segunda-feira, 10 de abril de 2017

Zero Hora versus Zerro Herra


Querido diário:

Leio Zero Hora diariamente. Em parte do que leio, encontro informação nem sempre interpretada ou considerada relevante para basear os pontos de vista correntes entre seus jornalistas. E em outra parte, há mesmo a aplicação do provérbio latino daquele errar é humano.

Então. Tem a página Política +, normalmente assinada por Rosane de Oliveira e hoje, por Carlos Rossling. Pois não é que não é que não vemos inovações para a comemoração do Dia de São Nunca? É, no caso, passaria a ser o dia 31 de abril. Estamos, assim, na página 10 do concorrido jornal. Fraude num dos bancos de propriedade do estado do Rio Grande do Sul, o Badesul: R$ 90 milhões mal empregados.

NÃO FOI ACASO: BANCO CENTRAL MULTA BANRISUL
[...]
   O Badesul tem novo período de incerteza. O mandato da atual direção acaba em 31 de abril. Ao mesmo tempo [...].

É, pois não é que não é que não é não? Em compensação temos o editorial, na página 24. Preocupa o editorialista o rumo da lata do lixo que está tomando a controversa reforma da previdência estabelecida pelo governo (primeiramente, fora) Temer. Começo citando o olímpico finalzinho:

Antes, é preciso sensibilizar a população sobre a necessidade e a urgência das modificações propostas.

Primeiro, tu nunca sabe se estáshw lendo Zero Hora ou Zerro Herra. Segundo, se é mesmo que há informação verdadeira, depois daquele finalzinho apologético, no editorial, consideremos:

.a a reforma prevista alardeava uma economia de R$ 678 billhões em dez anos. E levou um baque de R$ 115 bilhões por causa das emendas que tentam corrigir o mais insuportável de tudo o que foi proposto, sem tanger o centro: aposentadorias milionárias, fraudes espetaculares, falta de conhecimento do funcionamento do mercado de trabalho, um pandemônio, enfim. Usando um conhecido teorema da aritmética, 678 - 115 não pode dar outra coisa que não seja 563 bilhões. Em dez anos, ou seja, com inflação e juros zero, uns R$ 56,3 bilhões por ano.

.b pois bem, que não por bem! O PIB do Brasil em 2016 foi de R$ 6,266 trilhões, conforme informação que colhi neste site aqui: http://www.valor.com.br/brasil/4890204/pib-do-brasil-recua-36-em-2016. Isto significa que a economia a ser feita em 2018 com os cortes naquela reforma vergonhosa prevista para a previdência social, se não aumentarem, representará menos de 0,9% daquele valor, que anda despencando feito rabo de cavalo.

Conclusão: se o PIB não tivesse caído 3,6%, segundo essa mesma fonte, toda a despesa da previdência que está destruindo o Brasil com 0,9% de intolerável prejuízo ainda poderia dar um lucro, se o desarranjo institucional provocado por Aécio Neves, culminando com o impeachment de Dilma e o caos que se prolongou ao governo do presidente (fora) Temer, não tivesse ocorrido. Tibieza institucional não se resolve com abalos institucionais. Esta é a moral da história. E eu já não sei se estava lendo Zero Hora ou Zerro Herra.

DdAB
Já usei esta imagem em outros carnavais. E infaustos natais.

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