quarta-feira, 27 de abril de 2016

7,1: Tristes Desdobramentos


Querido diário:
Você leu mesmo sete vírgula um e não 7x1. Mas este número decimal tem desdobramentos ainda mais tétricos do que a afamada derrota do futebol para o time alemão. Tempos atrás, dei-me conta de que fui enganado por parentes, amigos e professores ao sugerirem que o Brasil era o país do futuro. Até parece que andei lendo o livro com este título escrito por Stephan Zeig (Civilização Brasileira???). E depois, caiu-me a ficha e dei-me conta de que também enrolei parentes, amigos e alunos. Até hoje não me conformo 100% com esta sina de país perdedor, país de renda per capita uma meia dúzia de vezes inferior às mais altas do mundo e com um índice de desigualdade corante (isto é, de fazer o homem de bem corar de ódio e vergonha).
E que é mesmo este sete vírgula um de que falo? Na verdade, é 7,18, uma taxa anual de crescimento que faz a renda dobrar a cada dez anos. Ou seja, se o Brasil crescesse 7,18 em 2016, mais 7,18 em 2017, e assim por diante, chegaríamos em 2025 com praticamente o dobro da renda per capita. E andei acreditando que isto seria possível, eu que vivi (ainda que não 'descoberto' instantaneamente) o chamado Milagre Brasileiro. Miséria, miséria. O fato é que eu mesmo estudei e publiquei um 'paper' em que arguo que os valores milagreiros tiveram muito a ver com o uso de recursos naturais e menos com o crescimento do estoque de capital ou mesmo de trabalho. Devastar a natureza também ajuda no crescimento acelerado, como parece evidenciar o Milagre Chinês.
E quando hoje se fala em reindustrialização, fico rindo sozinho, pois já argumentei que o que nos falta é a reeducação: trator não forma engenheiro, mas engenheiro cria trator, não é mesmo?


DdAB
[Na foto falta a legenda "eu fiz ele" ou "ele me fez"?]

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