quarta-feira, 27 de julho de 2016

Educação x Esgoto

Querido diário:

Tudo começou quando comecei a sentir um sabor esdrúxulo na água porto-alegrense. Ou melhor, se o solvente universal é insípido, inodoro e incolor, não se pode sentir cheiro ou sabor significativos, não é mesmo? Começou assim e prosseguiu quando ouvi gente da saúde pública dizendo algo como "mosquito não se mata no mar, mas em terra". Se bem entendi estavam referindo-se ao combate ao Aedes Aegyptii com aviões pulverizando rios, riachos, lagoas, todas as águas internas próximas aos grandes centros populacionais.

E que quer dizer o combate por terra? Saneamento, pois é inconcebível que um país de tão fracos indicadores de esgoto e tratamento dos dejetos queira priorizar gastos em educação. Quero dizer, você me entende, não é mesmo? Claro que a educação é o futuro do país, ou melhor, um país com população educada tem futuro, ao passo que um país de gente de baixo nível geral de qualificação ficará vegetando com baixa renda per capita. Então, claro que estou fazendo uma alegoria, uma metáfora, figuração, simbolismo, viagem, viajações.

E não precisamos de escolas? Claro que precisamos, talvez em torno delas é que se poderia pensar em criar um futuro decente para o Brasil, se houvesse um governo comprometido com cânones razoáveis do cultivo da nacionalidade. Em torno da escola da criança, pode surgir também a escola do adulto, da educação continuada, com sua biblioteca, seu ginásio de esportes, seu auditório para conferências e teatralizações, dentistas, cozinheiros, assistentes sociais, faxineiros, psicólogos, motoristas, e por aí vai.

E por que encontro-me filosófico sobre o saneamento, o esgoto cloacal? Pois parece que essas mesmas propriedades mágicas do espraiamento da escola sobre a vida comunitária poderia ser alcançado com...o escoamento e tratamento dos esgotos domésticos e, principalmente, os industriais.

Que mais? Hoje o editorial do Jornal do Comércio de Porto Alegre citou alguns dados escarrapachantes.

"[...] uma avaliação das 50 maiores cidades gaúchas. E um dos piores indicadores - ao lado da segurança pública - é exatamente na área de saneamento. A média dessas localidades é de 30% de esgoto coletado e apenas 15% tratado."

Nem precisamos saber o que é aquele "[...]" para ficarmos cientes de que nada mais resta ao Brasil do que trocar a prioridade (que nunca foi concretizada, por sinal) das escolas ao saneamento.

DdAB
[Peguei esta imagem ao procurar no Google "esgoto no japao". Sei lá se é no Japão o que estamos vendo. O que sei é que tem gente que acham ais importante o Brasil produzir turbinas para reatores nucleares, geradores de alta tensão, aviões, naves espaciais, deixando de lado máquinas como a que vemos sendo enterrada para processar os dejetos de nosso catabolismo, if you know what i mean...]

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