segunda-feira, 29 de maio de 2017

Diretas Já: dejà vu pra nóis se rebelá


Querido diário:

Tem hoje em dia uma palavra de ordem que requer minha rebelião. "Diretas Já", no tempo da ditadura, com a candidatura de Paulo Maluf, essas coisas, era uma coisa. Hoje, pedir diretas já, com essa composição da câmara dos deputados em que 367 fizeram declarações escalafobéticas que os levaram a aprovar a instauração do processo de impeachment contra a presidenta Dilma. Se capássemos um por dia num ano bissexto, como foi o caso em 2016, ainda sobraria um para o primeiro de janeiro do ano corrente!

Pois houve 137 votos contra o processo. E esses 137 também contam com um subconjunto de mediocridade desabotinada.

Então temos possibilidades de mudar a constituição para abrigar as diretas já ou manter a constituição e ter indiretas já. Em qualquer caso, a corja é a mesma, esses 367 e os 137, fora outros encantadores de portadores de falsa-consciência [1], perfazendo os 513 rapazes e 'gals'. Não é brinquedo?

Então, lembram do que falei sobre o plebiscito das armas? Sou contra perguntar, sou contra portar armas e sou contra proibir armas. Sou contra o governo.

E sobre o impeachment? Sou contra o impeachment e contra o governo.

E agora? Sou contra eleições diretas e contra eleições indiretas. Sou contra o Michel Temer.

Eleições hoje, amanhã ou depois? Com o voto obrigatório, com o voto proporcional puro, sem parlamentarismo? O voto tem que ser periódico! Parece que nós, the left, nunca aprenderemos. O que deveríamos fazer era mesmo agir em dois fronts:

.a buscar um programa comum
.b meter o pé-no-barro (como li uma conclamação de Rosana Pinheiro-Machado há uns bons meses).

Minha proposta para unir a esquerda -e que já mostrou uma boa meia dúzia de simpatizantes e outra boa meia dúzia de antagonistas, é:

.a luta pela implantação do governo mundial
.b voto universal, secreto, facultativo, periódico e distrital
.c república parlamentarista.

Sobre meu pé no barro: faço o que posso. Mas posso ser convencido a fazer mais.

DdAB
Lá em riba, vemos o Carequinha, em homenagem que faço a ele mesmo, a mim mesmo e ao Raul Seixas mesmo ("um palhaço que come lixo", e queremos pedir-lhe que vote!).

[1] Ver Corina Dick no Facebookde 24 de maio corrente, às 22h24min:
Dissonância cognitiva: quando existe uma incoerência entre as atitudes ou comportamentos que acredita ser o certo com o que é realmente praticado... Ou seja, favor aliar seu discurso à prática. Facilita a vida e, melhor ainda, facilita a leitura facebookiana... Porque é difícil entender o que as pessoas esperam de uma nação em colapso, de um povo sofrido e abusado e... É difícil entender o que as pessoas entendem por VANDALISMO. Eu tenho assistido um vandalismo "institucional" que tem me envergonhado imensamente. Este "vandalismo" é o que me fere. As manifestações são pacíficas perto da barbárie a que somos submetidos. Pensem nisso!

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