quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ulysses 22-96


Querido diário:

Já foi ouvido e comentado que amanhã entro em campo às 16h30 para falar sobre a primeira sentença de "Ulysses", de James Joyce? Explicarei por que sou especialista apenas nesta frase, pois não consegui ler o resto do livro!

DdAB

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Diretas Já: dejà vu pra nóis se rebelá


Querido diário:

Tem hoje em dia uma palavra de ordem que requer minha rebelião. "Diretas Já", no tempo da ditadura, com a candidatura de Paulo Maluf, essas coisas, era uma coisa. Hoje, pedir diretas já, com essa composição da câmara dos deputados em que 367 fizeram declarações escalafobéticas que os levaram a aprovar a instauração do processo de impeachment contra a presidenta Dilma. Se capássemos um por dia num ano bissexto, como foi o caso em 2016, ainda sobraria um para o primeiro de janeiro do ano corrente!

Pois houve 137 votos contra o processo. E esses 137 também contam com um subconjunto de mediocridade desabotinada.

Então temos possibilidades de mudar a constituição para abrigar as diretas já ou manter a constituição e ter indiretas já. Em qualquer caso, a corja é a mesma, esses 367 e os 137, fora outros encantadores de portadores de falsa-consciência [1], perfazendo os 513 rapazes e 'gals'. Não é brinquedo?

Então, lembram do que falei sobre o plebiscito das armas? Sou contra perguntar, sou contra portar armas e sou contra proibir armas. Sou contra o governo.

E sobre o impeachment? Sou contra o impeachment e contra o governo.

E agora? Sou contra eleições diretas e contra eleições indiretas. Sou contra o Michel Temer.

Eleições hoje, amanhã ou depois? Com o voto obrigatório, com o voto proporcional puro, sem parlamentarismo? O voto tem que ser periódico! Parece que nós, the left, nunca aprenderemos. O que deveríamos fazer era mesmo agir em dois fronts:

.a buscar um programa comum
.b meter o pé-no-barro (como li uma conclamação de Rosana Pinheiro-Machado há uns bons meses).

Minha proposta para unir a esquerda -e que já mostrou uma boa meia dúzia de simpatizantes e outra boa meia dúzia de antagonistas, é:

.a luta pela implantação do governo mundial
.b voto universal, secreto, facultativo, periódico e distrital
.c república parlamentarista.

Sobre meu pé no barro: faço o que posso. Mas posso ser convencido a fazer mais.

DdAB
Lá em riba, vemos o Carequinha, em homenagem que faço a ele mesmo, a mim mesmo e ao Raul Seixas mesmo ("um palhaço que come lixo", e queremos pedir-lhe que vote!).

[1] Ver Corina Dick no Facebookde 24 de maio corrente, às 22h24min:
Dissonância cognitiva: quando existe uma incoerência entre as atitudes ou comportamentos que acredita ser o certo com o que é realmente praticado... Ou seja, favor aliar seu discurso à prática. Facilita a vida e, melhor ainda, facilita a leitura facebookiana... Porque é difícil entender o que as pessoas esperam de uma nação em colapso, de um povo sofrido e abusado e... É difícil entender o que as pessoas entendem por VANDALISMO. Eu tenho assistido um vandalismo "institucional" que tem me envergonhado imensamente. Este "vandalismo" é o que me fere. As manifestações são pacíficas perto da barbárie a que somos submetidos. Pensem nisso!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Desprezo ao Neoclacissismo


Querido diário:

Primeiramente, fora Temer! Em segundo lugar, gente que muito prezo e muito, muitíssimo qualificada, tachou-me um par de décadas atrás de ser um neoclássico de esquerda. Anos depois, ouvi de um ex-aluno dileto no primeiro semestre da faculdade e intelectual politicamente ativo a frase: "quem, senão o Duilio, iria ensinar 'marginal' e 'mais-valia'"? Frase curta que penso ter feito a melhor radiografia de minha própria vida intelectual enquanto economista.

Tive dois grandes mestres a ajudar-me a equacionar essa questão de

.a entender o funcionamento e a evolução dos modos de produção nas sociedades humanas
.b contribuir para sua regulamentação, buscando a maior eficiência (produtiva, alocativa e distributiva) possível.

Escrevi no próprio blog em 22 de julho de 2015:

O primeiro artigo é de Oskar Lange:

HOROWITZ, David, org. (1972) A economia moderna e o marxismo. Rio de Janeiro: Zahar. p.66-83. Reproduzido da Review of Economic Studies, junho de 1935.

