quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Inflação: tá na mão


Querido diário:

A grande vergonha da economia brasileira contemporânea deveria declarada como o descalabro do governo Dilma ter perdido o controle da inflação. Claro que não se pode responsabilizar exclusivamente o poder executivo, o banco central, o poder legislativo ou o poder judiciário. O certo é que todos estes são os vilões do descalabro. Por exemplo, apenas políticos, juízes, altos executivos das estatais sem noção combateram violentamente as tentativas daqui e dali de acabar com a indexação. O fato concreto é que, com aquela taxa de câmbio servindo de âncora e com a produtividade do trabalho crescendo a taxas ridículas, que poderíamos esperar?

Por tudo isto e sua raiz quadrada, evoquei há dias uma conferência do prof. Roberto Moraes em 1/jun/1994, ou seja, 22 anos atrás, proferida no Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disse-nos ele sobre os custos da inflação:

.A. Perfeitamente antecipados:
.a. desmonetização
.b. menu costs
.c. incerteza nos preços relativos

.B. Não antecipados (erros de previsão):
.a. aumento na variabilidade dos preços relativos
.b. aumento nos custos de coleta de informação
.c. efeitos de redistribuições de renda e riqueza.

Parece óbvio: o curto-prazismo dos governantes brasileiros em todos os tempos foram, são e serão incapazes de lidar com estas questões. Sigo filosófico: uma das consequências dos resultados, para justificar o passado, é que a inflação dos países subdenvolvidos pode estar apenas apontando para o esforço destas sociedades em realinharem seus preços relativos, acomodando crescente utilização social do trabalho assalariado. E mais, é muito provável que a volatilidade da taxa de inflação no Brasil se deva a que a relação preços-salários deve ser muito tênue, dado que a razão salários/PIB é ralíssima (pois os impostos indiretos líquidos de subsídios são elevadíssimos).

DdAB
A imagem é da wikipedia.

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