segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Primeiro Teorema do PIB: novas aplicações


Querido diário:

Encaçapei as seguintes reflexões em meu mural do Facebook de agorinha:

Sabem os que me acompanham em diferentes fronts que, em um deles, criei o primeiro teorema do PIB. Diz ele, candidamente, que o PIB corresponde a precisos 100% do PIB. Claro que esta é uma piada recendente a David Ricardo, que sustentou que a economia política estuda a distribuição do excedente econômico (hoje chamado de valor adicionado) entre as classes sociais (no Brasil, mede-se como a remuneração dos empregados mais o excedente operacional bruto e mais os impostos indiretos líquidos de subsídios, ok, ok, puro economês, mas que faz sentido, como veremos em instantes).

Em compensação, li o que segue numa postagem do blog de Leonardo Monastério de 11 de abril, citando terceiros ipsis litteris:

Os resultados [de um estudo de Rodrigo Orair e Sergio Gobetti] mostram que, nos últimos 16 anos, a média de crescimento real da despesa primária [do governo] pouco variou e, em alguns itens, foi maior na fase contracionista (1999-2006) do que na fase expansionista (2007-2014). Isto evidencia não só uma elevada rigidez da despesa, mas certa inércia, associada principalmente aos benefícios sociais (previdenciários e assistenciais), que restringem a margem de manobra fiscal do governo em momentos de ajuste como o atual.

Achei uma beleza. Primeiro, que não diz que uma das soluções para o déficit de qualquer ente econômico criado desde o Dia da Criação é elevar a receita ou contrair a despesa. Mas ok, ok, fiquemos com a contração da despesa para resolver o déficit do setor público brasileiro (federal, estadual, municipal).

Achei uma beleza. Ninguém nunca pensou que, ao invés de cortar as despesas dos "benefícios sociais (previdenciários e assistenciais), que restringem a margem de manobra fiscal do governo", poder-se-ia cortar a despesa dos funcionários públicos que ganham mais que o teto a eles estabelecido. Destaco deputados, senadores, assessores, juízes, auxiliares, dirigentes das empresas estatais (inclusive bancos), essa macacada toda que vive no topo da pirâmide da distribuição do... valor adicionado!
Achei uma beleza. Não é que David Ricardo poderia ser preso, se viesse com uma ideia destas?


DdAB
Na foto da Wikipedia e Thomas Phillips, Ricardo tinha 49 anos.

4 comentários:

Fabio Cristiano Pereira disse...

Bom dia caro Mestre Duílio!
Acabei escrevendo meu post hoje, antes de ler o seu.
Se o tivesse feito, certamente, meu texto estaria mais bem humorado!
A foto deixou Ricardo bem mais jovem do que seus 49 anos!
Carpe Diem!

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Querido Cristiano!
Bom (outro)dia!
É, mas tua postagem insere-se no clube das melhores!
DdAB

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

Aquele comentário que foi excluído é cópia do anterior. E acho que, já que o autor excluiu, não deveria ter ficado traço algum. Afinal, quem manda, o autor ou o software?
DdAB