E o segundo é:

WORLAND, Stephen T. (1972) Radical Political Economics as a Scientific Revolution. Southern Economic Journal, v.39 n.2 October. 

E daí que, quando vejo a nova forma de discriminação de preço na indústria de transporte de passageiros por avião, quando se abandona o princípio da formação do preço do carregamento de bagagem pelo custo médio e passa-se a cobrar pelo custo marginal, ou o que o valha, pareceria estarmos buscando eficiência alocativa. Mas o que estamos vendo é nova manobra monopolística, assessorada pelo próprio órgão governamental que deveria regular e tributar os lucros extraordinários.

E a diferença entre custo privado e custo social? Parece que estes conceitos são dados no primeiro dia de aula da faculdade de economia e, se não o for, devem ser dados quando se estuda, lá pelo quilômetro 5 ou 6 de um curso elementar de microeconomia, a teoria dos custos. E qual a relevância disto para um neoclássico de esquerda? É termos presente, por exemplo, no estudo do funcionamento do mercado de trabalho, que quanto menos emprego -mantido o mesmo nível de produção- melhor. E que, quando se fala em 'gerar emprego e renda', o que se está fazendo é passar adiante um discurso reacionário, pois estas duas variáveis econômicas não estão ligadas: o bebê de qualquer porte não tem emprego e absorve parte do valor adicionado. E o velhinho dos ricos também: come, bebe e dorme, mas não trabalha.

DdAB
Eficiência alocativa - quando o custo marginal é nulo, quero dizer, é igual ao preço.
Eficiência produtiva - quando o custo médio é mínimo.
Eficiência distributiva - quando o custo médio é igual à receita média, ou seja, o lucro extraordinário é nulo.
Existe alguma estrutura de mercado teórica que autoriza este alcance simultâneo de eficiência? Teórica, sim, prática, provavelmente, não, e é a concorrência perfeita (e até mesmo a pura). E qual a diferença entre concorrência pura e a perfeita? O grau de informação disponível pelos agentes ser parcial ou total.
E toda a macacada dos economistas de esquerda sabe isto? Estou praticamente certo de que não sabe, não!

Olha só: escrevi aqui no blog e fui ao Facebook de 26/maio sexta-feira tipo 10h00. Lá recebi o seguinte comentário do prof. Hélio Henkin:
Duilio De Avila Berni, não sei se não captei algo, ou se tu estavas falando de produtos cujo custo marginal é zero ou tendem a zero, mas creio que no texto do blog acima citado a condição de eficiência alocativa deveria ser "disposição a pagar por uma unidade do produto ou preço devem ser iguais ao custo marginal" e não que "custo marginal=zero". (Pode ser também que o meu trabalho atual de gestão orçamentário-financeira-administrativa esteja me atrapalhando no raciocínio microeconômico.....hehehehe) Aproveito para indagar se o teu neoclassicismo de esquerda consideraria a eficiência inovativa........(provocações de um shumpeteriano social democrata...hehehe).

E respondi assim:
Obrigado, Hélio: leitura atenta leva a diagnóstico de erros. Falei mesmo aquilo de CMg = 0, quando queria dizer CMg = preço, ou, para usar tuas palavras, "disposição a pagar por uma unidade do produto ou preço devem ser iguais ao custo marginal". Para simplificar a exposição de Frederick Scherer, seleciono apenas estas três situações ilustradas por aquele desenho tradicional do equilíbrio de longo prazo na concorrência pura. Mas claro que, quando chamado às falas, vou logo acrescentando que, ao falar em eficiência produtiva, estou pensando num ambiente dinâmico em que as empresas que não inovarem ficarão para traś. Diria o velhinho da mais-valia: produzirão a um preço menor que o valor, cedendo a liderança a outras mais eficientes inovativamente.

Vou já pra lá no blog arrumar este erro que juro ser apenas desatenção, mas não falta de compreensão da relação entre disposição a pagar e o custo de obtenção da unidade adicional do produto.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Um, Dois, Três, Todos no Xadrez


Querido diário:

UM
Governo: "Aprova o ato adicional que instituiu o parlamentarismo?"
Povo: "Com o lápis na mão, vamos dizer que não, não e não."
Era um tempo diferente, Jânio Pictures renunciara, Jango Cambará fora impedido de assumir a presidência da república, pelo que sei, por ter bebido cerveja no penico de um bordel na cidade de São Borja (afinal, se o capitão e o doutor Rodrigos Cambarás o fizeram no vizinho município de Santa Fé, qual o constrangimento?). Achou-se que a solução seria manter Jango como presidente, estilo "rainha da Inglaterra", mas dar o governo a Tancredo Snower, nosso primeiro primeiro ministro dos tempos modernos. [Ver minha opinião no capítulo TRÊS].

