis do mundo.
Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia?
Na recepção do salão de convenções, Fortaleza:
- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição no Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Pronto, tem palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.
- Podes escrever?
- Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Entendi, meia é seis.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas, não vá embora, só mais uma informação: A organização cobra uma pequena taxa se quiser ficar com o material. Quer encomendar?
- Quanto pago?
- Dez reais. Mas, estrangeiros e estudantes pagam meia.
- Hmmm! que bom. Aqui está: seis reais.
- Não, não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Cinco? Meia é cinco?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom, meia é cinco.
- Não se atrase, a palestra é às 9 e meia.
- Então, já começou há quinze minutos. São nove e vinte.
- Não, não, ainda faltam dez minutos. Só começa às 9 e meia.
- Pensei que fosse às 9:05, pois meia não é cinco? Pode escrever a hora que começa?
- 9 e meia, assim, veja: 9:30
- Entendi, meia é trinta.
- Isso, 9:30... Mais uma coisa, aqui o folder de um hotel com preço especial para congressista... Já está hospedado?
- Sim, na casa de amigos.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
- Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
- O bairro não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser cinco bocas.
- Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim por causa do encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não, senhor... é proibido entrar de sandálias. Coloque uma meia e um sapato...

DdAB

domingo, 8 de janeiro de 2017

As Prisões, a Social-Democracia e Carolina Bahia


Querido diário:

Aqui temos um -email que enviei a Carolina Bahia, assinante de uma página no jornal Zero Hora, com título de RBS Brasília. Estamos hoje -e ontem, o dia da capa do jornal- na página 12. Comecei dizendo [aqui com pequenas edições e uma inserção enorme]:

Tenho uma propaganda igualitarista a fazer a partir de tua própria observação [cujo parágrafo cito integralmente, sabendo-se que, da sentença 'mas o que esperar...', volta e meia relembro a frase que Brena Fernandez colocou em nosso livro de teoria dos jogos. Platão falando sobre justiça:
'Sustentamos que, se um estado deve evitar a maior de todas as pragas - quero dizer, a guerra civil, embora desintegração civil fosse um termo mais adequado - a pobreza e a riqueza extremas não deveriam ser toleradas em qualquer segmento do corpo de cidadãos, porque ambas levam a estes dois desastres. Esta é a razão que faz com que o legislador deva anunciar os limites razoáveis da riqueza e da pobreza. O limite inferior da pobreza deve ser o valor das terras (holding). O legislador usará a propriedade como unidade de medida e autorizará um homem a possuir duas, três,
e até quatro vezes seu valor.'
que tirei daqui]:

"Segurança pública é multidisciplinar, não se faz apenas com presídios. Educação, saúde, presença do Estado na periferia, combate à corrupção e policiais valorizados, além de presídios seguros, integram um pacote de sucesso em várias partes do mundo. Mas o que esperar de situações em que representantes do judiciário e da política se envolvem com facções criminosas? Sim, muitas vezes é de perder a esperança."

Entendo que este é mesmo um programa social-democrata, por si só, igualitarista. Uma vez que a chave do igualitarismo é o emprego, quando um policial é contratado, especialmente, se for retirado do crime comum (ou mesmo do organizado, por que não?), há o baque da "redução de quadros" e ao mesmo tempo o baque provocado pelo aumento da repressão. E o filho do policial pode estudar, digamos, oboé. E o professor de oboé poderá ter seu filho estudando mandarim, e assim por diante...

End of file, digo, fim do e-mail. Não podemos deixar de reconhecer que eu poderia ter me estendido pilhas, falando montanhas de coisas que domino e que acho úteis para serem relembradas quando falamos em igualitarismo e social-democracia.

DdAB
A imagem é de minha autoria, quero dizer, é do cantor Tony Platão, tudo explicadinho na postagem de 2009 que referi lá nos colchetes.

P.S. Esqueci de fazer (faço-o agora, 18h13min do mesmo domingo) aquele troca-troca que aprendi com Stephen Hymer lá naquele artigo sobre Robinson Crusoé. A frase de Carolina Bahia deixa-se ler, ao trocarmos segurança pública por educação, como:

Educação pública é multidisciplinar, não se faz apenas com escolas. Segurança pública, saúde, presença do Estado na periferia, combate à corrupção e policiais valorizados, além de presídios seguros, integram um pacote de sucesso em várias partes do mundo. 

Ou saúde:

Saúde pública é multidisciplinar, não se faz apenas com hospitais. Segurança pública, educação, presença do Estado na periferia, combate à corrupção e policiais valorizados, além de presídios seguros, integram um pacote de sucesso em várias partes do mundo. 

E assim por diante.