domingo, 22 de fevereiro de 2015

Ulysses: primeiras conexões lisboetas


Querido diário:

Depois de passar alguns dias em Lisboa, saudou-me a comunidade joyceana com o aceno de nova tradução de "Ulysses". Bem sei que fiz alguns registros, algumas milhares de ações de registro, apenas neste blog, como podemos observar ao clicar aqui. Mas sei mais ainda sobre os pensamentos a que dediquei minha atração pela primeira sentença da obra magna irlandesa. E mais ainda mais que mais sei que nessa postagem está registrada também a tradução que agora poeticamente trago na mão:

Aqui se registra a tradução
que agora poeticamente
trago na alma e ispo facto na mão.

Volto a dizer, volta e meia volto-me a pensar em letras e vejo hai-kais saírem de meus achados, meus pensamentos perdidos. Bebi? Sigamos:

Como sabemos, a primeira sentença da obra magna do afamado irlandês é:

Stately, plump Buck Mulligan came from the stairhead, bearing a bowl of lather on which a mirror and a razor lay crossed.

A ela o tradutor colocou em sua página 9, a seguinte correspondência em português/Portugal:

Soberbo, o roliço Buck Mulligan veio do cimo das escadas, trazendo uma bacia com espuma de sabão sobre a qual um espelho e uma navalha se cruzavam.

O livro cuja capa coloquei na postagem que cito acima e encima esta é:

JOYCE, James (2013). Ulisses. Lisboa: Relógio D'Água. Tradução de Jorge Vaz de Carvalho.

Eu já andei andando e ainda mais vou estar andando naquela ponte cujo nome foge-me agora como lhe fogem as águas do rio Liffey. E imagino o dia em que todas as fotos de todos os neutrinos de todos os momentos do universo que perpassaram a ponte e suas cercanias forem registradas na cabeça de um alfinete: então estarei ao lado de Buck, de Stephen, de Leopold, de James, Nora e toda aquela turma. Eu, talvez diferentemente deles, estarei portando na mão direita um copo de café Starbucks e na outra um sorvete Häagen Dazs.

DdAB
E aqui a capa da primeira edição, a parisiense:
E a maldade do dia é mais uma vez deixar claro que aquela do Houaiss "sobranceiro, fornido, Buck Mulligan..." é fria.

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