segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Leões de Raça: Capital dos Carta e Zero Herra


Querido diário:

Sempre que começo a ler minha Carta Capital, muno-me (!) de uma garrafa de cachaça (garantidamente com baixo volume de ar) e um copo vazio. Que rapidamente encho (até a borda) e ingiro como fazíamos com o "café bebido", lá no clube do antanho.

Fiz bem ao antecipar-me ao futuro, lendo a Carta Capital a próxima quarta-feira, página 12, onde vemos o editorial assinado por Mino Carta, o possível dono do capital empatado. Fiquei filosofando sobre o mau jornalismo. Ingeri a "água da vida eterna" (palavras de K. Marx) e engasguei-me com a chamada geral:

Uma encenação de 500 anos chega ao último ato e o resultado é o caos absoluto em que mergulhamos. Neste momento, só é possível prever um desfecho de extrema violência.

Não sei se mais exagerado sou eu (myself) ou o quê, eu com essas minhas anunciadas cachaçadas ou o Mino com seu exagero. A diferença entre nós é que cachaça deve dar aposentadoria por invalidez, ao passo que mau jornalismo deve ser punido com demissão, ou penas mais leves para réus primários. Cara: admito que a encenação tenha mesmo 500 anos, o Brazil sendo regido por aquilo que Acemoglu e Robinson chamam de instituições extrativistas. Ok, é uma encenação de palhaços auto-interessados da maneira predatória.

Último ato? Acho brabo, a encenação vai continuar, encenamos que somos um país decente, seguimos acreditando que há futuro, mas temos um presente de dar dó, com um número crescente de pessoas de bem desejando um futuro melhor para seus filhos... fora do Brasil. Caos absoluto? Entramos no reino das mentiras. Aqui não rege um caos absoluto, temos uma esculhambação de dar dó, mas o povo segue trabalhando, indo e vindo a seus locais de trabalho, os ônibus e metrôs funcionando regularmente, e os bancos, as lanchonetes, a happy hour. Mergulhamos? Acho é que fomos mergulhados. Cada um prevê o que bem entende. Eu prevejo que ganharei a próxima mega-sena da virada. Mino prevê um desfecho de extrema violência. Só se está referindo-se à reforma da previdência, a mais presídios, às vilas da periferia.

Isto é jornalismo, sporca pippa? Em compensação, na página 2 do jornal, a coluna intitulada "Informe Especial" brinda-nos com esta maravilha sociológica:

OMISSÃO CONVENIENTE 2
   Há muito que a falsa divisão entre veranistas ricos e moradores pobres [das praias do Rio Grande do Sul] caiu por terra. Existe hoje uma sólida classe média alta vivendo nas praias: empresários da construção civil, comerciantes, profissionais liberais. Mas essa pseudoluta de classe é conveniente para justificar a incompetência na gestão [ou seja, as prefeituras do litoral].
   Mesmo para os menos favorecidos, o turismo é uma fonte de desenvolvimento que mereceria mais respeito.

Por triste coincidência, andei pela Nova Tramandaí no sábado e minha visão do assunto é de amostra unitária... Dependendo do conceito que podemos usar para classe baixa, não vi ninguém, ao contrário, só vi ricos, ricaços em suas carroças, carrinhos de tração humana e um que outro gordini.

DdAB
P.S. Quer um gole? Clique aqui. E o título tem a ver com isto aqui.

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