terça-feira, 9 de junho de 2015

Ladroagens e Emprego


Querido diário:

Hoje tem uma notícia no jornal Zero Hora, página 8, Rosane de Oliveira, assinalada com "Tensão na Assembleia". E tem algo inacreditável. O deputado Diógenes Basegio (PDT, médico) foi denunciado no domingo na TV de meter a mão no dinheiro da própria assembleia, de seus funcionários e tantas outras escaramuças contra a ordem e os bons costumes. Mas, tenhamos presente, parece que nada destas escaramuças é alheia ao restante do mais alto corpo legislativo do Rio Grande do Sul. Aí o presidente da assembleia, deputado Edson Brum (PMDB) deu uma entrevista, pois foi cobrado pela imprensa a manifestar-se:

[...] sobre a quantidade de assessores a que cada deputado tem direito, Brum disse que não considera o número elevado. Citou Assembleias de outros Estados, que têm número superior de assessores, e disse que não se pode comparar a estrutura com a de parlamentos de países desenvolvidos, como a Alemanha, Japão e Suécia, bem mais enxuta.
-É uma questão cultural -justifica.
   Cada deputado tem direito a nomear nove assessores, que custariam, somados R$ 69,8 mil mensais. Mas os parlamentares podem optar por desdobrar os nove cargos em até 17 vagas com salários menores. Neste caso, o custo total fica em R$ 74.592,48 mensais.
   Os deputados de partidos com apenas um representante podem ter até 21 assessores.

Fiquei pensando na segunda cláusula da sociedade justa conceba (a cláusula, claro, e a sociedade justa, também) de John Rawls:

B.1 Todos os cargos públicos serão abertos a todos
B.2 A desigualdade será manejada em benefício dos menos favorecidos.

Nem precisa falar que o item A da lista rawlsiana é que cada um deverá gozar da maior liberdade compatível com a dos demais.

E que concluí destes pensamentos? Várias conclusões:

.a. os estados devem mesmo ser fechados, o que implica a eliminação das assembleias e do senado,

.b. o exemplo do deputado ao citar três países sabidamente igualitários é tragicômico, pois precisamente por lá haverá sociedades mais justas que a brasileira,

.c. o emprego é mesmo a chave da sociedade igualitária, mas não estamos falando de empregos quando mencionamos estes casos de assessores de deputados, vereadores, senadores, prefeitos, governadores, juízes, essa malta de todos os matizes que saqueia os cofres públicos de cima a baixo do combalido e desigualitário Brasil. Arrumar "bocas" para correligionários, parentes e apaniguados (além dos que acabo de citar) não é nem arremedo nem de democracia!

DdAB
Imagem: o deputado parece contrafeito na foto daqui, tendo por pano de fundo os dizeres "20 de setem" querendo dizer o final do segundo decêndio de setembro, quando iniciou-se a famosa rebelião dos farrapos.

Para acabar de concluir, tem uma notinha no final da coluna de Rosane de Oliveira:

SÓ NO BLOG   Em carta à coluna, o presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador José Aquino Flôres de Camargo, explica o pagamento do vale-alimentação, retroativo a junho de 2011, e diz que está apenas cumprindo uma determinação do Conselho Nacional de Justiça. Aquino reclama do 'tom irônico' e do uso da palavra 'deboche' pela coluna.   Confira a íntegra da mensagem do presidente do Tribunal de Justiça em zerohora.com/blogdarosane.



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