quarta-feira, 29 de junho de 2016

My Brazil


Querido diáro:

Primeiramente fora Temer! Volta e meia evoco que a primeira constituição da república trazia o nome de Estados Unidos do Brazil. Nunca me dera conta até ler na própria constituição (fisicamente falando, páginas cheiráveis) de 1891 no Latin American Center em Oxford. Pois então: é mesmo Brazil com z. E mais vagamente lembro a professora Iracema de Alencar no Colégio Júlio de Castilhos comemorando que chegáramos à grafia correta, pois, se o pau da madeira é brasil, então os constituintes daquele tempo queriam mesmo dizer Brasil e não Brazil. E carrego até o eco de uma canção que não resgatei dizendo "quem te conhece jamais esquece Brasil é com s", lembra?

Em compensação, alguns meses atrás já falei na constatação da fraude, da empulhação que me impingiram desde menino: acreditar que o Brasil teria um futuro luzidio e que eu mesmo poderia ver o país da ordem e progresso ainda em meu horizonte de vida. E, não o fiz por vingança, eu assim que pude passei a passar a empulhação uma geração adiante, alunos, amigos, familiares.

Há mais de 50 anos posso dizer que me interesso pelo que hoje poderia chamar de "economia do desenvolvimento", desde a leitura dos jornais locais, interessando-me pelos do Rio e São Paulo em seguida, as revistas mais técnicas, como a Civilização Brasileira, os jornais nanicos, Movimento e Opinião, essas coisas.

Em verdadeira compensação, li estupefato que o político-réu Eduardo Cunha visitou o presidente-interino (como chamam os benévolos) Michel Temer para tratar da sucessão do próprio Temer, ou seja, o presidente da câmara dos deputados. Parece que ambos, Temer e Cunha, acham que o réu não voltará à linha sucessória. Uma fraude para os meninos que esperam o desenvolvimento econômico ainda em sua geração.

Hoje sabemos que um golpe no desenvolvimento econômico é causado pela tibieza das instituições, pela manutenção dos contratos, tudo falado e volta-e-meia esquecido. Fala-se como se fosse caminho pavimentado para o progresso mais uma vez golpear o "direito adquirido" da classe trabalhadora de trabalhar até algum tempinho razoável antes do passamento.

Hoje vivemos novamente uma crise institucional maiúscula, como já testemunhei outras. Compartilho, com amigos, políticos (que o inferno os trague) e outros pensadores da realidade em que vivem, a sensação de que, caso o parlamentarismo tivesse nascido com aquela constituição de 1891, crises do porte da atual ter-se-iam (como diria o próprio inelegível Temer) resolvido com a dissolução do governo (isto é, comando do executivo, composição eletiva do legislativo e até -já vou acrescentando agora- algumas demissões também no poder judiciário).

Mas a verdadeira responsável pelo caos instalado no Brasil, o caos institucional é a impunidade e a leniência do poder judiciário que autorizou estas situação esdrúxula de termos um presidente da república inelegível para outros cargos públicos em virtude (virtude?) da prática de crime eleitoral, seu amigo Eduardo já sendo declarado réu, como eu falei antes. Mais milhares de deputados e senadores com processos de diferentes graus de periculosidade. O fim da picada.

DdAB
A imagem do Brazil veio da Wikipedia (aqui).

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