DOIS
A Sucessão de Emílio Garrastazu Médici
Mesmo sabedores que o computador estava cansado com os erros que cometia sucessivamente, inclusive ao apontar Emílio como candidato dos militares para representar a junta governante, o povo brasileiro voltamos a consultá-lo, tendo como resposta: "Honesto não tem, mas por aproximação podemos procurar um Ernesto", quando a plutocracia autóctone, atuando no congresso nacional, elegeu Ernesto Chiru Geisel.

TRÊS
Parlamentarismo Já
Como não querer parlamentarismo? Tem gente que acha que o parlamentarismo seria implantado para tirar Lula. Eu acho que era para botar Tancredo. E acho que, se tivéssemos conseguido alguma aura luminosa a nos inspirar e criado o parlamentarismo lá no calhamaço de 1988, poderíamos ter tido três governos FHC, sem compra de deputados, quatro de Lula sem ter sacrificado a presidenta Dilma e uns 25 de Aécio Snowing, que os infernos o traguem.

Quando, em 2015, começou-se a falar mais insistentemente no impeachment da presidenta Dilma, tudo instigado pelo senador Aécio Melting, passei a usar a seguinte consigna: "Sou contra o governo e também contra o impeachment". Achava que abalos institucionais não se resolviam com maiores abalos institucionais. Agora acho o mesmo: o presidente é ladrão, remove-o, bota quem está na linha sucessória apontada pelo calhamaço de 1988, muda o regime e já joga o país nos braços tépidos e eficazes do parlamentarismo. E, aparentemente é o caso, devemos cuidar para não colocar nesse mandato tampão de presidente da república até a eleição do final do próximo ano

QUATRO
Tá derretendo, sô
De que forma fui capaz de conceder, no capítulo TRÊS 25 mandatos de premier a para o senador Aécio Melting? Resposta: lembrei que "no capitalismo, tudo vira mercadoria, inclusive a honra". Ele iria comprar até seu finado tio.

QUINTO
O clube do lugar comum
Todos sabem do apreço que nutro pelo jornal Zero Hora, tão, mas tão íntimo me sinto a ele que costumo cognominá-lo de Zero Herra, Zerro Herra, Zero Burra e até Zero Hurra. Tem pobrema de tudo que é geito e um dos que mais me fere remete aos lugares-comuns praticados aqui e ali, mas centrados na coluna antiquíssima que trata de temas econômicos. Pois hoje tem um característico do pobrema que refiro:

Fome de lucro
Hamburgueria de Porto Alegre apimenta o molho do faturamento
Entre janeiro e abril, negócio lucrou 90% a mais do que no mesmo período de 2016*
*
[o site é misterioso, troquei pela digitação de toda notícia da página 17 de meu jornal]

MOLHO NO FATURAMENTO
   A Mark Hamburgueria, de Porto Alegre, colocou molho no faturamento entre janeiro e abril, quando abocanhou cerca de R$ 300 mil, alta aproximada de 90% em relação ao mesmo período de 2016. Dono do negócio -gerencia e cozinha-, o chef Mark Bandeira lembra que, quando sua hamburgueria foi inaugurada, em outubro de 2014, havia outras três na cidade. Hoje, diz, o número engordou para cerca de 20.
   -Foi um tiro certo. As pessoas criaram o hábito de jantar em hamburguerias - afirma.

SEXTO
E assim caminha a humanidade. E até parece mesmo, dados meus recorrentes anglicismos nesta postagem, que o título em inglês também é super válido: Gone with the wind.

DdAB
Fonte da foto e de parte da notícia do capítulo QUATRO está aqui. É ou não é um dia apropriado para o consumo de pizzas, hamburgers e mesmo -como nos será empurrado goela abaixo- humbugs (farsas, empulhação). E pra deixar a negadinha confusa, parece que o editorial do combativo newspaper também proclama o parlamentarismo como solução, nem li. Azar.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Os Moros (pai e filho) e a Bola Fora (só minha)

Querido diário:

Minha postagem de ontem aqui e chamada para o Facebook deu o que falar, colocando-me numa situação embaraçosa. Fiz e recebi alguns comentários que transcrevo:

