sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Indústria: 70 a um


Querido diário:

Recebi este estonteante clip sobre os 70 x 1 que a Alemanha nos aplica nos dias que correm. E daí? Este é um dos exemplos que costumo dar sobre o delírio industrializante que tomou conta dos dirigentes brasileiros. Pensam que tratores podem construir engenheiros. Eu costumava falar no Starbucks, uma rede voltada a comercializar café acabado e laterais. E hoje em dia falo no Uber, no Facebook, no Google: será que nunca, nunca de núncaras, um brasileiro -tosco e bizarro como somos- vai inventar um troço destes? Education, education, education.

DdAB
Postagem duplicada do Facebook. O aspecto interessantemente trágico da história é que, digamos, nos anos 1950, o Brasil poderia ter adotado a estratégia alternativa de investir mais em seu agronegócio, educar sua população, etc. Depois disto, já consolidados os monopólios alemães e italianos de aquisição do café brasileiro, ainda sobrou espaço para agentes criativos, tanto é que os americanos fizeram a rede Starbucks (aqui). E daqui a mais 60 anos? Claro que ainda não inventaram nada, mas -se inventarem- será que o Brasil terá força para ser ele próprio, ou seguir sonhando em produzir aviões e telefones, deixando escoar-se toda oportunidade originária do agronegócio? Também já avisei que temos os dias contados, pois no dia em que a água do mar for dessalinizada, adeus Deserto do Saara e adeus verduras e flores da América para a Europa: custos de transportes, lei do preço único.

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