domingo, 9 de julho de 2017

Economistas Pecuários



Queridas amigos, amigos, amidalites, Itie, e tutti quanti:

70 anos. Dia 8, ontem. Hoje 70+1/365, fração própria. Na fração imprópria, temos aproximadamente 70,003. Quando chegar no 70,999, pimba, novas festividades, ad aeternum, se tanto.

Zero Hora, sempre Zero Hora. Às vezes dá suas dentros. Neste fim-de-semana, a edição era bem certinha: dia 8, sábado, o aniversário, domingo, 9, a comilança. E o que li na página 2 do caderno Campo e Lavoura? Li:

A cadeia produtiva da carne entrou em desequilíbrio, com oferta maior do que a demanda.
(Alberto Werneck de Figueiredo, diretor técnico da Sociedade Nacional de Agricultura)

Em outras palavras, o sr. Alberto não apenas acredita em equilíbrio como também o faz com relação a desequilíbrio. No outro dia, falávamos sobre o salário mínimo, situação em que a demanda por trabalho é cortada num ponto que a faz significativamente menor que a oferta. Por isso mesmo o salário mínimo sobrepõe-se ao salário de mercado. Só existe um 'pobrema' na fala do sr. Alberto e em minha maneira de expressar a encrenca. Lá naquele primeiro semestre da faculdade de economia, bons professores levam seus alunos a entender que a lei da oferta e procura é algo mais imponente que a própria lei da gravidade.

Neste afã, eles ensinam aos alunos que a dualidade básica do mundo econômico é que as compras, no dia de meu aniversário,, olhando para as escritas das firmas hoje de manhã, foram identicamente iguais às vendas. E os mais sabidinhos sugerem que, no entorno daquele par (quantidade, preço), havia uma "banda" de oferta e outra "banda" de procura, dentro da qual -provavelmente (eu disse 'provavelmente' e não tratar-se do 11o. mandamento das tábuas de Moisés)- encontravam-se as verdadeiras curvas de oferta e procura imaginadas pelos agregados de produtores e consumidores. E aí entra a encrenca: o neófito é obrigado, sob pena de reprovação e opróbrio, saber diferenciar "demanda de quantidade demandada" e "oferta de quantidade ofertada". Então o sr. Alberto estava, claramente, falando nas quantidades ofertada e demandada, o que implica que, em sua visão, as curvas originais não foram afetadas. Nem por aquela baixaria de vermos na TV carnes mal-processadas. A propósito, isto é que dá o governo, num just like that de fazer inveja ao estalar dos dedos anular e polegar (imagem lá de cima distorcida, hehehe), querer lançar-se a eleger (eu disse "eleger"???) campeões nacionais, em detrimento do combate à feroz desigualdade, responsável, inclusive pelos subornos praticados sistematicamente pelos vencedores, fora Temer, e tudo o mais.

E foi só isto do sr. Alberto o que li? Não. Também li:

No espaço ao lado da seção "Entre aspas", que quotou o sr. Alberto, vemos o "Campo responde". Primeiro pensei: o campo deve ter dito sim à reforma agrária de cunho social, tentando fixar  turma ao campo e até tentando atrair citadinos à capina e a tudo aquilo. Pois não era isso:

É comum a ovelha rejeitar cordeiros gêmeos ou trigêmeos? O que fazer para evitar o problema?
Responde: dra. Norma Centeno Rodrigues, médica veterinária especializada em bem-estar animal.

Um dos maiores problemas em partos duplos ou triplos é a rejeição de um dos cordeiros pela mãe.  [...] A adoção de um cordeiro órfão ou do terceiro cordeiro de parto triplo é difícil, requer dedicação do criador e nem sempre dá resultados.

Eu fiquei pensando: parece a ovelha capitalista de que nos falou Umberto Eco em um dos ensaios do livro "Viagem na Irrealidade Cotidiana", um dos livros que mais me influenciou quando eu tinha cerca de 40 anos de idade. E também Keynes naquele amado "Possibilidades econômicas para nossos netos", em que ele fala que o criador de gatos cuida da gata parturiente não por ela, mas pelos gatinhos e, na verdade, nem pelos gatinhos, mas pelos filhos e netos dos gatinhos.

No capitalismo, concluo, fechando as festividades dos 70 anos, lembrando que "no capitalismo, tudo vira mercadoria". E quem se arvora a dizer que teorizar sobre o conceito de equilíbrio é irrelevante vive em um planeta diferente do meu, em que -repito- a lei da oferta e procura é mais imponente que a lei da gravidade.

DdAB

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