Duilio De Avila Berni Esta certidão veio do mural de Conrado Abreu Chagas. Lá escrevi: Olha, isto é tão escalafobético que nem posso acreditar. Seja como for, com este aviso de alerta, vou compartilhar.
Duilio De Avila Berni Fiquei tão estupefato com essa notícia como me chegou que não aguentei e, para poder recuperá-la, que não sei fazer isto aqui no Facebook, decidi postar isto:
http://19duilio47.blogspot.com.br/.../so-pode-ser...
Josevaldo Duarte Gueiros Duilio, esse é outro.
Ricardo Holz Minha recomendacao:
A imagem pode conter: bebida
Duilio De Avila Berni Ótimo ponto, Ricardo! Parece que dei um tiro nágua. A cautela, despida de álcool, é insuficiente, nos dias que correm!
Duilio De Avila Berni Digo o mesmo que falei para Ricardo agora ao Josevaldo!
Ricardo Holz Este da foto esta a venda, mestre. Preco especial
Paulo Roberto Nunes Ferreira Olá, professor. O juiz da Justiça Federal que julga acusações da Lava Jato se chama Sérgio Fernando Moro
Duilio De Avila Berni Então o negócio em que me envolvi é ainda pior que fakenews, pois aparenta seriedade. E o pior é que eu já ouvira falar nisso.
Edward Neves Monteiro De Barros Guimarães Não pode ser verdade... Ele no partido do Aécio e do Dória? Isso deve ser montagem do "Lula", perseguição dos "petralhas". Ele é neutro como a "escola sem partido"... Ele trata todo mundo igual perante a lei. O Sergio Roberto Moro deve ser muito amigo do famoso Juiz Sérgio Moro... Será que são irmãos gêmeos?
Duilio De Avila Berni Oi, Edward: mantenho minha posição anterior: é incontestável que o cachorro do juiz é do PSDB, hahaha.
Ricardo Holz House of Cards respira
Ricardo Holz A imagem pode conter: 3 pessoas, texto
Ricardo Holz A imagem pode conter: texto
Ricardo Holz Bom dia, professor!
Duilio De Avila Berni Ok, ok. Vamos à segunda garrafa!
Carlos Paiva Este é o pai dele! Ele foi fundador do PSDB no Paraná. A esposa foi assessora do PSDB. E ele é amigo do Aécio e do Dória. Só isso. Mas ele mesmo é totalmente apartidário. São coincidências e o povo sai falando mal.
Duilio De Avila Berni É, meu!, fakenews engana mesmo os melhores detetives...
Sonia Unikowsky Teruchkin Confusão de nomes Duilio De Avila Berni De AvilaBerni https/www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=/amp/www.e-farsas.com/o-juiz-sergio-moro-e-filiado-ao-psdb-do-parana.html/amp&ved=0ahUKEwiLl_f_tPTTAhXDSSYKHUI7AGUQFggoMAE&usg=AFQjCNGOAaOdBd7SJXbybFooxAZU0bmnMA&sig2=5NzOk1_qpn4mwtKgj8Fu0g
Duilio De Avila Berni Obrigado, Sônia. Cautela e caldo de galinha...
Marilia Verissimo Veronese Não é ele, ´e o pai, né?
Duilio De Avila Berni Vim a saber ser mesmo o pai dele. Ou será outra fakenews? Mas confirmo que o cachorro dele foi flagrado numa reunião do PSDB, hahaha.
Carlos Paiva É o pai sim.
Paulo Alexandre Spohr Caro colega Duilîo você tem conhecimento suficiente para saber que nenhum juiz tem filiação partidária. Um Dr. esclarecido não deveria contribuir para propagar mentiras. Não te parece?
Duilio De Avila Berni Claro que me parece, Paulo. Seja como for, arrojado por arrojado, meu erro pode até ser comparado com tua pressa em valorizar-lhe a falha: não leste minha retratação lá em cima. E por que não o fizeste? Atrevo-me a responder: parece que te choca ver colegas rezando por uma cartilha essencialmente diversa da tua e, especialmente, sendo de esquerda.
Sigamos analisando as burradas recíprocas, Paulol. Ainda estou em dúvida se leste o que escrevi. O fato concreto é que nunca afirmei que em 1999 o filho do homônimo fosse fosse juiz. Afirmei?
E fazendo blague com teu elogio (?) a minha titulação, não sou doutor, mas doctor of philosophy.
Ricardo Holz Nao era PhD em artes?
Duilio De Avila Berni Não, Ricardo, aquilo era do mestrado: Magister in Artibus, ou master of arts, ou ainda, M.A.
Ricardo Holz 👍
Jonas Moreira Tal pai tal filho...
Duilio De Avila Berni Genial, Jonas. Teríamos que ver o que meu ex-aluno e ex-colega de UFRGS , o prof. Paulo Alexandre Spohr pensa deste inarredável condicionamento genético.
Paulo Alexandre Spohr Duilîo, desculpe, nunca fui teu aluno, fomos contemporâneos de UFRGS.
Duilio De Avila Berni Nem na disciplina de montagem do projeto de mestrado em 1978 ou 1979, Paulo? Ingrato!
Carlos Sérgio Rota Pequenas confusões,,,,ou,,,,premeditado...
Descoberto o "fora", achei que meus reparos nos comentários não seriam suficientes para alertar minha turma. E fiz uma postagem independente:

