sábado, 10 de setembro de 2016

Eleições, Voto Facultativo e Liberdade Humana


Querido diário:

Quem ouviu falar em eleições municipais e, especialmente, também viu um ou outro debate entre os candidatos, percebeu que o fim da picada não aconteceu naquela patética votação da câmara dos deputados sobre o impeachment de Dilma (aqui). Tal é meu desalento com as respostas trazidas pela renovação da esquerda que comecei a pensar que a solução é mesmo esquecermos a política partidária por alguns anos e começarmos a retomar o trabalho de base feito pelo PT há milênios (organização pela moradia e também pelo ambiente de trabalho.

Tentando instilar otimismo em minhas sinapses, sugeri uma frente parlamentar de esquerda que não resistiu 15 minutos. Dei como exemplos de pontos programáticos comuns:

. voto facultativo
. voto distrital
. parlamentarismo

Pois antes de iniciar-se o 16o. minuto de minha tentativa de articular uma aliança internacional das forças de esquerda, recebi contestação do primeiro: o voto deve ser obrigatório. Na hora não fui capaz de entender, e nem entendera antes, milhares de anos antes, ao ler o conceito de sociedade justa de John Rawls, quando ele inicia o assunto dizendo que o primeiro item absoluto do assunto é que todos terão direito à maior liberdade possível compatível com as dos demais.

E aí é que me pus a pensar: maior liberdade possível? Obrigando o cidadão a votar? Em que medida minha maior liberdade possível não pode ser exercida, pois meu voto é indispensável ao exercício da liberdade pelos demais indivíduos? Que, quando eximo-me de votar, estou reduzindo a liberdade dos demais?

DdAB
Imagem daqui.

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