domingo, 19 de agosto de 2018

Raízes de Meu Igualitarismo

Querido diário:

Estamos vivendo um momento crítico do Brasil e no mundo. Claro que me interessa mais o mundo, pois tenho bem claro que o destino do Brasil está intimamente ligado ao do mundo. O governo mundial é uma necessidade e juro que ele será implantado antes do final do século XXI. Tenho claro que a missão fundamental dele -governo mundial- é multivariada, se lembro de todo meu programa:

.a combate à deterioração ambiental
.b combate à explosão demográfica orientada pela pobreza
.c combate ao tráfico de pessoas
.d combate à lavagem de dinheiro
.e combate ao tráfico de armas
.f combato ao tráfico de drogas.

Pois então. Na sexta-feira fui a uma festa de despedida de meu querido amigo Antonio Albano de Freitas, doutor em economia pela UFRJ e que ruma para a New School for Social Research University para um programa de pós-doutorado. Antonio foi um dos mais diletos discípulos do prof. Adalmir Marquetti e muito me alegra declarar-me amigo de ambos, aliás, Adalmir Antonio Marquetti: são parentes... Na festa, conheci Julian, um inglês residente no Brasil que foi professor de sua língua nativa a ambos os dois e mais o prof. Henrique Morrone, que -bem entendi- já se encontra precisamente nessa mesma universidade também em programa de pós-doutorado.

Por circunstâncias da festa, falei ao prof. Julian que minha redação em inglês, embora portanto alguns erros gramaticais, recebeu elogios daqui e dali relativa a sua elegância. E rapidamente entendi que essa elegância nada mais era que a pobreza de meu vocabulário "em inglês", pois eu usei carradas de expressões latinas, ou seja, de meu português. E por outras circunstâncias festivas, conversei com meu querido ex-aluno César Conceição, um dos economistas de maior pedigree que conheço, pois filho de pai e mãe economistas. Conversa vai, conversa vem, César disse que gostaria de ler minha tese de doutorado, um calhamaço com quase 30 anos de idade. Que posso dizer, desaconselhá-lo de lê-la? Claro que não. E que fiz? Dei uma olhada nela, antes de remeter para ele (e já o fiz). E achei uma dessas palavras que caracterizam meu inglês. A certa altura, escrevi a palavra "palpable". É possível que eu a tivesse lido aqui ou ali, mas o certo é que palpável é português, possivelmente de origem latina e certamente incorporada a nosso português contemporâneo. Naquele tempo em que eu idolatrava o editor de texto WordPerfect, às vezes eu escrevia uma palavra no meio de meu texto em inglês, como se inglês fosse, ia ao dicionário do programa e constatava que ela existia mesmo. Cheguei mesmo a escrever a palavra "nitid" que foi glosada por alguém de respeito, o que foi um erro, pois meu dicionário Webster a consigna.

Olha daqui, olha dali, cheguei a este trechinho que apresento aqui com a tradução do Google e pequenas edições de myself. A palavra chave é o igualitarismo, a injustiça das sociedades em que crianças já nascem marcadas para sofrer, para lutar e para morrer. E dos velhos abandonados. E cada vez mais fico estupefato ao entender que este tipo de raciocínio não é comum a todos, especialmente economistas que tiveram boa carga de leitura na área da economia do desenvolvimento. Então tá aqui o começo de meu apreço pelas teses igualitaristas, da social-democracia e da criação-manutenção de um estado de bem-estar social

A partir da década de 1940, tornou-se cada vez mais claro que alguns países alcançaram padrões de vida muito altos, enquanto muitos outros permaneceram no nível de corresponder, na melhor das hipóteses, às necessidades vitais de suas populações. Duas ou três décadas de debate acadêmico foram responsáveis por uma mudança de ênfase na compreensão do desenvolvimento econômico. Em vez de enfatizar o crescimento de valor agregado, a nova concepção derivou das famosas três perguntas de Dudley Seers, citadas por Hunt (1989: 260): "[...] o que vem acontecendo com a pobreza? O que vem acontecendo com o desemprego? "O que tem acontecido com a desigualdade?" Este tipo de mudança na abordagem do desenvolvimento concentrou-se numa definição profundamente preocupada com as possibilidades dadas a cada indivíduo: vida longa com boa saúde e educação, bem como respeito pelos direitos e liberdade individuais.

Resumindo:

.a o que vem acontecendo com a pobreza?
.b o que vem acontecendo com o desemprego?
.c o que tem acontecido com a desigualdade?

É por este tipo de abordagem que vivo elogiando o conceito de sociedade justa delineado por John Rawls:

1. Todos têm igual direito à mais ampla liberdade compatível com a dos demais indivíduos
2. A desigualdade social e econômica deve ser organizada de modo a
a) permitir que as oportunidades de emprego sejam abertas a todos
b) gerar o maior benefício aos detentores de menos posses

DdAB
P. S. Ali em cima, temos a tradução do Google com minha revisão. Aqui está o original.

From the 1940s onwards, it became increasingly clear that some countries achieved very high standards of living, while many others remained at the level of matching, at best, the vital needs of their populations. Two or three decades of academic debate were responsible for a change of emphasis in the understanding of economic development. Instead of emphasizing value added growth, the new conception was derived from the famous three questions of Dudley Seers, as quoted by Hunt (1989:260): " [...] what has been happening to poverty? What has been happening to unemployment? What has been happening to inequality?" This type of shift in the approach to development focused on a definition deeply concerned with the possibilities given to each individual: long life with good health and education as well as respect for the individual rights and freedom.

P.S.S. Peguei aquela imagem lá de cima, retratando uma reunião do ministério do governo Temer, ao pedir ao Google Images a expressão: "virtudes do igualitarismo". E, para minha surpresa, vi imagens de críticos desta filosofia política. Acho que eles não entendem o que é igualitarismo. Um dia meu livro vai mostrar-lhes o que temos em vista. E o leitor do blog já viu esta exposição em inúmeras postagens: o emprego do varredor de rua permite-lhe colocar o filho no curso de violino e o professor de violino levar seu rebento ao dentista, que levará seu filho ao Beto Carreiro, que emprega dezenas de pessoas e seus filhos irão...

P.S.S.S. Além do mais, escrevi no mural do Facebook de Paulo de Tarso Pinheiro Machado:
Entendo que o Brasil e suas cidades só irão para frente se:
.a o governo central implementar a Lei 10.835/2004 que institui a renda básica da cidadania
.b as prefeituras criarem o "serviço municipal", voltado à prestação de serviços pessoais (cuidados com crianças e velhos) e ambientais.

.c uma coalizão social-democrata for capaz de financiar estes gastos com maior arrecadação do imposto de renda.

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