DEPOIS DE TODOS OS COMENTÁRIOS QUE ACABAMOS DE VER, FIZ UMA NOVA POSTAGEM:
Minha gente: aquela postagem que fiz às 23h40min de ontem em meu blog e aqui no FB sobre a estupefaciente notícia de que Sérgio Moro fora do PSDB mostrou:
.a que não fui capaz de investigar suficientemente o tema, mas que fiquei chocado, lá isso fiquei. Um juiz, claro, não pode ser julgado pelos valores de seu pai. E nem podemos provar que pais influenciam filhos. Mas que fiquei, fiquei!
.b isto não me impede, obviamente, de achar que o juiz Moro é um enviesado, age apressado e comete erros, muitos deles avalizados pela tal segunda turma.
.c recebi uma meia dúzia de comentários, um ou outro de teor mais acusatório que considero sensato, especialmente se esse um ou outro usa meu erro como um sinal de fraqueza em minha postura esquerdista. Houve, felizmente, um ou outro comentário brincalhão e um ou outro comentário de amigos/as queridos/as chamando minha atenção para minha mancada.
Que mais posso dizer, a não ser recomendar que leiam meu blog? Digo tchau!

E os comentários a ela:
Ricardo Holz Peço desculpas.
E digo mais: vamos tomar um whisky?
Duilio De Avila Berni Querido amigo! Não deves pedir desculpas. Estás na parte: "Houve, felizmente, um ou outro comentário brincalhão e um ou outro comentário de amigos/as queridos/as chamando minha atenção para minha mancada."
Ricardo Holz E o whisky?
Duilio De Avila Berni Primeiro: acho mais sensato usarmos cerveja, pois os distribuidores do produto estão cada vez mais refinados. Segundo: acho que tem que ser pra já! Sugiro que dês as primeiras coordenadas.
Maria Susana Bighelini
Duilio De Avila Berni Obrigado, querida! É uma lição para nós todos/as, prática que, aliás, certamente exerces em nossa maviosa cidade!

DdAB

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Só Pode Ser Fakenews: "Juiz Moro" é oximoro!


Querido diário:

A vida no Facebook tem lá das suas! Hoje vi uma piada no mural de minha amiga Veleda Fisch: Freud comentando o dia das mães dizia algo como: "amar sua mãe é nunca esquecer de levar um casaquinho ao sair de casa". E depois vi, no mural de Conrado de Abreu Chagas o atestado que nos encima.

Parece fakenews, não é mesmo? Eu sempre ouvi dizer que o cachorro de Moro é que era do PSDB e agora vejo que não era verdade. O dono do canino é que era, é que foi, que fora. Que fora! Como poderei saber a verdade, sem ser jornalista nem policial? Neste caso, também teria que contratar um detetive particular para saber sobre aquelas acusações de arquivamento de um processo de remessa ilegal de dinheiro ao exterior.

Só bebendo, o que vou fazer imediatamente, pois não quero beber na terça-feira, o que me exige ser rápido para aproveitar o dia que agora se encerra.

DdAB
Sérgio Moro, "Juiz Moro" é oximoro.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Tecnicalidade sobre a Sem-vergonhice


Querido diário:

Meu telefone celular tinha o prefixo 8, indicando que a vendedora dos serviços era a empresa Oi (que o inferno a trague). Com a inteligente mudança de colocarmos o dígito 9 na frente de todos os demais, passei, logicamente, a iniciar a enorme digitação com 99. É que há anos troquei outra telefônica de envergonhar o país, passando a Oi, de sorte que, ao invés daquele 99, devo discar 98. Por quê a ligação, para mim, de um telefone da Oi para outro da Oi deve custar menos?

A única explicação lógica, fora da outra de até maior lógica, a saber, o poder de monopólio conferido pelo governo, é que o custo marginal de uma ligação para a outra dentro da própria telefônica é baixíssimo ou mesmo provavelmente nulo.

