sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A Cavalo Dado...


Querido blog:

Acabo de lançar este negócio no Facebook:

Às vezes, fico pensando na vida e digo coisas que jamais me imaginei sendo capaz de pensar... E, em alguns casos, tenho a ousadia de colocar em comentários aqui mesmo no Facebook, ou -mais livre me sinto- para fazê-los lá no blog.
Hoje é dia de Facebook: vi no site de Maria Lucia Sampaio uma nota sobre o destino dos catadores de lixo de Porto Alegre. Como sabemos, o candidato derrotado da coalizão de mais de duzentas centenas de partidos à prefeitura da capital, Sebastião Mello, nos tempos em que foi vereador, fez um projeto que se transformou em lei. Seu objetivo era proscrever as carroças (protegendo, claro, os cavalos) e talvez, para disfarçar, também os veículos de tração humana, oferecendo certo consolo para aqueles que consideram que ele/s considera/m que um semovente, um bem de capital, como é o caso do cavalo, tenha mais importância que o ser humano puxador de carga. Muitos cavalos do tempo da promulgação da lei (que entrará em vigor no próximo dia dez de março) já morreram, o mesmo -suponho- tenha acontecido com muitos condutores.
Nossa América, felizmente (em certo sentido), não é pré-colombiana, pois os catadores usam rodas para transportar sua discutida carga. Mas ainda assim, há pontos de vista que contestam radicalmente o direito que a prefeitura tem de usar estes trabalhadores em condições tão estupefacientemente precárias de trabalho. Quando nasci (1947), vigorava a constituição da república promulgada em 1946. Lá podia-se ler em algum artigo relevante: "todos terão direito a um emprego que lhe possibilite existência digna". Cassado por uma daquelas incontáveis constituições outorgadas pelos militares (com aquiescência, em meia dúzia delas, dos deslustrados políticos brasileiros com acentos no congresso nacional).
Ao chegar ao Facebook, eu já escrevera um manifesto contra os responsáveis pela existência de condutores de veículos de tração humana, eis que li o registro, em Zero Hora, feito pelo colunista Paulo Germano. E aqui reproduzo, com edições maiúsculas.
Parece que pouca gente vê -como iluminados de meu porte e de meia dúzia de outros- a verdadeira solução para o problema dos catadores e dos carroceiros. De acordo com a OIT, eles não detêm empregos decentes [ou seja, detêm empregos precários]. Solução: criar empregos decentes.
Para este grupo de iluminados, parece óbvio que esta "terceirização" a que a prefeitura submeteu o lixo da cidade é criminosa. Já imaginou se essa legião de desvalidos cidadãos tivessem empregos decentes? Que seria de seus filhos, que seria deles com pais tendo o domingo remunerado e férias anuais? Para nós, provavelmente sairia muito mais barato, se pensarmos apenas na carga roubada que a "catigoria" transporta. Pois é, a verdade é que, além de contraventores, como fração ínfima da prevalência da cleptomania entre políticos, este material que eles carregam (com talvez uma ou outra exceção) é propriedade privada dos "lançadores", que o transferem ao DMLU.
Acentuo o ponto: catadores são perversamente terceirizados pela prefeitura para auxiliarem-na a lidar com o lixo urbano. Eles deveriam "entrar na justiça" para verem seus direitos reconhecidos.
P.S. Fui buscar uma foto para ilustrar esse negócio que transplantarei ao blog (que tem um bom público próprio não coincidente com o Facebook, I presume...). E vi que no original, fala-se em cavalos desvalidos, mas nem se fala em infância desvalida. Eu no que nos antecede nem referi diretamente o trabalho infantil, além daquele onírico argumento de que pais com empregos decentes terão filhos com vidas decentes. [As coordenadas do site dos garotos e um cavalo decapitado estão aqui:http://projetos-de-lei.blogspot.com.br/p/proibicao-de-carro…]

DdAB
P.S. Na foto, um cavalo contrafeito e três meninos cujo custo de oportunidade em matéria de empregos no futuro seriam, por exemplo, um clarinetista especializado em Beethoven, um sargento-atleta da força pública e um professor de ciências econômicas.

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