quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Tabelas-Espelho: não existem


Querido diário:

Quando alguém olha uma tabela e pensa estar olhando a realidade, eu penso que seu pensamento está levando-x a um engano. As tabelas não são "a realidade", nem "a refletem", pois tabelas são tabelas, construtos mentais depositados com a ponta de um lápis numa folha quadriculada que têm uma reduzida capacidade de "reproduzir a realidade".

Realidade é um ser complexo a que Luiz Roberto Cirne-Lima (em seu livro 'Dialética para Principiantes') chama de realidade-realmente-real, para não dar confusão com qualquer realidadezinha destas cheia de abstrações. Mas não posso olvidar que, em 1985, uma década a mais ou a menos, entreouvi de um camelô na Rua da Praia a frase: "a experiência é o espelho da realidade". Não lembro que ele experimentava, mas adquiri dois exemplares, just in case.

Volta e meia refiro uma frase que adorei de um certo Negroponte, pelo que li à época, declarado rival de Bill Gates. Indagado sobre algo um tanto etéreo que estaria abalando a realidade, ele exclamou: "Não sei o que você entende por realidade". Ato contínuo, fui indagar-me o que eu mesmo achava sobre meu entendimento de realidade e fiquei decepcionado: não achava nada, apenas aceitava-a. Mas meu astrólogo da época (que se demitiu por colisão sideral) alertou-me que eu deveria esclarecer qual realidade é que fazia cordato, aceitando-a. Até hoje insisto em que minha realidade não pode ser a realidade-realmente-real, pois esta -como as tabelas- é inapreensível.

Mal comparando é como se o ratinho da gasolina Atlantic comesse o tigre da Shell. Lembrava-me da propaganda que nos encima (aqui, site maravilhoso, que fui lá endereçado pelo Google Images e fiquei horas a retardar a realidade, digo, esta postagem). Sabedores de que eu iria comparar rato com tigre, os dirigentes da Atlantic diziam: "quem não é o maior tem que ser o melhor." Eu achava interessante e, por isso, decidi estudar economia e fazer minha dissertação de mestrado sobre economias de escala, quando constatei que quem não é o maior tem custos mais elevados. Quase sempre, na realidade. Ou seja, sabe-se lá o que as funções potência ou parábolas cúbicas têm a ver com o assunto...

O problema é complexo, ou seja, tem na solução a raiz quadrada negativa do número 1.

DdAB

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