Mas a hipótese da prática de preços monopolísticos por parte desta e das demais telefônicas fica fortalecida, quando consideramos que outros serviços de espantosa banalidade são cobrados. Por exemplo, e este é um exemplo devastador para uma certa via de esquerda, quando a telefônica era propriedade do governo do RGS, cobrava-se até de um ponto de linha telefônica adicional dentro de casa. Como sabemos, ou até foram eles mesmos que nos ensinaram a mandar o setor privado colocar a linha, digamos, do quarto para a sala, o custo marginal de fazer uma ligação pelo telefone n. 2 é praticamente ou efetivamente nulo.

Ok, ok, temos preços de monopólio e eles são inevitáveis tanto com a administração governamental quanto com os serviços privados. Mas a questão revolucionária volta a se colocar: que fazer com os lucros extraordinários resultantes do exercício do poder de monopólio? E a resposta reacionária dada pelos governantes do Brasil é: deixa como está.

DdAB

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Como poderia dar certo?


Querido diário:

Um país pode dar certo ou dar errado. Acemoglu e Robinson ("Por que as nações fracassam") falam em instituições políticas e econômicas inclusivas ou extrativistas, requerendo também a destruição criativa de que nos fala Schumpeter (novos produtos ou novos processos arrasando práticas ou hábitos anteriores).

Eu vejo o mundo a partir de meu umbigo, claro. Mas não apenas dele, óbvio. Minha principal fonte para ficar ao par do que vai pelo mundo (Art Filmes...) é, de manhã, ler o jornal, de noite, os jornais da internet e - por pura ironia - o que melhor me serve é o El País em português. Às vezes, olho o Washington Post, o Guardian e a Economist.

Pois hoje, há duas notícias que, conjugadas, deixam-me aturdido. Nem estou falando no ponto de vista de direita que percola todo noticiário do depoimento de Lula para Moro. Falo da página 6 da Zero Herra, falo da cronista Rosane de Oliveira, falo de um drops como segue:

NA MOITA
   Um mês depois de o PDT aprovar a saída do governo Sartori, os filiados que ocupam cargos de confiança nos escalões inferiores seguem na moita|: ninguém pediu demissão. Até os coordenadores regionais de educação seguem nos postos.
   O PMDB e os demais partidos aliados que seguem com o ônus de ser governo não aceitam que o PDT decida ser oposição sem abrir mão do bônus.

Não é crível que se pense nestas linha, em um país cuja infração sistemática ao item "os cargos públicos serão abertos a todos" da definição de sociedade justa de John Rawls. A jornalista Rosane de Oliveira dá um tom e teor a sua notícia que parece que o comportamento mais natural do mundo é mesmo a troca de cargos na administração pública por apoio parlamentar. Obviamente, estamos falando de instituições distorcivas (extrativistas), maculando tanto a democracia quanto a qualidade da administração pública. Digamos que um daqueles detentores de CC fosse competente (o que me surpreenderia, pois -se o fossem- não estaríamos no mesmo desvão de baixa produtividade), então seria defensável retirá-lo do cargo? Quem deveria surgir em primeiro lugar, o emprego de partidários ou a eficiência do trabalhador?

O inferno é infinito, como dizíamos em Jaguari. Como tal, a página 10 está falando que aquela psicopatia dos governantes gaúchos quer prender e arrebentar a administração indireta estadual. Mas a constituição do estado requer a realização de plebiscitos, buscando auscultar as preferências do eleitorado em meia dúzia de assuntos. O governo tentou fazer uma lei mudando a constituição, sei lá em detalhe, na tentativa de contornar esse "auscultar". Digamos que estivéssemos no caminho certo quando o governo deu-se conta de que o melhor mesmo seria cumprir a constituição estadual e não dar-lhe um golpe com novas iniciativas legislativas que viessem a burlar aquele "auscultar". Neste caso, para o plebiscito, passou-se a discutir se o voto deveria ser obrigatório ou facultativo. Do jeito que vejo o mundo, o voto deveria ser facultativo, pois quem quer votar vota e quem não quer votar não vota: Rawls novamente - todos terão direito à maior liberdade possível compatível com a dos demais. Não vejo, como tal, de que jeito meu voto (presente ou ausente) pode prejudicar o bem-estar do governador Sartori ou de meu vizinho de estacionamento na garagem do centro da cidade, ou de quem mais lá seja. Parece que a dupla falha da turma reside no seguinte parágrafo dessa desditada página 10:

   Interlocutores do Palácio Piratini vinham trabalhando com a hipótese de que a consulta seria facultativa, porque 2017 é ano não eleitoral. O entendimento era de que, sem a exigência de comparecimento às urnas, aumentaria a probabilidade de que entidades de classe contrários à privatização dominassem a votação.

Segue-se logicamente que o que interessa não é eficiência do funcionário público nem o desejo de ouvir o que a população acha sobre a iniciativa do governo. O que interessa é, num caso, agradar aos partidos aliados e, no outro, anular a possível mobilização das entidades de classe.

