quinta-feira, 10 de maio de 2018

Talo, Marcos e a Pegada do Processo Eleitoral


Querido diário:

Estou acompanhando cada vez com mais interesse as manifestações do Facebook sobre o futuro da candidatura Lula para a presidência da república. Selecionei dois textos que falam por si mesmos:

Talo Pereyra
7 de maio às 20:06 ·
Sou dos que acreditam que o PT está certo em defender Lula até as últimas consequências. Todavia, devo dizer que a tática petista, correta no essencial, não precisa de comentários emocionais em que se ataque o Ciro Gomes, como os proferidos por Gleisi Hoffmann "nem com reza brava" e reproduzidos à exaustão pelos setores mais despolitizados do PT (refiro-me aos da turma do "Lula ou nada"). Não deposito nenhuma confiança no judiciário. Mesmo que nos próximos dias Lula recupere a sua liberdade, posto que a sua prisão é uma das muitas arbitrariedades que temos visto no processo do famigerado triplex, desmascarado em ação ousada e brilhante pelo MTST de Boulos que mostrou que não havia "espaço gourmet" nem "elevador privativo" escancarando a farsa, haverá ainda que superar dificuldades enormes (quase que intransponíveis) para que o PT possa homologar a almejada candidatura do Lula. Isso posto, parece-me um profundo equívoco de Gleisi e outros dirigentes petistas isolar o PT das complexidades do atual processo eleitoral. Moro e a Globo não vão soltar facilmente sua "presa". Prenderam Lula para tirá-lo da disputa. E para eles não há "plano B" porque sabem que se Lula concorre vence. Levar ao Planalto um direitista, legitimado pelo voto (!) é o sonho da Globo! Querem um Macri. Se isso ocorrer, as consequências serão catastróficas. Vejam só o que está ocorrendo na Argentina... Não é momento para destruir pontes proferindo (ou reproduzindo) comentários irresponsáveis.


Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo citando Marcos Rolim (aqui)
10 de maio (tipo) às 18h

"O PT é, hoje, o principal obstáculo a uma política de Frente Ampla capaz de viabilizar uma candidatura competitiva de unidade entre os democratas, em um campo que vai do centro à esquerda (uma distância que, ao contrário do que imaginam os fiéis, é muito pequena no Brasil). A tática de insistir com o nome de Lula como candidato e de se dedicar efetivamente a derrotar a Lava Jato, dificulta a unidade possível e assinala um desses momentos históricos de falência da razão em que décadas inteiras tendem a se definir."

Já falei no outro dia: o mínimo que Lula já deveria ter feito, antes que as eleições comecem, isto é, antes que a TV comece a dar prioridade ao tema, ou melhor, antes que o horário político (criado pelos políticos para seu bem-estar e manutenção de seu encastelamento nos cargos eletivos), era ter negociado seu candidato a vice-presidente. E, antes dele, o programa que iria cimentar a coalizão de partidos de esquerda.

Candidato a vice-presidente é que não falta: Boulos, Manoela, Haddad, Olívio, e tanta gente mais. Ciro, why not?

Também indiquei uma backward induction para a modelagem estratégica do caso:
.a haverá ou não eleições
.b em havendo, Lula se elege
.c em havendo, Lula não se elege
.d em havendo, Lula não se elegeu pois os golpistas, os íncubos, os sei-lá-quê-mais impediram
.e em havendo, Lula influi nos rumos eleitorais
.f em havendo, Lula -que já havia indicado um vice-presidente em uma coalizão de esquerda- vê seu vice transformado em candidato a presidente e tendo como vice-presidente outra pessoa chave da coalizão
.g segue...

DdAB
A imagem é a dialética eleitoral: o impedimento da candidatura de Lula não é o fim. A terra seguirá dando suas voltas a cada 24 horas, o povo seguirá penando, se não houver uma frente de esquerda vencendo as eleições, inclusive compondo um congresso nacional decente.

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