quarta-feira, 25 de abril de 2018

... Érico Veríssimo Defendendo Lula e Popper


Querido blog:

Não me surpreenderia se Érico Veríssimo, em sua auto-biografia intitulada "Solo de Clarineta", lá nas páginas 173 e 174 estivesse falando coisas atualíssimas da vida brasileira. O que me surpreenderia seria ver esta mensagem transcrita nos anais do congresso nacional como resultado de uma comissão de inquérito que iria incriminar todos os 513 deputados e mandar estrachinar todos os senadores.

Diz-nos Érico:

[O tio dele, fazendeiro João Raymundo] [a]dmirava Próspero, o sábio e justo Duque de Milão, o qual, vendo-se destronado por uma conspiração estúpida que levara ao trono Calibã, a encarnação do mal e da brutalidade, pediu que lhe tirassem tudo, tudo, menos o direito de rir-se daquela farsa. [... segue falando no tio, que pensava outras coisas que não me agradam].
[...]
'Amigo velho' - costumava ele me dizer - 'só há uma espécie de intolerância que me parece justa: é a intolerância contra a intolerância.'

A verità é que aprendi há poucos dias com Jorge Ussan, ou por ele fui relembrado, que Karl Popper, em seu livro "The Open Society and its Enemies", de 1945, fala que não devemos tolerar os intolerantes. E ele, Popper, designa este desígnio (...) como o paradoxo da tolerância. Tá na cara que não podemos conviver com gente que deseja o extermínio de outras pessoas, amigas ou adversárias no futebol, na política, na rua em que vive. Nem com partidos que apregoam a violência ou a misoginia, essas coisas.

Segue-se logicamente que Shakespeare tinha na cabeça que aquele juiz Moro (sabemos que "juiz Moro" é oximoro) e aquela juíza Lesbos, oslt, são uns intolerantes, não se dando conta de que Lula não é um qualquer, Lula não requer cuidados especiais e aquela prisão provisória é a maior prova de força que o estamento do judiciário (R$ 100 mensais, fora os acréscimos que não contabilizei) realmente chegou em um ponto que não pode mais ser tolerado. São uns intolerantes, preconceituosos e julgadores de meia-tigela. Esta, pelo menos, é minha opinião constitucional: direito de opinião.

DdAB
A imagem que nos encima retirei-a do mural de Jorge Ussan lá no Facebook

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