Tá ou não está explicado que tipo de gente nos fixa tão rigidamente nas cadeias do inferno? Como é que um país com políticos desta estirpe pode fazer para dar certo? (Resposta no item .b no que segue).

É por isso que:

.a eu bebo e

.b eu penso que a saída não é tão simples quanto pensar apenas em educação para o povo. Acho que também cada vez mais se mostra importante formarmos uma rede de esgotos: saneamento para tudo quanto é dejeto -humano ou não- que infesta o país.

DdAB
P.S. Com educação, serão criados empregos para neguinhos alfabetizados, limpinhos e cheirosos, ao passo que, com a criação de esgotos, serão empregados os analfabetos, os desdentados, os despossuidores de máquinas de lavar roupa e que, como tal, exibem aquele característico cheiro de roupa suja.

sábado, 6 de maio de 2017

Texto Devastador de Marcos Rolim

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Querido diário:


Um senhor Aires Frederico Echenique Becker escreveu uma diatribe contra "o governo do PT", ou algo parecido. Escandalizei-me e aproveitei o espaço da postagem de Moisés Mendes em seu mural (14 horas atrás) e escrevi:
Aêee, Aires. O que vou citar de Marcos Rolim (p.24 de ZH de hoje), a meu ver, não justifica os mal-feitos que a presidenta Dilma prometeu (e não lhe permitiram) erradicar:
O curioso é que o atual governo só fez agravar a recessão e o desemprego, acumulando o maior déficit orçamentário da história da República. No idioma temerista, um governo definitivamente 'sem marido'." [...] Imaginem como o mundo recebe a notícia de que o atual governo possui oito ministros investigados por suspeita de corrupção e o próprio presidente é figura habitual em delações de mafioso s (apenas Cláudio Melo Filho - lembram? - citou Temer 43 vezes). Um governo do tipo não pode contar com a menor credibilidade. Mas, no Brasil, qual o significado de um governo formado por uma quadrilha? Aparentemente, nenhum. Os governo do PT agenciaram os seus esquemas delituosos e formaram as suas quadrilhas. Uma parte dos bandidos -seguramente a mais profissional-, abrigada no Planalto desde sempre, operacionalizou o impeachment e formou outro governo apoiado por grande parte da mídia e pelos grandes grupos econômicos. Ainda que a nova configuração mafiosa não tenha qualquer apoio popular, se mantém por conta de uma maioria parlamentar, tão desqualificada quanto ávida por cargos e verbas, e por uma elite empresarial movida pelos mesmos valores morais e pelo mesmo descompromisso com o Brasil. O governo Temer, entretanto, virou paisagem. Faz parte do cenário que se imagina inalterável e com o qual devemos conviver como se, de fato, tivéssemos um governo. Tudo em nome do rentismo, a começar pelas reformas que são concebidas para que nada seja alterado no andar de cima.
Retomo: além do mais, se fosse capaz de fazer um bom governo, uma vez que ele é inelegível, condenado que foi pela justiça eleitoral de São Paulo, teríamos -de qualquer jeito- que votar em Lula (hehehe).

DdAB
Texto do Facebook. E acrescentei um comentário:
  E que posso dizer de um subconjunto de meus colegas economistas que consideram que as reformas propostas por este presidente citado pelo menos 43 vezes em denúncias de corrupção própria e de terceiros tem alguma chance de modificar o comportamento dos agentes econômicos, induzindo-os a promulgar intenções de promover a ordem e o progresso? Tá aqui o que digo: hahahaha.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

200 - 1 :: Duduzinho, Marx e Engels


Querido diário:

05.05.1818. Como não gravar esta data? Hoje são 199 anos do nascimento de Karl Henrich Marx, que vemos na foto de Berlim, sentadito no más, ao lado de seu fiel amigo Friedrich Engels. Numerologicamente, o zero cinco zero cinco não teria calado em minha memória, não fosse o dezoito dezoito. Em 1838, Marx fez 20 anos e foi o momento em que Augustin Cournot publicou seu livro hoje saudado como o homem que antecipou o conceito de equilíbrio de Nash. Nos meus tempos imemoriais de professor de microeconomia prévios a meus estudos da teoria dos jogos, eu amava lecionar seu modelo (ajustes pelas quantidades) e comparar com o de Joseph Bertrand, com o artigo escrito em 1883 (ajuste nos preços). Pimba, o ano da morte de Marx. Então enfileirei essas datas: 1818, 1838 e 1883. Com isso fiquei com o 05.05.1818. 199 anos, uma data.

