terça-feira, 2 de maio de 2017

Zero Urra!


Querido diário:

Parece que sempre que falo em Zero Hora preciso explicar-me: tinha que ler um jornal em papel com notícias sobre o dia-a-dia da cidade em que vivo. Por azar na meia-dúzia de cidades em que vivi, li jornais que nunca me agradaram plenamente: ou não falam da vida local ou não falam da política com um ponto de vista assemelhado ao meu.

Pois então. hoje, na capa do nanico local comecei a rir da política nacional: há uma óbvia chantagem do governo sobre os mal-fadados deputados que não querem votar a "reforma da previdência". Primeiro, os deputados nomearam os cargos em comissão. Depois, não há pessoas envolvidas, mas apenas votos no congresso. Terceiro: não havendo pessoas, não deixam reputação de bons trabalhadores, o que faz com que as próprias chefias não os validem enquanto trabalhadores e suas demissões podem acontecer num just-like-that de arrepiar as mais azaradas malas de louco. Moral da história: não há democracia com muito CC. Foi por acreditar nisto que fiquei quase dois meses sem tomar banho quando a Dilma, minha ex-estagiária, mandou uma lei ou decreto criando mais uma boa centena de CCs na CC, isto é na casa civil.

Pois mais então ainda. A Rosane de Oliveira, como poderia ser outra pessoa? Pois é, o mundo não é puro preto-e-branco. A jornalista tem um 'drops' citando Olívio Dutra, um líder que me faz vê-lo volta e meia como preto e outras vezes como branco. Ele não é cinza, claro, e nem sempre concordo estrondosamente com suas visões da vida. Mas cada vez mais me alinho a ele em sua compreensão do que vai pelo mundo. Falamos agora das reformas trabalhistas. Como o mundo não é preto-e-branco, como já informei, tem algo bom: que é acabar com o imposto sindical, aquele dia do mês de março que a negadinha é forçada a abrir mão em favor do sindicato que foi criado -muitas vezes a sua revelia- para representá-la. Pois a Carta Capital acha que o imposto não deve acabar. Olimpicamente, Olívio e eu achamos que passou da hora. Outros dois meses afastaram-me do chuveiro lá de casa quando, durante o governo do PT, essa reforma foi recusada.

[Acrescentei isto às 13h24min] A mesmíssima Rosane de Oliveira, na mesmíssima página em que dera o título de "Voz da Razão" para o ponto levantado por Olívio Dutra, em outro 'drops', agora intitulado com "Aliás" diz outro daqueles absurdos que me fazem rir:

A pesquisa Datafolha mostra uma contradição: a maioria dos entrevistados concorda com a necessidade de reformar a Previdência, mas rejeita a proposta que está no Congresso.

Comecei listando todas as reformas da previdência possíveis:
.a Reforma da Previdência 1
.b Reforma da Previdência 2
.c Reforma da Previdência 3
.d Reforma da Previdência 4
.e Reforma da Previdência 5
...
.z Reforma da Previdência n

Cheguei à conclusão que existem "n" (com "n" menor que infinito, mas que pode ser grande pra burro, beirando os 200 milhões, com cada brasileiro dando seu pitaco) e que a macacada está rejeitando a reforma da previdência da escandalosa dupla Temer-Meireles.

É por isso que eu bebo.

DdAB
* Tudo o que escrevi acima saiu de minha cabeça e dos dez dedos com que, desenvoltamente, digito, ou seja, li a Zero Herra, li a Capital dos Carta, fugi da poltrona, assumi a cadeira e...
** Não sei se os dados da figura que o Google me ofereceu ao digitar "imposto sindical" são legítimas, o fato é que, se forem, trata-se da ração de uma pelegada de dar alergia.
*** Parece óbvio que, se quisermos algo sério nas eleições, Olívio deve ser candidato a presidente da república.

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