segunda-feira, 8 de junho de 2015

Promover a Indústria: item 3


Querido diário:

Hoje veremos a terceira alegada razão para justificar a relevância da indústria para o desenvolvimento econômico. Diz o autor:

There are powerful empirical and theoretical arguments in favour of industrialisation as the main engine of growth in economic development. The arguments can be summarised as follows:

3. The transfer of resources from manufacturing to services provides a structural change burden in the form of Baumol’s disease. As the share of the service sector increases, aggregate per capita growth will tend to slow down.

O próprio autor em seu já anunciado

SZIRMAI, Adam (2009) Industrialisation as an engine of growth in developing countries. United Nations University - Maastricht Economic and social Research and training centre on Innovation and Technology. Working Paper #2009-010.

concede que o famoso modelo do quinteto musical de Baumol (para elevar a produtividade do trabalho teria que torná-lo um quarteto...) tem validade muito limitada nos dias que correm. A terceira revolução industrial (da informática, seguindo a classificação de Paulo Tigre) elevou a produtividade de todos os setores da economia e, como tal, dos serviços. Além disto os serviços, por serem precisamente intensivos em mão-de-obra deverão gerar mais PIB por unidade de emprego precisamente pelo poder de monopólio exercitado pelos profissionais diferenciados.

O modelo do quinteto (ou cost disease) surgiu, pois Baumol estava preocupado com a crise de endividamento das prefeituras lá nos anos 1970. Claro que haverá esta infecção de custos em qualquer lugar que queiramos dar padrão de vida digna à população, aos menos aquinhoados. Claro que, num modelo de renda básica universal e seu sucedâneo serviço municipal haverá um bolsão de baixa produtividade dentro desse último. Como evitar? A ideia não é evitar e até expandir, concentrando a alta produtividade em outros setores. Este bolsão tem finalidade social e não econômica. E isto nada tem a ver com a superioridade de geração de emprego na indústria. Primeiro, quanto menos emprego em qualquer setor (exceto o serviço municipal), melhor. Segundo, portanto só os iludidos pensam que a indústria tem alguma contribuição séria para dar à questão do emprego.

Agora também o raciocínio das proporções e crescimento também se fazem presentes e pesados: será que a participação da indústria no PIB deveria alcançar os 100%. Isto é o que indica o crescimento ilimitado. Então a questão torna-se "quando parar" e resposta já foi dada pelos países capitalistas avançados: quando  a indústria chegar a uns 35%. E a China? Esta não conta, pois é impossível pensar no modelo chinês como transferível para economias como a brasileira, a haitiana, a congolesa. E o Brasil que chegou nos 35% e recuou para menos de 20%? O interessante é que não foi a agropecuária que ganhou todos esses 15% de diferença. Quem ganhou foram precisamente os serviços.

O que está na hora de fazermos é atender ao desafio de ver como articular um modelo de crescimento baseado nos serviços. Aí, keynesia e leontiefemente, a questão de desloca para o lado da demanda. Penso que a expansão da atividade terciária (educação, saúde, segurança pública) e mesmo industrial-construção é que darão a dinâmica do crescimento.

DdAB
Imagem: esse estonteante desconto de 70% é anunciado por um instituto de beleza que penteou (presumo) a garota lá de cima. Aqui.

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