Prevejo que no ano que vem, e talvez começando hoje mesmo, haverá pilhas de homenagens por parte de um bom número de intelectuais, incluindo os acadêmicos. Marx nunca foi unanimidade, mas tem seu fã clube muito bem estabelecido. Eu sou seu admirador e nem consigo avaliar o montante da contribuição que ele deu para a humanidade e, em especial, para as ciências sociais.

Vendo tudo isso criticamente, inclusive meu estar-no-mundo há quase 70 anos e os mais de 50 de minha simpatia com o marxismo e meus menos de 30 de desilusão com o "comunismo soviético", declaro-me um igualitarista social-democrata, divergindo dele ao renegar a revolução como instrumento de levar os menos aquinhoados a alcançar o poder.

DdAB

terça-feira, 2 de maio de 2017

Zero Urra!


Querido diário:

Parece que sempre que falo em Zero Hora preciso explicar-me: tinha que ler um jornal em papel com notícias sobre o dia-a-dia da cidade em que vivo. Por azar na meia-dúzia de cidades em que vivi, li jornais que nunca me agradaram plenamente: ou não falam da vida local ou não falam da política com um ponto de vista assemelhado ao meu.

Pois então. hoje, na capa do nanico local comecei a rir da política nacional: há uma óbvia chantagem do governo sobre os mal-fadados deputados que não querem votar a "reforma da previdência". Primeiro, os deputados nomearam os cargos em comissão. Depois, não há pessoas envolvidas, mas apenas votos no congresso. Terceiro: não havendo pessoas, não deixam reputação de bons trabalhadores, o que faz com que as próprias chefias não os validem enquanto trabalhadores e suas demissões podem acontecer num just-like-that de arrepiar as mais azaradas malas de louco. Moral da história: não há democracia com muito CC. Foi por acreditar nisto que fiquei quase dois meses sem tomar banho quando a Dilma, minha ex-estagiária, mandou uma lei ou decreto criando mais uma boa centena de CCs na CC, isto é na casa civil.

Pois mais então ainda. A Rosane de Oliveira, como poderia ser outra pessoa? Pois é, o mundo não é puro preto-e-branco. A jornalista tem um 'drops' citando Olívio Dutra, um líder que me faz vê-lo volta e meia como preto e outras vezes como branco. Ele não é cinza, claro, e nem sempre concordo estrondosamente com suas visões da vida. Mas cada vez mais me alinho a ele em sua compreensão do que vai pelo mundo. Falamos agora das reformas trabalhistas. Como o mundo não é preto-e-branco, como já informei, tem algo bom: que é acabar com o imposto sindical, aquele dia do mês de março que a negadinha é forçada a abrir mão em favor do sindicato que foi criado -muitas vezes a sua revelia- para representá-la. Pois a Carta Capital acha que o imposto não deve acabar. Olimpicamente, Olívio e eu achamos que passou da hora. Outros dois meses afastaram-me do chuveiro lá de casa quando, durante o governo do PT, essa reforma foi recusada.

[Acrescentei isto às 13h24min] A mesmíssima Rosane de Oliveira, na mesmíssima página em que dera o título de "Voz da Razão" para o ponto levantado por Olívio Dutra, em outro 'drops', agora intitulado com "Aliás" diz outro daqueles absurdos que me fazem rir:

A pesquisa Datafolha mostra uma contradição: a maioria dos entrevistados concorda com a necessidade de reformar a Previdência, mas rejeita a proposta que está no Congresso.

Comecei listando todas as reformas da previdência possíveis:
.a Reforma da Previdência 1
.b Reforma da Previdência 2
.c Reforma da Previdência 3
.d Reforma da Previdência 4
.e Reforma da Previdência 5
...
.z Reforma da Previdência n

Cheguei à conclusão que existem "n" (com "n" menor que infinito, mas que pode ser grande pra burro, beirando os 200 milhões, com cada brasileiro dando seu pitaco) e que a macacada está rejeitando a reforma da previdência da escandalosa dupla Temer-Meireles.

É por isso que eu bebo.

DdAB
* Tudo o que escrevi acima saiu de minha cabeça e dos dez dedos com que, desenvoltamente, digito, ou seja, li a Zero Herra, li a Capital dos Carta, fugi da poltrona, assumi a cadeira e...
** Não sei se os dados da figura que o Google me ofereceu ao digitar "imposto sindical" são legítimas, o fato é que, se forem, trata-se da ração de uma pelegada de dar alergia.
*** Parece óbvio que, se quisermos algo sério nas eleições, Olívio deve ser candidato a presidente da república.