sábado, 24 de junho de 2017

O Craque, o Creque, o Crique, e por aí vai...


Querido diário:

Cara sra. Lya:
Como sempre, li com atenção seu artigo da Zero Hora de hoje. E decidi contar-lhe uma historinha, pois não me parece que a sra. considere relevantes dois pontos para o "tratamento" do problema das drogas ilegais:

.a o conceito de consumo recreativo
.b o contrafactual da legalização.

Prolegômenos: sou professor de economia aposentado e costumava dizer em sala de aula que "adoro drogas", querendo salientar que pessoas sensatas devem se dedicar -caso cheguem a tanto- ao consumo recreativo.

Nesta condição, criei um problema de economia matemática (elementar) que, com as tradicionais curvas de oferta e procura, o simples estabelecimento de um imposto sobre o consumo fazia a quantidade de drogas (talvez apenas maconha, já não lembro) recuar.

Lição: bem entendo que aquele exercício de sala de aula sobre a incidência de impostos indiretos não é capaz de resolver completamente o problema das drogas. Este, naturalmente, é multi-dimensional, mas -erroneamente- o lado médico é praticamente o único pensado para a solução. Costumo dizer que a lei da oferta e procura é mais imponente que a lei da gravidade. A segunda puxa os aviões para o solo, ao passo que a primeira é quem os mantém voando... O prêmio que os ofertantes absorvem precisamente devido ao risco envolvido num negócio ilegal dá-lhes incentivos irrestíveis a se manterem como negociantes.

Viajação: na linha daquele "adoro drogas", penso que uma solução para acabar com a oferta por parte de traficantes é sua distribuição gratuita: dado nível de criminalidade dos governantes brasileiros, convidaríamos uma sociedade benemerente suíça (norueguesa está na moda...) para administrar salas de consumo em que o diálogo viciado-traficante seria substituído pelo viciado-enfermeiro.

DdAB
E-mail endereçado à sra. Lya Luft (lya.luft@zerohora.com.br) por seu escrito "As cracolândias da vida", da página 3 de Zero Hora de hoje.
Aquela perturbadora imagem lá de cima veio daqui. Seja como for, ela deixa claro que minha intuição retórica sobre a imponência absoluta da lei da oferta e procura é poderosa. E o isqueirinho bic também deveria ser vendido livremente.

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