domingo, 3 de julho de 2016

Amigos Nacionalistas de Slavoj Zizek


Querido diário:

Na página 42 da Carta Capital de 6 de julho de 2016 (que me chegou às mãos hoje mesmo), há uma entrevista com Slavoj Zizek, declarado filósofo marxista. A entrevista é boa, vai até a página 44. O entrevistador Miguel Martins diz "Sua maior frustração reside na incapacidade de a esquerda atual propor uma saída global ao capitalismo." Eu murmurei de mim para mim: eu também. Mas a frase não é 100% cordata: eu me frustro porque a esquerda é incapaz? Menos modesto que o filósofo, eu me frustro é por eu mesmo ser incapaz de levar minha visão de mundo adiante, convencer, persuadir, discutir, emendar e, no devido tempo, vencer. Vejamos uma frase (que truncarei com meus [...]) de Zizek, resposta a uma pergunta que nem é necessária para direcionar o que diz o filósofo:

"Ainda não há uma alternativa positiva de esquerda. Sabemos que o capitalismo global é um problema, mas como devemos agir para reestruturar a sociedade global? [...] Muitos dos meus amigos latino-americanos e europeus pensam que a forma de resistir ao capitalismo é por meio de tradições e Estados Nacionais. Na Europa, uma das linhas predominantes da esquerda radical também defende essas tradições, como no caso do Brexit no Reino Unido. Eles afirmam que a União Europeia é uma organização em defesa do avanço do capital internacional e a única forma de salvar o Estado do Bem-Estar Social e até desenvolvê-lo é por meio da defesa de Estados Nacionais fortes, até mesmo de espécie nacionalista. Há esquerdistas que falam na necessidade de um Socialismo Nacional, em lugar do Nacional Socialismo (Nazismo). Não acho que isso funcione, é uma catástrofe."

Para mim, o segredo é simples: governo mundial, implantação inicial com a renda básica universal baseada em um imposto de Tobin, digamos, iniciando com 5% da renda universal recolhida por meios tradicionais e pagos nos locais de origem das populações (evoluindo até alcançar 51% da renda mundial). Gradativa adoção do livre cambismo em todos os quadrantes, simultânea libertação total para a mobilidade populacional. Social democracia crescente: gasto regressivo (educação, saúde, saneamento, segurança, previdência) e impostos progressivos (crescentemente implantados, como o imposto de renda, o imposto da riqueza e o imposto sobre transmissão inter-gerações). Combate feroz ao tráfico de pessoas, de armas, de drogas e lavagem de dinheiro. E mais medidas, e demais medidas.

DdAB
P.S. Para dar caráter científico a minhas ideias, puxei aquele distintivo em inglês. E, na verdade, estou mais ao lado da expressão que a prendi com Ana Barros: Organização dos Povos Unidos. Isto porque, no devido tempo, quereremos substituir -somos insaciáveis- o governo dos homens pela administração das coisas.
P.S.S. A imagem é daqui.

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