sexta-feira, 12 de maio de 2017

Tecnicalidade sobre a Sem-vergonhice


Querido diário:

Meu telefone celular tinha o prefixo 8, indicando que a vendedora dos serviços era a empresa Oi (que o inferno a trague). Com a inteligente mudança de colocarmos o dígito 9 na frente de todos os demais, passei, logicamente, a iniciar a enorme digitação com 99. É que há anos troquei outra telefônica de envergonhar o país, passando a Oi, de sorte que, ao invés daquele 99, devo discar 98. Por quê a ligação, para mim, de um telefone da Oi para outro da Oi deve custar menos?

A única explicação lógica, fora da outra de até maior lógica, a saber, o poder de monopólio conferido pelo governo, é que o custo marginal de uma ligação para a outra dentro da própria telefônica é baixíssimo ou mesmo provavelmente nulo.

Mas a hipótese da prática de preços monopolísticos por parte desta e das demais telefônicas fica fortalecida, quando consideramos que outros serviços de espantosa banalidade são cobrados. Por exemplo, e este é um exemplo devastador para uma certa via de esquerda, quando a telefônica era propriedade do governo do RGS, cobrava-se até de um ponto de linha telefônica adicional dentro de casa. Como sabemos, ou até foram eles mesmos que nos ensinaram a mandar o setor privado colocar a linha, digamos, do quarto para a sala, o custo marginal de fazer uma ligação pelo telefone n. 2 é praticamente ou efetivamente nulo.

Ok, ok, temos preços de monopólio e eles são inevitáveis tanto com a administração governamental quanto com os serviços privados. Mas a questão revolucionária volta a se colocar: que fazer com os lucros extraordinários resultantes do exercício do poder de monopólio? E a resposta reacionária dada pelos governantes do Brasil é: deixa como está.

DdAB

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