sábado, 1 de outubro de 2016

O Brasileiro, Tosco e Bizarro: vai às urnas amanhã


Querido diário:

Tosco e bizarro? Claro que será ele, himself, herself, que decidirá as eleições. Mas não pude conter-me e decidi -decididamente não é para influenciá-lo, pois ele mal sabe ler e, se soubesse, não saberia que é a ele que estou me dirigindo. E de onde tirei este "tosco e bizarro"? Foi uma conferência que o professor Sarmento Barata deu no Colégio Júlio de Castilhos, digamos, no final do ano de 1965, essencialmente sobre literatura e política e anunciando sua despedida do sul, migrante que foi para São Paulo. Prenome?
Sobre "as eleição", é que já andei falando ser praticante do voto útil, voto majoritário, bem entendido. Nem vou falar no voto para vereador, quando a inconsistência do voto proporcional manifesta-se com toda clareza: como é que posso votar num vereador que se preocupa, digamos, com o bairro Navegantes, quando sou morador do Menino Deus? Como é que posso votar num jogador de futebol que jamais olhará para minha cara, pois mora no extremo sul da cidade de Porto Alegre? Para prefeito, felizmente, o que temos é o voto distrital, mas o absurdo, no caso, é que o voto é obrigatório.
Como é que alguém pode pensar que "a maior liberdade possível desde que compatível com a dos demais" me é assegurada nesta sociedade brasileira contemporânea, quando me obrigam a votar? Em que minha abstinência prejudicaria ou tua própria abstinência ou tua inclinação a votar?
Então para prefeito, embora esteja absolutamente insatisfeito com a coleção desabotinada de candidatos "de esquerda", vou escolher Raul Pont. Ora, nem posso dizer estar me valendo de razões pessoais (embora, lembremos, ele foi o "reitor da universidade crítica - o MUC que me acolheu enquanto calouro da faculdade de economia da UFRGS no ano de 1968), pois acho uma cara de pau ele ter aceito ser candidato. Renovação? "Comigo, não, violão", algo assim.
DdAB
Imagem: voto obrigatório é o fim.

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